NORTH MISSISSIPI ALLSTARS ENCONTRA JOHN MEDESKI E ROBERT RANDOLPH

30 dezembro, 2011
Imagine a mistura de um nervoso country-blues, uma guitarra slide pegando fogo e a poder fusion de um hammond.

Assim é The Word (2001, Ropeadope), registro de uma verdadeira jam de southern rock com farto recheio do blues e de pitadas da atmosfera jazzy de New Orleans, alimentados pela pressão do hammond de John Medeski, a empolgação da guitarra slide e os psicodélicos riffs de Robert Randolph e a base do super grupo North Mississipi Allstars.

O North Mississipi Allstars é um grupo formado em 1996 pelos irmãos Luther e Cody Dickinson, guitarrista e baterista respectivamente, filhos do músico e produtor Jim Dickinson, mais o baixo de Chris Crew. Os garotos cresceram no norte do Mississipi onde foram envolvidos pela música country, pelo blues e pelos sons de Fred McDowell e R.L. Burnside, o que acabou tornando-se uma inspiração para os Allstars.

The Word foi lançado em 2001, uma ambição há tempos vislumbrada pelos irmãos Dickinson e Medeski, que queriam produzir um álbum gospel.
A ideia consolidou-se quando encontraram Robert Randolph, na época com 22 anos. O curioso é que Randolph somente tocava o que é conhecido como sacred steel, um tipo de música gospel tocada em orgãos nas igrejas no sul dos EUA, e ele era o protagonista em uma paróquia em New Jersey. Na época, Randolph tinha gravado somente um tema que tornou-se comercialmente famoso, "Without a God", cuja faixa foi registrada em disco em uma coletânea do estilo pelo selo Arhoolie, e isso realmente chamou a atenção dos irmãos Dickinson e de Medeski.

A história deste grupo nos levou de volta às raizes”, disse Luther Dickinson, guitarrista do North Mississipi Allstars.
Foram necessários apenas três dias no estúdio do Medeski, Martin & Wood no Brooklin, NY, onde o álbum foi finalizado. Totalmente instrumental, o resultado realmente surpreendeu e foi muito bem recebido.
A influência gospel de Randolph deu a diretriz para este trabalho em que quase a maioria dos temas são de domínio público, mas todos arrojadamente preparados com muito groove.


CHICO PINHEIRO: FLOR DE FOGO

26 dezembro, 2011
Quem já teve a oportunidade de assistir a guitarra de Chico Pinheiro entende porquê hoje ele é um nome de referência no instrumento.
Destreza não só na guitarra, mas também no violão, fraseado elegante, limpo e com pleno domínio da linguagem jazzística. Não à toa, tornou-se endorsse da marca Benedetto, modelo de guitarra referência quando o assunto é archtop, quase como um sonho de consumo dos guitarristas na linha de frente do jazz, e cuja galeria constam os nomes de Pat Martino, Pizzarelli, Howard Alden, Ulf Wakenius, Andreas Oberg, Pat Kelley entre outros gigantes.

Chico Pinheiro não se apega a estilos, mantém na sua música a raiz da música brasileira dando a seus arranjos o colorido do jazz necessário para alimentar os mais exigentes ouvidos.
Depois de uma parceira de sucesso com o guitarrista e maestro Anthony Wilson em "Nova" (2008, Goat Hill Rec), agora nos apresenta Flor de Fogo, seu quarto disco que saiu inicialmente no Japão com o nome "There´s a Stormy Inside" pela gravadora CT Music, e aqui foi lançado pelo selo Atração Fonográfica.
Ótimo para nós que este trabalho tornou-se acessível, e é um exemplar obrigatório para os amantes da boa música, cujo trabalho teve repercussão muito positiva em publicações importantes como Jazztimes e Downbeat. O disco foi produzido e arranjado por Chico Pinheiro, gravado entre agosto e outubro de 2009 no Brasil e com gravações adicionais feitas nos EUA no Visual Rhythm Studios, California.

A formação base do disco é do primeiro time - o contrabaixo de Paulo Paulelli, revezando-se no acústico e elétrico, a bateria do gigante Edu Ribeiro, as participações de Fabio Torres, Paulo Calasans e Otmaro Ruiz nos pianos, Marcelo Mariano baixo, os sopros de Bob Mintzer e Nailor Proveta, o acordeon de Lula Alencar e as vozes Dianne Reeves e Luciana Alves e mais os arranjos de cordas de Gilson Peranzetta e Oscar Castro Neves.

O repertório é quase todo autoral, exceto pelo standard Our Love Here to Stay (Gershwin) e As (Stevie Wonder) em uma versão bem brasileira. Os pontos altos ficam nos temas Recriando a Criação, com a participação da bela voz da cantora Luciana Alves, com um destaque ao solo de guitarra de Chico; Boca de Siri com uma levada bem samba-jazz; e a faixa título Flor de Fogo, em que somos presenteados com belo solo de Bob Mintzer, que também participa das faixas As e Mamulengo. Entre os convidados ilustres, Dianne Reeves mostra a voz em There´s a Storm Inside, As e Buritizais; e Nailor Proveta no clarinete em Valsa número 8.

BOB DYLAN POR STEVE JOBS

22 dezembro, 2011
A única vez que Steve Jobs se lembra de ter ficado mudo na presença de alguém, foi diante de Bob Dylan.
Dylan estava com show agendado perto de Palo Alto, Califórnia, em outubro de 2004. Como Bob Dylan sempre foi chucro, caipira e arredio, nunca foi amigo de Steve Jobs e nem fazia questão de ser, mesmo assim convidou-o para uma visita na suíte do Hotel em que estava hospedado.
Conversaram por duas horas, com Jobs visivelmente nervoso por estar diante de um herói seu.
Apesar de quase cinqüenta anos de estrada, Dylan continuava com a inteligência afiada como uma navalha, aberto, honesto. Disse para Jobs que quando escrevia suas canções elas simplesmente aconteciam, nem precisava compô-las, porém nos dias atuais isto não era mais natural como quando jovem. Porém, com um ar de sarcasmo brincou - "Ainda consigo cantá-las".

Após o encontro, Jobs propôs um plano grandioso. A iTunes Store deveria oferecer um pacote digital de todas as canções que Dylan já havia gravado, mais de setecentas no total, ao custo de 199 dólares.
A Sony, gravadora de Dylan, não concordou, alegando que o preço era baixo e degradante para um ícone, uma lenda viva da cultura americana. Dois anos depois, com nova direção na gravadora, Jobs voltou à carga e mostrou o tipo de campanha de marketing que a Apple poderia montar, incluindo todas as canções que Dylan já gravara e exclusividade de oferecer o novo disco, Modern Times, para encomendas antes do lançamento.
O conjunto incluía 773 faixas com 42 raridades, como gravações em pubs e festivais underground da década de 60. Como parte do acordo, Dylan apareceria em um anúncio de TV do iPod apresentando seu novo álbum "Modern Times".
No comercial, Dylan aparece de chapéu de caubói sentando em um banquinho tocando e cantando, suavemente iluminado por trás enquanto uma mulher descolada com boné dançava ao som de seu iPod.
O anúncio não só ajudou Dylan a conquistar um público mais jovem como o levou novamente ao topo da parada da Billboard, algo que não acontecia com Dylan desde a década de 70.
O estilo visionário de Jobs para o iTunes inverteu a fórmula da indústria da música, onde uma grande marca faz a parceria com uma grande estrela ajudando a elevar as vendas.

História narrada em sua biografia Steve Jobs por Walter Isaacson.

TODD SHARPVILLE: DEIXE A LUZ DA VARANDA ACESA

17 dezembro, 2011
Quando eu era garoto eu costumava tocar para impressionar. Hoje, eu toco para me expressar. Minha sanidade mental depende disso.
Assim se define o guitarrista inglês Todd Sharpville.

Teve como mentor o californiano Joe Louis Walker, cuja amizade impressionou o jovem bluesman fazendo-o entender o idioma musical, como ele mesmo lembra -
Hoje, eu ainda ouço um pouco de Joe em todo lick que eu toco, um músico com sua própria linguagem e que me ensinou importantes lições no meu desenvolvimento, em como ser eu mesmo. Joe ensinou a mim e a um monte de crianças ao mesmo tempo naquela época, e eu sinto-me orgulhoso de ter sido uma delas; tiro meu boné  para ele até o fim da minha vida.

Sharpville ainda faz reverência a outros heróis do Blues como T-Bone Walker, Magic Sam, Hubert Sumlin, Freddie King, Peter Green e Lightnin' Hopkins; e não se limitando ao estilo traz os nomes de Buddy Holly, Eddie Cochran, Dylan, Tom Waits, Lennon, McCartney e Willy Nelson.

Começou a desenvolver sua musicalidade cercado pelo cenário Blues londrino. Foi inspirado por uma gama de guitarristas que compartilhavam os palcos em jams nos clubes locais, como Station Tavern, Dublin Castle e o lendário Marquee Club, este que foi seu primeiro palco como artista solo.
Sua carreira musical iniciou em 94 quando assinou com o selo britânico Red Lightnin Records. O dono, Peter Shertser, era conhecido pelo catálogo que incluía John Lee Hokker, Muddy Waters, Peter Green e Buddy Guy, e ficou fascinado pelo estilo de Sharpville. Seu primeiro álbum, "Touch Of Your Love" (1994, Red Lightnin Rec) foi gravado em um equipamento multi-track valvulado vintage dos anos 50, no Bryn Derwyn Studios, em North Wales, um disco raro de se encontrar. A Red Lightnin cedeu a licença deste material para vários outros selos adicionando a música de Sharpville em diversas coletâneas.
"Touch Of Your Love" foi álbum premiado em 94 como Best Album no British Blues Awards e Sharpville como Best Guitarrist em 95, promovendo uma extensa turnê pela Europa e EUA para divulgação do trabalho.
E por incrível que pareça, Sharpville lembra com tristeza esse período – “Estava muito chateado pelo fato da gravadora ter cedido minha música sem minha permissão. Eu era muito jovem e não tinha muita noção das coisas. Era muito imaturo. Eu queria mais tempo antes de ser exposto dessa forma e a gravadora não respeitou isso. E mais, o guitarrista da minha banda, Roger Mad Dog Cohen, contribuiu com muitas das músicas e nunca recebeu crédito, além de seus excelentes solos. Acredito que eles queriam manter o foco em mim, mas isso é uma das piores coisas para um músico, não quero que isso aconteça de novo.”

Até o início de 2000, Sharpville foi regularmente convidado para ser base de muitos artistas americanos, muitos deles que tinham sido referência quando criança e aí incluidos Hubert Sumlin, Byther Smith, Chuck Berry e Ike Turner, ganhando o respeito deles. Ainda durante os anos 90, Sharpville foi a guitarra da cantora Dana Gillespie, com quem gravou cinco álbuns e excursionou ao redor do mundo.
Apesar das dificuldades e problemas contratuais com sua gravadora inicial, em 2001 volta a cena com disco novo, "The Meaning Of Life" (2001, Universal), com vários convidados entre eles Mick Taylor, Snowy White, Eugene Bridges e ícones pop dos 70 como Leo Sayer. O álbum o consolidou como compositor e a turnê abriu portas para o Legendary Rhythm & Blues Cruise nos EUA, o que há de melhor no cenário Blues americano.
O ano de 2004 marcou a vida pessoal de Sharpville com o fim do seu casamento e o início de uma luta judicial para poder ter contato com os filhos, o que o levou a uma internação por um mês com um diagnóstico de depressão. Mas as dificuldades foram superadas e aos poucos voltou ao cenário musical com produção e criação, o que é mais importante, e participando de gravações e abrindo concertos para o lendário Bo Diddley e Joe Cocker. Em 2007 foi convidado por Joe Louis Walker para participar do álbum "Witness To The Blues" (2008, Stony Plain Rec), cuja gravação os levaram ao estúdio de Duke Robillard em Rhode Island, tornando o anfitrião um verdadeiro fã de Sharpville propondo que ele gravasse seu próximo disco em seu estúdio.

Robillard produziu o álbum duplo intitulado Porchlight (2010, MiG), justamente num momento em que Sharpville encontrava-se no meio de um intenso processo criativo.
Os músicos que o acompanham neste registro são na maioria da banda de Robillard - Mark Teixeira bateria, Jessie Williams baixo e Bruce Bears teclados e uma seção de sopros formada por Scott Aruda trompete, Mike Tucker sax alto, Doug 'Mr. Low' James sax barítono e Carl Ouerfurth trombone, além das participações especialíssimas da harmônica de Kim Wilson, de Joe Louis Walker e de Duke Robillard.
São 15 temas, 14 deles autorais e 1 interpretação de Shel Silverstone, If That Ain’t Love What Is.

Porchlight concorreu na categoria British Blues Album em 2011 no British Blues Awards (o premiado foi Oli Brown com o album Heads I Win, Tails You Lose). É um trabalho com uma pegada mais enérgica que "The Meaning Of Life", mas sem perder as influências do Soul, do R&B e com algumas passagens em Slow Blues realmente interessantes. Sharpville é uma fã das Fender e faz pouco uso de efeitos, dando uma sonoridade mais limpa no seu registro.

www.toddsharpville.com/

ELAS : DANI WILDE

10 dezembro, 2011
Seu nome é Dani Wilde.
Criada em Hullavington, pequeno vilarejo de Wiltshite, Inglaterra, teve a sorte e o privilégio de seu pai ser um colecionador dos discos da Stax, Motown e Chess Records, ficando fácil convencê-la do caminho musical que ia seguir; e o próprio pai foi um grande incentivador para ela começar a participar das gigs locais.
Aos 18 anos mudou-se para Brighton, sul da Inglaterra, com o propósito de graduar-se em Música, e passou três anos até alcançar o "1st Class Ba Hons Degree", grau máximo em Artes, e usou a voz para rapidamente conquistar audiência.
Bela voz somada a um estilo próprio de tocar guitarra e o conhecimento da linguagem do Blues chamaram a atenção da gravadora Ruf Records, assinando contrato para a gravação do seu primeiro álbum, "Heal My Blues" (2008). Para ela, este álbum foi um retrato da sua vida naquele momento em meio a tantas mudanças que ocorriam no mundo, econômica e socialmente, e como esse cenário influenciava sua forma de compor. Com a carreira impulsionada pelo lançamento do primeiro álbum, seguiu para a America abrindo shows para artistas consagrados, entre eles Deborah Coleman e Robben Ford, ganhando destaque.
Quando questionada sobre o que a fez se tornar uma cantora de Blues, ela diz –
Quando tinha 14 anos eu fui ao Bishopstock Blues Festival em UK e assisti a apresentações de Sue Foley, Shemekia Copeland e Susan Tedeschi. Antes eu somente ouvia o velho Chicago Blues, John Lee Hooker e Muddy Waters, e assistir aquelas mulheres tocando Blues foi como se explodisse algo em mim, e isso me fez seguir os passos de Susan, e sua presença de palco e musicalidade foram uma grande inspiração.

Em 2010, Dani voltou ao estúdio para gravar seu segundo álbum pela Ruf Records, "Shine", liderada pelo produtor Mike Vernon, profissional de destaque no cenário Blues-Rock britânico nos anos 60 e 70, produzindo trabalhos de Savoy Brown, Bluesbreakes, Eric Clapton, Fleetwood Mac, Peter Green, John Mayall e Ten Years After. Para ela, trabalhar com Verno foi uma grande oportunidade, a quem tinha como um herói, e ele saiu do seu descanso exclusivamente para produzir seu álbum.

Dani também integrou o grupo Girls with Guitar ao lado das guitarristas Samantha Fish e Cassie Taylor.
Sobre este projeto, ela tem a maior empolgação em falar sobre –
É muito divertido, nós não percebemos o quão bem sucedido esse projeto se tornaria. É gratificante trabalhar com esta equipe de talentosas mulheres. Nossa participação no Legendary Blues Cruise foi a realização de um sonho”.





Dani Wilde on Myspace.

HUBERT SUMLIN MORRE AOS 80 ANOS

06 dezembro, 2011
Hubert Sumlin, o guitarrista de Howlin Wolf que influenciou Clapton e Hendrix, morre aos 80 anos.
A matéria abaixo foi publicada no Washington Post (tradução livre) e você pode ler o original aqui

por T. Rees Shapiro

Hubert Sulim, o guitarrista de blues que protagonizou os licks e solos entusiasmados dos sucessos de Howlin’ Wolf nos anos 50 e 60 e que mais tarde influenciou os trabalhos de Clapton, Hendrix e Stevie Ray Vaughan, morreu em 4 de dezembro em um hospital de Wayne, New Jersey. Ele tinha 80 anos.
Seu agente, Hugh Southard, disse que ele teve um ataque do coração.

Sumlin estava entre os últimos de uma geração de músicos que ajudaram a modernizar o blues com a guitarra elétrica.
Embora seu nome não ser tão conhecido, Sumlin era considerado uma lenda do blues cujo virtuosismo inspirou os Rolling Stones, Led Zeppelin e Allman Brothers.
A revista Rolling Stone o ranqueou na posição 43 dos 100 maiores guitarrista de todos os tempos (Sumlin estava localizado acima do guitarrista Slash e o pioneiro do rock´n´roll Buddy Holy).
Nascido no Mississipi, Sumlin tocou seus primeiros acordes em um comprimento de corda amarrada em dois pregos ao lado de sua casa. E foi nessa onda, que ele chamou de “diddley bow”, que Sumlin começou a desenvolver seu próprio estilo, trêmolo, que tornou-se sua assinatura.
Outros guitarristas são inspirados por ele, mas ninguém soava como Sumlin”, disse Bob Margolin, guitarrista da banda de Muddy Waters.
E foi a mãe de Sumlin que mais tarde comprou uma guitarra de verdade com seu salário semanal em seu trabalho numa agencia funerária.
Sumlin tinha 10 anos quando foi a um bar local ouvir um dos seus ídolos - Chester “Howlin’ Wolf” Burnett. Proibido de entrar no bar, Sumlin empilhou várias caixas de madeira até uma janela para que pudesse olhar o que rolava lá dentro, porém as caixas balançavam tanto que Sumlin caiu através da abertura da janela e foi parar no palco na frente de Howlin Wolf, um cara grandalhão e com aquele vozeirão. O cantor ficou impressionado com a dedicação de Sumlin com sua música e pediu que fosse colocada uma cadeira no palco para o mais jovem fã. Ao final da apresentação, Wolf levou Sumlin para casa.
Em uma de suas entrevistas para a revista Worcester, Sumlin recorda a conversa de Wolf com sua mãe – “Olha aqui, não o castigue. Um dia, Mrs Sumlin, tenho certeza que ele tocará comigo. Ele é diferente, será um músico e será uma boa pessoa”.
Sumlin, que não escapou do castigo da sua mãe, manteve contato com Howlin Wolf e juntou-se a sua banda em Chicago no ínicio dos 50 e se estabeleceu como guitarrista e um parceiro criativo. Os licks de Sumlin em “Killing Floor,” “The Red Rooster” and “Smokestack Lightning” são considerados clássicos do Blues.
Apesar do seu bem sucedido trabalho com Wolf, Sumlin disse que foi demitido por mais de 100 vezes, numa dessas ocasiões Wolf o demitiu na frente de uma platéia de mais de 700 pessoas alegando que Sumlin estava tocando muito alto e interferindo em seu vocal. Sumlin foi para casa e começou a tocar sem o uso de palhetas, usando apenas os dedos.

“Eu podia sentir a alma e a dor, podia sentir tudo e isso me fez bem”, disse ele para a revista Guitar Player em 2005."

Sumlin voltou para a banda de Wolf e tocou com o grupo até sua morte de 1976.
Após décadas na sombra de Howlin Wolf, Sumlin lutou para engrenar sua própria carreira solo. Lançou vários álbuns solo e recebeu muitas nomeações ao Grammy em 1990.
No meio dos 2000, Sumlin lançou o álbum “About Them Shoes”, que foi produzido por Keith Richards.
Em uma entrevista com o guitarrista, Sumlin explicou o título do álbum dizendo que seu pai ajudava a pouca renda da família com destilação de uísque no meio do pântano e um dia esbarrou com seu pai durante uma operação e quando perguntado o que era aquele equipamento seu pai disse – “Como você acha que calça suas meias ? como você acha que calça seus sapatos?

Hubert Charles Sumlin nasceu em 16 de novembro de 1931 em Greenwood, Mississipi, e cresceu em Hughes, Arkansas. Quando era um adolescente, sua habilidade na guitarra o permitia se apresentar nos bares locais. Ele chegou a formar um grupo com o gaitista James Cotton.
Sumlin casou inúmeras vezes e uma completa lista de suas esposas não pode ser determinada.
Apesar de uma relação estreita com Howlin Wolf, sua amizade com ele era muito sólida, disse ele uma vez ao Milwaukee Journal Sentinel  – “... nós tínhamos pelo menos umas duas brigas por ano, numa delas ele me deu um soco e eu também dei-lhe uns socos ... um dia após a briga ele teve que consertar seus dentes e os arrumou com ouro, e ele ficou melhor que antes eu lhe dar porrada”.

PAT METHENY FALA SOBRE WHAT´S IT ALL ABOUT

30 novembro, 2011
Uma entrevista com Pat Metheny publicada na Acoustic Guitar Magazine em que ele fala sobre seu último e espetacular disco What’s It All About.

Sou suspeito pra falar, mas sem dúvida nenhuma Metheny é gênio !

What’s It All About é um disco de violão solo, o terceiro neste formato em sua extensa discografia, e é uma viagem instrospectiva sobre temas que foram muito populares nos anos 60 e 70 nas vozes de Lennon e McCartney, Carpenters, Carly Simon, Paul Simon e Burt Bacharat e todos os temas tem uma roupagem muito particular, em especial a mais surpreendente, impressionante e gótica versão de Garota de Ipanema do nosso maestro Jobim.
Isso sim é inovar !
Metheny diz que o disco é inteiramente de Linda Mazer, sua luthier. Todos os instrumentos tocados no disco foram feitos por ela, diz ele  - “Linda se entrega de paixão em seus instrumentos, eles são fantásticos  e são como parte de mim agora.

O destaque é o violão barítono, afinado com os mesmos intervalos de um violão comum, de baixo para cima A D G C E A. Sobre as cordas utilizadas, as sexta e quinta cordas são La Bella Bronze Wound (.065 and .056 respectivamente), as duas cordas do meio são afinadas uma oitava acima do que o normal e são D’Addario Bright Wound .022 (quarta corda) e D’Addario Plain Steel .016 (terceira corda), e as cordas mais altas são .026 and .017, também D’Addario Plain Steel. O instrumento tem a escala longa de 28.937 polegadas, a escala padrão tem 25.5 e isso faz o espaço entre os traste maior que o violão comum, o que exige maior esforço para a mão esquerda. E tão desafiador também para a mão direita devido às cordas pesadas usadas para o baixo, o que também exige das unhas.
Diz Metheny -
Tocar com dedos sempre foi um desafio para mim. Há 10 anos quando estava em turnê com o contrabaixista Charlie Haden, eu estava lutando contra meus dedos, aí apareceu um cara chamado Carlos Juan, de Stuttgart, Alemanha, que me abordou após um dos concertos dizendo ter percebido que eu estava tendo problemas e me disse que estava fazendo um produto para músicos flamenco denominado Power Nails (http://www.carlosjuan.eu/index.php?id=36); comecei a usar o produto e isso realmente mudou minha vida, é um produto feito de um material acrílico onde você consegue obter o melhor som do instrumento e sem isto hoje não seria possível tirar o som que eu faço”.

por Mark Small
(tradução livre)

Acoustic Guitar : Voce toca o violão barítono exclusivamente em seu novo álbum. O que o levou adotar este instrumento ?
Pat Metheny : Eu comecei a usar este violão na gravação de One Quiet Night há 10 anos. É um instrumento feito pela luthier canadense Linda Manzer e quando eu o vi e nele toquei os primeiros acordes foi maravilhoso. Me lembrou um garoto, Dr. Ray Harris, da minha cidade natal, que era um cara excêntrico mas brilhante, quiroprático, inventor e guitarrista de jazz. Ele construía estranhas guitarras em sua garagem e uma delas tinha dois braços, o de baixo era parcialmente um baritono com as cordas baixas afinadas uma quinta abaixo e as duas cordas mais altas afinadas uma oitava. Lembro quando o peguei e toquei  e eu, ainda garoto, pensei – “uau, fantástico!”
Eu apostei no violão barítono quando fiz One Quiet Night. Então eu tirei as duas cordas do meio do violão e coloquei cordas mais altas, simplesmente o som abriu e toquei livremente por quase seis horas, foi quando surgiu o material do disco.  Nos últimos dez anos eu toquei o barítono em todos os concertos que fiz, e foram milhares de gigs. Hoje eu realmente entendo este instrumento.

AG : O que o levou a gravar cover de canções famosas ?
PM :  No ultimo ano fiz mais de 150 concertos tocando a música que eu escrevi para o disco Orchestrion. Era uma música complexa e ainda a gravação com o trio que fiz antes deste trabalho, Day Trip, que tinha todo tipo de coisas e antes disso teve The Way Up, um longo tema de 1 hora de duração. Os últimos anos foram um período muito intenso para mim em termos de composição. Em diversas passagens de som eu sacava uma versão de um ou outro tema e as pessoas diziam – “... você devia gravar isso algum dia”. E então foi feito. What´s It All About foi feito de forma muito similar a One Quiet Night, na minha casa. E essa é exatamente uma das maravilhas do mundo moderno, a facilidade de fazer gravações 24-bit, 96 Khz com bons microfones.

AG : Do jeito que você toca o violão barítono, parece que  as melodias das canções estão sobre as cordas do meio do violão. Isso transforma a forma como você pensa a música ?!
PM :  É engraçado como isso funciona. É um pouco como um ukulele ou um banjo de cinco cordas onde as há notas altas próximas a parte de baixo do instrumento, e o meio já é a parte superior.
Eu penso que o barítono é realmente como as três partes de um quarteto de cordas - voce tem o violino representado nas cordas do meio, a viola nas cordas mais baixas e o cello nas cordas mais altas.
Na minha cabeça, eu penso como se estivesse tocando os três ao mesmo tempo, como se cada deles fosse de duas cordas.
As cordas abertas são realmente essenciais para fazer a música acontecer. É divertido explorar porque nós sabemos que em um seis cordas convencional as cordas altas E e B apresentam oportunidades em termos de orquestração. Se você tem a corda E aberta e move-se ao redor dela, você pode obter efeitos extraordinários. Com o barítono há quatro notas altas que podem soar sobre outras coisas e isso abre um leque de possibilidades, pode-se ter vozes que você não teria numa afinação convencional e pode-se combinar com outras cordas e dar uma função de baixo, um peso que não existe no violão convencional exceto na pequena faixa entre o G e E baixos. O barítono oferece e expande esse conjunto de possibilidades, lógico que com limitações mas é uma divertida mistura de coisas.

AG : Falando em sua versão de Lonely Woman de Ornette Coleman, do álbum Rejoicing de ’83, foi aí que voce começou a tocar temas de jazz em violão acústico ?
PM :  Definitivamente. Aquele momento foi um avanço real para mim. Minha relação com o violão acústico emergiu muito tarde em meu desenvolvimento musical. Eu mesmo não pensava em ter um violão acústico nos anos 70.

AG : New Chatauqua, de 79, foi sua primeira incursão séria em tocar violão acústico ?
PM : Na época de escola e mesmo durante a gravação de Bright Size Life (75) não pensava em tocar acústico. Linda Mazer me mostrou em 82 o violão que eu usei em Lonely Woman. Eu não conhecia muitas coisas, tipos de som e balanceamento que já existiam. Abriu-se um mundo para mim e ao longo do tempo eu também comecei a tocar violão com cordas de nylon na gravação de Travels.  Daí meu lado acústico emergiu.  Mas a dura realidade no jazz é que violão acústico sem captadores ou microfones tem uma aplicação muito limitada por causa da pequena faixa dinâmica dos instrumentos. Problemas sobre dinâmicas em instrumentos são muito comuns, então por isso eu sempre fui um adepto do lado mais elétrico. Para esta gravação, tão acústica quanto, eu ainda pensava muito sobre que microfones usar e como usá-los. Todos aqueles elementos fazem parte de como fazer do violão acústico uma plataforma viável para mim em meu dia a dia como músico. Eu passo muito tempo atento a microfones, captadores, cordas e assim por diante.

AG : Voce começou tocando com os dedos tão bem quanto com palheta quando você tocou violão ?
PM: Sim. Desde o início eu estava aprendendo temas de bebop  e bossa nova. Eu sempre amei aquele estilo, então eu acredito que minha conexão com modo de tocar com os dedos realmente vem mais da bossa nova do que a música clássica ou qualquer outra coisa.

AG : A música folk foi uma influência para você ?
PM: Eu realmente admiro Paul Simon. Quando eu comecei a tocar, lembro de ler e estudar uma análise de sua técnica de tocar em revistas especializadas. Eu sempre fui um grande fã dele, e claro que de James Taylor também.

AG : Fale sobre o seu dedilhado. De onde vem os elementos que fazem seu estilo ?
PM:  Minha primeira experiência com o instrumento foi no acampamento, sentado ao redor de uma fogueira com as pessoas tocando canções como Michael, Row the Boat Ashore.
Guitarras são tudo pra mim, são fantásticos os tipos de ritmos, harmonias. Na época do New Chatauqua eu estava convencido que não se usava muito o dedilhado na forma do jazz, havia um pouco disso no toque de Gabor Szabo mas ninguém explorou o dedilhado em um forma rítmica  como tocar um um baterista como Jack deJohnette. E isso é o que predomina no álbum 80-81.
Desde o início, antes que eu pudesse tocar qualquer coisa, eu usava do dedilhado e eu gosto de fazer isso.
Neste novo disco isso fica representado na faixa Pipeline. Os primeiros três temas que aprendi a tocar foi Pipeline, um tema do filme Peter Gunn, e um tema que pareça ser único – Girl from Ipanema. Estas gravações foram duas das três quando eu comecei a tocar e não é coincidência que ambas são interpretações de suas versões originais. Em geral, as interpretações dos temas neste disco são mais poéticas que as originais.

AG : Particularmente, a mais próxima do original é “And I Love Her”
PM:  É uma bela versão tocada com cordas de nylon, aliás é a única do disco tocada com nylon. Há vários temas neste disco que toquei muitas vezes de diferentes formas. Voce tem que ter um motivo para tocar uma música como esta. Sempre pensei em And I Love Her como um veículo para improvisação, você pode fazê-lo sem tocar a melodia e as pessoas saberão que canção é. Isso é uma grande qualidade em qualquer standard.

AG : Provavelmente o tema mais desconstruído neste disco é Girl from Ipanema. O que o levou a fazer a introdução em andamento tão lento ?
PM:  É um tema muito manjado quando você pensa em todos os que foram sucesso nos últimos 50 anos. Não acho que há qualquer tema que seja tão próximo em termos de complexidade. Sempre pensei que havia um conjunto de mistérios neste tema que realmente não tinha percebido. Pode parecer excêntrico, mas eu procurei manter a linha da canção. E mais, se você vai tocar Girl from Ipanema desta forma, é melhor que você a veja de varias perspectivas.  Por outro lado, o jeito que a toquei  é algo que faço com muitos temas ultimamente quando eu realmente não estou tocando a forma real da canção. Quase como uma abordagem a la Ornette Coleman quando você toca a forma e o sentimento do tema. Se eu senti que tinha que fazer assim, simplesmente fiz.
Há um pouco desta aboragem no tema da Carly Simon, That’s the Way I’ve Always Heard It Should Be. Há um ponto onde comecei pensando sobre uma coisa e fui em outra direção. Uma das mais belas coisas de tocar solo é que você pode fazer isso, a liberdade é a melhor parte do ponto de vista de improvisação.

AG : Os temas deste disco realmente revelam sua forma de compor e tocar ?
PM:  São temas realmente formatados por mim. Se você perceber Betcha by Golly Wow e então escutar Omaha Celebration do Bright Size Life, há mais do que uma pequena influência aí.
Omaha Celebration é um tema que eu realmente adorei desde o momento que o escrevi. A música de Henry Mancini nos 60 era também grandiosa pra mim. E ainda não consigo absorver as canções de Burt Bacharat. Muitas das músicas do disco tem essa identidade que fui encontrando na música de outras pessoas e na minha própria. Voce pode escrever um tema e tocá-lo por trinta concertos e saberá se ela sobreviverá ou tomará outras formas. Pode soar bem nos primeiros quatro concertos e depois por alguma razão perder o sentido.
Alfie, Bacharat, tem esse tipo de sensibilidade que alguns temas possuem, você pode tocá-la noite após noite e sempre haverá coisas para fazer com ela. Como James, que é um tema que toco um bilhão de vezes e um bilhão de formas diferentes. É a mesma coisa, voce pode dissecar o tema ao máximo, mas sempre terá alguma coisa nova a acrescentar.

AG : Sound of Silence do Paul Simon voce tocou em seu violão Pikasso. Deve ter dado trabalho manter a melodia, o baixo e o sincronismo simultaneamente.
PM:  Foi realmente dificil. As cordas no Pikasso onde eu tenho que tocar a melodia  são muito próximas. Eu quis fazer uma canção do Paul Simon e uma que coubesse nesse instrumento. Foi também um belo meio de expandir a gravação do tema  um pouco mais do que com o violão barítono.

AG : Com sua série de álbuns intitulado Virtuoso nos anos 70, Joe Pass fez uma releitura do música do seu tempo com sua própria abordagem. Em What’s It All About e One Quiet Night, voce também trouxe uma nova abordagem ao violão acústico com repertório mais recente. Voce acha que estas gravações servirão como uma nova forma de tocar solo ?
PM:  É dificil dizer, estou muito envolvido com o dia a dia de tudo. Quando penso sobre as gravações de Joe Pass, ele estava balançando por todos os lados, aquelas gravações representaram um grande salto sobre técnicas avançadas para o instrumento. De certa forma, é quase o oposto disso, há realmente muito pouco aqui que seja difícil de tocar, é mais sobre o que está por trás da música .
Como One Quiet Night, What’s It All About é um trabalho muito pessoal, não consigo vê-lo de outra forma. Tambem não sei se seria capaz de fazer um disco como esse em qualquer outro momento da minha vida, até agora.

Mais Pat Metheny -

What´s All About Orchestrion Unity Band Live at Vienna Opera House

JOHN ZORN EM TRÊS MOVIMENTOS

26 novembro, 2011
Avant Garde : denominação genérica das formas livres das artes tida como modernas ou de vanguarda a partir dos anos 60. Pode-se considerar um sinônimo de free jazz e muitos músicos preferiam o título de avant garde ao free. (Mario Jorge Jacques, Glossário do Jazz).

Tzadisk é um selo dedicado ao melhor do avant garde e música experimental, onde nos apresenta uma comunidade de compositores e músicos contemporâneos que encontram dificuldade de lançar seus trabalhos pelos selos convencionais. Tzadik.com é o endereço virtual e um catálogo de primeira categoria e a certeza de que encontrará excelentes novidades.
O selo foi fundado em 1995 e tem na sua direção o nome de John Zorn.

Zorn é um músico de muitas formas, começou estudando guitarra e flauta e foi muito influenciado pela música clássica, mas seus estudos em composição na Webster College, St Louis, o expôs ao mundo musical do free jazz e a improvisação e foi ouvindo Anthony Braxton no disco For Alto (1968, Delmark), um disco de sax alto solo que tornou-se uma referência, o que o entusiasmou a tocar o instrumento. Sua mudança para Manhattan foi uma atração ao mundo dos improvisadores e músicos de jazz e começou a levar a sério a composição.

Apesar da sua extensa discografia, Zorn ainda é uma novidade pra mim. O conheci de fato em uma apresentação em video onde ele não se apresentava a frente de um instrumento, mas era o regente em pequenos grupos - Masada String Trio formado pelo cello de Erik Friedlander, o violino de Mark Feldman e a guitarra de Marc Ribot e o Bar Kohba Sextet que é o mesmo grupo complementado pelo contrabaixo de Greg Cohen, a percussão de Cyro Baptista e a bateria de Joey Baron.
Quase performático, Zorn sentado no chão e bem a vontade do lado do grupo com as pautas espalhadas e regendo os grupos a sua maneira. Tão moderno quanto excêntrico e um som sensacional.

Em foco aqui três movimentos –  In Search of the Miraculous (2010, Tzadisk), Goddess: Music for the Ancient of Days (2010, Tzadisk) e At the Gates of Paradise (2011, Tzadisk).
Em todos, Zorn assina as composições e a formação é semelhante, combos, seguindo a mesma linha musical com um abordagem bem contemporânea e com algumas sombras fusion, principalmente quando se apresenta a guitarra de Marc Ribot.
Destaque para o vibrafonista Kenny Wollesen, outra excelente novidade, e os pianistas Rob Burger e um John Medeski exclusivamente ao piano, bem diferente da onda eletrônica do MMW assim como no último disco do grupo ao vivo no Japão The Stone, Issue Four.

Na formação dos discos, em In Search of the Miraculous temos Rob Burger piano e orgão, Greg Cohen e Shanir Blumenkranz ao fender bass e double bass respectivamente, Kenny Wollesen vibraphone e Ben Perowsky bateria, contrabaixo;
em Goddess: Music for the Ancient of Days traz, além de Rob Burger, Ben Perowsky e Kenny Wollesen, traz Carol Emmanuel na harpa, Trevor Dunn no contrabaixo e Marc Ribot guitarra; em At the Gates of Paradise temos John Medeski piano and orgão, Kenny Wollesen vibraphone, Trevor Dunn contrabaixo e Joey Baron bateria.

O JAZZ EM LUTO. MORRE O BATERISTA PAUL MOTIAN (1931-2011)

23 novembro, 2011
Artigo publicado no jornal New York Times na edição de 23 de novembro de 2011 na página B19.

A matéria original voce lê aqui.

(tradução livre) 












New York Times, 23 de novembro
por BEN RATLIFF

Paul Motian, baterista, compositor, lider e um dos mais influentes músicos de jazz dos últimos 50 anos faleceu na última terça-feira em Manhattan aos 80 anos.
A causa  da morte foi uma complicação decorrente do que chamam de sindrome mielodisplásica, uma doença do sangue e da medula óssea, conforme disse sua sobrinha Cindy McGuirl.

Motian era um elo com o passado que fazia o jazz sempre soar moderno. Foi baterista no grande trio de Bill Evans entre o final dos 50 e inicio dos 60 e no quarteto de Keith Jarrett nos 70, o chamado American Quartet. Mas foi a partir de sua segunda metade de vida que Motian se encontrou como compositor e líder.
Um músico atuante ao longo de décadas e nos últimos anos quase que inteiramente vivendo em Manhattan.
Sempre teve o suporte dos produtores Stefan Winter  e Manfred Eicher que lançaram sua música nos selos Winter&Winter e ECM, e Lorraine Gordon, proprietário do Village Vanguard, a quem o tinha na agenda muitas vezes ao ano em seu próprio grupo ou acompanhando outros músicos.  Motian dizia que “sempre preferia o som da sua bateria no palco do Village Vanguard”.

Entre os muitos músicos  que tocaram com ele, incluem-se o saxofonista Joe Lovano e o guitarrista Bill Frisell, com quem formou um trio; o pianista Masabumi Kikuchi; os saxofonistas Greg Osby, Chris Potter e Mark Tuner, com quem participou em trios e quartetos; os membros da Electric Bebop Band, com varias guitarras, que em 2006 tornou-se a Paul Motian Band; e dezenas de outros músicos, entre jovens e velhos ícones do jazz. Em quase todos os seus grupos, o repertório era uma combinação de temas autorais que ele criava ao piano, standards do American Songbook  e o tradicional bebop de sua juventude nos nomes de Bud Powel, Monk, Parker e Mingus.

Stephen Paul Motian nasceu na Philadelphia em 25 de março de 1931. Entrou para a Marinha em 1950 e recebeu alta 1 ano depois.

Motian encontrou Bill Evans em 1955 e até o final desta década trabalhou em seu trio com o baixista Scott Lafaro. Aquele grupo, no qual o contrabaixo e bateria interagiam com o piano em total igualdade, continua a servir com uma importante fonte do moderno piano jazz trio.
Entre o final dos anos 50 e início dos 60, Motian tocou com muitos outros lideres, incluindo Lee konitz, Warne Marsh, Mose Allison, Tony Scott, Stan Getz, Johnny Griffin e, por uma semana, Monk. Após deixar sua parceria com Evans, trabalhou regularmente com o pianista Paul Bley, a quem ele frequentemente creditava “ter abrido portas para muitas possibilidades”.
De repente não havia mais restrições, nem mesmo uma forma .. era completamente free, quase caótico”, disse Motian ao escritor e também baterista Chuck Braman em 1996.

Em uma entrevista na tarde de terça-feira, Bley lembrou – “Nós compartilhamos a mesma filosofia. Ele sabia que o que estava fazendo no passado não era a resposta. O que ele viveu foi o crescimento e foi  revolucionário”.

E mesmo com o quarteto de Jarrett na década de 70, Motian afastou-se daquela onda baseada no swing, ele improvisava livremente ou jogava fora as formas melódicas. Ansioso para crescer além da percussão, estudou composição no piano e em 73 lançou um disco com composições próprias pelo selo ECM intitulado Conception Vessel ao lado de Jarrett. Uma das últimas gravações que ele fez com o quarteto de Jarrett foi Byablue (1977), que era basicamente originais de Motian.
Mas o velho senso do swing nunca o deixou, o que mais tarde tornou-se muito claro novamente, mesmo se estivesse tocando um tema autoral ou mesmo um fraseado com blocos de silêncio ou um tema enraizado no jazz como Body and Soul. Muitas vezes ele usa a batida básica, com o som das escovas sobre os pratos e a pegada abrupta do seu bumbo. Geralmente, um ouvinte podia localizar esta forma, mesmo quando Motian não o fazia explicitamente.
Com Paul, sempre havia aquele ritmo característico do jazz ao fundo”, disse o pianista Ethan Iverson, um dos mais jovens com quem tocou e com quem também aprendeu até o fim.
A última apresentação de Motian no Vanguard foi com Greg Osby e Kikushi, em setembro. “Ele era econômico, toda nota, frase e expressão contadas ... nada era descartado”, disse Osby na última terça-feira.
Motian vivia com sua irmã, Sarah McGuirl.

FELIZ DIA DO MÚSICO

22 novembro, 2011
àqueles que fazem da música 
a trilha sonora de todos os nossos sentimentos

III FESTIVAL CHORO JAZZ JERICOACOARA, EDIÇÃO 2011

21 novembro, 2011
divulgação


Jericoacoara, localizado a 300 km de Fortaleza, é um dos principais cartões postais brasileiros e uma das regiões mais exuberantes do mundo. E mais uma vez será palco de uma semana inteiramente voltada para a música durante a 3ª edição do Festival Choro Jazz Jericoacoara, que acontecerá entre os dias 29 de novembro e 4 de dezembro reunindo grandes músicos nacionais e internacionais.

Além dos shows, haverá workshops com ênfase na música instrumental onde além dos cursos de instrumento também terá aulas práticas de conjunto incluindo violão, contrabaixo, guitarra, bateria, percussão, metais, piano e canto, que serão liderados por Arismar do Espirito Santo, Vinicius Dorin, Carlinhos Pandeiro de Ouro e Zé Paulo Becker.

O evento é gratuito e será realizado na Praça Central de Jericoacoara.

Programação -

dia 29/11, terça-feira
22h : Hamilton de Holanda Quinteto
meia noite : Ivan Lins e Celso Viáfora

dia 30/11, quarta-feira
22h : Nenê Trio
meia noite : Choro Rasgado

dia 01/12, quinta-feira
22h : Eudes Fraga e Nilson Chaves
meia note : Luis Felipe Gama, Ana Luiza e Natan Marques

dia 02/12, sexta-feira
18h : O Som dos Meninos Quietos
22h : Bob Mintzer  e Russell Ferrante
meia noite : Zé Menezes

dia 03/12, sábado
21h : Gilberto Monteiro e Lúcio Yanel
22h : Toninho Ferragutti
meia noite : Carlos Malta e Pife Muderno com participação de João do Pife

dia 04/12, domingo
22h : Ensamble Gurrufíu 
meia noite : Velha Guarda da Portela

Mais informações em  http://chorojazzjericoacoara.com.br

DOWNBEAT READERS POLL 2011

17 novembro, 2011
Anunciado o resultado do 76 Annual DownBeat Readers Poll.

Conforme afirmou Frank Alkyer, editor da revista Downbeat, esta foi uma dos mais excitantes edições do Readers Polls, em décadas.
E complementa – “... primeiro porquê Ahmad Jamal é uma nomeação que estava em atraso para o Hall of Fame. Todos nós da revista torcemos para ele ter esse reconhecimento; segundo, Esperanza Spalding ser eleita a primeira mulher como Jazz Artist of the Year, ela representa a próxima geração de brilhantes artistas; e, finalmente, não há gravação mais condizente com o título de Jazz Album of the Year do que Live in Marciac do pianista Brad Mehldau, também nomeado como Pianist of the Year”.

Na edição deste ano foram 6.902 votos.

A lista dos vencedores –

Hall Of Fame: Ahmad Jamal
Jazz Artist Of The Year: Esperanza Spalding
Jazz Album Of The Year: Brad Mehldau, Live In Marciac (Nonesuch)
Historical Album Of The Year: Miles Davis, Bitches Brew: 40th Anniversary Collector's Edition (Sony/Legacy)
Blues Album Of The Year: Buddy Guy, Living Proof (Silvertone/Jive)
Beyond Album Of The Year: Jeff Beck, Emotion & Commotion (ATCO)
Big Band: Maria Schneider Orchestra
Jazz Group: Keith Jarrett, Gary Peacock & Jack DeJohnette
Soprano Saxophone: Wayne Shorter
Alto Saxophone: Phil Woods
Tenor Saxophone: Joshua Redman
Baritone Saxophone: James Carter
Trumpet: Wynton Marsalis
Trombone: Steve Turre
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Hubert Laws
Drums: Jack DeJohnette
Vibes: Gary Burton
Percussion: Airto Moreira
Violin: Regina Carter
Acoustic Bass: Christian McBride
Electric Bass: Marcus Miller
Guitar: Pat Metheny
Piano: Brad Mehldau
Organ: Joey DeFrancesco
Electronic Keyboard: Chick Corea
Miscellaneous Instrument: Toots Thielemans (harmonica)
Male Vocalist: Kurt Elling
Female Vocalist: Diana Krall
Composer: Maria Schneider
Arranger: Maria Schneider
Record Label: Blue Note
Blues Artist or Group: B.B. King
Beyond Artist or Group: Jeff Beck

MAGNUS OSTROM: THREAD OF LIFE

15 novembro, 2011
Magnus Ostrom era o baterista do E.S.T, trio liderado pelo pianista sueco Esbjorn Svensson, um dos mais contagiantes e originais grupos que surgiram nos últimos tempos. O falecimento do lider em junho de 2008 durante um mergulho no Mar Baltico deixou todos nós orfãos do grupo e cujo silencio de mais de dois anos dos demais integrantes somente parou neste ano com os lançamentos dos discos solo de Ostrom, em foco aqui, e do contrabaixista Dan Berglund.

E Magnus Ostrom voltou ao seu favorito estúdio, Atlantis Studio na Suécia, junto com velhos amigos do cenário jazzístico local para gravar composições que ele escreveu durante o período após a morte de Svensson. O grupo base é formado por Andreas Hourdakis guitarras, Gustaf Karlof piano e teclados e Thobias Gabrielson contrabaixo.

O album intitula-se Thread of Life (2011, ACT Music), nome que ele atribui "a energia que mantém tudo vivo e que também dá a chama para a minha música".
Um trabalho original com forte influência da música do E.S.T., a mesma textura contemporânea, com uso de efeitos de guitarra e armações de teclados sem limite para os improvisos.
Neste album Magnus, alem de lider e baterista, é o compositor, arranjador e produtor. Diz ele - "... é para mostrar que o meu universo musical é tudo o que eu precisava para fazer esse trabalho, e também porque eu amo compor e estar no estúdio produzindo, e não podia ter tido uma equipe melhor para fazer isso comigo ...". E ficou muito orgulhoso do resultado.

A verdade é que, para nós que ouvimos, é um som realmente envolvente, que nos apresenta uma atmosfera quase rústica, sombria, mas que é ao mesmo tempo confortante. Há uma identidade forte com o som progressivo dos 70, bem evidente em Hymn For The Past, dividida em duas partes, e Longing, com uma melodia encorpada de efeitos e conduzida pelo solo de piano de Gustaf Karlof. Outros pontos altos do disco estão em The Haunted Thoughts And The Endless Fall, a mais intensa e que aparece com uma roupagem bem fusion com uso de efeitos eletrônicos de guitarra; Affilia Mi que traz o vocalize melódico de Ostrom sobreposto por uma marcação ritmica constante que nos faz lembrar a onda de Half Life of Absolution do Metheny Group; e a belíssima balada Between onde novamente destaca-se o solo do pianista Gustaf Karlof que aqui lembra muito o toque de Lyle Mays.

E há uma composição muito especial no disco - Ballad for E.
Magnus diz que quando a compôs já tinha a canção em mente e fez questão de executá-la com Dan Berglund e com Pat Metheny que foi um dos músicos que juntou-se ao E.S.T. no palco como convidado em varias ocasiões. Aliás, eu conheci o trabalho do grupo justamente num concerto gravado ao vivo em Baltica em 2003 com Pat como convidado especial ao lado da Schleswig-Holstein Chamber Orchestra.
E Pat tem um tremendo respeito pela trabalho deles, tanto que quando feito o convite para participar deste tema sua afirmativa foi imediata. Assim, Ostrom partiu com Berglund para NY para encontrar Pat no Avatar Studios, Manhattan, e gravaram Ballad for E, uma bela homenagem a Esbjorn Svensson.

Thread of Life é uma verdadeira viagem sonora.

CAFÉ, RITMO E BLUES

08 novembro, 2011
Narra a história que a raiz do Blues se originou do canto do trabalho escravo, primeiramente como uma forma de protesto às jornadas de trabalho  e cujas letras expressavam angústias, lamentos, dores de amor e traição e serviam como um meio de fuga de todos estes sentimentos. Historicamente é a forma musical de maior influência na musica ocidental que originou e se traduziu no jazz, no rhythm and blues, no rock e na soul music, uma influência e tanto que se enraíza e se apresenta em ritmo e sensualidade.
Não só nas plantações de algodão ao longo do Mississipi, o trabalho escravo aqui em nossas terras também existia nas colheitas de café no vale do Rio Paraíba entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e não se limitava à colheita, mas também nas atividades que se seguiam e que eram todas realizadas manualmente. Foi a expansão da lavoura cafeeira no século 19 que transformou o nosso sudeste na região mais importante do país.

O grupo Café R&B é de Los Angeles, formado em 1995 pela excelente cantora Roach e o guitarrista e marido Byl Carruthers. O som da banda mescla o Blues e o R&B, e rapidamente se tornou a sensação no cenário musical local.  A interpretação vocal de Roach chamou a atenção da crítica, que a comparou assim - “É a Etta James dirigindo uma Harley ao redor de um vulcão ativo, tão poderosa é a sua expressão vocal”.
Fica a cargo de Byl Carruthers o trabalho de compor o material original da banda, e é também um excelente guitarrista e profundo conhecedor da linguagem do Blues.

"É um chute no traseiro, nunca vi algo assim desde que me dou por gente.", disse Ike Turner.

E foi a partir de uma apresentação calorosa no Buddy Guy’s Legends que o grupo alavancou uma turnê por anos seguidos em grandes festivais de Blues da America, como o San Francisco Blues Fest, Fire on the Mountain Blues, Long Beach, Chicago e o Legendary Rhythm & Blues Cruise; e na Europa com lotação esgotada em clubs de Londres, Barcelona e Paris, e nos festivais Grolsch Blues Festival em Schoeppingen e o Jazz Festival em Cloppenburg na Alemanha.

Na discografia -  Black & White (1999, It Works Music), Blues and All the Rest (2005, It Works Music) e Very Live (2005, It Works Music), cuja fórmula em todos é composta por trabalho autoral e interpretações de clássicos como Born Under a Bad Sign (Albert King), Sitting on Top of the World (Chester Burnett), Smokestack Lightning (Wolf) e Killin Floor (Skip James), e um som ao mesmo tempo tão incendiário e explosivo quanto introspectivo e anestésico, mas sempre predominando a veia Blues, alguns momentos na fronteira do Soul e em outros na fronteira do Rock. O veneno destila com vontade nos slow blues quando realmente transborda emoção, melancolia e chega a soar sombrio, tudo expressado na forte energia da cantora Roach e na guitarra chorada e precisa de Byl. Café R&B tem ainda na formação Bobby Pickett no baixo, Harry Cohen e John JT Thomas nos teclados e Don Swanson na bateria.

caferandb.com/


MISSISSIPI DELTA BLUES FESTIVAL, QUARTA EDIÇÃO 2011

02 novembro, 2011
divulgação

Entre os dias 24 e 26 de novembro acontecerá a quarta edição do Mississipi Delta Blues Festival em Caxias do Sul. São cerca de 30 apresentações entre artistas nacionais e internacionais, workshops, mostras artísticas e gastronomia o que torna o evento, sem dúvida, o maior dedicado ao Blues no país e que é nossa única referência no calendário da Blues Revue, uma das revistas mais importantes no gênero.

O Largo da Estação Férrea será o palco principal do evento e neste ano foram feitas mudanças nos palcos alternativos em função de alterações no layout do festival, formando ao todo cinco palcos de shows.

O passaporte para as tres noites do festival custa R$ 90 e pode ser adquirido no Mississippi Delta Blues Bar em Caxias do Sul (54 3028-6149) e na Guitar Garage em Porto Alegre (51 3331-3234).

Entre as atrações internacionais teremos Tia Carroll (USA) & Igor Prado Band (SP), Bob Stroger (USA), Vasti Jackson (USA) & Flávio Guimarães (RJ), Matias Cipiliano & La Dynamo Blues Band (Argentina) e Rick Estrin & The Nightcats (USA) e nossas pratas da casa Nasi & Os Irmãos do Blues (SP), Soulistas (POA), Tita Sachet (Caxias do Sul) y Shakedancers (Argentina), Ivan Mariz (RJ), Pedro Strasser (RJ), The Bluesmakers (POA), Big Gilson (RJ) e Blackbirds & Yer Blues Orchestra (RS).

Mais informações voce encontra em http://mississipifestival.blogspot.com

Um breve resumo dos palcos alternativos -
Palco Mississippi é o palco do próprio Mississippi Delta Blues Bar, que fica bem em frente ao evento e onde bandas se apresentarão nos intervalos do palco principal e após as habituais canjas ao longo da noite;
Front Porch é uma varanda de uma casa ao estilo das humildes residências dos bluseiros no sul dos EUA, ano passado era apenas a varanda mas este ano a casa está completa com espaço para comportar uma banda com vários integrantes. As apresentações deste palco acontecem durante os intervalos e ao término das apresentações do palco principal;
Juke House Stage é uma área coberta em um pavilhão que pertence ao complexo da estação férrea tombada pelo patrimônio histórico, aqui haverá workshops e ao final haverá uma apresentação ao estilo juke joint onde todos poderão dançar ao som das bandas;
Vesúvio Acoustic é um palco de apresentações estilo pocket show próximo ao palco principal ao lado da Pizzaria Vesúvio. É um palco coberto mas em área aberta onde haverá apresentações durante os intervalos do palco principal e as apresentações mais longas  acontecerão após o término do palco principal.

Programação -


24 de novembro, quinta-feira
Palco Principal
          19:30h Soulistas (POA)
          20:45h Tita Sachet (Caxias do Sul) y Shakedancers (Argentina)
          22:00h Tia Carroll (USA) & Igor Prado Band (SP)
          23:30h Nasi & Os Irmãos do Blues (SP)
Palco Juke House
          20:15h,  21:30h  e 23:30h Lennon Z & The Sickboys (RS)
Palco Mississippi
          18:30h, 20:15h e 21:30h  Blues de Bolso (RS)
          23:00h e 01:00 Franciele Duarte & Banda (RS)
Palco Vesúvio Acoustic
          19:00h Andy Serrano (RS) & Ale Ravanello (RS)
          20:15h Fabrício Beck (RS) & Hernan Gonzales (RS)
          21:30h Décio Caetano (PR), Nicola Spolidoro (RS) & Toyo Bagoso (RS)
          23:00h Ricardo Maca (SC), Juliane Cappellaro (RS) & Débora Oliveira (RS)
          01:00h Alamo Leal (RJ) & Ricardo Biga (RS)
Palco Front Porch
          18:30h, 20:15h e 21:30h  The Headcutters (SC)
          23:00h e 01:00h  The Cotton Pickers (RS)

25 de novembro, sexta-feira
Palco Principal

          19:30h Pedro Strasser & Banda (RJ)
          20:45h The Bluesmakers (RS)
          22:00h Bob Stroger (USA)
          23:30h Vasti Jackson (USA) & Flávio Guimarães(RJ)
Palco Juke House
          22:00h e 23:30h Ale Ravanello Blues Combo (RS)
Palco Mississippi
          18:30h, 20:15h e 21:30h  Taxi Free (RS)
          23:00h e 01:00h The Headcutters (SC)
Palco Vesúvio Acoustic
          19:00h Andy Serrano (RS) & Uncle Cleeds (RS)
          20:15h Bruno Pinheiro Machado (RS) & Ricardo Biga (RS)
          21:30h Marcelo Cardoso (RS), Andy Serrano (RS) & Joe Marhofer (SC)
          23:00h Ivan Mariz (RJ) & Rodrigo Campagnolo (RS)
          01:00h Big Gilson (RJ) & Andy Serrano (RS)
Palco Front Porch
          18:30h, 20:15h e 21:30h The Juke Joint Band (RS)
          23:00h e 01:00h Lennon Z & The Sickboys (RS)

26 de novembro, sábado
Palco Principal
           19:30h Matias Cipiliano y La Dynamo (Argentina)
           20:45h Big Gilson & Blues Dynamite (RJ)
           22:00h Blackbirds & Yer Blues Orchestra (RS)
           23:30h Rick Estrin & The Nightcats (USA)
Palco Juke House
           22:00h Andy & The Rockets (RS)
Palco Mississippi
           18:30h, 20:15h e 21:30h  Electric Blues Explosion (RS)
           23:00h e 01:00h Beale Street (RJ)
Palco Vesúvio Acoustic
           19:00h Isaac Slim (RS), Juliane Cappellaro (RS) & Débora Oliveira (RS)
           20:15h Ricardo Maca (SC), Ale Ravanello (RS) e Joe Marhofer (SC)
           21:30h Isaac Slim (RS), Juliane Cappellaro (RS) & Débora Oliveira (RS)
           23:00h Gustavo Andrade (BH) & Décio Caetano (PR)
           01:00h Pedro Strasser (RJ), Catuto Blues (SC) & Décio Caetano (PR)
Palco Front Porch
          18:30h, 20:15h e 21:30h  Bob Stroger (Chicago,USA)
          23:00h e 01:00h The Headcutters (SC) & Ale Ravanello (RS)

Workshops
25 de novembro, sexta-feira
Local : COAFEE
          19:30 Tita Sachet (RS): Noções de Técnica Vocal
          20:45 Nico Smoljan (Argentina): A Gaita no Blues
Local : JUKE HOUSE/TECLAS & CORDAS
          19:00h Décio Caetano (PR): Guitarra Blues
          20:15h Big Gilson (RJ): Slide Guitar
          21:30h Workshop de Dança: Passos Básicos de Rock e Blues

26 de novembro, sábado
Local : COAFEE
          19:30h Alamo Leal (RJ): Guitarra - De Mississippi a Chicago
          20:45h Ricardo Biga (RS): Gaita Blues e Cromática – Técnica e Improviso
Local : JUKE HOUSE/TECLAS & CORDAS
          19:00h Andy Serrano (RS): Tudo Sobre Valvulados
          20:15h Nicola Spolidoro (RS): A Harmonia Blues na Guitarra
          21:30h Workshop de Dança: Passos Básicos de Rock e Blues


A realização e produção é exclusiva do Mississippi Delta Blues Bar com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e a iniciativa privada.

LESZEK MOZDZER

30 outubro, 2011
O pianista Leszek Mozdzer um dos nomes de destaque no cenário musical contemporâneo atual. Nasceu em Gdansk, Polonia, em 1971 e toca piano desde os cinco anos de idade. Seu interesse pelo jazz foi até tardio, somente aos 18 anos, quando ingressou no grupo do clarinetista Emil Kowalski. Tão fascinado que ficou pelo jazz, se entregou a esta forma intensa de tocar e logo ficou em evidência levando vários prêmios nos anos seguintes, entre eles o International Jazz Competition Jazz Juniors,  Most Promising Musician , Best Jazz Pianist e ainda como Musician of the Year.
Em 1991 integrou o grupo Milosc, de influência avant garde, e seguiu participando de varios projetos com Tomasz Stanko, Michael Urbaniak, David Friesen e Adam Pieronczyk em diversos formatos, de duos a sextetos, e também como pianista da cantora polonesa Anna Maria Jopek.

Mozdzer está sempre presente nos festivais europeus e é também um dos anfitriões do Solidarity of Arts, o maior evento de jazz na Polonia que está em sua terceira edição neste ano, e são nestes encontros que transparece sua versatilidade musical se apresentando ao lado do nosso Nana Vasconcellos, John Scofield, Steve Swallow, Marcus Miller entre muitos outros.

Formou com o contrabaixista sueco Lars Danielsson e com o percussionista israelense Zohar Fresco o Mozdzer Danielsson Fresco, um dos mais expressivos trios do jazz contemporaneo.
O trio foi formado durante o XI International Jazz Festival em 2004 em Varsóvia especialmente para o evento e foram aclamados pelo público. A receptividade do grupo foi tanta que decidiram  gravar o repertório do grupo e registraram no belíssimo disco The Time (OM, 2005). Um ano após entram em estúdio para gravar Between Us and The Light (OM, 2006) cujo album foi premiado com o Double Platinium Award. Empolgados, partiram para o terceiro disco e DVD com o registro ao vivo do concerto realizado no Fabryka Trzciny Artistic Center em Varsóvia em novembro de 2006 intitulado Live (OM, 2006). Um trio espetacular, que transcende o óbvio e explora a diversidade musical com a liberdade de improviso de Mozdzer, as aplicações percussivas e vocais de Fresco e o contrabaixo e o cello muito explorado de Danielsson, o que dá um certo ar erudito nas interpretações, mas sem limites dando no todo uma nova textura que soa original e poético.

"Eu adoro tocar porque me entrego a um estado de meditação, e isso vem facilmente a mim embora dependa muito da platéia e do ambiente em particular."

Piano Live Live Time

Mozdzer também possui bela discografia em piano solo, expressada nos albuns Solo in Ukraine (2003), com temas ao vivo gravados entre 2000 e 2001; Piano (2004); Kaczmarek by Mozdzer (2010), onde interpreta trilhas sonoras compostas por Jan A.P. Kaczmarek; e Komeda (2011), em tributo a Krzysztof Komeda que foi um expressivo pianista polones do cenário jazz europeu nos anos 60 que faleceu aos 38 anos em '69.  São registros de uma beleza musical impar, pontuadas em melodias e improvisações livres que flutuam entre o clássico e o contemporâneo além de apresentar forte domínio da linguagem do jazz em suas interpretações de So What (Miles), aliás esta é muito particular, On Green Dolphin Street (Ned Washington), Maiden Voyage (Hancock) e La Fiesta (Corea).

Outro diferencial de Mozdzer é que ele explora muito as possibilidades do instrumento "preparando o piano" colocando objetos entre as cordas de forma a expandir e transformar o seu som e assim recriar novos trimbres, sem abrir mão da abordagem acústica. Um pianista em sintonia com seu tempo.

"Todos os dias eu tento melhorar a minha qualidade de vida, sob vários aspectos - consciência, emocional, espiritual, trabalho, conforto, e me torno mais tolerante a mim mesmo e aos outros."

ELAS : CHANTEL MCGREGOR

26 outubro, 2011
Essa menina foi premiada como a revelação jovem do ano pelo British Blues Awards 2011. Seu nome é Chantel McGregor.

Seus pais ouviam Zeppelin, Hendrix e Free em casa e no carro da família, e foi assim que ela se apaixonou pelo bom e velho clássico rock.
Aos 7 anos de idade se apossou da guitarra do pai, uma pequena guitarra acústica, perfeita para suas pequenas mãos, e assim iniciou suas aulas de música. Depois de fazer muito barulho, passado quase 1 ano, se tornava a mais jovem a ingressar na Rockschool, uma das escolas de música mais qualificadas da Europa onde você é admitido por exame, e se aprimorou na guitarra, lá percebendo que também precisava cantar.

Aos 12 anos já estava nos palcos todas as semanas nas jams com outros músicos no famoso Hotel Melborn em Bradford, palco que foi importante na sua formação musical, e por lá ficou por um bom tempo.

A menina estudou, se formou e se considera uma perfeccionista, diz ela : "Não importa o que eu faça, tem que ser perfeito".
Seu álbum de estreia, Like no Other, traz 12 temas, 9 autorais e 3 interpretações que incluem Robin Trower (Daydream), Sonny Boy Williamson (Help me) e o clássico Fleetwood Mac (Rhiannon), que realmente são os pontos altos do disco.
A banda base é formada por ela nas guitarras e violões, Richard Ritchie no baixo e Martin Rushworth na bateria, e tem as participações especiais de Jocasta Whippy e Livingstone Brownneste no cello e teclados respectivamente.

Apesar da sua voz de menina, ela impõem atitude; e mesmo sendo um disco com apelo pouco comercial consegue incorporar a atmosfera blues-rock colocando pontualmente seus solos sem exagero e sem desperdício.

Sobre seu estilo de tocar ela não hesita e diz que é uma mistura de tudo que ouve, destaca Hendrix, Joe Bonamassa (sempre Bonamassa!) e Ritchie Kozen, este de quem ela é super fã.
Quando perguntada sobre como classifica sua musica, ela sorri e diz - "É música, é a música de Chantel, se voce quiser a classifique como rock e há toques de blues nela também, não acho que isso seja importante."

A menina vai longe, daqui a pouco emergem outras emoções e a música vem com mais veneno, assim é o blues.

23 outubro, 2011
E tudo começou com o monocórdio, uma caixa de ressonância sobre a qual era estendida uma única corda presa a dois pontos, e que o sábio grego Pitágoras a usou como experimento para obter as relações matemáticas das vibrações sonoras que eram emitidas. Místicas a parte, salve a ciência, ainda que especulativa, mas que, olhando pela ótica artística, traduziu-se em uma extensão infinita nos dando primeiramente a escala com intervalos acusticamente perfeitos que evoluiu e nos permitiu criar o harmônico e melódico instrumento que é o foco aqui - o violão.

E quando estas vibrações sonoras se expressam em música e refletem o sentimento do artista, o resultado prático pode nos transportar a uma viagem sem limites, não só para quem ouve mas muito mais para quem executa. E o violão representa esta unidade, concentrada na capacidade de colocar a música em algum lugar no tempo e no espaço, sem distinção.

é como intitula-se o disco de violão solo que Ulisses Rocha nos apresenta, mostrando em um único formato as alternâncias de culturas e de momentos que nos conforta, aflige e nos transporta numa viagem de acordes e melodias. Melhor assim, quando essa expressão não se prende a uma estrutura mais clássica, literalmente; melhor assim, quando as idéias musicais se traduzem em ritmo, harmonia e em momentos de improvisação introspectiva.

Ulisses compôs e arranjou todos os 10 temas e a gravação foi feita em seu próprio estúdio, de forma caseira, como se feito artesanalmente e no silêncio da noite. Um trabalho que se desenvolveu ao longo de um tempo, mas que consolidou-se quando surgiu a ideia de preparar um material para um disco solo.


Não dá pra destacar uma música em especial deste trabalho, mas abro exceções em um relato em primeira pessoa das audições deste belo disco -
Calango é o tema de abertura e é um dos pontos altos, em ritmo de baião vibrante que nos remete a um cenário regional de nossa terra, ao nosso alegre nordeste; Ítaca, não sei se foi a inspiração, mas é o nome de uma ilha grega que foi a paisagem na Odisseia de Homero, onde Odisseu refugiou-se após suas aventuras no Mar Mediterrâneo durante a guerra de Troia, um antepassado que foi destruído após um terremoto no meio do século passado; Duna ecoa como se nos elevasse para o alto do monte, ao som do vento e areia de natureza crua;  Lua soa como uma seresta iluminada de acordes e gente em silêncio;  Habana Vieja tem na melodia quase como um jingle, com roupagem latina e que às vezes traz uma sombra meio flamenca; e Fogo Brando que fecha o disco com serenidade e beleza, como se todos os dias fossem uma calma manhã.
Uma perfeita sintonia entre melodias e harmonias recheadas de improvisações livres. É o violão brasileiro, como sempre, atravessando fronteiras.
O violão solo é um conforto para a mente, principalmente quando uma multidão de qualquer natureza a invade sem pedir licença.

E registro aqui a minha saudade do violão solo de Willians Pereira, que faleceu em 2007.


BUENOS AIRES JAZZ FESTIVAL EDIÇÃO 2011

20 outubro, 2011
Divulgada a programação do Buenos Aires Jazz Festival que ocorrerá entre os dias 1 e 6 de novembro.
E o nosso especialista no jazz portenho e nosso anfitrião durante o festival, Paulo Cesar Nunes (o PC),  nos dá sua primeira impressão -
A edição do ano passado foi melhor nas atrações internacionais mas em compensação este ano está muito boa nas atrações locais. Percebeu a ausência de alguns grupos - Arredondo, Tarrés, Escalandrum, Javier e Walter Malosetti, Carlos Fanzetti, Miguel Tarzia, Dario Esquenazi - o que é sinal de que o clubs locais deverão ter ótima programação durante o evento, afinal alguem vai ter que tocar lá.
Ainda destaca o La Trastienda onde vão rolar os espetaculos "encomendados", onde normalmente é solicitado a uns tres musicos que preparem algo em torno da obra de um musico consagrado.
E este ano  vai ter também lançamento de discos de standards  tocados por musicos locais, promovido por uma gravadora local. Mas o mais arrojado sem dúvida é o ciclo "Cruces" que traz músicos estrangeiros para tocar em lugares pequenos misturados com os músicos locais.
Ainda alerta - é impossivel ver tudo !

Mais informações em  http://www.buenosairesjazz.gob.ar/home11/web/es/index.html



PAOLO FRESU EM TRIBUTO A MILES DAVIS

16 outubro, 2011
Paolo Fresu um dos nomes do primeiro time do trompete no jazz contemporâneo, caminho que ele seguiu após diversas experiencias musicais.
Nos anos 80 formou-se no instrumento pela Cagliari Conservatory sendo logo reconhecido como o melhor trompetista de jazz italiano.
Músico muito premiado e com ampla discografia própria e também como sideman, tocou com muita gente dentro e fora da Europa entre eles Kenny Wheeler, Palle Danielsson, Enrico Rava, Enrico Pieranunzi, Gerry Mulligan, David Liebman, Dave Holland, Richard Galliano e Carla Bley, cujo album The Lost Chords está entre um dos mais belos que já ouvi. Além do seu quinteto regular, realizou projetos em duo com Ralph Towner, Uri Caine, Aril Andersen e Bojan Z e lidera um quarteto que é o assunto aqui - Paolo Fresu Devil Quartet, acompanhado por Bebo Ferra guitarra, Paolino Dalla Porta contrabaixo e Stefano Bagnoli bateria.
Um grupo que traz um abordagem bem moderna da linguagem do jazz, inovador, o que é mais importante, e com uma extraordinária energia.

O grupo realizou uma contagiante homenagem a Miles Davis na edição 2011 do Festival Aperto, Itália, um festival de música, teatro e dança que ocorre todos os anos na temporada de outono italiano e esta edição teve como tema as expressões contemporâneas, e Miles foi um dos destaques do ciclo de exposições mostrando sua discografia, documentários e concertos em video.
O tributo recebeu o nome de Kind of Miles e nesta apresentação o grupo fez uma nova roupagem da música do mestre em todas as suas fases, e colocaram no repertório composições dele e temas que foram marcados por sua interpretação, eis o set list -
In a Silent Way (Miles), Half Nelson (Miles), My Man's Gone Now (Gershwin), Ascenseur pour l'échafaud (Miles), Once Upon a Summertime (Chet), If I Were a Bell (Frank Loesser),  Filles de Kilimanjaro (Miles), Gingerbread Boy (Jimmy Heath), I Thought About You (Van Heuser Mercer), Decoy (Milese Summertime (Gershwin).

Este concerto foi transmitido ao vivo pela radio italiana 3RAI e é um belo registro desta homenagem.

EDDIE ROBERTS & THE NEW MASTERSOUNDS

11 outubro, 2011
O guitarrista Eddie Roberts é um dos expoentes da onda que se chama por aí de acid jazz ou new groove. Ainda jovem, foi estudar a música de Jazz na Leeds College of Music, percebeu que o que queria mesmo era estar no palco e sua ansiedade o levou a juntar os melhores músicos da cidade a criar sua primeira banda chamada The Jazz Mailmen, que fazia um tributo aos Jazz Messengers.

Os planos de Eddie eram mais ousados e sua paixão por Grant Green o inspirou a incorporar o hammond em seu som, criando, em 1991, a The Eddie Roberts Organisation, grupo que seguiu fazendo um som na linha de John Patton e Lou Donaldson. Sua interação com o jazz sempre esteve presente, e em 1993 forma um novo grupo inspirado no som de Joe Henderson, Chico Hamilton, Sam Rivers e Gabor Szabo, nascendo o The Three Douces, com boa recepção da audiência local rendendo participação em vários festivais.
Em 1999 nasce o The New Mastersounds, que viria a ser uma das marcas do groove em terras inglesas. Um som que transcende pela pressão do hammond que vigorou forte nos 60, assim como o piano rhodes no início dos 70, mas sempre com a atmosfera retrô da soul funk music com muito improviso e, principalmente, muita originalidade.
O som da banda inspira-se na onda funky do The Meters, no groove do Booker T. & the MG's e na atmosfera dos organ trios, agregando intervenções de DJ´s e uma seção de sopros.
O inquieto Eddie, empolgado com a audiência, resolve gravar disco próprio com temas da sua época de escola totalmente rearranjados e remixados, projeto que ele intitulou "Roughneck" (Le Maquis, 2000), cujo significado descrevia o seu estilo de tocar, cujo álbum mais tarde foi lançado em versão ao vivo "Roughneck, Live in Paris" (P-Vine Records, 2007).

The New Mastersounds segue seu rumo e a banda é reconhecida como Best Funk Band in the World at this Moment e vieram os álbuns "Be Yourself" (One Note Records, 2003), "This Is What We Do" (P-Vine Records, 2005) e "102%" (One Note Records, 2006). Em 2007, partem em turnê internacional e embarcam no Jamcruise em um festival de funk americano em alto mar, onde fizeram um set arrasador de três horas. A banda estende a viagem a New Orleans, e torna a turnê mais intensa com apresentação no Jazzfest Após as apresentações, a banda volta para a cidade natal e Eddie permanece em New Orleans, se envolvendo na troca de experiências com os artistas de jazz e funk ali presente como Galactic, Papa Mali, Johnny Vidocavitch, Idris Muhammed e The Greyboy Allstars.

A discografia segue com os lançamentos de "Plug & Play" (One Note Records, 2008), "Live at San Francisco" (P-Vine Records, 2009), e Eddie partindo para projetos paralelos juntando-se ao The Sweet Vandals lançando mais uma pedrada, "Burn" (Legere Records, 2011), que ele nomeou como Eddie Roberts & The Fire Easters, em pura atmosfera acid jazz apimentada de soul; e mais The New Mastersounds com "Break from the Bordes" (Tallest Man, 2011).

Soul Out of Funk, assim é o The New Mastersounds.