LESZEK MOZDZER

30 outubro, 2011
O pianista Leszek Mozdzer um dos nomes de destaque no cenário musical contemporâneo atual. Nasceu em Gdansk, Polonia, em 1971 e toca piano desde os cinco anos de idade. Seu interesse pelo jazz foi até tardio, somente aos 18 anos, quando ingressou no grupo do clarinetista Emil Kowalski. Tão fascinado que ficou pelo jazz, se entregou a esta forma intensa de tocar e logo ficou em evidência levando vários prêmios nos anos seguintes, entre eles o International Jazz Competition Jazz Juniors,  Most Promising Musician , Best Jazz Pianist e ainda como Musician of the Year.
Em 1991 integrou o grupo Milosc, de influência avant garde, e seguiu participando de varios projetos com Tomasz Stanko, Michael Urbaniak, David Friesen e Adam Pieronczyk em diversos formatos, de duos a sextetos, e também como pianista da cantora polonesa Anna Maria Jopek.

Mozdzer está sempre presente nos festivais europeus e é também um dos anfitriões do Solidarity of Arts, o maior evento de jazz na Polonia que está em sua terceira edição neste ano, e são nestes encontros que transparece sua versatilidade musical se apresentando ao lado do nosso Nana Vasconcellos, John Scofield, Steve Swallow, Marcus Miller entre muitos outros.

Formou com o contrabaixista sueco Lars Danielsson e com o percussionista israelense Zohar Fresco o Mozdzer Danielsson Fresco, um dos mais expressivos trios do jazz contemporaneo.
O trio foi formado durante o XI International Jazz Festival em 2004 em Varsóvia especialmente para o evento e foram aclamados pelo público. A receptividade do grupo foi tanta que decidiram  gravar o repertório do grupo e registraram no belíssimo disco The Time (OM, 2005). Um ano após entram em estúdio para gravar Between Us and The Light (OM, 2006) cujo album foi premiado com o Double Platinium Award. Empolgados, partiram para o terceiro disco e DVD com o registro ao vivo do concerto realizado no Fabryka Trzciny Artistic Center em Varsóvia em novembro de 2006 intitulado Live (OM, 2006). Um trio espetacular, que transcende o óbvio e explora a diversidade musical com a liberdade de improviso de Mozdzer, as aplicações percussivas e vocais de Fresco e o contrabaixo e o cello muito explorado de Danielsson, o que dá um certo ar erudito nas interpretações, mas sem limites dando no todo uma nova textura que soa original e poético.

"Eu adoro tocar porque me entrego a um estado de meditação, e isso vem facilmente a mim embora dependa muito da platéia e do ambiente em particular."

Piano Live Live Time

Mozdzer também possui bela discografia em piano solo, expressada nos albuns Solo in Ukraine (2003), com temas ao vivo gravados entre 2000 e 2001; Piano (2004); Kaczmarek by Mozdzer (2010), onde interpreta trilhas sonoras compostas por Jan A.P. Kaczmarek; e Komeda (2011), em tributo a Krzysztof Komeda que foi um expressivo pianista polones do cenário jazz europeu nos anos 60 que faleceu aos 38 anos em '69.  São registros de uma beleza musical impar, pontuadas em melodias e improvisações livres que flutuam entre o clássico e o contemporâneo além de apresentar forte domínio da linguagem do jazz em suas interpretações de So What (Miles), aliás esta é muito particular, On Green Dolphin Street (Ned Washington), Maiden Voyage (Hancock) e La Fiesta (Corea).

Outro diferencial de Mozdzer é que ele explora muito as possibilidades do instrumento "preparando o piano" colocando objetos entre as cordas de forma a expandir e transformar o seu som e assim recriar novos trimbres, sem abrir mão da abordagem acústica. Um pianista em sintonia com seu tempo.

"Todos os dias eu tento melhorar a minha qualidade de vida, sob vários aspectos - consciência, emocional, espiritual, trabalho, conforto, e me torno mais tolerante a mim mesmo e aos outros."

ELAS : CHANTEL MCGREGOR

26 outubro, 2011
Essa menina foi premiada como a revelação jovem do ano pelo British Blues Awards 2011. Seu nome é Chantel McGregor.

Seus pais ouviam Zeppelin, Hendrix e Free em casa e no carro da família, e foi assim que ela se apaixonou pelo bom e velho clássico rock.
Aos 7 anos de idade se apossou da guitarra do pai, uma pequena guitarra acústica, perfeita para suas pequenas mãos, e assim iniciou suas aulas de música. Depois de fazer muito barulho, passado quase 1 ano, se tornava a mais jovem a ingressar na Rockschool, uma das escolas de música mais qualificadas da Europa onde você é admitido por exame, e se aprimorou na guitarra, lá percebendo que também precisava cantar.

Aos 12 anos já estava nos palcos todas as semanas nas jams com outros músicos no famoso Hotel Melborn em Bradford, palco que foi importante na sua formação musical, e por lá ficou por um bom tempo.

A menina estudou, se formou e se considera uma perfeccionista, diz ela : "Não importa o que eu faça, tem que ser perfeito".
Seu álbum de estreia, Like no Other, traz 12 temas, 9 autorais e 3 interpretações que incluem Robin Trower (Daydream), Sonny Boy Williamson (Help me) e o clássico Fleetwood Mac (Rhiannon), que realmente são os pontos altos do disco.
A banda base é formada por ela nas guitarras e violões, Richard Ritchie no baixo e Martin Rushworth na bateria, e tem as participações especiais de Jocasta Whippy e Livingstone Brownneste no cello e teclados respectivamente.

Apesar da sua voz de menina, ela impõem atitude; e mesmo sendo um disco com apelo pouco comercial consegue incorporar a atmosfera blues-rock colocando pontualmente seus solos sem exagero e sem desperdício.

Sobre seu estilo de tocar ela não hesita e diz que é uma mistura de tudo que ouve, destaca Hendrix, Joe Bonamassa (sempre Bonamassa!) e Ritchie Kozen, este de quem ela é super fã.
Quando perguntada sobre como classifica sua musica, ela sorri e diz - "É música, é a música de Chantel, se voce quiser a classifique como rock e há toques de blues nela também, não acho que isso seja importante."

A menina vai longe, daqui a pouco emergem outras emoções e a música vem com mais veneno, assim é o blues.

23 outubro, 2011
E tudo começou com o monocórdio, uma caixa de ressonância sobre a qual era estendida uma única corda presa a dois pontos, e que o sábio grego Pitágoras a usou como experimento para obter as relações matemáticas das vibrações sonoras que eram emitidas. Místicas a parte, salve a ciência, ainda que especulativa, mas que, olhando pela ótica artística, traduziu-se em uma extensão infinita nos dando primeiramente a escala com intervalos acusticamente perfeitos que evoluiu e nos permitiu criar o harmônico e melódico instrumento que é o foco aqui - o violão.

E quando estas vibrações sonoras se expressam em música e refletem o sentimento do artista, o resultado prático pode nos transportar a uma viagem sem limites, não só para quem ouve mas muito mais para quem executa. E o violão representa esta unidade, concentrada na capacidade de colocar a música em algum lugar no tempo e no espaço, sem distinção.

é como intitula-se o disco de violão solo que Ulisses Rocha nos apresenta, mostrando em um único formato as alternâncias de culturas e de momentos que nos conforta, aflige e nos transporta numa viagem de acordes e melodias. Melhor assim, quando essa expressão não se prende a uma estrutura mais clássica, literalmente; melhor assim, quando as idéias musicais se traduzem em ritmo, harmonia e em momentos de improvisação introspectiva.

Ulisses compôs e arranjou todos os 10 temas e a gravação foi feita em seu próprio estúdio, de forma caseira, como se feito artesanalmente e no silêncio da noite. Um trabalho que se desenvolveu ao longo de um tempo, mas que consolidou-se quando surgiu a ideia de preparar um material para um disco solo.


Não dá pra destacar uma música em especial deste trabalho, mas abro exceções em um relato em primeira pessoa das audições deste belo disco -
Calango é o tema de abertura e é um dos pontos altos, em ritmo de baião vibrante que nos remete a um cenário regional de nossa terra, ao nosso alegre nordeste; Ítaca, não sei se foi a inspiração, mas é o nome de uma ilha grega que foi a paisagem na Odisseia de Homero, onde Odisseu refugiou-se após suas aventuras no Mar Mediterrâneo durante a guerra de Troia, um antepassado que foi destruído após um terremoto no meio do século passado; Duna ecoa como se nos elevasse para o alto do monte, ao som do vento e areia de natureza crua;  Lua soa como uma seresta iluminada de acordes e gente em silêncio;  Habana Vieja tem na melodia quase como um jingle, com roupagem latina e que às vezes traz uma sombra meio flamenca; e Fogo Brando que fecha o disco com serenidade e beleza, como se todos os dias fossem uma calma manhã.
Uma perfeita sintonia entre melodias e harmonias recheadas de improvisações livres. É o violão brasileiro, como sempre, atravessando fronteiras.
O violão solo é um conforto para a mente, principalmente quando uma multidão de qualquer natureza a invade sem pedir licença.

E registro aqui a minha saudade do violão solo de Willians Pereira, que faleceu em 2007.


BUENOS AIRES JAZZ FESTIVAL EDIÇÃO 2011

20 outubro, 2011
Divulgada a programação do Buenos Aires Jazz Festival que ocorrerá entre os dias 1 e 6 de novembro.
E o nosso especialista no jazz portenho e nosso anfitrião durante o festival, Paulo Cesar Nunes (o PC),  nos dá sua primeira impressão -
A edição do ano passado foi melhor nas atrações internacionais mas em compensação este ano está muito boa nas atrações locais. Percebeu a ausência de alguns grupos - Arredondo, Tarrés, Escalandrum, Javier e Walter Malosetti, Carlos Fanzetti, Miguel Tarzia, Dario Esquenazi - o que é sinal de que o clubs locais deverão ter ótima programação durante o evento, afinal alguem vai ter que tocar lá.
Ainda destaca o La Trastienda onde vão rolar os espetaculos "encomendados", onde normalmente é solicitado a uns tres musicos que preparem algo em torno da obra de um musico consagrado.
E este ano  vai ter também lançamento de discos de standards  tocados por musicos locais, promovido por uma gravadora local. Mas o mais arrojado sem dúvida é o ciclo "Cruces" que traz músicos estrangeiros para tocar em lugares pequenos misturados com os músicos locais.
Ainda alerta - é impossivel ver tudo !

Mais informações em  http://www.buenosairesjazz.gob.ar/home11/web/es/index.html



PAOLO FRESU EM TRIBUTO A MILES DAVIS

16 outubro, 2011
Paolo Fresu um dos nomes do primeiro time do trompete no jazz contemporâneo, caminho que ele seguiu após diversas experiencias musicais.
Nos anos 80 formou-se no instrumento pela Cagliari Conservatory sendo logo reconhecido como o melhor trompetista de jazz italiano.
Músico muito premiado e com ampla discografia própria e também como sideman, tocou com muita gente dentro e fora da Europa entre eles Kenny Wheeler, Palle Danielsson, Enrico Rava, Enrico Pieranunzi, Gerry Mulligan, David Liebman, Dave Holland, Richard Galliano e Carla Bley, cujo album The Lost Chords está entre um dos mais belos que já ouvi. Além do seu quinteto regular, realizou projetos em duo com Ralph Towner, Uri Caine, Aril Andersen e Bojan Z e lidera um quarteto que é o assunto aqui - Paolo Fresu Devil Quartet, acompanhado por Bebo Ferra guitarra, Paolino Dalla Porta contrabaixo e Stefano Bagnoli bateria.
Um grupo que traz um abordagem bem moderna da linguagem do jazz, inovador, o que é mais importante, e com uma extraordinária energia.

O grupo realizou uma contagiante homenagem a Miles Davis na edição 2011 do Festival Aperto, Itália, um festival de música, teatro e dança que ocorre todos os anos na temporada de outono italiano e esta edição teve como tema as expressões contemporâneas, e Miles foi um dos destaques do ciclo de exposições mostrando sua discografia, documentários e concertos em video.
O tributo recebeu o nome de Kind of Miles e nesta apresentação o grupo fez uma nova roupagem da música do mestre em todas as suas fases, e colocaram no repertório composições dele e temas que foram marcados por sua interpretação, eis o set list -
In a Silent Way (Miles), Half Nelson (Miles), My Man's Gone Now (Gershwin), Ascenseur pour l'échafaud (Miles), Once Upon a Summertime (Chet), If I Were a Bell (Frank Loesser),  Filles de Kilimanjaro (Miles), Gingerbread Boy (Jimmy Heath), I Thought About You (Van Heuser Mercer), Decoy (Milese Summertime (Gershwin).

Este concerto foi transmitido ao vivo pela radio italiana 3RAI e é um belo registro desta homenagem.

EDDIE ROBERTS & THE NEW MASTERSOUNDS

11 outubro, 2011
O guitarrista Eddie Roberts é um dos expoentes da onda que se chama por aí de acid jazz ou new groove. Ainda jovem, foi estudar a música de Jazz na Leeds College of Music, percebeu que o que queria mesmo era estar no palco e sua ansiedade o levou a juntar os melhores músicos da cidade a criar sua primeira banda chamada The Jazz Mailmen, que fazia um tributo aos Jazz Messengers.

Os planos de Eddie eram mais ousados e sua paixão por Grant Green o inspirou a incorporar o hammond em seu som, criando, em 1991, a The Eddie Roberts Organisation, grupo que seguiu fazendo um som na linha de John Patton e Lou Donaldson. Sua interação com o jazz sempre esteve presente, e em 1993 forma um novo grupo inspirado no som de Joe Henderson, Chico Hamilton, Sam Rivers e Gabor Szabo, nascendo o The Three Douces, com boa recepção da audiência local rendendo participação em vários festivais.
Em 1999 nasce o The New Mastersounds, que viria a ser uma das marcas do groove em terras inglesas. Um som que transcende pela pressão do hammond que vigorou forte nos 60, assim como o piano rhodes no início dos 70, mas sempre com a atmosfera retrô da soul funk music com muito improviso e, principalmente, muita originalidade.
O som da banda inspira-se na onda funky do The Meters, no groove do Booker T. & the MG's e na atmosfera dos organ trios, agregando intervenções de DJ´s e uma seção de sopros.
O inquieto Eddie, empolgado com a audiência, resolve gravar disco próprio com temas da sua época de escola totalmente rearranjados e remixados, projeto que ele intitulou "Roughneck" (Le Maquis, 2000), cujo significado descrevia o seu estilo de tocar, cujo álbum mais tarde foi lançado em versão ao vivo "Roughneck, Live in Paris" (P-Vine Records, 2007).

The New Mastersounds segue seu rumo e a banda é reconhecida como Best Funk Band in the World at this Moment e vieram os álbuns "Be Yourself" (One Note Records, 2003), "This Is What We Do" (P-Vine Records, 2005) e "102%" (One Note Records, 2006). Em 2007, partem em turnê internacional e embarcam no Jamcruise em um festival de funk americano em alto mar, onde fizeram um set arrasador de três horas. A banda estende a viagem a New Orleans, e torna a turnê mais intensa com apresentação no Jazzfest Após as apresentações, a banda volta para a cidade natal e Eddie permanece em New Orleans, se envolvendo na troca de experiências com os artistas de jazz e funk ali presente como Galactic, Papa Mali, Johnny Vidocavitch, Idris Muhammed e The Greyboy Allstars.

A discografia segue com os lançamentos de "Plug & Play" (One Note Records, 2008), "Live at San Francisco" (P-Vine Records, 2009), e Eddie partindo para projetos paralelos juntando-se ao The Sweet Vandals lançando mais uma pedrada, "Burn" (Legere Records, 2011), que ele nomeou como Eddie Roberts & The Fire Easters, em pura atmosfera acid jazz apimentada de soul; e mais The New Mastersounds com "Break from the Bordes" (Tallest Man, 2011).

Soul Out of Funk, assim é o The New Mastersounds.

COPA FEST EM SUA QUARTA EDIÇÃO

10 outubro, 2011
divulgação

O CopaFest é um festival de música instrumental brasileira que promove o encontro de diferentes artistas, gerações e ritmos – um movimento constante de improviso e experimentação.

Nessa 4ª edição, na noite de sexta-feira, o CopaFest promove a reinvenção dos bailes. E nada melhor do que relembrar o som de Ed Lincoln a bordo do Clube do Balanço e da banda liderada por Lincoln Olivetti. Cenário ideal? O Copacabana Palace.

Com curadoria de Bernardo Vilhena em parceria com Carol Rosman, esta edição do CopaFest traz ainda grandes estrelas da música instrumental brasileira com destaque para o percussionista Airto Moreira e seu grupo Eyedentity do qual faz parte sua filha com Flora Purim, Diana Booker; Arthur Verocai que se apresentará com uma super banda formada por Nivaldo Ornelas, Idriss Boudrioua, Itamar Assiere, Aldivas Ayres, Diogo Gomes, Luiz Alves, Pascoal Meirelles e um quarteto de cordas; e o duo Mauro Senise e Gilson Peranzetta se apresentam com Zeca Assumpção contrabaixo, Rafael Barata bateria e o Quarteto dos Sonhos formado por Bernardo Bessler e José Alves violinos, Christine Springuel viola e Yura Ranesky violoncelo e ainda a participação especial de Edu Lobo.

O Vinil é Arte já está preparando o repertório de música instrumental brasileira para balançar o Copacabana Palace. Em todas as noites o coletivo de DJs vai levar ao público sua pesquisa sobre o gênero musical, misturado dentro de um acervo que ultrapassa 15.000 discos. Detalhe: no repertório, só vale vinil.

Copacabana Palace
Av. Atlântica 1702, Copacabana, RJ
Entrada pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana

20 de Outubro, quinta-feira, R$ 80
21h30 : Mauro Senise e Gilson Peranzzetta convidam Edu Lobo
23h : Vinil é Arte
21 de Outubro, sexta-feira, R$ 60 os dois shows
21h : Clube do Balanço
23h : Lincoln Olivetti
nos intervalos : Vinil é Arte
22 de Outubro, sábado, R$ 80 por show
20h : Vinil é Arte
21h : Arthur Verocai
23h : Airto Moreira & Eyedentity, Celebrando os 70 anos de Airto

Na compra de 2 ou mais shows, 15% de desconto
Venda pela internet em  http://www.compreingressos.com/

Mais informações em  http://www.copafest.com.br/

ELAS : BETH HART

08 outubro, 2011
A californiana Beth Hart tem fascinação pela música desde criancinha, quando, aos 4 anos de idade, já tocava piano concentrada na música clássica de Bach e Beethoven. Adolescente, teve as adversidades em família tirando seu rumo - viu o pai ser preso por motivo de drogas, aos 11 anos começou a usar e abusar não só das drogas mas também de álcool, e aos 15, pela má influencia de um namorado, caiu na desgraça da heroína. Mas a música é forte e a trouxe de volta ao mundo real, fazendo-a correr atras do prejuízo movida pela emoção, e começou a cantar de verdade interpretando Etta James, Ottis Redding e Led Zeppelin.
Foi do seu encontro com o baixista Tal Herzberg, israelense que residia em LA, e com o guitarrista Jimmy Khoury que deu-se o início de uma série de apresentações, até que o produtor David Wolff, o mesmo que promoveu Cindy Lauper ao estrelado pop, a ouviu cantando e tornou-se seu manager. Meio hesitante, juntou-se à banda o baterista Sergio Gonzales e assinaram o primeiro contrato com a gravadora Atlantic.

Construiu uma ampla discografia desde o primeiro lançamento intitulado Immortal (Atlantic, 1996), apesar de algumas recaídas nas drogas e álcool ao longo desse tempo. Mas sua projeção musical deu-se pela música LA Song (Out of this town) que fez parte do seriado americano Beverly Hills, cujo sucesso ultrapassou os limites da America chegando na Europa. Seu disco "Leave the Light On" (Koch Records, 2004) chegou arrasador e seu lançamento se estendeu à Australia, Holanda, Dinamarca e Alemanha, um registro especial para ela em que se entrega emocionalmente e expressa a dor do passado. Disse ela : “Eu não estava com medo desses sentimentos porque eles foram reais, foi muito difícil mas foi só começar a cantar e partir com tudo e com vontade.”

A força de sua apresentação ao vivo realmente chama a atenção, e promoveu seu primeiro DVD de um concerto realizado no Paradiso Theater, Holanda, em 2004 (Kock Records), aqui a moça se mostra como realmente é - cheia de energia e com uma super banda, o que torna o registro um dos favoritos da sua audiência. Com pegada rock, já visitou o repertório de Jagger em Wild Horses e Zeppelin em Whotta Lotta Love.
Na discografia tem "37 days" (Universal, 2007), "Beth Hart & the Ocean of Souls" (Razz Records, 2009), "My California" (Mascot Records, 2010) e "Don´t Explain" (J&R Adventures, 2011), este com o acompanhamento luxuoso do guitarrista número 1 do blues-rock - Joe Bonamassa.

Don´t Explain traz Beth bem madura e mostra versatilidade sem perder seu ar primitivo. Faz uso das cordas na faixa título, numa atmosfera bem bluesy que também é aplicada em Your Heart Is As Black As Night e Ain't No Wayvisita um clássico do repertório de Etta James em I´d Rather Go Blind, em esplendorosa versão; se entrega ao lado Soul em Something's Got a Hold on Me; e o registro de Bonamassa muito evidente em Sinner's PrayerFor My Friends.

MARSALIS & CLAPTON, ENCONTRO DE GÊNIOS

05 outubro, 2011
A tradição musical de New Orleans todos conhecem, é muito característica pela sua rítmica e pela alegria que sua música transmite. E quando esta atmosfera é interpretada de forma muito particular pela influência de dois gigantes da música, um especialista no jazz e enraizado no berço da música americana e outro influenciado pelo blues em todas as suas formas, o resultado é realmente extraordinário.

Marsalis e Clapton Plays the Blues é uma obra prima!

Esta sessão foi gravada no Jazz at Lincoln Center, NY, nos dias 7, 8 e 9 de abril deste ano e é uma verdadeira homenagem as origens da música americana nascida no delta do Mississipi, New Orleans. Na totalidade dos temas encontra-se a atmosfera das brass bands e estão presentes todos os elementos musicais que se desenvolveram depois, primeiramente a alegria dos músicos e a música que eles fazem, o improviso, o blues, o spiritual, o dixie, o walking e o jazz - e tudo arranjado pelo mestre Marsalis.

Ao mesmo tempo instigante para quem conhece a música de Clapton torna-se curioso para quem conhece a história musical de Marsalis, ambos músicos maduros completamente entregues neste desafio e que não se prenderam a rótulos e purismos, preocupados somente em fazer boa música. E essa amizade entre eles começou baseada justamente nisso, no amor que eles tem pela música e pela herança musical que eles compartilham. Vê-se um Clapton emocionado e que desabafa para a platéia dizendo o quanto significa para ele estar ali com Marsalis, a quem o chamou de gênio e um verdadeiro líder.

E na faixa de abertura Ice Cream (Howard Johnson) todos tem espaço para seu improviso em um clima bem ao estilo que lembra a musicalidade de Louis Armstrong, quase como um cartão de visitas, acomodados pela rítmica particular de New Orleans com direito a uma passagem no melhor estilo tradicional do jazz no solo do pianista Dan Nimmer.
Fica até dificil destacar uma música em especial desta apresentação, todas são brilhantes.
Joe Turner´s Blues (Willian Handy) marca pela interpretação vocal em uníssono de todos os músicos, quase como um ritual spiritual sob uma marcha em blues; Forty-Four (Chester Burnet) sempre foi um tema marcante nas apresentações de Clapton em que ele homenageava Howlin’ Wolf, aqui numa forma muito particular; encontramos uma passagem na onda boogie-oogie no tema Kidman Blues (J..Willians); e Layla (Clapton) se apresenta como você nunca viu, introduzida por uma sonora expressão de sopros e que segue marcada em compasso lento com um solo magnífico de Clapton que ao final tirou um sorriso de admiração de Marsalis que dá sequencia a seu pontual e melódico solo.
Aliás, Clapton coloca sua guitarra dentro da atmosfera musical de new orleans de forma extraordinária, todos os solos aplicados pontualmente sem abrir mão da pegada blues, além do seu vocal que caiu perfeito nos arranjos propostos por Marsalis.
Taj Mahal é o convidado especial desta apresentação e está presente em dois temas simplesmente arrasadores, o tradicional blues Just a Closer Walk with Theem e um encerramento apoteótico com Corrine, Corrina (Chatman, Parish, Willians).


Participam desta sessão, além de Marsalis ao trompete e Clapton na guitarra alternando entre a clássica 335 e uma belíssima L5, Victor Goines clarinete, Marcus Printup trompete, Chris Crenshaw trombone, Don Vappie banjo, Chris Stainton teclados, Dan Nimmer piano, Carlos Henriquez contrabaixo e Ali Jackson bateria; quase todos membros da Lincoln Center Jazz Orchestra.

Uma abordagem diferente de tudo o que voce já viu e ouviu de Clapton. Um disco para aqueles que, mais que amantes do jazz e do blues, um disco para amantes da música.
Uma verdadeira aula de música!

Lançamento oficial aqui no Brasil pela Warner em pack CD e DVD.

Som na caixa !

MARCIN WASILEWSKI: FAITHFUL

01 outubro, 2011

O pianista Marcin Wasilewski nasceu na Polônia em 1975.
Começou a tocar piano aos 7 e aos 13 já estava nos palcos imerso no jazz, que lhe foi apresentado pelo tio baterista que o levou a um concerto de jazz ainda criança.
Passou a ouvir os discos do pai, rodando Oscar Peterson, Chick Corea e Herbie Hancock até que esbarrou em um video de Keith Jarrett e viu que era aquilo o que ele queria tocar.

Ainda na escola formou o Simply Acoustic Trio ao lado dos amigos contrabaixista Slawomir Kurkicwicz e o baterista Michal Miskiewicz, e o trio está junto desde meados de 90, descobrindo e redescobrindo o jazz.

Seus primeiros e excelentes álbuns When Will The Blues Leave (Polonia, 1995)Habanera (Not Two, 1999) e Lullaby for Rosemary (Not Two, 2001) somente estão disponiveis na Polônia.
A expressividade do piano de Marcin foi tanta que chamou a atenção do trompetista Tomasz Stanko, também polonês, que o trouxe para compor o seu quarteto gravando, para mim, seus melhores trabalhos - Soul of Things (ECM, 2001), Suspended Night (ECM, 2003) e Lontano (ECM, 2005). Marcin via em Stanko um músico especial, era "o" trompetista e o viu pela primeira vez na TV ao lado do pianista Bobo Stenson em um quarteto extraordinário, em uma música que flutuava entre o free e o tradicional, algo que soava ainda estranho para seus ouvidos. Ele considera a experiência com Stanko uma grande escola, o melhor caminho para aprender e experimentar o Jazz. E foi ao lado dele que ele obteve dimensão internacional e não parou por aí - outro grande músico que também o trouxe para compor seu grupo foi o brilhante baterista Manu Katché, participando dos álbuns Neighbourhood (ECM, 2006) e Playground (ECM, 2007), ambos excelentes.

O trio de Marcin continua com a mesma formação e gravou os albuns Trio (ECM, 2004), premiado como Quarterly Prize of the German Record Critics, e January (Universal, 2008) onde passeia por composições próprias e temas de autoria de Carla Bley, Paul Bley, Gary Peacock, Stanko, uma belíssima interpretação de Cinema Paradiso de Enio Morricone, e rearranjos do funk-rock moderno de Prince e da atmosfera gótica de Bjork.

Em seu trabalho intitulado Faithful (ECM, 2011) a fórmula não é diferente, mais um disco brilhante onde se destaca uma visita a Hermeto Pascoal em Os Guizos, tema apresentado pelo contrabaixista Slawomir Kurkicwicz, que tem na música brasileira uma de suas inspirações; a clássica balada The Ballad of the Sad Young Men, em que Marcin incorpora de forma brilhante a atmosfera de Jarrett; Big Foot (aka Figfoot), que Paul Bley gravou em 70 no álbum com Gary Peacock pela própria ECM; e o tema título Faithful, composição original de Ornette Coleman (The Empty Foxhole, 1966); além de composições próprias.

Um pianista de mão cheia, que valoriza a melodia não a deixando sobrepor pelo seu virtuosismo, que ele tem de sobra. O trio é espetacular, definitivamente um dos mais expressivos do Jazz contemporâneo.