NORTH MISSISSIPI ALLSTARS ENCONTRA JOHN MEDESKI E ROBERT RANDOLPH

30 dezembro, 2011
Imagine a mistura de um nervoso country-blues, uma guitarra slide pegando fogo e a poder fusion de um hammond.

Assim é The Word (2001, Ropeadope), registro de uma verdadeira jam de southern rock com farto recheio do blues e de pitadas da atmosfera jazzy de New Orleans, alimentados pela pressão do hammond de John Medeski, a empolgação da guitarra slide e os psicodélicos riffs de Robert Randolph e a base do super grupo North Mississipi Allstars.

O North Mississipi Allstars é um grupo formado em 1996 pelos irmãos Luther e Cody Dickinson, guitarrista e baterista respectivamente, filhos do músico e produtor Jim Dickinson, mais o baixo de Chris Crew. Os garotos cresceram no norte do Mississipi onde foram envolvidos pela música country, pelo blues e pelos sons de Fred McDowell e R.L. Burnside, o que acabou tornando-se uma inspiração para os Allstars.

The Word foi lançado em 2001, uma ambição há tempos vislumbrada pelos irmãos Dickinson e Medeski, que queriam produzir um álbum gospel.
A ideia consolidou-se quando encontraram Robert Randolph, na época com 22 anos. O curioso é que Randolph somente tocava o que é conhecido como sacred steel, um tipo de música gospel tocada em orgãos nas igrejas no sul dos EUA, e ele era o protagonista em uma paróquia em New Jersey. Na época, Randolph tinha gravado somente um tema que tornou-se comercialmente famoso, "Without a God", cuja faixa foi registrada em disco em uma coletânea do estilo pelo selo Arhoolie, e isso realmente chamou a atenção dos irmãos Dickinson e de Medeski.

A história deste grupo nos levou de volta às raizes”, disse Luther Dickinson, guitarrista do North Mississipi Allstars.
Foram necessários apenas três dias no estúdio do Medeski, Martin & Wood no Brooklin, NY, onde o álbum foi finalizado. Totalmente instrumental, o resultado realmente surpreendeu e foi muito bem recebido.
A influência gospel de Randolph deu a diretriz para este trabalho em que quase a maioria dos temas são de domínio público, mas todos arrojadamente preparados com muito groove.


CHICO PINHEIRO: FLOR DE FOGO

26 dezembro, 2011
Quem já teve a oportunidade de assistir a guitarra de Chico Pinheiro entende porquê hoje ele é um nome de referência no instrumento.
Destreza não só na guitarra, mas também no violão, fraseado elegante, limpo e com pleno domínio da linguagem jazzística. Não à toa, tornou-se endorsse da marca Benedetto, modelo de guitarra referência quando o assunto é archtop, quase como um sonho de consumo dos guitarristas na linha de frente do jazz, e cuja galeria constam os nomes de Pat Martino, Pizzarelli, Howard Alden, Ulf Wakenius, Andreas Oberg, Pat Kelley entre outros gigantes.

Chico Pinheiro não se apega a estilos, mantém na sua música a raiz da música brasileira dando a seus arranjos o colorido do jazz necessário para alimentar os mais exigentes ouvidos.
Depois de uma parceira de sucesso com o guitarrista e maestro Anthony Wilson em "Nova" (2008, Goat Hill Rec), agora nos apresenta Flor de Fogo, seu quarto disco que saiu inicialmente no Japão com o nome "There´s a Stormy Inside" pela gravadora CT Music, e aqui foi lançado pelo selo Atração Fonográfica.
Ótimo para nós que este trabalho tornou-se acessível, e é um exemplar obrigatório para os amantes da boa música, cujo trabalho teve repercussão muito positiva em publicações importantes como Jazztimes e Downbeat. O disco foi produzido e arranjado por Chico Pinheiro, gravado entre agosto e outubro de 2009 no Brasil e com gravações adicionais feitas nos EUA no Visual Rhythm Studios, California.

A formação base do disco é do primeiro time - o contrabaixo de Paulo Paulelli, revezando-se no acústico e elétrico, a bateria do gigante Edu Ribeiro, as participações de Fabio Torres, Paulo Calasans e Otmaro Ruiz nos pianos, Marcelo Mariano baixo, os sopros de Bob Mintzer e Nailor Proveta, o acordeon de Lula Alencar e as vozes Dianne Reeves e Luciana Alves e mais os arranjos de cordas de Gilson Peranzetta e Oscar Castro Neves.

O repertório é quase todo autoral, exceto pelo standard Our Love Here to Stay (Gershwin) e As (Stevie Wonder) em uma versão bem brasileira. Os pontos altos ficam nos temas Recriando a Criação, com a participação da bela voz da cantora Luciana Alves, com um destaque ao solo de guitarra de Chico; Boca de Siri com uma levada bem samba-jazz; e a faixa título Flor de Fogo, em que somos presenteados com belo solo de Bob Mintzer, que também participa das faixas As e Mamulengo. Entre os convidados ilustres, Dianne Reeves mostra a voz em There´s a Storm Inside, As e Buritizais; e Nailor Proveta no clarinete em Valsa número 8.

BOB DYLAN POR STEVE JOBS

22 dezembro, 2011
A única vez que Steve Jobs se lembra de ter ficado mudo na presença de alguém, foi diante de Bob Dylan.
Dylan estava com show agendado perto de Palo Alto, Califórnia, em outubro de 2004. Como Bob Dylan sempre foi chucro, caipira e arredio, nunca foi amigo de Steve Jobs e nem fazia questão de ser, mesmo assim convidou-o para uma visita na suíte do Hotel em que estava hospedado.
Conversaram por duas horas, com Jobs visivelmente nervoso por estar diante de um herói seu.
Apesar de quase cinqüenta anos de estrada, Dylan continuava com a inteligência afiada como uma navalha, aberto, honesto. Disse para Jobs que quando escrevia suas canções elas simplesmente aconteciam, nem precisava compô-las, porém nos dias atuais isto não era mais natural como quando jovem. Porém, com um ar de sarcasmo brincou - "Ainda consigo cantá-las".

Após o encontro, Jobs propôs um plano grandioso. A iTunes Store deveria oferecer um pacote digital de todas as canções que Dylan já havia gravado, mais de setecentas no total, ao custo de 199 dólares.
A Sony, gravadora de Dylan, não concordou, alegando que o preço era baixo e degradante para um ícone, uma lenda viva da cultura americana. Dois anos depois, com nova direção na gravadora, Jobs voltou à carga e mostrou o tipo de campanha de marketing que a Apple poderia montar, incluindo todas as canções que Dylan já gravara e exclusividade de oferecer o novo disco, Modern Times, para encomendas antes do lançamento.
O conjunto incluía 773 faixas com 42 raridades, como gravações em pubs e festivais underground da década de 60. Como parte do acordo, Dylan apareceria em um anúncio de TV do iPod apresentando seu novo álbum "Modern Times".
No comercial, Dylan aparece de chapéu de caubói sentando em um banquinho tocando e cantando, suavemente iluminado por trás enquanto uma mulher descolada com boné dançava ao som de seu iPod.
O anúncio não só ajudou Dylan a conquistar um público mais jovem como o levou novamente ao topo da parada da Billboard, algo que não acontecia com Dylan desde a década de 70.
O estilo visionário de Jobs para o iTunes inverteu a fórmula da indústria da música, onde uma grande marca faz a parceria com uma grande estrela ajudando a elevar as vendas.

História narrada em sua biografia Steve Jobs por Walter Isaacson.

TODD SHARPVILLE: DEIXE A LUZ DA VARANDA ACESA

17 dezembro, 2011
Quando eu era garoto eu costumava tocar para impressionar. Hoje, eu toco para me expressar. Minha sanidade mental depende disso.
Assim se define o guitarrista inglês Todd Sharpville.

Teve como mentor o californiano Joe Louis Walker, cuja amizade impressionou o jovem bluesman fazendo-o entender o idioma musical, como ele mesmo lembra -
Hoje, eu ainda ouço um pouco de Joe em todo lick que eu toco, um músico com sua própria linguagem e que me ensinou importantes lições no meu desenvolvimento, em como ser eu mesmo. Joe ensinou a mim e a um monte de crianças ao mesmo tempo naquela época, e eu sinto-me orgulhoso de ter sido uma delas; tiro meu boné  para ele até o fim da minha vida.

Sharpville ainda faz reverência a outros heróis do Blues como T-Bone Walker, Magic Sam, Hubert Sumlin, Freddie King, Peter Green e Lightnin' Hopkins; e não se limitando ao estilo traz os nomes de Buddy Holly, Eddie Cochran, Dylan, Tom Waits, Lennon, McCartney e Willy Nelson.

Começou a desenvolver sua musicalidade cercado pelo cenário Blues londrino. Foi inspirado por uma gama de guitarristas que compartilhavam os palcos em jams nos clubes locais, como Station Tavern, Dublin Castle e o lendário Marquee Club, este que foi seu primeiro palco como artista solo.
Sua carreira musical iniciou em 94 quando assinou com o selo britânico Red Lightnin Records. O dono, Peter Shertser, era conhecido pelo catálogo que incluía John Lee Hokker, Muddy Waters, Peter Green e Buddy Guy, e ficou fascinado pelo estilo de Sharpville. Seu primeiro álbum, "Touch Of Your Love" (1994, Red Lightnin Rec) foi gravado em um equipamento multi-track valvulado vintage dos anos 50, no Bryn Derwyn Studios, em North Wales, um disco raro de se encontrar. A Red Lightnin cedeu a licença deste material para vários outros selos adicionando a música de Sharpville em diversas coletâneas.
"Touch Of Your Love" foi álbum premiado em 94 como Best Album no British Blues Awards e Sharpville como Best Guitarrist em 95, promovendo uma extensa turnê pela Europa e EUA para divulgação do trabalho.
E por incrível que pareça, Sharpville lembra com tristeza esse período – “Estava muito chateado pelo fato da gravadora ter cedido minha música sem minha permissão. Eu era muito jovem e não tinha muita noção das coisas. Era muito imaturo. Eu queria mais tempo antes de ser exposto dessa forma e a gravadora não respeitou isso. E mais, o guitarrista da minha banda, Roger Mad Dog Cohen, contribuiu com muitas das músicas e nunca recebeu crédito, além de seus excelentes solos. Acredito que eles queriam manter o foco em mim, mas isso é uma das piores coisas para um músico, não quero que isso aconteça de novo.”

Até o início de 2000, Sharpville foi regularmente convidado para ser base de muitos artistas americanos, muitos deles que tinham sido referência quando criança e aí incluidos Hubert Sumlin, Byther Smith, Chuck Berry e Ike Turner, ganhando o respeito deles. Ainda durante os anos 90, Sharpville foi a guitarra da cantora Dana Gillespie, com quem gravou cinco álbuns e excursionou ao redor do mundo.
Apesar das dificuldades e problemas contratuais com sua gravadora inicial, em 2001 volta a cena com disco novo, "The Meaning Of Life" (2001, Universal), com vários convidados entre eles Mick Taylor, Snowy White, Eugene Bridges e ícones pop dos 70 como Leo Sayer. O álbum o consolidou como compositor e a turnê abriu portas para o Legendary Rhythm & Blues Cruise nos EUA, o que há de melhor no cenário Blues americano.
O ano de 2004 marcou a vida pessoal de Sharpville com o fim do seu casamento e o início de uma luta judicial para poder ter contato com os filhos, o que o levou a uma internação por um mês com um diagnóstico de depressão. Mas as dificuldades foram superadas e aos poucos voltou ao cenário musical com produção e criação, o que é mais importante, e participando de gravações e abrindo concertos para o lendário Bo Diddley e Joe Cocker. Em 2007 foi convidado por Joe Louis Walker para participar do álbum "Witness To The Blues" (2008, Stony Plain Rec), cuja gravação os levaram ao estúdio de Duke Robillard em Rhode Island, tornando o anfitrião um verdadeiro fã de Sharpville propondo que ele gravasse seu próximo disco em seu estúdio.

Robillard produziu o álbum duplo intitulado Porchlight (2010, MiG), justamente num momento em que Sharpville encontrava-se no meio de um intenso processo criativo.
Os músicos que o acompanham neste registro são na maioria da banda de Robillard - Mark Teixeira bateria, Jessie Williams baixo e Bruce Bears teclados e uma seção de sopros formada por Scott Aruda trompete, Mike Tucker sax alto, Doug 'Mr. Low' James sax barítono e Carl Ouerfurth trombone, além das participações especialíssimas da harmônica de Kim Wilson, de Joe Louis Walker e de Duke Robillard.
São 15 temas, 14 deles autorais e 1 interpretação de Shel Silverstone, If That Ain’t Love What Is.

Porchlight concorreu na categoria British Blues Album em 2011 no British Blues Awards (o premiado foi Oli Brown com o album Heads I Win, Tails You Lose). É um trabalho com uma pegada mais enérgica que "The Meaning Of Life", mas sem perder as influências do Soul, do R&B e com algumas passagens em Slow Blues realmente interessantes. Sharpville é uma fã das Fender e faz pouco uso de efeitos, dando uma sonoridade mais limpa no seu registro.

www.toddsharpville.com/

ELAS : DANI WILDE

10 dezembro, 2011
Seu nome é Dani Wilde.
Criada em Hullavington, pequeno vilarejo de Wiltshite, Inglaterra, teve a sorte e o privilégio de seu pai ser um colecionador dos discos da Stax, Motown e Chess Records, ficando fácil convencê-la do caminho musical que ia seguir; e o próprio pai foi um grande incentivador para ela começar a participar das gigs locais.
Aos 18 anos mudou-se para Brighton, sul da Inglaterra, com o propósito de graduar-se em Música, e passou três anos até alcançar o "1st Class Ba Hons Degree", grau máximo em Artes, e usou a voz para rapidamente conquistar audiência.
Bela voz somada a um estilo próprio de tocar guitarra e o conhecimento da linguagem do Blues chamaram a atenção da gravadora Ruf Records, assinando contrato para a gravação do seu primeiro álbum, "Heal My Blues" (2008). Para ela, este álbum foi um retrato da sua vida naquele momento em meio a tantas mudanças que ocorriam no mundo, econômica e socialmente, e como esse cenário influenciava sua forma de compor. Com a carreira impulsionada pelo lançamento do primeiro álbum, seguiu para a America abrindo shows para artistas consagrados, entre eles Deborah Coleman e Robben Ford, ganhando destaque.
Quando questionada sobre o que a fez se tornar uma cantora de Blues, ela diz –
Quando tinha 14 anos eu fui ao Bishopstock Blues Festival em UK e assisti a apresentações de Sue Foley, Shemekia Copeland e Susan Tedeschi. Antes eu somente ouvia o velho Chicago Blues, John Lee Hooker e Muddy Waters, e assistir aquelas mulheres tocando Blues foi como se explodisse algo em mim, e isso me fez seguir os passos de Susan, e sua presença de palco e musicalidade foram uma grande inspiração.

Em 2010, Dani voltou ao estúdio para gravar seu segundo álbum pela Ruf Records, "Shine", liderada pelo produtor Mike Vernon, profissional de destaque no cenário Blues-Rock britânico nos anos 60 e 70, produzindo trabalhos de Savoy Brown, Bluesbreakes, Eric Clapton, Fleetwood Mac, Peter Green, John Mayall e Ten Years After. Para ela, trabalhar com Verno foi uma grande oportunidade, a quem tinha como um herói, e ele saiu do seu descanso exclusivamente para produzir seu álbum.

Dani também integrou o grupo Girls with Guitar ao lado das guitarristas Samantha Fish e Cassie Taylor.
Sobre este projeto, ela tem a maior empolgação em falar sobre –
É muito divertido, nós não percebemos o quão bem sucedido esse projeto se tornaria. É gratificante trabalhar com esta equipe de talentosas mulheres. Nossa participação no Legendary Blues Cruise foi a realização de um sonho”.





Dani Wilde on Myspace.

HUBERT SUMLIN MORRE AOS 80 ANOS

06 dezembro, 2011
Hubert Sumlin, o guitarrista de Howlin Wolf que influenciou Clapton e Hendrix, morre aos 80 anos.
A matéria abaixo foi publicada no Washington Post (tradução livre) e você pode ler o original aqui

por T. Rees Shapiro

Hubert Sulim, o guitarrista de blues que protagonizou os licks e solos entusiasmados dos sucessos de Howlin’ Wolf nos anos 50 e 60 e que mais tarde influenciou os trabalhos de Clapton, Hendrix e Stevie Ray Vaughan, morreu em 4 de dezembro em um hospital de Wayne, New Jersey. Ele tinha 80 anos.
Seu agente, Hugh Southard, disse que ele teve um ataque do coração.

Sumlin estava entre os últimos de uma geração de músicos que ajudaram a modernizar o blues com a guitarra elétrica.
Embora seu nome não ser tão conhecido, Sumlin era considerado uma lenda do blues cujo virtuosismo inspirou os Rolling Stones, Led Zeppelin e Allman Brothers.
A revista Rolling Stone o ranqueou na posição 43 dos 100 maiores guitarrista de todos os tempos (Sumlin estava localizado acima do guitarrista Slash e o pioneiro do rock´n´roll Buddy Holy).
Nascido no Mississipi, Sumlin tocou seus primeiros acordes em um comprimento de corda amarrada em dois pregos ao lado de sua casa. E foi nessa onda, que ele chamou de “diddley bow”, que Sumlin começou a desenvolver seu próprio estilo, trêmolo, que tornou-se sua assinatura.
Outros guitarristas são inspirados por ele, mas ninguém soava como Sumlin”, disse Bob Margolin, guitarrista da banda de Muddy Waters.
E foi a mãe de Sumlin que mais tarde comprou uma guitarra de verdade com seu salário semanal em seu trabalho numa agencia funerária.
Sumlin tinha 10 anos quando foi a um bar local ouvir um dos seus ídolos - Chester “Howlin’ Wolf” Burnett. Proibido de entrar no bar, Sumlin empilhou várias caixas de madeira até uma janela para que pudesse olhar o que rolava lá dentro, porém as caixas balançavam tanto que Sumlin caiu através da abertura da janela e foi parar no palco na frente de Howlin Wolf, um cara grandalhão e com aquele vozeirão. O cantor ficou impressionado com a dedicação de Sumlin com sua música e pediu que fosse colocada uma cadeira no palco para o mais jovem fã. Ao final da apresentação, Wolf levou Sumlin para casa.
Em uma de suas entrevistas para a revista Worcester, Sumlin recorda a conversa de Wolf com sua mãe – “Olha aqui, não o castigue. Um dia, Mrs Sumlin, tenho certeza que ele tocará comigo. Ele é diferente, será um músico e será uma boa pessoa”.
Sumlin, que não escapou do castigo da sua mãe, manteve contato com Howlin Wolf e juntou-se a sua banda em Chicago no ínicio dos 50 e se estabeleceu como guitarrista e um parceiro criativo. Os licks de Sumlin em “Killing Floor,” “The Red Rooster” and “Smokestack Lightning” são considerados clássicos do Blues.
Apesar do seu bem sucedido trabalho com Wolf, Sumlin disse que foi demitido por mais de 100 vezes, numa dessas ocasiões Wolf o demitiu na frente de uma platéia de mais de 700 pessoas alegando que Sumlin estava tocando muito alto e interferindo em seu vocal. Sumlin foi para casa e começou a tocar sem o uso de palhetas, usando apenas os dedos.

“Eu podia sentir a alma e a dor, podia sentir tudo e isso me fez bem”, disse ele para a revista Guitar Player em 2005."

Sumlin voltou para a banda de Wolf e tocou com o grupo até sua morte de 1976.
Após décadas na sombra de Howlin Wolf, Sumlin lutou para engrenar sua própria carreira solo. Lançou vários álbuns solo e recebeu muitas nomeações ao Grammy em 1990.
No meio dos 2000, Sumlin lançou o álbum “About Them Shoes”, que foi produzido por Keith Richards.
Em uma entrevista com o guitarrista, Sumlin explicou o título do álbum dizendo que seu pai ajudava a pouca renda da família com destilação de uísque no meio do pântano e um dia esbarrou com seu pai durante uma operação e quando perguntado o que era aquele equipamento seu pai disse – “Como você acha que calça suas meias ? como você acha que calça seus sapatos?

Hubert Charles Sumlin nasceu em 16 de novembro de 1931 em Greenwood, Mississipi, e cresceu em Hughes, Arkansas. Quando era um adolescente, sua habilidade na guitarra o permitia se apresentar nos bares locais. Ele chegou a formar um grupo com o gaitista James Cotton.
Sumlin casou inúmeras vezes e uma completa lista de suas esposas não pode ser determinada.
Apesar de uma relação estreita com Howlin Wolf, sua amizade com ele era muito sólida, disse ele uma vez ao Milwaukee Journal Sentinel  – “... nós tínhamos pelo menos umas duas brigas por ano, numa delas ele me deu um soco e eu também dei-lhe uns socos ... um dia após a briga ele teve que consertar seus dentes e os arrumou com ouro, e ele ficou melhor que antes eu lhe dar porrada”.