MORRE LOUISIANA RED

26 fevereiro, 2012
por Bob Corritore
fonte :  Bman´s Blues Report

Iverson Minter, conhecido como Louisiana Red, morreu aos 79 anos na tarde de 25 de fevereiro de 2012, após alguns dias em coma por decorrência de problemas na tireoide.
Louisiana Red era uma dos mais idolatrados artistas de blues, que incorporava em sua música a arte de seus mestres, entre eles Muddy Waters, Elmore James, Robert Nighthawk, Lightnin' Hopkins e John Lee Hooker, e nos brindava com um misto de paixão e honestidade que mexia com seu público.
Além de uma voz muito particular, era um extraordinário guitarrista, que além de tocar o tradicional blues ainda se tornou um dos grandes no uso do slide. Podia criar atmosferas e texturas, musical e espiritualmente, e tinha a habilidade ir tão fundo em suas músicas que ele mesmo se levava às lagrimas, fazendo seu público chorar com ele. Um presente a todos os grandes artistas.

Nasceu em Bessemer, Alabama, em 1932 mas viveu em várias cidades do sul. Perdeu a mãe ao nascer, e seu pai foi morto pela Ku Klux Klan quando tinha 5 anos. Morou num orfanato em New Orleans por alguns anos de sua infância até sua vó o levar para morar com ela em Pittsburgh. Alguns anos mais tarde, ela comprou para ele sua primeira guitarra por $12. O garoto tocava junto com os discos, e com as músicas ouvidas no rádio e começou a ter aulas de guitarra com seu primeiro mentor, Crit Walters, a partir daí Lousiana Red tomou a decisão de que se tornaria um músico de blues.

No final dos 40, Red seguiu para Detroit onde se tornaria amigo de Eddie Burns e John Lee Hooker, e fez suas primeiras gravações para o produtor Joe Von Battle com o pseudônimo de Rocky Fuller, tendo alguns destes registros lançados pela Chess Records. Acompanhou John Lee Hooker em uma sessão para a Modern Records, em que você pode ouvi-lo ao fundo no tema Down Child.
Em 1953 participou de uma sessão em Chicago para a Chess Records no qual estava acompanhado por Little Walter em Funeral Hearse At My Door, cujas gravações ficaram guardadas por décadas.
A próxima parada seria New York onde gravaria para o produtor Bobby Robinson e para a Atlas Records. Foi com o lançamento de "Louisiana Red" em 1962, pelo selo Roulette, que ganhou reconhecimento como um bluesman. O single "Red´s Dream", com sua sarcástica  abordagem política, tornou-se um hit e deu-se a sequência de mais dois álbuns - The Lowdown Back Porch Blues e Sings The Blues.
Nos anos 70 se tornou um âncora do selo Blue Labor, e lançou dois excelentes álbuns acústicos, solo, "Sweet Blood Call" e "Dead Stray Dog"; e aparece como sideman em álbuns de Johnny Shines, Roosevelt Sykes, Brownie McGhee e Peg Leg Sam. Nessa época, se envolve romanticamente com uma lenda folk chamada Odetta.
Agentes e promotores europeus mostram interesse no trabalho de Red, e ele encontra um novo público além continente. Selos como o alemão L+R e o ingles JSP colocaram em seu catálogo "Red, Funk and Blue", um álbum em dueto com o gaitista Sugar Blue.
Se muda para Phoenix em 1981 onde viveu e tocou com o gaitista Bob Corritore por 1 ano. Em 1982 parte para uma excursão na Europa e encontra seu verdadeiro amor, Dora, com quem se casou e passou o resto dos seus dias. Mudou-se para Hanover, e Dora o confortou em um verdadeiro aconchego familiar; Red tinha muito orgulho desta relação, inclusive assumindo os próprios filhos de Dora. Sempre nas férias, em janeiro, viajavam para Ghana, Africa, país de origem dela.
Em 1995, o selo Earwig Records relançou "Sittin' Here Wondering", que tinha gravado com Bob Corritore em 1982 e que ficou engavetado por mais de uma década. Este álbum criou uma relação entre Red e o chefe da gravadora, Michael Frank, que gravaria mais dois álbuns com ele e ainda promoveria uma turnê anual na América.
Em 2010, Red teve cinco nomeações para o Blues Music Awards e recebeu duas premiações - Acoustic Artist of the Year e Acoustic Album of the Year pelo disco "You Got To Move", gravado com o pianista David Maxwell.

É triste dar adeus a uma pessoa tão amada por grandes bluesmen, seu legado é grande e fez muitos amigos. Ele pode descansar em paz após um vida inteira nos dando tudo o que tinha através de seus incríveis blues.

Louisiana Red : 1932-2012.

ELAS : JOANNE SHAW TAYLOR

25 fevereiro, 2012
Quando eu vi aquela menina branquela britânica tocando Blues tão profunda e apaixonadamente, eu fiquei de cabelo em pé”, disse o guitarrista Dave Stewart.

A menina que o ex-guitarrista do Eurythmics se referia era Joanne Shaw Taylor, na época com 16 anos, e sua habilidade com a Telecaster era tanta que o bluesman perguntou a ela se queria se juntar ao seu grupo D.U.P., que estava em turnê. Isso no ano de 2002, mas a menina estava envolvida em um contrato de gravação cuja gravadora faliu.

Ganhou sua primeira guitarra de presente de Natal, aos oito anos de idade. Cresceu ouvindo Sabbath, Slade e Zeppelin, mas quando ouviu Albert Collins no álbum "Ice Pickin", o primeiro que ela comprou, teve a certeza que queria ser uma guitarrista. Levou isso a sério e dedicou-se muito, tornando-se uma fã ardorosa do Blues.
Ganhou o título de “a nova cara do Blues”, dado pela Blues Matters, publicação britânica.

Em seu álbum de estréia, "White Sugar" (2009, Ruf Records), Joanne foi até Memphis no estúdio do produtor Jim Gaines e contou com a experiência do baterista Steve Potts e o baixo de Dave Smith, o que para ela foi um privilégio – “Trabalhar com esses caras foi fácil, os conhecia pelos trabalhos de Luther Allison e Jonny Lang, e eles não conheciam o meu trabalho até entrarmos no estúdio para a gravação. Eu os fiz ouvirem as músicas e foi fantástico, eles tem sentimento e alma, uns caras incriveis para trabalhar”.
"White Sugar" é um album totalmente autoral, e abre em grande estilo com Going Home, um cartão de visitas no mais puro Rock moderno, assim como em Watch 'em Burn. Um repertório sem impor regras e mesmo quando traz uma abordagem mais comercial, como em Just Another Word e Heavy Heart, não perde a pegada Rock. E lógico que não podia faltar um bom Blues, que se apresenta em Time Has Gone e Blackest Day, além do tema título instrumental.

White Sugar Diamonds in the Dirt

Em seu segundo álbum, "Diamonds in the Dirt" (2010, Ruf Records), o reconhecimento veio com o premiação na categoria de Best Female Vocalist pelo British Blues Awards, e o álbum chegou na oitava posição no Billboard Top Blues Albums. Um ano depois, nova premiação pelo British Blues Awards na categoria Best Female Vocalist e Songwriter of the Year pela faixa "Same As It Never Was". Neste disco, Joanne conta com o mesmo time do primeiro álbum e mostra outras texturas com uso de violão acústico e teclados, mas manteve a essência Rock, como nos temas Can´t Keep Livin Like ThisJump That Train e Let it Burn; e até mesmo quando abranda em temas como a premiada Same As It Never Was e o tema título, que traz uma atmosfera de Vultures do John Mayer.

Eu queria ter tempo para fazer meu trabalho e ter a certeza de que fiz um disco da melhor forma que eu poderia fazer”, diz Joanne.

joanneshawtaylor.com

11 ENCONTRO INTERNACIONAL DE HARMÔNICA

22 fevereiro, 2012
divulgação

A harmônica, ou simplesmente gaita como é mais conhecida, é um dos instrumentos que mais cresce em popularidade no Brasil.
Mais uma vez, a Choperia do SESC Pompeia abriga o Encontro Internacional de Harmônica, que chega em sua décima primeira edição com uma programação especial que inclui shows, workshops, performances e uma super jam session.

O evento acontecerá entre os dias 1 e 4 de março e a programação promete.
A Choperia SESC Pompeia fica na Rua Clélia 93, SP.

Ingressos a R$ 16,00 (inteira); R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculados no SESC e dependentes).


Na primeira noite, Marcelo Naves divulga repertório de seu primeiro CD solo intitulado Minha gaita é meu patrão, em que resgata a sonoridade tradicional dos músicos de Chicago dos anos 1940 a 60, com composições próprias e clássicos do blues. Na mesma noite, o público poderá conferir o trabalho de Omar Izar, o mais antigo dos gaitistas brasileiros em atividade.

Na segunda noite, o público terá um programa triplo. Integrantes da Troupe da Gaita, de Curitiba, Benê Chiréia (harmônica) e Marcelo Ricciardi (violão) fazem uma apresentação com repertório que passa por samba, choro, tango, bolero, jazz e blues. Unindo quatro destaques da cena musical de Porto Alegre nos estilos blues, jazz e rock, Ale Ravanello Blues Combo interpreta clássicos dos grandes mestres da harmônica com temas recheados do suingue característico dos anos 50. Encerra a segunda noite o americano Steve Guyger, considerado um dos principais nomes da gaita blues mundial. Seu som remete aos anos de ouro de Little Walter, Sonny Boy Williamson II e Big Walter Horton.

No sábado, o público poderá conferir a presença da harmônica no tango, no choro e no soul. Um dos principais harmonicistas da Argentina, Pablo Brotzman apresenta trabalho em duo com o violonista Sergio Pessina. Juntos eles fazem parte da nova escola de tango argentino e lançaram, no final de 2010, o disco autoral Tangotan, em que executam uma coleção de tangos, milongas e valsas.
Acompanhado do grupo Chorando as Pitangas, formado por Milton Mori (bandolim), Ildo Silva (cavaquinho), Gian Correia (violão 7 cordas) e Roberta Valente (percussão), o gaitista Vitor Lopes apresenta choros, valsas e maxixes com pitadas de samba e toques de gafieira.
Já a Big Chico Band, apresenta o projeto Big Chico & Funk Clube, que une a gaita ao soul e black music, com interpretação de clássicos de Tim Maia, James Brown, Marvin Gaye, Maceo Parker, entre outros.

Domingo, em clima descontraído, Flavio Guimarães, o membro fundador da banda Blues Etílicos recebe diversos convidados como Steve Guyger, Ivan Márcio, Little Will, Márcio Abdo e Alex Dupas para uma jam session de blues. Os gaitistas serão acompanhados por Humberto Zigler (bateria), Marcos Klis (baixo) e Thiago Cerveira (guitarra).

O Duo Cara de Choro é formado por Paulo Calarezzo (violão) e Marcelo Rodrigues (gaita), o duo trabalha o gênero choro com uma formação musical inusitada - harmônica e violão. Os músicos exploram a sonoridade natural dos instrumentos num repertório composto por clássicos de Ernesto Nazareth, Pixinguinha e Jacob do Bandolim entre outros.
O gaitista Little Will acaba de gravar seu primeiro disco Harmonica Duo Little Will & Márcio Scialis, com participações de Duofel e Peter MadCat Ruth, faz intervenção musical solo.


Programação


1 de março, quinta-feira
21:30h : Marcelo Naves Blues Band (SP) e Omar Izar e Banda (SP)


2 de março, sexta-feira
21:30h : Benê Chiréia e Marcelo Ricciardi, Ale Ravanello Blues Band Combo com participação de Andy Serrano e Steve Guyger 

3 de março, sábado
17h: Little Will, na Rua Central
20h: Duo Cara de Choro, na Área de Conveniência (Lareira)
21:30h : Pablo Brotzman, Sérgio Pessina, Vitor Lopes e Big Chico Big Band


4 de março, domingo
17h, evento gratuito Little Will, na Rua Central
18h, evento gratuito Duo Cara de Choro, na Área de Conveniência (Lareira)
19h, evento gratuito  : Blues Jam com Flávio Guimarães e convidados (retirada de ingressos a partir de 1 hora antes do show)


Workshop com Steve Guyger
3 de março, sábado às 15:30h na Sala 1 das Oficinas de Criatividade
30 vagas, retirada de ingressos a partir de 1 hora antes.
Steve Guyger é um músico que domina a harmônica. Consegue reproduzir no instrumento as mais variadas sonoridades, desde o blues acústico do Mississipi até as invenções sonoras do blues elétrico de Little Walter. Neste workshop, o músico compartilha suas experiências como instrumentista de blues (incluindo histórias de suas turnês com mestres do gênero, entre eles Jimmy Rogers) e demonstra aos participantes as técnicas e sonoridades mais importantes do instrumento, com ênfase em sua utilização no blues. Duração: 120 minutos.

Mais informações em http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=8298

PAT MARTINO, UNDENIABLE: LIVE AT BLUES ALLEY

16 fevereiro, 2012
Um dos ícones da guitarra no jazz, Pat Martino volta arrebatador em seu último trabalho intitulado Undeniable: Live at Blues Alley (2011, HighNote), um registro realmente sensacional.

Martino não gravava desde seu tributo a Wes Montgomery em 2006 e neste novo album ele traz sua assinatura com um fraseado vibrante e extensos riffs.
O disco foi gravado ao vivo no Blues Alley, Washington, em 2009, em três noites, e conta com um time realmente da pesada com Tony Monaco no Hammond e Jeff Watts na bateria formando o organ trio com a adição mais que especial do tenor de Eric Alexander, e todos realmente bem a vontade.
O couro come do começo ao fim, nos brindando com uma atmosfera bem ao estilo dos '60 carregada de blues e com o groove vibrante do Hammond de Tony Monaco que estava endiabrado nesta sessão com walkings contagiantes.
Sete composições, todas de Martino, exceto o standard Round Midnight (Monk), única balada no disco.

CONFESSO QUE OUVI : 71 CRÔNICAS HARMONIOSAS SOBRE JAZZMEN E SEUS DISCOS

12 fevereiro, 2012

Que o site Jazz+Bossa+Baratos Outros é o ponto de encontro mais jazz da internet em lingua portuguesa, ninguem tem mais dúvida. E o dono deste espaço, nosso querido colega Erico Cordeiro, é também autor do livro Confesso que Ouvi, e recebeu das palavras de Luiz Orlando Carneiro o reconhecimento deste belo trabalho escrito, resultado de suas audições e viagens interpretadas por histórias, poemas e contos que refletem o universo de cada músico em foco.



Jornal do Brasil, 11 de fevereiro
por Luiz Orlando Carneiro

Confesso que só recentemente fiz uma prazerosa viagem pelo planeta jazz, seguindo os caminhos traçados por Érico Renato Serra Cordeiro no seu livro Confesso que ouvi (Ed. Azulejo, 2010). São 392 páginas de prosa escorreita e harmoniosa que reúnem 71 crônicas de rico conteúdo histórico-crítico sobre músicos e registros importantes do jazz – famosos, menos famosos ou simplesmente obscurecidos. O autor é um culto jazzófilo que concilia seu hobby de blogueiro (Jazz+Bossa+Baratos Outros) com o ofício de juiz trabalhista no Maranhão e — nos últimos três anos — com o mandato de presidente da Associação dos Magistrados Trabalhistas daquele estado (Amatra XVI).

No prefácio de Confesso que ouvi, o também catedrático Pedro Apóstolo Cardoso anota que o seu diferencial “reside no fato de que as obras sobre músicos de jazz existentes no mercado ou são livros totalmente referentes a um único músico, ou então são demasiadamente sucintas sobre muitos músicos em um mesmo livro”. E arremata com precisão: “Érico aprofunda-se na história e na música de cada artista focado, escolhendo uma gravação-síntese do mesmo para, didaticamente, apresentá-lo ao leitor”.

Tome-se, por exemplo, o capítulo O crisântemo e o baobá (pág. 42), dedicado a Charles Mingus. A “gravação-síntese” a partir da qual é focado o gênio expressionista do jazz não é Pithecanthropus erectus (1956) ou Mingus ah-um (1959), mas o raro e esquecido disco East coasting by Charles Mingus  (LP original Bethlehem, 1957), no qual, segundo o autor, “o baobá Mingus e o crisântemo (Bill) Evans atuam aqui de forma tão harmônica e integrada que parecem ter sido feitos para viver juntos”.

A crônica sobre o pianista Bud Powell tem como título O sol sombrio: Genialidade e loucura se entrecruzam na vida e na obra de Bud Powell. E o registro fonográfico muito bem escolhido é Bud plays Bird (Roulette, 1957-58), no qual o pianista interpreta em trio a temática de Charlie Parker, o maior dos “founding fathers” do jazz moderno. “Dois perdidos nas noites sujas de Nova York, Bud e Bird se irmanam como siameses trágicos nesse disco seminal, que revela o quanto a obra de um se reflete na de outro”, escreve Cordeiro (pág. 28).

Outro aspecto particularmente notável do livro é a “ressurreição” de jazzmen não devidamente reverenciados, underrated, tais como Johnny Coles (1926-97) — aquele trompetista de “sonoridade econômica”, de um profundo lirismo, solista de Out of the cool, obra-prima de Gil Evans, e que viveu à sombra do contemporâneo Miles Davis. Ele e o seu antológico álbum Little Johnny C (Blue Note, 1963) recebem uma carinhosa “overdue ovation” (Johnny Coles: O acendedor de lampiões, pág. 218).

Muitos outros grandes músicos de culto restrito aos experts merecem o mesmo tratamento, e vale a pena citar alguns deles :
Mal Waldron (1925-2002), O pianista absoluto (pág. 30), em geral lembrado apenas como sideman de Mingus (1954-56) e, depois, como fiel escudeiro de Steve Lacy; Booker Ervin (1930-70), “saxofonista absolutamente inclassificável” no universo do jazz, segundo o autor, que traça o seu perfil a partir do álbum The freedom book (Prestige, 1963), em Os emocionantes escritos do livro da liberdade (pág 38); o primoroso saxofonista tenor francês Barney Wilen (1937-96), personagem da crônica O solitário concerto que valeu por uma vida (pág. 72), que destaca a atuação do então jovem rising star integrando os Jazz Messengers de Art Blakey (com Lee Morgan e Bobby Timmons) na inesquecível trilha sonora de Les liaisons dangereuses, o nouvelle vague cultde Roger Vadin; o sax alto Charles McPherson, ainda ativo aos 72 anos (Tocando com Parker 30 anos depois de sua morte, pág. 377); o sax tenor Eddie Lockjaw Davis (1922-1986), em O elogio da testosterona (pág. 352).

ONDREJ PIVEC: A NOVA GERAÇÃO NO HAMMOND

10 fevereiro, 2012
Aos 27 anos, o checo Ondrej Pivec é mais um nome a frente do Hammond, instrumento ousado e vibrante que tem ícones como Jimmy Smith, De Francesco, Tony Monaco, entre outros.
Nasceu em Brmo, segunda maior cidade da Republica Checa, chamada cidade dos estudantes. Estudou piano clássico e por recomendação de amigos participou de um workshop de jazz organizado pela Czech Jazz Society durante um verão local e foi apresentado ao jazz tendo muitos músicos checos e polacos como seus mentores. Impressionado com a música dos músicos, participou de mais dois eventos neste formato e formou seu primeiro quinteto de jazz chamado Mantis que se apresentava nos clubes locais.

Em 2002, juntou-se ao trio do guitarrista Roman Pokorny e trocou o piano pelo Hammond aprendendo a tocar o baixo com a mão esquerda e com os pés os pedais do instrumento e gradualmente ganhou experiencia. Um ano após, concluida sua formação musical, ele passou a fazer parte do projeto de Blues de Roman chamado Blues Box Heores e essa experiencia já o tornava um músico profissional. Inicou outros projetos como o Brazilian Groove com o cantor polaco-cubano Yvonne Sanchez e fez centenas de gigs com os três grupos em paralelo conquistando, assim, evidencia internacional.

Em 2005, Ondrej deixou o grupo de Roman e criou seu próprio grupo chamado Organic Quartet, cujos músicos foram amigos estudantes da Jazz College. Neste mesmo ano foi premiado na categoria Soloist of the Year no Philips International Jazz Festival e seu grupo Organic Quartet premiado como Band of the Year neste mesmo festival. Em outubro de 2006 foi eleito Organist of the Month pela comunidade jazzista e em 2007 teve o cd Don´t Get Ideas (2005, Cube Bohemia) premiado pela Czech Musical Academy Award como o melhor album.
Discografia que completa com Never Enough (2008, Animal Music) e Overseason (2009, Animal Music) que conta com as participações de da guitarra endiabrada de Jake Langley e do sax de Joel Frahm; It´s About Time (2010, Animal Music) traz com um irreverente trio com o Fender Rhodes de Najponk e a bateria de Greg Hutchinson.

Em 2011 lançou Live!, primeiro registro ao vivo gravado em julho de 2009 no Disk Theatre em Praga, que somente foi disponibilizado em formato digital pelo seu site www.ondrejpivec.com
Live! traz na formação Ondrej no Hammond,  Libor Smoldas guitarra, Kuba Dolezal sax tenor e Tomas Hobzek bateria.
Ao vivo a historia é outra e aqui não é diferente. O disco já abre com um tema de Steve Swallow Bite Your Grandmother em uptempo com um vibrante baixo dos pedais; duas belíssimas baladas Lydian Blues (Libor Smoldas) e Beautiful Smile (Ondrej); um levada mais funky em On the Playground (Libor Smoldas) e o recheio do bom groove em Pussy Wiggle Stomp, tema de Don Ellis. Admirador confesso de Jimmy Smith, Larry Young e Larry Goldings, Ondrej teve como mestre o organista britanico Mike Carr e ainda foi aluno de Joey deFrancesco.

Ondrej Pivec tornou-se endorsee da familia Hammond representando o primeiro orgão portatil modelo SK-1.

GARANHUNS JAZZ FESTIVAL 2012

08 fevereiro, 2012
divulgação

Em sua quinta edição, o Garanhuns Jazz Festival acontece entre os dias 18 e 21 de fevereiro e mantém todo o bom gosto e requinte mesclando Jazz e Blues com Frevo, Maracatu, Pífanos e outros ritmos da nossa cultura.

O Festival tornou-se um grande impulsionador do turismo, recebendo cerca de vinte mil pessoas entre turistas nacionais e internacionais, apreciadores da boa música, em especial o Jazz & Blues..
Já é um marco do calendário nacional de grandes festivais.


Mais informações em http://www.garanhunsjazz.com.br



Programação -

Palco Ronildo Maia Leite, Praça Guadalajara
18/02, sábado
20h : Sergio Ferraz
21h : Harp Night, apresentando: Donny Nichilo, Jefferson Gonçalves & Jeovah da Gaita, com Zé Brown, MC Rodrigo e UpTown Band
22h : Tony Gordon
23h : Eu, Edu e os Caras

19/02, domingo
20h : Reisado Unidos com Alegria de Gonzaga de Garanhuns
21h : Victor Biglione & Marcel Powell
22h : Lady´s Night, apresentando: Tiffany Harp, Emma Arnold, Cida Maria, Adriana Nascimento e participação especial de Bau Blues
23h : Izzy Gordon

20/02, segunda:feira
20h : Alexandre Santiago & Dose Dupla
21h : Grupo de percussão de Garanhuns e Carlos Bala
22h : Brasil Modern Jazz Quarteto com Atiba Taylor
23h : Guitar Night, apresentando: Big Joe Manfra, Artur Menezes , Lancaster , Fred Sun Walk , Big John Siqueira(PE) , Daniel Diniz , Thomaz Lera e Joanatan Richard, com The Bluz e Flavio Naves

21/02, terça:feira
20h : Handmade Blues e Marcos Cabral
21h : Mr Trio(
22h : Bob Mintzer & Russel Ferrante com o Maestro Edson Rodrigues e o Maestro Marcelo Martins
23h : Karl Dixon
00h : Grande Jam session de encerramento do Festival

Jazz na Igreja do Seminário, às 16h
18/02, sábado : Marcell Powell
19/02, domingo : Big Joe Manfra e Jefferson Gonçalves
20/02,segunda-feira : Donny Nichilo, participação especial de Russel Ferrante
21/02, terça-feira : Duo Maggiore

NEUROCIÊNCIA APLICADA, O MÉTODO DAS SEIS CORDAS

04 fevereiro, 2012
Que o cérebro humano responde rapidamente ao treinamento musical, não há a menor dúvida. Oliver Sacks, neurologista que tem fascínio pela criatividade da mente, afirmou em seu livro Alucinações Musicais (Cia das Letras) que, hoje, os anatomistas teriam dificuldade em identificar o cérebro de um escritor ou um matemático, mas poderiam reconhecer sem hesitação o de um músico devido as conexões que se formam no cérebro nas áreas motoras, auditivas e visuoespaciais. Isso comprova que a música é tão importante não só para quem a faz mas também para quem a ouve.

O artigo abaixo é um relato do Dr. Gary Marcus, psicólogo, professor e aprendiz de guitarra, publicado no jornal New York Times. Ele lançou um livro intitulado Guitar Zero: The New Musician and the Science of Learning (Guitar Zero: os novos músicos e a ciência do aprendizado), em que relata sua experiência de aprender um instrumento musical sob a ótica da psicologia cognitiva. E cognição é exatamente isso, o processo de aprender que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio e imaginação, elementos que, direta ou indiretamente, estão associados com a criatividade e que de alguma forma constituem o processo dos nossos modelos mentais.

Questionado sobre que métodos práticos são mais efetivos para que adultos aprendam a tocar um instrumento, ele revela que há muito pouca pesquisa científica sobre a questão, em parte pelo fatos dos próprios adultos andarem muito ocupados com outras atividades, mas cita alguns como praticar todos os dias, sem preocupação. Muitos dos estudos mostram que um estudo espaçado ao longo do tempo apresenta um aprendizado mais duradouro. E mais, não apenas praticar naquilo em que voce é bom, focar nas deficiências também é importante e esclarece que a melhor prática é a prática deliberada, na qual você desafia a você mesmo a tentar desenvolver novas habilidades ao invés de você ensaiar apenas aquilo que você sabe.
Aprender um instrumento, ou desenvolver qualquer habilidade complexa, leva tempo. Ressalta a importância de encontrar um bom professor, que seja paciente e perceptivo e que identifique suas fraquezas.
Ainda afirma que o melhor método é a imersão e diz que a janela de aprendizado não é tão bem amplamente definida como acreditava-se, é um declínio gradual, e muitos adultos realmente tem sucesso em aprender novas linguagens, como se fossem nativos.

por Bruce Headlam
fonte : NY Times
(tradução livre)

Aos 13 anos, idade em que a maioria dos garotos querem aprender a tocar guitarra, Gary Marcus decidiu que queria ser um cientista. Vinte e cinco anos mais tarde se tornou um dos mais renomados especialistas em psicologia cognitiva, com trabalhos publicados e três livros de interesse geral sobre a mente humana e uma posição na Universidade de Nova Iorque sobre linguagem e música.
Para qualquer adulto, aprender uma nova linguagem ou um instrumento pode ser uma experiência terrível. Para um cientista cognitivo, pode até  levar a depressão. O ser humano tem na infância uma janela para adquirir facilmente determinadas habilidades e esta janela fecha-se rapidamente. Depois há a questão da habilidade inata, enquanto nenhum gene pode explicar Beethoven ou Yo-Yo Ma, Dr. Marcus acredita em talento natural e no seu caso ele não tem nenhum.

Apesar das dúvidas, ele permitiu a si mesmo dedicar-se durante 1 ano em praticar um instrumento, armado com livros, uma guitarra acústica Yamaha que custou-lhe 75 dolares e uma coisa que muitos estudantes de música adultos tem que se proporcionar - um ano sabático. Três anos mais tarde ele relata esta sua viagem em um novo livro - Guitar Zero: The New Musician and the Science of Learning (Penguin).
Como outros livros do gênero, World in Six Songs: How the Musical Brain Created Human Nature (J.Levitin) e Musicophilia (Oliver Sacks), Guitar Zero investiga a interseção entre a neurociência e a música.
Mas a discussão aqui é a própria frustração do Dr. Marcus em aprender guitarra. É o tipo de livro onde Steven Pinker, seu mentor, faz uma mistura de K. Anders Ericsson, psicólogo que escreve sobre a teoria do conhecimento, e Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine.

Vestindo uma jaqueta preta e camiseta de cor azul brilhante em seu escritório em NY, Dr. Marcus, 41 anos, pode não parecer um integrante do Rage Against the Machine, mas também não pareceria um estranho em um grupo de new wave dos anos 80.
"Você poderia perguntar, de uma perspectiva evolutiva, por que alguém toca música em primeiro lugar. Eu não acho que a música seja uma característica essencial do cérebro, é uma habilidade difícil. Então por que nós a fazemos ?", disse ele, embora na verdade você tenha que fazer tantas perguntas a ele e ele mesmo coloca outras tantas em si mesmo.
Dr. Marcus cresceu em Baltimore, adorava escutar os discos dos Beatles e de Peter, Paul and Mary dos seus pais, mas não tinha muita coordenação devido a uma restrição de mobilidade e nem mesmo era capaz de usar um balanço de brinquedo em um playground.
Eu acho que tem algo a ver com meu cerebelo”, disse ele. Afinal, foi reprovado em um teste de aptidão para a banda da escola e desencorajado a deixar o tamborim, seu instrumento na época.
Cinco anos atras ele questionou um amigo cientista, Dr Levitin, ao mostrar a ele alguns acordes. “Seu tempo estava fora do ritmo e disse a ele para praticar usando um metrônomo”, disse Dr.Levitin.
Mas Dr. Marcus não conseguia manter o ritmo e podia haver uma explicação neurológica, uma forma de arritmia musical. Agora, mesmo o tamborim estava fora de questão.
Eu sempre pensei que a música não era algo pra mim, mas fui obrigado a tentar”, diz ele, desenhando um pequeno gráfico em um notebook – o “x” representando o tempo e “y” a habilidade musical. “Aqui é Hendrix”, disse desenhando uma linha em 60 graus, então traçando o eixo “x”. “Pensei que fosse uma linha tênue”. Mas como um cientista, era muito interessado nos mecanismos compensatórios: como o cérebro pode essencialmente se reprogramar para compensar déficits por uma falha, trauma ou mesmo um senso inexistente de ritmo. Talvez com treinamento seu córtex pré frontal poderia realizar o que o cerebelo não poderia.

O que finalmente o estimulou não foi ver Bruce Springsteen ao vivo ou ouvir as “Goldberg” Variations. Foi um vídeogame chamado Guitar Hero, que recompensa os jogadores ao pressionar os botões corretos no tempo com uma música gravada. Dr. Marcus era terrível no início, mas por pura repetição ele melhorou o suficiente para pensar que talvez o ritmo poderia ser aprendido. Mas guitarras de verdade, ele estava frustrado em aprender, não foram projetadas por engenheiros de computação.
Comparado aos controles do Guitar Hero, sua guitarra Yamaha era pesada e incômoda. "A escala musical não é perfeitamente linear. Pensando rápido – qual um outro nome para C flat ?"
E a guitarra tem as mesmas notas em diferentes frets ao longo de diferentes cordas. “Isso é algo que o cérebro não quer tratar. Não há uma relação um para um sobre onde as notas estão. Voce tem todos esses traços de memória que interferem um nos outros”, disse ele.
Ele temia que sua janela tenha se fechado, mas com a prática diária notas simples se tornariam escalas e suas pequenas mãos se tornariam fortes suficientes para formar os acordes. “Foi gradual e por partes. Ele tinha que pensar na batida e descobrir isso de forma analítica”, lembra sua esposa Athena Vouloumanos, uma neurocientista e professora assistente da Universidade de NY.

Três anos mais tarde, sua prática  é agora destinada quase que exclusivamente a improvisação. Na festa de lançamento do livro Guitar Zero, que também teve um mini concerto, e foi realizada na frente de alunos e amigos da Universidade, Dr. Marcus foi acompanhado por Terre Roche, uma professora de música e integrante do grupo vocal Roches, e improvisaram em uma escala que tinha aprendido naquela manhã. Sobre uma simples progressão de acordes, ele solava as notas da guitarra fluentemente e com claro senso de direção, sempre repousando em um acorde ao fim de uma frase. Não foi um vôo perfeito mas ele também não colidiu com as paredes.
Depois, Roche, que é especialista em ensino para adultos, disse – “Eu vejo muito medo nos adultos, medo de parecer bobo, medo de simplesmente sentir - por que não comecei mais cedo ?”.
E Dr. Marcus foi muito franco sobre suas deficiências – “nós fizemos muito e trabalhando devagar, o que felizmente ele gostava de fazer”, disse ela. Mas ele não tinha interesse em aprender uma canção em particular. Nem tentou tirar os truques que os novatos tanto dependem lendo as transcrições e licks de Chuck Berry e Eric Clapton, e ele pode ser o único guitarrista amador vivo que não toca espontaneamente Blackbird sucessivamente.
Eu necessito muito da cognição. Eu quero saber como a guitarra funciona. Muitas pessoas são do tipo mostre-me estes riffs de Hey Joe. Eu não sou deste tipo”, disse ele.
Estas duas abordagens - aprender escalas e aprender Hey Joe – ilustram modos diferentes de processo mental que estão no coração de Guitar Zero.  Sobre uma mão está o pensamento abstrato, basicamente um kit de ferramentas que podem ser aplicadas em uma nova situação. A música atonal, que depende de uma sequencia estrita de notas, pode ser o melhor exemplo. Do outro lado está o material que adquirimos e que criamos como base de conhecimento.

Dr. Marcus está particularmente interessado em como a mente humana alterna entre essas duas abordagens. Como um cientista, ele dá peso igual a ambas, mas como músico ele claramente prefere optar pelos riffs.
Como muitos músicos, ele quer mover além de ambas as abordagens e tocar pela emoção ou, como ele diz, do tronco cerebral. “Eu ainda não sou analítico em muitos momentos, não estou certo se há uma limitação minha como músico ou ser humano”, disse ele.
Nesse meio tempo, há outras compensações. Ele mudou sua pesquisa da linguagem para a música, desenvolveu vários aplicativos para iPad (incluindo um para improvisação) e ensina uma matéria na Universidade de NY chamada Guitar Hero : Música, Video Games e a natureza da Cognição. Ele mesmo admite apreciar heavy metal para abraçar escalas complicadas. “Eu amo Stairway to heaven agora”, diz ele. E seu ritmo melhorou ao ponto de ser elogiado em sua dança durante um casamento há alguns meses. “Eu não sou nada demais, mas para um acadêmico acho que eles ficaram razoavelmente impressionados”, disse ele.