10 ANOS DE RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES

28 abril, 2012
São 10 anos de um festival que promove o jazz, a música instrumental e o blues; que tem a preocupação de trazer boa música a todos os tipos de público independentemente de idade; que traz atrações internacionais e nacionais; que foi eleito entre os 100 maiores festivais do mundo pela Downbeat e que ainda por cima é gratuito ... é motivo para muita comemoração e orgulho!

A décima edição do
Rio das Ostras Jazz e Blues Festival, que acontecerá entre os dias
6 e 10 de junho, é um dos maiores e melhores festivais do nosso continente, quiçá do mundo, resultado do esforço e iniciativa da produção e todo o seu staff antenados em promover este evento que ocorre todos os anos na cidade litorânea de Rio das Ostras no Rio de Janeiro.
E os 10 anos do festival ganhou novamente destaque na edição da Downbeat do mês de abril com depoimentos de músicos que participaram do festival.

O evento cresceu assim como o seu público que se espalha nos quatro palcos da cidade desde as onze da manhã até a madrugada no palco principal de Costa Azul. E a edição comemorativa deste ano terá alguns nomes que participaram de edições anteriores.
E este que vos escreve participa deste evento desde 2006 tentando traduzir em palavras um pouco do que acontece nestes palcos. Conheci pessoas sensacionais que compatilho a amizade desde então, com a troca de idéias, com o papo animado e com o assunto que mais gostamos – Música!
E é esse o espirito do festival, cerca de 70.000 pessoas circulam pela cidade durante os cinco dias do evento, com tranquilidade e segurança, na maior alegria e com um objetivo comum.

E na edição deste ano, mais uma novidade - serão realizadas 3 palestras sobre Jazz, Blues e Produção Musical com os jornalistas Carlos Calado, Helton Ribeiro (Blues´n´Jazz) e Gustavo Vitorino (Revista Backstage).

A música instrumental e o jazz vem reforçados na edição deste ano. Kenny Barron é o nome mais jazz do festival, com seu estilo elegante já flertou com a música instrumental brasileira em dois momentos quando gravou o sensacional album Sambão (1993, Verve) ao lado de Toninho Horta e o saudoso Nico Assunção e o album Canta Brasil (2002, Universal) com o Trio da Paz. É também integrante do Classical Jazz Quartet  ao lado de Ron Carter, Stephen Scott e Lewis Nash onde interpretam a música clássica com andamento jazzístico. Provavel que venha com seu habitual trio formado por Kiyoshi Kitagawa contrabaixo e Lee Pearson bateria. Promete um belo show.
David Sanborn é a estrela desta edição. Seu sax alto navega do groove a sensibilidade e sempre com excelentes bandas de apoio onde já passaram Hiram Bullock, Bob James, Marcus Miller, Steve Gadd, Charlie Haden e Kenny Barron, que também estará no festival. Sua atual turnê, intitulada Dream Tour, comemora seus 25 anos de estrada e vem ao festival com sua formação básica com Ricky Peterson teclados, Nicky Moroch guitarra, Richard Patterson baixo e Gene Lake bateria.
Vai ser a sensação do festival, com certeza.



Outro nome internacional de destaque é Billy Cobham, o baterista fusion que vai levar ao delírio o público do estilo com sua imensa configuração instrumental. É um dos precursores da onda fusion e foi um dos fundadores da Mahavishnu Orchestra ao lado de John Mclaughlin no ínicio dos 70.
A Billy Cobham Band é formada por Jean-Marie Ecay guitarra, Michael Mondesir baixo, Junior Gill steel drum, Camelia Ben Naceur e Christophe Cravero teclados e violino. Vai ser uma pedrada e eu e todos esperamos seu clássico e vibrante tema Stratus, que com certeza vai fazer parte do setlist e vai colocar Rio das Ostras abaixo.

Duke Robillard vai trazer o Blues com boas pitadas jazzy, em sua forma muito particular. Um guitarrista altamente técnico e um dos mais entendidos da guitarra de T-Bone Walker, a quem fez um extraordinário tributo em Blue Mood (2004, Stone Pain). Foi integrante do Roomful of Blues e do Fabulous Thunderbirds  e sua guitarra caracteriza-se muito pelo blues swingado, muito na onda do jump blues e com a adição de sopros. Passeia fácil pela atmosfera do jazz, gravou excelentes albuns nessa onda inclusive seu último disco lançado este ano intitulado Duke Robillard Jazz Trio, Wooble Walkin' (Blues Duchess) com interpretação de varios standards. Também está concorrendo para a premiação do Blues Music Awards este ano na categoria "Gibson Guitar Award". E aposto num show de Robillard mais jazz que blues, de qualquer forma um show imperdivel.

Roy Rogers revisita o festival. Sobre sobre última apresentação, 10 de 10 amantes do Blues que assistiram afirmam que não houve show de Blues tão incendiário quanto o dele em toda a história do festival. Controvérsias a parte, o especialista em slide agita pra valer e com certeza não vai ser diferente nesta edição. Assim como Michael Hill, que também já esteve por aqui, aliás ambos vieram na mesma edição, e volta com seu blues elétrico e contemporâneo para formar o palco Blues internacional.

O baixista camarones Armand Sabal-Leco é pouco conhecido por aqui, mas se preparem para muito groove e slap. Seu som traz a pegada do Marcus Miller e vai entusiasmar os amantes do baixo elétrico com seus efusivos solos e, lógico, vai trazer também aquela atmosfera do som africano e suas interpretações vocais. A surpresa do festival.
Mike Stern e Romero Lubambo já estiveram juntos no palco e não precisa dizer muito. Um encontro do mago fusion e sua Telecaster endiabrada com o maior violonista do planeta que deve abraçar a guitarra nesta apresentação. A banda se intitula Mike Stern & Romero Lubambo Project e completa com o baixista Janek Gwizdala e com o baterista Lionel Cordew. Esperamos a presença de Lubambo numa bela canja no show de Kenny Barron, esperamos para ver.

A música instrumental brasileira está representada nesta edição. Mauricio Einhorn e Helio Delmiro são dois ícones da nossa música. O show de Einhorn é quase intimista, da bossa a standards do jazz, e costuma se apresentar ao lado do seu quarteto formado por Alberto Chimelli piano, Luiz Alves contrabaixo e João Cortez bateria, grupo que o acompanhou em seus dois últimos trabalhos - Conversa de Amigos volumes 1 e 2.
Helio Delmiro é o nosso histórico guitarrista de jazz que fez escola para muitos outros guitarristas com sua técnica particular de tocar com os dedos em vez da palheta. Com destreza na guitarra e violão, pode-se esperar também um repertório de jazz e bossa. Porém, é um tanto imprevisivel, para ele cada show é único e o repertório é influenciado pela dinâmica do público presente cujo entusiasmo e participação motiva um tema e outro.
E um destaque para o Cama de Gato, um dos grupos mais representativos da nossa música instrumental brasileira, em sua atual formação com Paschoal Meireles bateria, Jota Moraes vibrafone, Mauro Senise sax e flauta, Mingo Araujo percussão e Andre Neiva baixo.


A Big Time Orquestra sempre é festa. O grupo também revisita o festival e na sua apresentação na edição de 2009 agitou pra valer o palco de Costa Azul e desta vez não vai ser diferente.

O blues-rock nacional traz Celso Blues Boy. Renascido com seu último lançamento no ano passado Por um monte de Cerveja, ele já foi coroado como nosso "mestre da Fender" e tem seu público cativo. Claro que todos sempre esperam o repertório do seu primeiro disco Som na guitarra (1984), um verdadeiro clássico do vinil blues-rock lançado no mercado nacional. E Blues Boy sempre contagia, portanto aumenta que isso aí é rock´n´roll!

No palco Novos Talentos o destaque é Artur Menezes, a revelação do Blues nacional. Espetacular guitarrista, foi o escolhido pela fabricante Condor para representar a guitarra blues em seus instrumentos e tem um pedal drive com sua assinatura construido pelo Targino. O garoto já andou pelos palcos dos clubs de Chicago, logo entende e muito do negócio. Imperdivel!
Completando o palco Novos Talentos, o saxofonista Gabriel Leite, a Big Bat Blues Band e o trio do pianista de Fabiano de Castro e ainda a Big Band 190 formada pela Companhia Independente de Músicos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro que também vai mostrar que tem muito swing.


Programação -
6 de junho, quarta-feira 
Costazul , 20h : Orquestra Kuarup; Big Band 190; Hélio Delmiro; Celso Blues Boy

7 de junho, quinta-feira
Praça São Pedro, 11h30 : Gabriel Leite
Iriry, 14h15 : Celso Blues Boy
Tartaruga, 17h15 :  Mike Stern & Romero Lubambo
Costazul, 20h : Plataforma C; Maurício Einhorn; Kenny Barron; Michael Hill

8 de junho, sexta-feira
Praça São Pedro,  11h30 : Big Bat Blues Band
Iriry, 14h15 : Roy Rogers
Tartaruga, 17h15 : David Sanborn
Costazul, 20h : Armand Sabbal-Lecco; Duke Robillard; Mike Stern & Romero Lubambo; Big Time Orchestra

9 de junho, sábado
Praça São Pedro, 11h30 : Artur Menezes
Iriry, 14h15 : Michael Hill
Tartaruga, 17h15 : Armand Sabbal-Lecco
Costazul, 20h : Cama de Gato; Billy Cobham; David Sanborn; Roy Rogers

10 de junho, domingo
Praça São Pedro, 11h30 : Fabiano de Castro
Iriry, 14h15 : Duke Robillard
Tartaruga, 17h15 : Billy Cobham

Workshops -
As palestras serão realizadas na Cidade do Jazz, em Costa Azul às 20hs.

Quinta-feira, dia 7, Carlos Calado fala sobre Música Instrumental Brasileira: cinco décadas de inovação e diversidade,  um panorama histórico e crítico da moderna música instrumental brasileira, ilustrado por algumas de suas gravações mais significativas: da explosão do samba-jazz, nos anos 1960, aos expoentes dos anos 70 e 80;
Sexta-feira, dia 8, Helton Ribeiro fala sobre A história do blues, do surgimento até a cena contemporânea, passando pelos diversos estilos;
Sábado, dia 9, Gustavo Vitorino fala sobre Popularidade & Qualidade, A Dicotomia do Sucesso, cujo conteúdo versará sobre a relação entre a música tecnicamente bem feita e de alto nível com o a de sucesso popular.


Vejo voces lá !
Mais sobre o festival em  www.riodasostrasjazzeblues.com

MORBLUS: BLUES MADE IN ITALY

26 abril, 2012

"Quando a música vem atraves da alma, isto é Morblus"

O Blues atravessa o continente e está muito bem representado na Itália pela grupo Morblus.
O grupo foi criado em 1991 com um repertório de clássicos do blues, da soul music e composições autorais, na verdade uma mistura contagiante de funk, blues, rhythm & blues e soul.
Um super grupo, com uma pegada e um groove como poucos fazem e agitam de verdade, tanto que o grupo ficou rotulado como o mais inflamavel Funky Blues exportado da América. E não tenha nenhuma dúvida disso, o grupo é ligado em 1000 volts, pura adrenalina, como o título de um dos discos - 101% Pure Morblus, 90% Blues, 10% Funk ... e a veia ferve nas interpretações de John Lee Hooker, Robben Ford, T-Bone Walker, Bill Withers, Freddie King e Muddy Waters.

A banda é liderada pelo excelente guitarrista e vocalista Roberto Morbioli, que escreve e faz os arranjos e letras das composições autorais.
Roberto nasceu em Verona e começou tocando guitarra ainda criança e aos 15 anos descobriu sua paixão pelo Blues. Após muitos anos em atividade musical no cenário italiano foi convidado para tocar em 1987 na Tao Ravao Blues Band com quem gravou seu primeiro album, From Madagascar To Chicago. Em 1989 juntou-se a Rudy´s Blues Band promovendo seu segundo album, Reason to Love, e com esta banda participou do maiores festivais da Europa, entre eles o Amsterdam Blues Festival, New Orleans Music Festival in Ascona e Sanremo Blues Festival.
Partiu para a América e foi em busca dos principais palcos de Blues, entre eles o Antone´s em Austin, Texas. Em 1991 decidiu criar sua própria banda, Morblus, que deu a ele o reconhecimento e uma turnê na América, onde já dividiu o palco com Anson Funderburgh, Sue Folley, Ronnie Earl e Robben Ford.

Morblus é formado por Roberto Morbioli guitarra e vocal, Daniele Scala hammond, Stefano Dallaporta baixo e Diego Pozzan bateria. O grupo também faz uso da harmonica e de um naipe de metais, o que dá uma aura Soul e mais vibrante.

Os 20 anos de estrada do grupo nos brindou com álbum ao vivo "Live at the Camploy Theatre", e uma discografia que inclui 1 DVD e outros registros ao vivo -
On the Way Back Live (2010)
Road Tracks Live (DVD, 2007)
I Can’t Go Wrong (2006)
Mrs Miller (2003)
Push! Live at FIamene (2001)
7 Days of R&B (1999)
101% Pure Morblus Live (1997)
Let the Good Times Roll (1995)



CRISTIANO CROCHEMORE LANÇA PLAY IT AGAIN

23 abril, 2012
O guitarrista Cristiano Crochemore lança seu primeiro disco, Play It Again, pela Delira Musica.

Cristiano é uma das revelações da guitarra blues nacional. Na edição do ano passado do festival de Rio das Ostras fez uma apresentação incendiária no palco Novos Talentos que ainda teve a canja de Brent Johnson, guitarrista que acompanhava Brian Lee.
Cristiano é sempre presença nos palcos de Blues da cidade e quem já viu sabe o quanto essa guitarra contagia.

Um disco de estréia com recepção calorosa mostrando que aqui também se faz Blues de qualidade e recebeu elogiosa crítica no exterior pelo músico Joe Ross, crítico da Roots Music Report, que disponibilizo aqui.
A resenha original voce lê aqui : http://www.rootsmusicreport.com/index.php?page=reviews&search=single&id=408
(tradução livre)

por Joe Ross 
Roots Music Report

Não é sempre que eu recebo uma disco vindo do Brasil para fazer uma crítica, e eu fiquei satisfeito em saber que o selo Delira Musica está promovendo música independente de alta qualidade desde 2003. Criado para se especializar em música clássica e instrumental, o selo expandiu em 2007 para incluir o blues e outros gêneros. E minha primeira apresentação para a Delira Musica vem com o disco solo do guitarrista gaucho Cristiano Crochemore, Play it Again.
Desde 1986, o guitarrista e cantor está morando no Rio de Janeiro.

Cristiano Crochemore começou tocando blues no tempo de escola e por volta de 1990 estava tocando ao lado do lendário guitarrista Bebeco Garcia, fundador do Garotos da Rua, uma banda de rock do sul do Brasil. Hoje, Crochemore  sangra emoção de sua Fender Stratocaster 72 ao mesmo tempo em que cria uma abundância de sentimentos com seu vocal apaixonado. Outros que participam do disco são Otavio Rocha guitarra e slide, Helio Ratis bateria e Luciano Mendes baixo. E os convidados especiais Beto Werther nos backing vocais, Humberto Barros teclados no tema Losing Hand de Little Milton e Pedro Garcia percussão em Make it Wit Chu.

Cristiano Crochemore nos apresenta dois temas de sua autoria, Play It Again e Why Don’t You?, ambas demonstrando uma própria identidade do bluesman com suas raízes e influências. Por exemplo, a marca blues da música de Cristiano mostra seu grande respeito por músicos como JJ Cale (Trouble in the City), John Mayall (Medicine Man), Steve Winwood (Can’t Find My Way Home) e John Lee Hooker (No Shoes).
A introspectiva, calma e calorosa abordagem ao blues-rock faz sua estreia impressionante. Na verdade, para capturar mais de um som vintage, Play it Again foi gravado ao vivo em oito canais com o mínimo de overdubs. Isso manteve uma forte ênfase sobre o sentimento e a vibração das músicas.
Ao mesmo tempo, eu ficaria curioso em ouvir futuros discos de Crochemore ampliados com uma seção de sopros, teclados e a presença feminina nos backing vocals em alguns temas.
Com a produção assistida de Otavio Rocha (grupo Blues Etílicos), Play It Again emerge como uma espetacular introdução do cantor e guitarrista brasileiro. Também vejo sua forte aproximação com o estilo do Chicago Blues em dois temas conhecidos, If the Sea was Whiskey e Cool Kind Woman Blues. Muito como Dixon, está claro para mim que Cristiano Crochemore é também um poeta do blues.

CURITIBA PROMOVE O FESTIVAL JAZZ & BLUES - NO IMPROVISO

22 abril, 2012
divulgação

Curitiba será palco para o I Festival de Jazz & Blues - No Improviso que vai movimentar a capital paranaense durante seis meses com os grandes nomes do gênero no país.
Promovido pelo Teatro Bom Jesus, a primeira edição do evento acontece de 27 a 29 de abril com o bluesman carioca Flávio Guimarães.

Além dele, Ari Borger, Nuno Mindelis, Badi Assad, Igor Prado e Celso Blues Boy farão parte da programação mensal que se estende até outubro. Como participação especial, o festival traz também a apresentação da Luther Jazz Orchestra, de Iowa (EUA), composta por instrumentistas de alto nível técnico e artístico, alunos da Universidade (Luther College).

Além dos shows, o festival contempla apresentações improvisadas no formato de jam sessions dos convidados com os artistas locais, que passaram por uma avaliação. Cinco bandas foram selecionadas pela curadoria do festival em parceria com os músicos convidados, são elas: Mister Jack, Murilo da Rós, Emerson Caruso Trio, Tic Tac Joe e Inácio MacGig.

Durante três dias, Flávio Guimarães estará à frente da programação.
No dia 27 de abril, ele abre o festival com uma jam junto com os curitibanos do Mister Jack, às 20h30. No dia 28 de abril, ele apresenta seu show baseado em seus dois álbuns mais recentes, The Blues Follows Me (2009) e Flávio Guimarães and Friends (2011), a partir das 20h30, no Teatro Bom Jesus.
Para encerrar, no dia 29 de abril, Flávio ministra um Workshop de gaita, a partir das 16h. As oficinas têm como objetivo estimular a pesquisa, a percepção musical e o intercâmbio de ideias entre os artistas e o público.

Mostras fotográficas, com registros de grandes referências dos nomes trabalhados no festival, também fazem parte da programação, aberta ao público de 23 a 29 de abril.

Realizado com incentivo fiscal, por meio da Lei Rouanet, o I Festival de Jazz & Blues - No Improviso tem o apoio do Hospital Pequeno Príncipe, que também sediará oficinas em suas instalações.

I Festival de Jazz & Blues - No Improviso 
Flavio Guimarães (jam session, show e workshop)
Teatro Bom Jesus : Rua 24 de maio 135, Centro
27 de abril, sexta : Jam Session com Mister Jack às 20h30
28 de abril, sábado : show às 20h30
29 de abril, domingo : Workshop às 16h

Ingressos 
27 de abril : R$20 (R$10, meia-entrada)
28 de abril : R$30 (R$15, meia-entrada)
29 de abril : R$10 (R$5, meia-entrada)
Pacote para os três dias : R$50,00 (R$25,00, meia-entrada)

Pontos de Venda
Livrarias Curitiba (Boca Maldita, R: XV de Novembro, Rebouças e nos shoppings: Mueller, Curitiba, Estação Palladium, Park Shopping Barigui e São José);
Alô Ingressos : www.aloingressos.com.br;,
Bilheteria do Teatro Bom Jesus.
Mais informações : (41) 2105-4034

ELAS : ANA POPOVIC

18 abril, 2012
Ana Popovic nasceu na velha cidade de Belgrado, antiga república iugoslava, hoje a independente Sérvia.
Cresceu numa acolhedora família em que a música tinha muita importância - seu pai era guitarrista e sempre convidava os amigos para umas jams nas noites em sua casa. Foi nessa atmosfera que Ana cresceu, ouvindo frequentemente a coleção de discos de blues e soul de seu pai até que aos 15 anos abraçou uma guitarra.
Na época, mesmo com todo o cenário de conflitos que ocorria ao seu redor, ela foi selecionada para ingressar em uma das mais importantes escolas de Belgrado. Apesar de toda a rebeldia adolescente da época tentando-a afastar das salas de aula e a instável situação politica sob o regime nacionalista de Milosovic, ela passou nos exames sem problemas.
Inevitavelmente, Ana rendeu-se definitivamente à guitarra. Seu pai continuava a ajudá-la, mas percebeu que o dom natural da filha com o instrumento ia além das suas próprias habilidades. Embora não sendo de uma família rica, foi possível que ela tivesse aulas particulares de guitarra e se entregou, surpreendendo o professor de música com seu progresso desenvolvendo seu próprio estilo. Ao terminar os estudos na Grammar School em 1994, Ana tomou a decisão de seguir os passos do pai ingressando na Universidade de Belgrado para cursar Design Gráfico.
A música começa a tomar forma em sua vida e assim monta sua primeira banda ensaiando em uma pequena garagem; era o início de pequenos shows. Por ser uma garota, ficava em segundo plano, mas isso logo ia mudar. Durante três anos tocou nos clubes locais e fez aparições na TV, mas foi o fim do comunismo que finalmente deu a ela a oportunidade de viajar e tocar blues em festivais na Grécia e Hungria. Sua banda chamava-se Hush, e gravaram o primeiro álbum intitulado Hometown, de edição limitada.
Algumas semanas antes das aulas recomeçarem, Ana decidiu enviar uma gravação demo para o Conservatório de Utrecht, Holanda. Foi selecionada imediatamente e tinha que fazer uma escolha, já que estava se sentindo mais músico do que designer.
Embora estudando na Holanda, sentia a necessidade de colocar seu aprendizado musical na prática, e para pagar as despesas formou uma banda local que rapidamente se tornou popular no cenário blues, não só na Holanda como na Alemanha; e, com aumento da demanda de shows, decidiu terminar seus estudos no Conservatório e assinou com a Ruf Records, que a levou para Memphis para gravar seu álbum de estreia, "Hush!", produzido por Jim Gaines, que trabalhou com Santana e Stevie Ray Vaughan. O ano era 2001, e Ana juntou-se a outros gigantes como Bernard Allison, Walter Trout, Popa Chubby, Jimmy Thackery, Taj Mahal e Buddy Miles para gravar um tributo a Jimi Hendrix intitulado "Blue Haze", fazendo sua versão para "Belly Button Window".

Em 2002, recebeu três nomeações para o Blues Awards na França, como Best Singer, Best Guitarist e Best Album. Partiu para seu segundo disco, "Comfort to the Soul", produzido por David Z (vide Buddy Guy e Jonny Lang), que deu-lhe em 2003 a nomeação de Best New Artist of 2003 pelo WC Handy Awards em Memphis, o que significava ser a única artista fora da América a ser nomeada para esta categoria. Tornou-se endorsee das guitarras Fender, dos amplificadores Mesa Boogie e dos violões Ovation.

Em 2005 gravou seu primeiro DVD, "Ana! Live in Amsterdam", lançado na Europa e EUA, e fez parte da "Blues Caravan Ladies Night" ao lado de Sue Foley e Candye Kane. Deu ibope, foi convidada para o Legendary Rhythm & Blues Cruise em 2006 e tornou-se a primeira artista europeia a tocar neste prestigiado festival, e com sua própria banda. Novamente nomeada como Blues Artist of the Year pelos leitores da BluesWax Magazine, concorrendo com Tab Benoit e Joe Bonamassa, e recebeu seis nomeações para o Living Blues Awards. Após várias temporadas no verão americano, Ana assina com o selo Electric Groove Records, uma divisão da Delta Groove Music. Dois discos gravados pelo nova casa - "Still Making History" (2007) e "Blind for Love" (2009), com a produção de David Z.

Em 2010, é nomeada para o British Blues Awards na categoria Best Overseas Artist, concorrendo com B.B.King e Joe Bonamassa. Tornou-se figura sempre presente nos maiores festivais do mundo fazendo abertura para os shows de Robert Cray. Lança seu segundo DVD intitulado "An Evening at Trasimeno Lake".

Em 2011 muda-se para New Orleans para gravar novo disco, "Uncondicional", o terceiro pela Electric Groove. Para ela, foi como uma volta às raizes do blues e ainda teve convidados especiais como Sonny Landreth e Jon Cleary. O álbum recebeu três nomeações para o Blues Music Awards deste ano - Contemporary Blues Album, Contemporary Blues Female Artist e Best DVD (An Evening at Trasimeno Lake).

A moça tem pegada e faz um blues-rock da melhor qualidade.
www.anapopovic.com


OS ÚLTIMOS ACORDES DE ESBJORN SVENSSON

12 abril, 2012
O famoso estúdio 301 em Sydney, Australia, foi o espaço alugado pelo trio E.S.T. por dois dias durante uma turnê do grupo em 2007 com o objetivo de criar novas músicas e novo material para trabalho futuro. Foram 9 horas de gravação que foram editadas após a morte do lider do grupo Esbjorn Svensson em 2008.
Alguns destes registros originaram o album Leucocyte (2008, ACT).
Três anos mais tarde, Dan Berglund e Magnus Ostrom revisaram o que restou do material gravado e junto com o engenheiro de som Ake Linton selecionaram as gravações para o inédito album 301, cujo nome faz referência ao estúdio onde os takes foram gravados.

Para os fãs do trio, como eu, uma alegria imensa a edição e lançamento destas gravações, afinal o grupo foi um dos mais extraordinários surgidos nos últimos tempos, pela inovação, pela originalidade e pela nova roupagem dada ao tradicional. A magia do piano de Svensson contorceu o ouvido dos mais puristas, afinal o moderno sempre soou estranho quando o assunto é Jazz, e isso independe da época e do músico.
A música de Svensson é única. Conquistou seguidores como os guitarristas Ulf Wakenius e Pat Metheny, o trombonista Nils Landgren e a cantora Viktoria Tolstoi, que prestaram tributos ao líder. Inclusive em julho do ano passado foi realizado no Jazzbaltica Festival, Alemanha, um tributo a Svensson com a participação de Metheny, Landgren, Viktoria, Leszec Mozdzer, Yaron Herman, Vjay Iyer e Lars Danielsson, o que mostra o respeito e a admiração pela música desse gênio.

301 vem consolidar o trabalho do trio e torna-se mais um registro obrigatório para quem curte a música do E.S.T.

HERNAN MANDELMAN, DETRAS DE ESA PUERTA

08 abril, 2012
Hernan MandelmanO baterista Hernan Mandelman nasceu em Buenos Aires em 72.
É um dos nomes de grande expressão do jazz argentino e nos apresenta seu primeiro e excelente disco como líder intitulado Detras de esa puerta, lançado em 2011 pela gravadora Sofa Records.

O jazz argentino sempre teve consistência e o estilo é fortemente valorizado por lá onde anualmente  hospeda-se um dos mais grandiosos festivais de jazz do mundo, o Buenos Aires Jazz Festival.

Mandelman passou uma temporada no Brasil em 2000 onde teve a oportunidade de manter contato com músicos daqui, teve como mestre nosso baterista Nenê e integrou um trio com o guitarrista Chico Pinheiro e o contrabaixista Franck Oberson. Daqui partiu para Paris e em sua volta a Buenos Aires em 2007 gravou o disco "Amistad" (2008, Blue Art Records) na formação sax-contrabaixo-bateria, formação característica do jazz contemporâneo, neste trabalho com dois sax, Rodrigo Dominguez no alto e Natalio Sued no tenor e Franck Oberson contrabaixo.
"Detras de esa puerta" traz a excelente pianista Paula Shocron e mesma formação de sopros de "Amistad" com Rodrigo Dominguez e Natalio Sued e no contrabaixo Ezequiel Dutil.

A crítica recebeu este trabalho com bastante entusiasmo, dando a Mandelman o mérito de encontrar o equilíbrio perfeito entre o simples e o complexo, a tradição e a vanguarda, o lirismo e o vigor rítmico.
Cinco dos sete temas são assinados por Mandelman, e faz-se um passeio verdadeiro pelo jazz contemporâneo sem perder as raízes com pinceladas da atmosfera das gravações da Blue Note. Em alguns momentos há uma textura coltraneana, e não ficou de fora uma homenagem a nossa música com uma citação de Stone Flower no tema bossa-jazz "Rua Martins Francisco", que fecha o disco.

MORRE JIM MARSHALL, O PAI DOS AMPLIFICADORES MARSHALL

05 abril, 2012
O criador dos amplificadores Marshall morre aos 88 anos. O homem que deu ao rock o visual nos palcos de todo o mundo.

A matéria original voce lê aqui : http://news.yahoo.com/jim-marshall-founder-marshall-amps-dies-88-142801178.html

(tradução livre)

por Gregory Katz, Associated Press 
Londres

Os ouvidos ainda estão soando desde os 60 ? Jim Marshal pode ser o culpado.
Jim Marshall foi o homem por tras do amplificador, a arma escolhida pelos guitarristas como Hendrix, Pete Townshend e Eric Clapton – “The Marshall”.
Foi o som de todos os protagonistas nos anos 60, primeiramente nos pequenos clubs e salas de música e mais tarde em arenas e estádios, todos contaram com um básico amplificador Marshall para ecoar seus sons.
Não foi um acidente. Marshall, que morreu nesta quinta-feira aos 88 anos, não procurava pela precisão quando ele e seus engenheiros de som apresentaram o amplificador Marshall no início dos 60.
Ele disse em uma entrevista em 2000 que o que ele queria era um som cru, poderoso, sem distinção. Disse ainda que o rival Fender, tremendamente popular na época, produzia um excelente som clean que trabalhava bem com o jazz e country mas não satisfazia os mais jovens músicos que procuravam algo diferente. Ele estava procurando por um som mais bruto.
Marshal era uma pessoa que gostava das coisas boas da vida, como um bom Scotch uisque e um bom charuto cubano Montecristo. Mesmo em seus 70 anos, quando já estava com muitos problemas de saude, ele não pensou duas vezes em pegar um avião para assistir a um show do Iron Maiden.

Sofreu nos seus últimos anos e teve diagnosticado um cancer no final de 2011 que o deixou longo tempo hospitalizado seguido de breve passagem em um hospital psiquiátrico.
Minha esposa e eu estavamos com ele quando ele faleceu por volta de 8:15am. Ele tem esse cancer desde o fim do ano passado passou por uma cirurgia e voltou. Ele estava em num estado terrivel nos ultimos cinco ou seis meses. Ele está em um lugar melhor agora”, disse seu filho Terry Marshall.
Terry disse ainda que seu pai gostava de ser chamado de "The Father of Loud" (o pai do barulho).

A morte de Marshall foi anunciada na página oficial da companhia com um homenagem “ao brinquedo”, seu amplificador que trouxe a milhões de fans da música e prometeu que o “mundialmente famoso, o onipresente logotipo que orgulhosamente ostenta o seu nome sempre estará vivo".

Os amplificadores que carregam seu nome podem ser vistos em imagens de milhares de shows de rock desde a época quando Townshend e o The Who estraçalhavam seus Marshall ao final dos seus shows. Marshall disse em 2000 que Townshend tinha muito cuidado em não destruir os falantes, danificando somente a parte exterior do gabinete, que era facil e barata de reparar.

Terry Marshall disse que o primeiro amplificador foi produzido em 1960, alguns anos antes da explosão musical que o rock orientado a guitarra tomasse lugar na história da música.
O primeiro amplificador Marshall não era nada demais, apenas uma simples caixa preta com um falante dentro e controles básicos, mas tinha um formidavel punch. Aos aficcionados permitiu que as "bandas de garagem" fizessem um poderoso barulho nos pequenos palcos e ginásios.

Jim Marshall fez dos amplificadores um negócio de sucesso, mantendo sua produção na Inglaterra. A companhia está localizada numa pequena fábrica próximo a Milton Keynes ao norte de Londres.
Marshall era orgulhoso por ter resistido a sugestões de levar toda a produção para fora da Inglaterra a fim de economizar custos.

Nos seus últimos anos, Marshall se viu envolvido com inúmeros projetos de caridade e em 2003 foi eleito como Oficial da Ordem Britânica (Order of the British Empire) pela Rainha Elizabeth II pelo seu sucesso em exportar produtos britânicos e pelos seus atos de caridade.
Deixa dois filhos, dois enteados, netos e bisnetos.

http://www.jimmarshall.co.uk/

Jim Marshall : 1923-2012

foto: Damien Maguire/Rex Features

JANIVA MAGNESS, STRONGER FOR IT

04 abril, 2012
Janiva Magness lança novo e espetacular trabalho, Stronger for It, seu nono disco e terceiro pela Alligator Records.

Ela descreve este trabalho quase como uma autobiografia –
É uma coleção de músicas criada durante um período muito interessante e desafiador da minha vida, e mais uma vez aqui estou eu a um milhão de milhas de onde eu pensava que estaria e agradecida pelo dom da música no meu mundo. Dedico a todos os que ainda estão de pé, mesmo golpeados e machucados, e mesmo que a fumaça se dissipe se seguram de alguma forma porque é isso que fazemos, nos segurando por aqueles que são deixados para amar e mantê-los perto de nós. É tempo de se recuperar, rejuvenescer e recarregar, e estar de volta mais uma vez, mais forte por isso”.

Discurso que reflete sua história de vida sofrida e de recuperação, que já falamos aqui neste espaço (leia aqui).

Janiva é conhecida quase que exclusivamente como intérprete, mas neste álbum assina três faixas ao lado de Dave Darling, algo que ela não fazia desde seu primeiro trabalho em 97, "It Takes One to Know One", quando compôs uma faixa. Dave Darling também é produtor deste novo disco e ainda participa nas guitarras e backing vocals. Janiva ainda visita Tom Waits em "Make It Rain" e Ike Turner em "You Got What You Wanted".

A banda base do disco é formada pelo excelente Zach Zunis guitarra, Gary Davenport baixo, Matt Tecu bateria, Brie Darling percussão e Arlan Oscar e Jim Alfredson se revezando no piano e hammond.

Um dos melhores trabalhos de Janiva, que abre com a estonteante There It Is, um dos pontos altos do disco com uma roupagem enérgica e um baita groove além do belo solo de Zach Zunis que, como sempre, "quebra tudo"; e tem que destacar a balada Things Left Undone que é outra maravilha deste trabalho em que Janiva inicia o tema cantando à capela, como um hino, numa vibração meio gospel, dando ao tema uma beleza extraordinária; e sua veia soul transparece em Whistlin' In The Dark e I Don't Want To Do Wrong; traz uma atmosfera sessentona, meio psicodélica, na abertura de Dirty Water e fecha o disco com textura gospel em Whoop And Holler.
Um disco para rodar um bom tempo no prato.


janivamagness.com/

O CONTRABAIXISTA ARGENTINO HERNAN MERLO DE VOLTA AO RJ

02 abril, 2012
O contrabaixista argentino Hernan Merlo está de volta ao Rio de Janeiro. Um ícone do jazz argentino, esteve aqui ano passado e realizou um sensacional show no II Festival de Contrabaixos acompanhado pelo seu trio formado pelo pianista Alan Zimmerman e pelo seu filho e baterista Fermín Merlo.

Com a produção da Orquestra de Bolso, a frente nosso querido Lipe Portinho, Hernan retorna para realizar única apresentação no dia 6 de abril no TriboZ, RJ, desta vez acompanhado por músicos locais, a nossa prata da casa - Ana Azevedo piano, Daniel Garcia saxofone e André Tandeta bateria.

Para conhecer um pouco mais sobre Hernan, confira uma entrevista feita pelo nosso especialista em jazz argentino Paulo Cesar Nunes (PC) que foi publicada aqui.

TriboZ
6 de abril, sexta-feira, 21hs
R$ 20
Rua Conde de Lages 19, Lapa