UM POUCO DE MANHATTAN NA NOITE CARIOCA DO SAVASSI FESTIVAL

29 julho, 2012
O local, Miranda, situado na margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, lembra um pouquinho, só um pouquinho, o cenário do Dizzy´s Club em New York, cujo palco, lá, tem como pano de fundo o Central Park; aqui, a nossa Lagoa. O palco da casa recebeu na noite carioca da edição do Savassi Festival os pianistas Shai Maestro e Kenny Werner e seus respectivos trios. Realmente uma noite magistral.

O israelense Shai Maestro abriu a noite acompanhado pelo peruano Jorge Roeder no contrabaixo e o também israelense Ziv Ravitz na bateria. Um trio espetacular, entrosadíssimo, formado em 2010 e todos residentes em New York, onde, realmente, tudo acontece. Como o próprio Shai Maestro afirma em seu site - "a conexão entre nós foi tão intensa que naturalmente nos tornamos um grupo, foi muito óbvio".
Foi o que comprovamos. Um início de apresentação com uma atmosfera um tanto erudita, com um tema ainda inédito, com Roeder explorando muito o uso do arco e as teclas de Shai evocando belas melodias. O trio mostrou intensidade ao longo da apresentação e não tem como não destacar o baterista Ziv Ravitz, que foi um show à parte nas conduções mais intensas, e o contrabaixo de Roeder que sobrou nos improvisos, e o lider do grupo que deu o recado com extrema maestria e apresentou dois belíssimos e intensos temas em homenagem aos avós, Brave Ones e The Flying Shepperd, esta que encerrou o show antes do bis e cuja melodia do tema deu um ar bem progressivo.
Um trio verdadeiramente contemporâneo.

Shai Maestro Jorge Roeder, Ziv Ravitz

A noite seguiu com o esperado trio de Kenny Werner, acompanhado por Johannes Weidenmueller no contrabaixo e Ari Hoenig na bateria. Foi Jazz para ninguém botar defeito. Um início de show um tanto experimental, mas que tomou uma forma espetacular com um Werner totalmente à vontade e tocando um absurdo. No repertório, além de composições autorais, citou os standards In Your Own Sweet Way (Brubeck), All Blues (Miles) e Poinciana (Simon, Bernier). Impecável também o baterista Ari Hoenig, a quem Werner deu muito espaço, um músico fantástico e muito atuante na cena jazzística nova iorquina.
No momento mais intimista do show, o pianista afirmou que não podia estar no RJ e não tocar com a cantora Joyce, que estava presente na plateia. A verdade é que Joyce sabe das coisas, cantora extraordinária, e ela subiu ao palco para interpretar em duo com Werner, em total improviso, Essa Mulher (Joyce) e Corcovado (Jobim). O trio voltou ao palco e encerraram a noite com Bill Evans, Nardis.

Kenny Werner, Johannes Weidenmueller, Ari Hoenig

PHILIPPE BADEN POWELL ARRASA EM VOO SOLO

25 julho, 2012
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
JB, 7 de julho

Philippe Baden Powell nasceu há 34 anos em Paris, onde seu pai, o grande violonista-compositor Baden Powell (1937-2000), estava radicado. Philippe e seu irmão mais moço, Louis Marcel, passaram depois quatro anos em Baden-Baden, na Alemanha. Papai Baden foi tocar lá, adorou o nome, a calma e a beleza da cidade de onde se vê, por sobre o Reno, as terras francesas de Estrasburgo, e resolveu trocar o endereço parisiense por uma casa na estação de banhos (Baden) fundada pelos romanos no início da Era Cristã. Philippe e Louis Marcel herdaram do "velho" o talento musical que desenvolveram, desde cedo, na Europa, e mais tarde no Brasil. O primeiro é pianista, o segundo violonista. Quando ainda eram adolescentes apresentaram-se e gravaram com o papai, professor e guru.

Philippe Baden Powell
Esta breve introdução é para recomendar o recém-lançado CD solo de Philippe Baden Powell, o segundo álbum da série Piano Masters, da Adventure Music, já à venda na internet.

O virtuose, que teve formação erudita, sob a orientação de professores do quilate de Sônia Maria Vieira e Luiz Avellar, gravou o disco de quase 50 minutos, divididos em 13 faixas, em março de 2008, num Fazioli F-308 concert grand piano.
Para quem não sabe, os Faziolis, fabricados na Itália a partir de 1980, apenas cerca de uma centena por ano, são considerados os Roll-Royces dos pianos, com o endosso de celebridades como Martha Argerich, Alfred Brendel, Brad Mehldau, Martial Solal e Herbie Hancock.

O álbum começa com um Prologue, de menos de um minuto, insistente, ostinato, e termina com um Ending (2m40) especulativo, sem ponto de exclamação. No recheio, outras quatro composições do pianista: Frevo da sorte (2m20), desenho musical em claro-escuro, as notas graves percussivas em contraste com o fraseado melódico solto à la Ernesto Nazareth; The Meantime (1m40), com a mão esquerda sempre atenta às iniciativas da direita; Garfield (7m05), a peça mais longa, de intrincada harmonia, vibrante, polirrítmica; Vista Chinesa (5m15), brilhante composição que remete a Villa Lobos, tem até interpolações bachianas, mas não perde o swing.
De temática e concepção eminentemente jazzísticas, Philippe escolheu Round About Midnight (6m40), de Thelonious Monk, e Giant Steps (3m25), de John Coltrane. A composição de Monk, embora tenha melodia tão bela e hipnótica que é muito difícil reinventá-la a partir de sua redução a acordes de base, recebe tratamento totalmente inesperado, desabrochando aos poucos como uma fantasia em rubato. As cinco notas mágicas de Giant Steps são exploradas a fundo em termos de combinações policromáticas ainda mais out, com engenho e arte que remetem a Keith Jarrett e Chick Corea, duas influências admitidas por Philippe Baden Powell.
As duas faixas em homenagem à obra de seu inesquecível pai são as irresistíveis Consolação (3m30) e Choro para Metrônomo (3m05). A envolvente Loro (2m50), de Egberto Gismonti, é interpretada com muita animação. Canto Triste (4m15), de Edu Lobo, e Sou Você (5m), de Caetano Veloso, são os dois momentos mais delicados da seleção gravada por um músico de refinada técnica, que explora com muito bom gosto e apetite os recursos percussivos do pianoforte.

PAT METHENY UNITY BAND

20 julho, 2012
Pat Metheny Unity Band
Sobre Pat Metheny, simplesmente voce nunca sabe o que está por vir.
Unity Band é seu último lançamento e Pat revive o formato de um dos seus extraordinários discos, 80/81 (ECM, 1980), com um sax na linha de frente, agora com Chris Potter.

E não podia se diferente, um disco sensacional.

Este trabalho não se assemelha em sonoridade ao 80/81, que tem uma abordagem bem mais tradicional. E isso vem comprovar a direção ou tendência do jazz moderno, talvez uma transformação destas três décadas, se estabelecendo com novas texturas e arrumação harmônica.
Unity Band é um disco de jazz  contemporâneo, como a música de Pat Metheny, sempre. E Pat explora seus timbres característicos de guitarra, a synth guitar e o violão acústico, e está acompanhado pelo sax de Chris Potter, o contrabaixo de Ben Willians e a bateria de Antonio Sanchez.
E Pat exalta o sax de Potter, colocando-o como um dos mais extraordinários músicos da atualidade, não por menos, seu sopro esteve a frente de um dos grupos mais conceituados do jazz moderno, o Overtone, liderado por Dave Holland.

O artigo abaixo está na página oficial de Pat Metheny sobre a divulgação seu novo album. É uma super entrevista em que ele conta um pouco da história deste trabalho, 30 anos depois do lançamento de 80/81 com Dewey Redman; e fala da importância que foi na sua carreira tocar com um sax na linha de frente.

A matéria original voce lê aqui : http://www.patmetheny.com/unity-band/
(tradução livre)

Entre muitas coisas que faz este artista ser tão especial e em constante mutação, está o nivel de comprometimento e qualidade que ele traz em tudo o que cria. Seja puramente acústico ou elétrico, intenso ou profundamente contemplativo, autoral ou totalmente improvisado, ou mesmo com alguma nova invenção do seu próprio jeito, há sempre a sensibilidade inconfundivel no trabalho de Metheny que tem estado na vanguarda da música e que agora se aproxima das quatro décadas.

Após dois consecutivos e diferentes albuns solo, o inovador Orchestrion e o último vencedor do Grammy What’s It All About, Metheny retorna com um quarteto intitulado Unity Band.
Pela primeira vez em mais de 30 anos, Metheny coloca um sax tenor na linha de frente. A última vez, de fato a única, que Metheny teve um sopro a frente foi no brilhante album 80/81 pela ECM quando esteve com dois gigantes saxofonistas, Dewey Redman e Michael Brecker.

Metheny afirma que, mesmo na época de 80/81, foi dificil acreditar que muitos anos se passaram em sua carreira sem ter uma gravação com um quarteto tradicional de jazz, mesmo sendo um formato em que tinha tocado bastaste. Seus grupos foram pensados como uma alternativa ao som convencional que costumava fazer. O fato é que 30 anos se passaram para chegar novamente a esse ponto e torna-se um testemunho do quanto esta forma alternativa de pensar estava nele.
Ainda complementa que gostou muito das parcerias que fez em projetos de grandes saxofonistas.
O 80/81, pioneiro de cinco gravações que fiz com Michael Brecker; veio Joshua Redman e fizeramWish e um monte de turnês; com Kenny Garret em um tributo a Coltrane; uma turnê com Deve Liebman e Gary Thomas; por varias vezes em diversos projetos com David Sanchez e Donald Harrison; e, certamente, o projeto com Ornette Coleman, Song X.
Confessa que depois de 80/81 não conseguiu encontrar exatamente a pessoa certa que o levaria de onde aquilo começou para o próximo passo onde queria ir com aquele tipo de som. Sempre pensou em revistar aquele grupo em algum momento, mas com Brecker e Dewey nunca mais vai acontecer.

Pat Metheny Unity Band

O que levou Metheny ao ponto de querer voltar a combinação guitarra-tenor neste momento ?
Simples. Chris Potter !
Como um fã, eu vejo como ele se tornou um dos melhores músicos do nosso tempo e quando o convidamos para tocar no album de estreia de Antonio Sanchez eu imediatamente vi que nós tinhamos um jeito natural de tocar e o fraseado que sempre pedia mais e mais. Eu comecei a pensar sobre isso e como contruir um projeto em torno disso.
Eu apenas não posso dizer nada sobre Chris, há muitos niveis de excelência ali. Sua versatilidade é avassaladora, ele tira um grande som sobre todos os instrumentos em todos os registros. Mas suas idéias, sua execução e sua liberdade como improvisador está realmente em um nivel que eu nunca vi antes. Frequentemente comento que Gary Burton e Ornette Coleman foram dois caras que eu toquei que realmente destacaram-se na forma de serem um poço sem fundo de ideias em suas próprias maneiras.
E Chris compartilha isso pra mim. Ele pode apenas ir e ir, mais fundo e mais fundo, e tudo com aquele espetacular som. Ele é um dos maiores músicos que eu já vi por aí.

Se essa dupla foi a gênese da idéia, como o resto da banda se formou ?
Eu tenho uma resposta bastante entusiasmada de Chris quando eu sugeri a ideia a ele. O próximo passo era decidir quam faria a seção rítmica. Eu pensei em diferentes combinações e direções. Antonio era uma escolha óbvia, ele é um dos mais próximos de mim nestes últimos dez anos e tambem já tocou com Chris. Ele é um músico especial e é ótimo ver seu crescimento tão de perto, um extraordinário baterista, não há outro como ele. Havia um certo tipo de força que eu sabia que nós estaríamos ganhando e não podia pensar em ninguem melhor que Antonio para nos levar até lá.

E o que levou ao contrabaixista Ben Willians ?
Alguns anos atras, Christian McBride me convidou para um evento que ele estava promovendo com estudantes de jazz em Juilliard. Ben estava escalado para alguns temas e eu tive aquela rara sensação de escutar algo especial. Eu usei Ben algumas vezes para substituir Christian com meu trio e encontrei nele um grande músico e uma grande pessoa tambem. Ele e Antonio tiveram uma empatia de imediato, sem esforço. Ben é ousado e tem uma mente aberta sobre o que a música pode ser, o que foi perfeito para este grupo. Eu gosto muito de tocar com ele, sua vibração sugere muitas coisas pra mim. Ele tem um pouco da influência melódica do Jaco Pastorius em seu toque. Encontrar esses caras que podem tocar grandes melodias é dificil e Ben tem um jeito natural de usar os espaços assim como o domínio do instrumento, uma grande combinação de habilidades. Após ele ganhar a Thelonius Monk Competition alguns anos atras, ele se tornou mais e mais demandado. Estou muito feliz em tê-lo na Unity Band.

Com a banda formada, qual foi o próximo passo ?
Uma vez com este time exemplar, a questão era como fazer a música chegar até nós. E é divertido, eu ouço muitas gravações com guitarra e tenor que são influenciadas pelo som do 80/81, e eu ainda realmente procuro tentar ir a algum lugar diferente embora aquela gravação certamente seja um ponto de referência. Uma das especialidades de Antonio Sanchez é essa coisa da colcheia que ele faz, e um monte de jeitos que definem uma direção. E mais, este é um grupo de músicos que podem fazer absolutamente tudo. Eu escrevi um monte de músicas novas para o projeto, ensaiamos e gravamos nove. O ponto forte do grupo tornou-se claro em uma só direção, foco total.

De onde surgiu o nome do grupo, Unity Band ?
O lugar que eu cresci em Missouri é o lar do Unity Village, a sede da Unity Church.
Embora pessoalmente eu não seja um membro, a conexão entre a família Fillmore, que fundou a Unity, e minha família vem de quase 100 anos. Havia uma Unity Band que tocava todos os domingos no verão quando eu estava crescendo. Meu pai tocou lá quando eu era jovem, meu irmão mais velho Mike foi um dos solistas ainda muito jovem, e eu mesmo toquei na banda por alguns anos.
A Unity Band foi inicialmente organizada para fazer uma série de shows durante o verão de 2012, e  isso trouxe muitas recordações daquela época, da Unity Band original em minha juventude, e estabeleceu-se uma conexão que me levou a dar esse nome. E eu tenho que admitir, nestes tempos, que "unity" é especialmente uma boa palavra para sair pelo mundo.
Além disso, o princípio da palavra "unity" implica em sempre ser forte.
Parte do que faz a América e a música que aqui se tornou única é a realidade da nossa sociedade como um caldeirão de culturas e povos de todo o mundo.
Mas também a nível estético, tanto quanto as pessoas inventaram termos de marketing como jazz ou fusion ou o que está por vir, a corrente da minha vida musical sempre foi de reconciliação e unificação de todos os sons e idéias que eu amo, como uma grande coisa singular.
Esta banda é a real manifestação deste espírito. Estamos usando todas as qualidades únicas disponíveis para nós como indivíduos e como um conjunto, e esperamos a criação de um todo maior em fazer algo fiel a si mesmo.
A partir da gama estilística da música apresentada, que é uma espécie de todo o mapa para os instrumentos utilizados, do acústico ao eletrônico e até mesmo na robótica no tema Orchestrion, e para o espectro dos povos que representamos como indivíduos, há uma variedade enorme de elementos para colocar em movimento. Mas ao mesmo tempo há um continuo trabalho que se conecta a outras coisas que eu tentei fazer como líder e compositor e onde os outros caras estão vindo também. Unity Band parecia ser um nome perfeito para este projeto.



Mais Pat Metheny -

What´s All About Orchestrion Live at Vienna Opera House What´s All About

LÁ DO ALTO DO MORRO

16 julho, 2012
Lá do alto do morro, assim se intitula o novo trabalho do pianista Fabiano de Castro.
Iniciou na música aos 11 anos e desde então fez das 88 teclas seu ofício. Sua educação musical começou no Conservatório Estadual de Juiz de Fora, estudou harmonia, improvisação e arranjo no CIGAM e em 2000 partiu para Nova York para estudar no Harbor Conservatory for the Performing Art, e por lá teve a oportunidade de participar em diversos workshops na School of Improvisational Music com músicos como Ravi Coltrane, Steve Coleman, Uri Cane e Vijay Iyer.
Retornou ao Brasil em 2002 e acompanhou grandes nomes da nossa música popular e instrumental e lançou seu primeiro disco solo em 2004, Espaço Imaginário, pelo selo Funalfa, acompanhado pelo grupo Raspa do Tacho formado por Itamar Pereira baixo, Sintia Piccin sax, Priscila Brigante bateria e Liz Hanson percussão.

Como afirmou o crítico Matt Cibula, do All About Jazz - "Se você gosta de jazz divertido e bem executado, com um feeling apurado onde a liderança pode ser passada em qualquer momento para qualquer membro do grupo, então você tem que ouvir Fabiano de Castro".

Lá do Alto do Morro

Ao lado do contrabaixista Igor Pimenta e o baterista Bruno Iasi, Fabiano de Castro produziu todas as 11 faixas do álbum, que ainda conta com as participações mais que especiais dos saxofonistas Vinícius Dorin, Vitor Alcântara e João Paulo Barbosa e da trombonista sueca Karin Hammar.

Com a palavra, Fabiano de Castro -

GC: O piano é um instrumento completo, harmonicamente falando, e que permite um controle da dinâmica onde você pode tanto colocar sensibilidade e quanto imprimir intensidade na execução. Como o instrumento surgiu na sua formação musical?
FC: Isso é verdade! O piano é um instrumento muito completo. As possibilidades são infinitas, porém o seu domínio requer muita dedicação e um aprendizado contínuo.
O meu primeiro contato com o piano foi na minha primeira aula, aos onze anos, em Juiz de Fora-MG. Até então eu nunca havia encostado os dedos neste instrumento, foi paixão a primeira vista e nunca mais parei. Quando eu fiz quinze anos o meu pai entrou num consórcio para adquirir um piano e no segundo mês fomos sorteados. Felicidade total. Então estudei no Conservatório Estadual de Juiz de Fora por quatro anos e a minha curiosidade era muito grande e o universo da música popular me fez procurar outras fontes, assim, fui estudar no Rio de Janeiro com o pianista Breno Marques de Sá e no CIGAM (Curso Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical).

GC: Voce morou no exterior, em New York, que é, e sempre foi, um berço do jazz. É uma escola e tanto aquele lugar, todas as tendências estão ali. Foi o jazz que o levou para lá?
FC: Com certeza! Quanto mais eu mergulhava no universo musical, mais eu conhecia o Jazz. Eu queria viver essa experiência de morar em NY, sentir aquela atmosfera musical que transformou a música em todo o planeta. Só de passear pelas ruas, entrar nos bares e conversar com as pessoas, você começa a sentir esta vibração. Fiquei dois anos lá e foi uma experiência muito importante não só na minha formação musical mas para minha vida. Participei de uma série de workshops da SIM (School for Improsational Music) com Steve Coleman, Vijay Iyer, Uri Caine, Ravi Coltrane, entre outros, que mudou completamente o meu modo de sentir e tocar música.

GC: Seu primeiro trabalho, "Espaço Imaginário", teve uma repercussão muito positiva no exterior, representando muito bem nossa música instrumental. Essa nossa fusão de ritmos realmente faz a diferença?
FC: A história do CD Espaço Imaginário começou quando eu voltei de NY e fui morar em São Paulo. Um dos primeiros shows que eu assisti foi o do Trio Curupira, com o André Marques, Ricardo Zohyo e Cleber de Almeida. Este show fazia parte de um projeto chamado Hermetismos Pascoais. Eu fiquei muito impressionado com a originalidade e musicalidade daquele trio, era um som muito contemporâneo, brasileiro e universal. Deste projeto criou-se uma orquestra da qual eu participei por quarto anos, liderada pelo Zohyo. Dentro dessa orquestra surgiu o grupo Raspa do Tacho formado pela Sintia Piccin, Priscila Brigante, Liz Hanson, Itamar Pereira e eu. Com esse grupo gravamos o projeto Espaço Imaginário, realizado através da Lei Murilo Mendes de Juiz de Fora-MG. O rico e diversificado universo da música brasileira serviu como fonte de exploração na concepção dos arranjos. O grupo durou pouco tempo, mas o resultado alcançado e a sua repercução foram muito positivas.
Entendo o jazz, hoje, como uma concepção musical que dá liberdade ao músico de interpretar, improvisar e criar, independentemente da linguagem musical estabelecida.

GC: Fale um pouco do seu novo trabalho, Lá do Alto do Morro e o grupo que o acompanha.
FC: O CD Lá do Alto do Morro é um projeto muito especial por vários motivos. São onze composições e eu acompanhei e liderei todo o processo de produção. Há dois e anos e meio venho trabalhando com dois grandes músicos e amigos, o baterista Bruno Iasi e o contrabaixista Igor Pimenta, e com eles formamos o trio que é a base do projeto. Surgiram, então, algumas oportunidades para eu apresentar o meu trabalho na formação de quarteto e/ou quinteto. Convidei o Vinícius Dorin, que sempre foi para mim um ícone da música instrumental, e ele abraçou o projeto na hora e acrescentou muita musicalidade e muita originalidade. É sempre uma aula poder tocar com ele.
Outro saxofonista que eu admiro muito é o Jota P.. Eu o conheci em Tatuí há uns 8 anos e ele já "quebrava tudo!" Foi um prazer tê-lo no CD e em vários shows que fizemos por aí.
Já o Vitor Alcântara foi um dos primeiros músicos que eu conheci em SP. Desde lá, nunca deixei de ser seu fã. Aliás, isso só aumenta quando eu ouço os seus solos, ele é muito talentoso e acrescentou muito neste CD.
Conheci a trombonista suéca Karin Hammar em Juiz de Fora há uns 4 anos. Sempre quando ela vem ao Brasil nós fazemos algumas apresentações em SP e poder tê-la neste projeto foi um prazer e uma honra. Ela é uma super compositora e instrumentista e conhece muito a música brasileira.

GC: De onde veio a inspiração para o nome do disco?
FC: Eu moro numa das casas mais altas do Morro do Querosene, lugar peculiar da Zona Oeste de São Paulo. Clima de cidade do interior no meio da metrópole, berço de grandes artistas que preservam e desenvolvem diversas formas de expressão da cultura brasileira. Tião Carvalho e Dinho Nascimento são alguns nomes que representam bem este lugar. A capa do CD foi inspirada nesta vista urbana que eu criei e produzi neste trabalho e é a vista lá da minha casa, cuja foto foi tirada pelo Guilherme Alvernaz, outro grande talento das artes visuais.

Fabiano de Castro

GC: Na sua formação em trio, é muito evidente a influência dos pianistas de jazz europeus, aquela atmosfera ECM. Você os tem como uma referência?
FC:
É muito bom poder tocar de trio. Eu, Bruno e Igor tocamos todas as semanas e estamos sempre procurando evoluir. Acho que o talento de cada um somado com o tempo de estrada juntos gera um resultado fantástico. Eu gosto muito dessa atmosfera ECM, mas também gosto muito dessa pegada dos ritmos brasileiros. Sempre levo músicas novas para o trio e falo o mínimo possível para extrair o máximo de criatividade de cada intérprete. Assim, a gente desenvolve o nosso jeito de tocar e o nosso repertório.

GC:  Há um pianista que você tem uma admiração em especial?
FC:  Por vários - Bill Evans, Chick Corea, McCoy Tiner, Oscar Peterson, Brad Mehldau, Vijay Iyer, Joe Calderazo, Kenny Baron, Írio Júnior, Cesar Camargo Mariano, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e os não pianistas Vinícius Dorin, Wayne Shorter e Coltrane; e muitos outros músicos.
Tenho uma admiração muito especial pelo pianista André Marques. Ele sempre me impressiona, é muito talento e muita música concentrado em uma pessoa só.

GC : A formação clássica em trio - piano, contrabaixo e bateria - exige muito dos músicos pela forte interação de conjunto e pela intervenção de cada músico em colocar pontualmente harmonias e improvisos. Você pretende gravar nesta formação?
FC : Eu adoro essa formação e faço muitas gigs de trio. É um projeto que eu venho desenvolvendo aos poucos. É um desafio!

GC: Três discos por Fabiano de Castro.
FC: Difícil esta pergunta! Brad Mehldau, Live in Tokio;  Egberto Gismonti, Sanfona; e Fabiano de Castro, Lá do Alto do Morro…esse é muito especial!

Mais sobre Fabiano de Castro em  www.fabianodecastro.com

Obrigado Fabiano de Castro, e Sucesso.

O ROCK PERDE UM DOS SEUS GRANDES MESTRES: JON LORD

Jonathan Douglas Lord, Jon Lord, um dos líderes e fundadores de um dos grupos mais sensacionais e criativos da história do Rock, o Deep Purple, morre aos 71 anos vítima de uma embolia pulmonar.

Quem um dia não se entusiasmou com o Hammond deste gigante que introduziu no Rock a orquestra sinfônica em 1969, em um concerto no Royal Albert Hall registrado no clássico album Concerto for Group and Orchestra a frente do Deep Purple com a Royal Philharmonic Orchestra.
Um mestre dos riffs no Hammond, entre muitas obras primas a introdução frenética do tema Lazy (Made in Japan, 1972), colocando o instrumento definitivamente no caminho do bom e velho clássico Rock.
Participou no final dos anos 70 do Whitesnake ao lado de David Coverdale, companheiro de banda na segunda formação do Deep Purple. Em 2003, sua raiz rhythm & blues o levou a liderar um grupo chamado Hoochie Coochie Men, em reverência a Willie Dixon, grupo que lançou dois discos  Live at the Basement (2003) Danger White Men Dancing (2007).

Em 2011 recebeu grau honorário de Doutor em Música pela Universidade de Leicester, sua cidade natal.

Jon Lord nasceu em Leicester, Inglaterra, em 9 de junho de 1941. Seu pai o introduziu na música e o estimulou a ter as primeiras aulas de piano e na adolescência encantou-se com o orgão no jazz ao ouvir Jimmy Smith e com o estilo rocker do piano de Jerry Lee Lewis.

Jon Lord : 1941-2012.

(foto : Jon Lord at Granby Halls, 1976)

FESTIVAL JAZZ & BLUES - NO IMPROVISO APRESENTA NUNO MINDELIS

divulgação


O guitarrista Nuno Mindelis é a próxima atração do Festival Jazz & Blues - No Improviso que acontece em Curitiba no Teatro Bom Jesus nos dias 4 e 5 de agosto.
E ainda haverá uma super jam session com os guitarristas Emerson Caruso e Cristiano Crochemore.

O angolano Nuno Mindelis se apaixonou pela guitarra aos cinco anos de idade e aos nove já estava tocando instrumentos construídos por ele próprio. Com sua técnica particular de tocar com os dedos em vez da palheta, Nuno já é considerado como uma prata da casa do Blues nacional e ganhou reconhecimento internacional sendo eleito pela Guitar Player em 1988 como um dos melhores guitarristas de Blues e quando em turnê pelos EUA é saudado como "a fera da América do Sul está chegando".
Tem sete discos em sua discografia, alguns deles com participações super especiais do guitarrista Larry Mc Cray, do gaitista JJ Milteau e o Double Trouble, a banda de apoio de saudoso Stevie Ray Vaughan.

Ainda no programa, as participações do guitarrista curitibano Emerson Caruso; e do gaúcho radicado no Rio de Janeiro Cristiano Crochemore, que lançou recentemente seu primeiro e excelente album chamado Play it Again pela Delira Musica.

Programação -
4 de agosto, sábado
     20:30h :  Nuno Mimdelis
5 de agosto, domingo 
     16h :  Workshop com Nuno Mindelis
     19:30h :  Jam com Nuno Mindelis, Emerson Caruso e Cristiano Crochemore

O Teatro Bom Jesus fica na Rua 24 de Maio 135, Curitiba.

Ingressos a venda nas Livrarias Curitiba, no site Alô Ingressos e bilheteria do Teatro Bom Jesus.
Mais informações : (41) 2105-4034

Este projeto é realizado com incentivo fiscal por meio da Lei Rouanete tem o apoio do Hospital Pequeno Príncipe.

GRAVAÇÃO INÉDITA DO BILL EVANS TRIO REGISTRA NOITE DE 1968 NO VILLAGE GATE

14 julho, 2012
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
JB, 30 de junho


Impecável toucher, técnica precisa a serviço de uma interpretação sofisticada de standards, cujas harmonias eram dissecadas e transformadas em novas linhas melódicas, o grande pianista Bill Evans (1929-1980) ficou famoso como o criador do trio jazzístico realmente interativo, a partir daqueles sets gravados ao vivo no Village Vanguard, numa tarde e numa noite de domingo (25/6/1961), ao lado dos também lendários Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria).

Este trio incomparável durou pouco, já que LaFaro, 25 anos, morreu, num desastre de automóvel, 10 dias depois dos históricos registros do Vanguard, que incluem takes de duas gemas do repertório jazzístico: Waltz for Debby (Evans) e Gloria’s step (LaFaro).
O pianista custou a se recuperar da perda do parceiro, sete anos mais moço. E na verdade, só encontrou um substituto à altura de LaFaro em 1966 quando ouviu o porto-riquenho Eddie Gomez, que tinha então 21 anos e tocava com o conjunto do saxofonista barítono Gerry Mulligan. Surgia então o novo trio de Bill Evans, inicialmente com o baterista Jack DeJohnette, que seria sucedido, dois anos depois, por Marty Morell.

A documentação fonográfica do combo Evans-Gomez-Morell tinha como destaques, até agora, dois LPs, devidamente reeditados em CD : Montreux II (CTI), de 1970, gravado ao vivo no Festival de Montreux, Suíça (notáveis versões de Israel, Very early e I hear a rhapsody); The Bill Evans album (Columbia), de 1971 (contém Funkallero e Waltz for Debby, com alternate takes, mas Evans usa também um dispensável piano elétrico).
A discografia do pianista referente àquela época acaba de ser enriquecida com o lançamento do CD duplo Live at Art D’Lugoff’s Top of the Gate (Resonance), contendo 17 faixas inéditas (quase 90 minutos de música), gravadas em outubro de 1968 em Nova York no há muito extinto clube de D’Lugoff, situado no andar superior do prédio onde funcionava também o Village Gate (1958-1994), no encontro das ruas Thompson e Bleecker.
Os dois sets que formam o álbum duplo foram gravados com esmero, obtida a necessária permissão de Helen Keane, a empresária de Evans por George Klabin, hoje presidente do selo Resonance. Ele tinha então 22 anos, era um jovem engenheiro, produzia um programa de rádio intitulado New jazz e guardou o tesouro agora revelado durante mais de 40 anos.
A qualidade da gravação é atestada por Jeff Krow, da Audiophile Audition, que considera “a acústica soberba, excedendo facilmente qualquer registro ao vivo daquela época”. Ele informa que Klabin usou microfones separados para cada instrumento e um sólido gravador de fita Crown de duas pistas juntamente com outros quatro microfones.

Dos temas interpretados pelo trio, apenas um, Turn out the stars, é da pena do líder. Há outros dois originais jazzísticos: Round midnight (Thelonious Monk) e In a sentimental mood (Duke Ellington). Os demais tunes estão, há muito, incorporados ao chamado American Songbook, e são o seguintes: Emily, Witchcraft, Yesterdays, My funny Valentine, California here I come, Gone with the wind (a faixa mais longa, de quase 7 minutos), Alfie, Autumn leaves, Someday my prince will come, Mother of Earl e Here’s that rainy day.
Há três temas que são tocados em ambos os sets: o de Monk, Emily e Yesterdays.

DOWNBEAT CRITICS POLL 2012

11 julho, 2012
Divulgada a lista do 60th Downbeat Critics Poll, uma das mais abrangentes do mundo quando o assunto é Jazz. São 62 categorias compreendendo estilos e instrumentos.

Frank Alkyer, editor da Downbeat, afirmou que esta foi uma das pesquisas mais interessantes em anos, não apenas por causa de sua natureza histórica, mas também por algo incrível que foi um reconhecimento artístico recorde, falando especificamente dos pianistas Vijay Ayer e Robert Glasper, que levaram o prêmio em 5 categorias.
Nesta edição, 186 críticos do mundo inteiro fizeram seus votos.

A lista completa dos vencedores será publicada na edição de agosto de 2012 -

Hall of Fame: Paul Motian
Veterans Committee Hall of Fame: Gene Ammons and Sonny Stitt
Jazz Artist: Vijay Iyer
Jazz Album: Vijay Iyer Trio, Accelerando (ACT)
Historical Album: Miles Davis Quintet Live In Europe 1967: The Bootleg Series, Vol. 1 (Columbia/Legacy)
Jazz Group: Vijay Iyer Trio
Big Band: Maria Schneider Orchestra
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Wycliffe Gordon
Soprano Saxophone: Branford Marsalis
Alto Saxophone: Rudresh Mahanthappa
Tenor Saxophone: Sonny Rollins
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Vijay Iyer
Keyboard: Herbie Hancock
Organ: Joey DeFrancesco
Guitar: Bill Frisell
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Christian McBride
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Vibes: Bobby Hutcherson
Percussion: Zakir Hussain
Miscellaneous Instrument: Béla Fleck (banjo)
Male Vocalist: Kurt Elling
Female Vocalist: Cassandra Wilson
Composer: Maria Schneider
Arranger: Maria Schneider
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Dr. John
Blues Album: Otis Taylor, Otis Taylor’s Contraband (Telarc)
Beyond Artist or Group: Robert Glasper Experiment
Beyond Album: Robert Glasper Experiment, Black Radio (Blue Note)

Na seção Rising Star Winners, os vencedores -

Jazz Artist: Robert Glasper
Jazz Group: Robert Glasper Trio
Big Band: Darcy James Argue’s Secret Society
Trumpet: Avishai Cohen
Trombone: Josh Roseman
Soprano Saxophone: Marcus Strickland
Alto Saxophone: David Binney
Tenor Saxophone: Anat Cohen
Baritone Saxophone: Greg Tardy
Clarinet: Evan Christopher
Flute: Jamie Baum
Piano: Robert Glasper
Keyboard: Hiromi
Organ: Mike LeDonne
Guitar: Julian Lage
Bass: Linda Oh
Electric Bass: Derrick Hodge
Violin: Jason Kao Hwang
Drums: Marcus Gilmore
Vibes: Chris Dingman
Percussion: Dan Weiss
Miscellaneous Instrument: Gary Versace (accordion)
Male Vocalist: Giacomo Gates
Female Vocalist: René Marie
Composer: Vijay Iyer
Arranger: John Hollenbeck
Producer: Jeff Gauthier

SAVASSI FESTIVAL 2012

10 julho, 2012
divulgação

Savassi Festival
O Savassi Festival comemora sua décima edição e acontecerá em Belo Horizonte entre os dias 18 e 29 de julho, se estendendo com uma atração extra em São Paulo no dia 26 de julho e no Rio de Janeiro em 27 de julho.

Um verdadeiro marco para um festival de jazz que acontece em espaço público e também é motivo para muita comemoração e orgulho. O mais importante nisso tudo é que o festival atrai um público jovem e interessado em curtir boa música.
Nesse tempo surgiram concursos como um meio de entrada do público a participar efetivamente do evento, além de engajar criativamente outros âmbitos artísticos. São três os concursos: “Novos Talentos do Jazz”, para bandas de jazz; “Jazzy”, voltado para DJs; e o “Fotografe o Jazz”, que escolhe fotos registradas no evento. E a novidade que se estende para São Paulo e Rio de Janeiro.

A programação é extensa, são diversos palcos espalhados em bares, teatros e praças da cidade, duas exposições, lançamentos de CD, cursos e workshops com apresentações de artistas nacionais e internacionais.
Nesta edição alguns nomes importantes do jazz internacional como os pianistas Kenny Werner e Shai Maestro, o baterista Ari Hoenig, o saxofonista Nik Payton, o trio israelense Ori Dakari e o maestro Darcy James; no elenco nacional, destaque para os nomes de Hermeto Pascoal, Victor Biglione, Juarez Moreira, Kiko Continentino, Sandro Albert, Gilvan de Oliveira, Marcio Bahia, Magno Alexandre, entre muitos outros.

A festa é grande e está dividida em 6 grandes eventos - Jazz Clube, Noite de Gala, Savassi Festival na Praça, Savassi Festival no Parque, Savassi Festival Evento de Rua e os Cursos e Workshops.

Vou destacar algumas apresentações e a programação completa voce vê aqui : http://www.savassifestival.com.br/2012/pt/programacao

Noite de Gala
Palácio das Artes Av Afonso Pena 1537, Centro; (31) 3237-7399
25 de julho, quarta-feira, 21h : Kenny Werner Trio e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
Nesta noite também acontecerá a entrega do Prêmio Jazz de Minas ao compositor Chico Amaral, que está lançando seu novo CD, Província.

Palco Jazz Clube
Café com Letras Rua Antonio de Albuquerque 781; (31) 3225 9973
     26 de julho, quinta-feira, 20h : Ori Dakari Group
     28 de julho, sábado, 20h : Jazzidas e Victor Biglione
Cervejaria Kud Rua Kenton 36, Jardim Canadá, Nova Lima; (31) 8880-0077
     28 de julho, sábado, 15h : Juarez Moreira Trio
Fundação Israelista de Minas Gerais Rua Rio Grande do Norte 477, Funcionários; (31) 3224-6673
     27 de julho, sexta-feira, 20h : Ori Dakari Trio (Israel)
Torre Alta Vila Rua Senador Milton Campos 145, Vale do Sereno
     27 de julho, sexta-feira, 20h : Magno Alexandre, Enéias Xavier e Limão
     28 de julho, sábado, 22h30 : Márcio Hallack Trio
     29 de julho, domingo, 21h30 : Celso Moreira Trio
Krug Bier Rua Major Lopes 172, São Pedro; (31) 2535-1122
     28 de julho, sábado, 11h : Jazz Brunch com Jimmy Duchowny Quarteto
Museu de Arte da Pampulha Av Dr Otacílio Negrão Lima 16585, Pampulha; (31) 3277-7946
     29 de julho, domingo, 11h : Ricardo Herz Trio
No Fundo do Baú Av Raja Gabaglia 4767, Santa Lúcia; (31) 3297-3414
     26 de julho, quinta-feira, 20h30 e 22h30 : Toninho Horta Septeto convida Ori Dakari Group
Preferido do Rei Av Manoel Bandeira 2120, Nova Lima; (31) 3547-7002
     28 de julho, sábado, 22h : Magno Alexandre Trio

Savassi Festival na Praça
Praça da Liberdade
28 de julho, sábado
     15h00 : Sandro Albert Quartet
     18h30 : Diego Schissi Quinteto
     20h15 : Ari Hoenig Quartet
29 de julho, domingo
     14h00 : Kiko Continentino Trio convida Paulinho Trompete em Tributo a Tom Jobim
     15h45 : Gilvan de Oliveira
     17h30 : Diego Schissi Quinteto
     19h15 : Darcy James Argue e Big Band Palácio das Artes

Savassi Festival no Parque
Parque Municipal
     29 de julho, domingo, 10h : Kenny Werner Trio e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Savassi Evento de Rua
29 de julho, domingo
Palco AeC Rua Alagoas, em frente ao 5a Avenida
     14h00 : Bamboo
     17h15 : Juarez Maciel e Victor Biglione
Palco NET Rua Antônio de Albuquerque, em frente ao Café com Letras
     15h30 : Shai Maestro Trio
     17h15 : Nik Payton Swingtet em homenagem a Duke Ellington e Billy Strayhorn
     19h00 : Ari Hoenig Quarteto
Palco Instituto Unimed-BH Rua Antônio de Albuquerque, em frente à Galeria Celma Albuquerque
     17h15 : Kenny Werner Trio
     19h00 : Hermeto Pascoal
Palco BUD Savassi Rua Sergipe, no quarteirão do Fogo de Chão
     14h30 : Márcio Bahia Quinteto
     16h00 : Sandro Albert Quartet
     17h45 : The Cliff Korman Ensemble convida Cléber Alves
     19h30 : Mark Lambert & Orquestra Rádio Swing

No Rio de Janeiro -
Miranda Avenida Borges de Medeiros 1424 Piso 2, Lagoa; (21) 2239-0305
27 de julho, sexta-feira, 21hs
Kenny Werner Trio
Shai Maestro Trio

Em São Paulo -
Casa do Núcleo Rua Padre Cerdá, 25, Alto de Pinheiros
     26 de julho, quinta-feira, 21hs : Kenny Werner Trio
Jazz nos Fundos Rua João Moura, 1076 (fundos do estacionamento)
     26 de julho, quinta-feira, 22hs : Shai Maestro Trio

MORRE O PIANISTA JOSE ROBERTO BERTRAMI, UM DOS ÍCONES DA NOSSA MÚSICA INSTRUMENTAL

09 julho, 2012
Uma perda irreparável para a música instrumental brasileira.
Faleceu, aos 66 anos, o pianista e arranjador Jose Roberto Bertrami, um dos fundadores de um dos grupos mais conceituados da nossa música instrumental, o Azymuth.

O grupo Azymuth foi formado em 1972 com o piano de Bertrami, o baixo de Alex Malheiros e a bateria de Ivan Conti com a proposta de compor rítmos brasileiros em fusão com o jazz.
O grupo teve seu ápice com o tema Linha do Horizonte, de 1975, que tornou-se um dos temas mais conhecidos da nossa música instrumental.
O Azymuth foi o primeiro grupo nacional a participar do Festival de Montreux e tiveram uma sólida carreira internacional, o que deu ao grupo uma citação do Guiness Book pelo hit Jazz Carnival por permanecer tanto tempo na parada de sucessos inglesa.

Jose Roberto Bertami nasceu em Tatuí, no interior de São Paulo em 21 de fevereiro de 1946. Construiu uma ampla discografia e fez arranjos para diversos artistas da música brasileira como Raul Seixas, Tim Maia, Erasmo Carlos, Marcos Valle, Gonzaguinha, entre muitos outros.

Jose Roberto Bertrami : 1946-2012

(foto : Festival de Rio das Ostras, edição 2011)

O POETA DA LOUISIANA : ANDERS OSBORNE

04 julho, 2012
Eu conheci o som do guitarrista Anders Osborne em um show do Tab Benoit na edição de Tampa Bay Festival em 2011. Anders fazia a segunda guitarra como membro do Voice of the Wetlands Allstars, grupo formado por Benoit em manifesto à preservação das áreas pantanosas no sul da Louisiana.
E chamou a atenção pela sua presença no palco, sua energia e forte registro que impunha na guitarra, tanto que saí daquele show com o seu disco American Patchwork na cabeça, um registro de 2010 e primeiro gravado pela Alligator.

Anders é sueco, nasceu na cidade de Uddevalla, e aos 16 anos partiu para a estrada com a vontade de ser músico seguindo pela Europa, Africa, Asia até se estabelecer em New Orleans em 1985, cidade que ele tem com seu verdadeiro lar.
Anders descobriu depois que seu avô viveu em New Orleans por muitos anos e se encantou com as histórias da cidade e as fotografias de época depois apresentadas pelo avô. Sentiu-se conectado com essas memórias e teve a certeza que estava no lugar em que sempre quis estar.
Foi um adolescente que não parava de ouvir as gravações de Bob Dylan, Neil Young, Jackson Browne e Joni Mitchell e que se apaixonou pelo estilo vocal de Ray Charles e Van Morrison; até que ouviu Robert Johnson e tudo mudou, como um clique - "... o Blues conectou tudo, o nascer do rock, o rhythm & blues, os compositores, era como um fio condutor de tudo", disse ele.

E Anders tem longa estrada, seu primeiro lançamento oficial foi em 1995 e hoje já tem 10 discos em sua discografia, incluindo seu último e também espetacular disco lançado recentemente, Black Eye Galaxy (2012), também pela Alligator.
É também músico de estúdio, professor e compõem e produz para diversos artistas, e uma de suas composições, Watch the Wind Blow By, gravada por um dos astros da música country, tornou-se um hit vendendo mais de três milhões de cópias.

Um guitarrista de múltiplas faces musicais, que conhece as raizes da música americana. Como curiosidade, seu excelente album American Patchwork abre com um tema chamado On the road to Charlie Parker, usando como exemplo esse gênio do jazz que teve a vida interrompida pelas drogas para alertar aos que usam o quanto estão condenados ao mesmo destino - "... você está perdendo tempo neste caminho deixado para trás, agora ninguém mais se importa com voce, porque voce está no caminho de Charlie Parker ...", diz a letra.
A revista Off Beat Magazine, uma edição mensal que cobre a música, a cozinha e a cultura de New Orleans e Lousiana, o elegeu como Crescent City’s Best Guitarist por dois anos seguidos; e a Guitar Player o chamou de "O poeta coroado com as raízes da música da Louisiana".
Anders se diz influenciado pela música de Ry Cooder e Robert Johnson e no jazz pelos sopros de Miles Davis e John Coltrane. 
É um músico extraordinário, traz agarrado na sua música a essência do bom e velho clássico rock e tem uma sonoridade muito evidente do som do Neil Young, abre com vontade os drives da sua guitarra, coloca textura folk e elementos do southern rock e é toda essa fusão que torna sua música muito original. 
E nessa onda de fusão, participou em um projeto chamado Funk Box junto com Papa Grows Funk, uma dos mais importantes bandas funk em New Orleans, juntando-se em sua banda o hammond de John Gros, a guitarra de  June Yamagishi e o sax de Jason Mingledorff e em vez o baixo tradicional colocou um sousaphone, que é um tipo de tuba com uso de válvulas de mesmo tamanho e faixa de notas das tubas tradicionais para marcação do baixo. Fizeram uma super jam cujo registro não saiu oficialmente mas foi registrado pelas rádios locais e tornou-se um bootleg dos mais concorridos.

Som na caixa !