LIVING BLUES AWARDS 2012

27 agosto, 2012

Living BluesDivulgada a premiação da décima nona edição do Living Blues Awards.

E foram duas frentes de votação, uma pela crítica especializada e outra aberta aos leitores da revista. Confira os premiados da edição 2012 -

Critics’ Poll

Blues Artist of the Year (Male) : Lurrie Bell
Blues Artist of the Year (Female) : Etta James
Most Outstanding Blues Singer : Shemekia Copeland
Most Outstanding Musician (Guitar) : Buddy Guy
Most Outstanding Musician (Harmonica) : Lazy Lester
Most Outstanding Musician (Keyboard) : Kenny “Blues Boss” Wayne
Most Outstanding Musician (Bass) : Lee Allen Zeno
Most Outstanding Musician (Drums) : Kenny Smith
Most Outstanding Musician (Horns) : Terry Hanck
Most Outstanding Musician (Other) : Otis Taylor 
Best Live Performer : Bobby Rush
Comeback Artist of the Year : Ironing Board Sam
Artist Deserving More Attention : Blind Boy Paxton
Best Blues Albums of 2011 Album of the Year : Chicago Blues: A Living History. The (R)evolution Continues (Raisin Music)
New Recordings/ Southern Soul : Johnny Rawls, Memphis Still Got Soul (Catfood Records)
New Recordings/ Best Debut  : Little Joe Ayers, Backatchya (Devil Down Records)
New Recordings/ Traditional & Acoustic : Rev. John Wilkins, You Can’t Hurry God (Big Legal Mess Records)
New Recordings/Contemporary Blues : Kenny “Blues Boss” Wayne, An Old Rock on a Roll (Stony Plain Records)
Historical Pre-War : Barbecue Any Old Time, Blues From The Pit 1927-1942 (Old Hat Records)
Historical Post-War : Howlin’ Wolf, Smokestack Lightnin’: The Complete Chess Masters 1951-1960 (Geffen/Hip-O)
Blues Book of the Year : The Chitlin’ Circuit and the Road To Rock’n’ Roll (Preston Lauterbach - Norton)
Producer of the Year - New Recording : Scott Bomar, Got To Get Back (Electraphonic Recordings)
Producer of the Year - Historical Recording : Andy McKaie, Howlin’ Wolf – Smokestack Lightnin’: The Complete Chess Masters 1951-1960 (Geffen/Hip-O)

Readers’ Poll

Blues Artist of the Year (Male) : Buddy Guy
Blues Artist of the Year (Female) : Marcia Ball
Best Blues Album of 2011 (New Release) : Marcia Ball, Roadside Attractions (Alligator Records)
Best Blues Album of 2011 (Historical Recording) : Howlin’ Wolf, Smokestack Lightnin’: The Complete Chess Masters 1951-1960 (Geffen/Hip-O)
Best Blues DVD of 2011 : Maxwell Street Blues (Facets Video)
Most Outstanding Musician (Guitar) : Robert Cray
Most Outstanding Musician (Harmonica) : Bob Corritore
Most Outstanding Musician (Keyboard) : Marcia Ball
Best Live Performer : Lil’ Ed and the Blues Imperials
Most Outstanding Blues Singer : Mavis Staples

ELAS : RORY BLOCK

25 agosto, 2012
Rory Block é uma das principais referências quando o assunto é Blues acústico, e mantém o compromisso de preservar a tradição do Delta Blues.

Nasceu em Princeton, New Jersey, em 1949, e cresceu em Manhattan onde seu pai tinha uma loja de calçados no Greenwich Village, localizada na West 4th Street, local onde, na época da sua adolescência, se tornou um ponto de encontro de músicos e por onde sempre circulavam Bob Dylan, Joan Baez e Maria Muldar.
E não foi só a rica cultura do bairro que influenciou e sensibilizou a moça, sua mãe cantava para ela na hora de dormir e seu pai tocava banjo; e Rory sempre soube que a música era importante na vida da família.
Aos dez anos inspirou-se a tocar violão e percebeu que as cordas de aço davam muito mais poder e versatilidade para tocar Blues e Country do que as cordas de nylon.

Durante sua juventude tocava o instrumento nas jams de domingo no Washington Square Park e foi então que ouviu Stefan Grossman tocando ragtime, e ele mostrou a ela uma gravação chamada Really The Country Blues e foi o início de uma paixão verdadeira com a música e com o Blues.
Nesse tempo, sua vida foi marcada pelos encontros com os mais influentes músicos de Delta Blues do século 20, aprendeu as primeiras lições de Blues e Gospel com Reverend Gary Davis, compartilhou dos conhecimentos de Son House, o mentor de Robert Johnson, encontrou com Skip James e Mississippi John Hurt e incorporou a verdadeira essência, técnica e criatividade do estilo.

Rory desenvolveu impecavelmente a técnica do slide e quando questionada do porquê uma jovem branca de New York tocar a música negra dos anos 30, ela é muito enfática -
"Não é uma questão de pele, é uma questão de alma. Hoje percebo quanta sorte eu tive, estar no lugar certo na hora certa. Eu pensava que todo mundo sabia sobre esse homens incriveis, gênios que escreveram a história do Blues; mais tarde percebi o quão fugaz isso era, e o quanto era precioso."

Com uma ampla discografia e muitas premiações, seus últimos discos celebram as raízes do Blues em tributos a Robert Johnson The Lady and Mr Johnson (2006, Rikodisc Rec), Son House Walkin' Like a Man (2008, Stony Plain),  Fred McDowell Shake 'Em on Down (2011, Stony Plain) e Reverend Gary Davis I Belong to the Band (2012, Stony Plain).

roryblock.com/


Rory Block on Myspace

DO OUTRO LADO DA VIDA

21 agosto, 2012
por Roberto Muggiati
Jornal Estado de SP, 28 de julho

Ao eleger People Time como um dos maiores discos da história, a revista Jazz Times
recoloca as luzes sobre uma lenda de nome Stan Getz

People Time The Complete Recordings
O último álbum de Stan Getz, People Time, acaba de ser eleito pela revista Jazz Times um dos 50 Melhores Álbuns de Sax Tenor de Todos os Tempos. O CD duplo, gravado pouco antes da morte de Getz, foi considerado seu testamento musical. O legado ganhou força maior em 2010, ao sair a caixa de sete CDs People Time The Complete Recordings.
Às 14 faixas do CD duplo de 1991 foram acrescidas outras 37: às quase duas horas iniciais foram somadas mais sete de música maravilhosa. Não são só alternate takes, mas temas inéditos como Con Alma (Gillespie), Bouncing with Bud (Powell), The End of a Love Affair, You Stepped Out of a Dream e as francesas Autumn Leaves (Les Feuilles Mortes, de Kosma-Prevert) e I Wish You Love (Que Reste-t-il de Nos Amours, de Charles Trenet).

Estas últimas sessões, reunindo Stan Getz (sax tenor) e Kenny Barron (piano), foram gravadas ao vivo nos dias 3, 4, 5 e 6 de março de 1991 no Café Montmartre, em Copenhague, fundado em 1959. Inicialmente dedicado ao jazz tradicional, o Jazzhus Montmartre logo se tornou um dos mais importantes templos do jazz moderno fora dos EUA, graças justamente a saxofonistas como Stan Getz (morou em Copenhague entre 1958 e 61), Ben Webster e Dexter Gordon. Essa ligação afetiva de mais de 30 anos com o Montmartre certamente ajudou Getz a superar, nas gravações de 1991, os efeitos de um câncer terminal no fígado que o mataria três meses depois da última apresentação: em 6 de junho, aos 64 anos, em sua casa de Malibu, Califórnia. (Suas cinzas foram jogadas ao mar, em Marina del Rey.)
O CD duplo de 1991 transcorre em território neutro, parece até uma gravação de estúdio. Já as gravações completas trazem toda a ambiência calorosa da apresentação ao vivo, com falas bem-humoradas de Stan e reações da plateia. Surpreende, também, a vitalidade do sopro de Getz e sua criativa improvisação, como se juntasse as últimas forças para uma despedida em grande estilo, reeditando os momentos mais líricos de uma carreira de 48 anos de gravações. As interpretações longas (oscilam entre 5:24 e 13:45) destacam também o empenho físico de Getz, pois todo o espaço musical foi dividido apenas por saxofone e piano. Kenny Barron, que começou a tocar com Getz em meados dos anos 1970, fala dessa última temporada: "No Montmartre, Stan tocou excepcionalmente bem, dando o melhor de si em cada solo. Mas, depois de cada música, ele ficava literalmente sem fôlego; obviamente não se sentia nada bem. Quando nos despedimos, disse que faria um novo tratamento na Califórnia e me chamaria para uma nova turnê. De certo modo, eu sabia que nunca mais o veria."

A saída prematura de cena, de Stan e de uma infinidade de grandes jazzistas, foi a consequência de uma vida de abuso químico. A partir do bebop, drogas pesadas como a heroína tornaram-se uma espécie de rito de passagem e emblema que abria para o músico o clube fechado dos eleitos. Charlie Parker, o mártir mais notório, dizia: "O músico que afirmar que toca melhor graças à erva, ao pico, ou quando está chapado, é um mentiroso sem-vergonha."
Getz envolveu-se com álcool e drogas ainda adolescente. Em 1954, foi preso tentando assaltar uma farmácia para conseguir morfina. Estava na ala penitenciária do Centro Médico da Universidade do Sul da Califórnia quando sua mulher Beverly Byrne dava à luz ao terceiro filho um andar abaixo, na maternidade do hospital. Getz tinha 19 anos ao se casar com Byrne, cantora da orquestra de Gene Krupa. Na biografia de Chet Baker, No Fundo de Um Sonho, James Gavin relata inúmeros episódios de overdose de Stan, os amigos o encontravam geralmente desacordado no banheiro, com uma seringa espetada na veia: encharcavam-no de café preto e o faziam caminhar sem parar até que despertasse do quase coma.

Getz tentou escapar das drogas indo para Copenhague, onde casou com a aristocrata sueca Monica Silfverskiöld em 1956, com quem teria dois filhos. O casamento acabou em 1987, após anos de brigas judiciais que terminaram na Suprema Corte. Casamentos e filhos não combinavam com o estilo de vida caótico dele. A certa altura, Stan descobriu que Monica lhe administrava secretamente Antabuse (no café da manhã, no suco de laranja), uma droga para eliminar o vício da bebida. A combinação do remédio com álcool poderia ser fatal. Stan interpelou Monica: "Você quer um marido sóbrio ou, então, morto".
A instabilidade emocional levou Getz a outros relacionamentos. Um deles foi com a "The Girl from Ipanema", Astrud Gilberto, nos anos 1960, quando Stan, Jobim, João e Astrud Gilberto desencadearam mundialmente o que os americanos chamaram de "The Bossa Nova crazy". Donald L. Magin, na biografia de 1996, Stan Getz A Life in Jazz, escreve: "Astrud personificava sexo e romance para Stan, bem como para as multidões e - apesar de constantes brigas sobre salário e royalties -, os dois começaram um caso durante a turnê de julho de 1964. Assim começou a mais notória das infidelidades de Stan durante o casamento com Monica."
Não faltaram crises de depressão, explosões de raiva e violência e tentativas de suicídio numa existência de desespero sobre a qual Getz raramente teve o controle. Uma região, porém, permaneceu pura e cristalina ao longo de toda sua vida: a dedicação à música, a suavidade angelical do sopro do seu tenor, seu elo afetivo maior com o mundo e as pessoas. Um elo que continua vivo até hoje.

JOSHUA REDMAN E ORQUESTRA RUMPILEZZ EM TURNÊ NO BRASIL

20 agosto, 2012
Joshua Redman está no Brasil para uma série de shows com a Orkestra Rumpilezz, de Letieres Leite.
Privilégio de baianos, mineiros e paulistas, que terão oportunidade de assistir esse espetáculo entre os dias 22 e 28 de agosto.

Bahia
     22 de agosto, Teatro Castro Alves
     23 de agosto, Cachoeira no Recôncavo Jazz Festival
São Paulo
     25 e 26 de agosto, SESC Pompeia
Belo Horizonte
     28 de agosto, Praça da Liberdade no evento Festival da Música














Em uma breve entrevista para o jornalista Ronaldo Evangelista, da Folha de SP, Joshua Redman contou um pouco sobre essa experiência, para ele única.

Como tem sido conhecer o som da Rumpilezz?
A experiência tem sido muito inspiradora. Encontrei o Letieres e ele me levou a um terreiro, do qual fazem parte alguns dos percussionistas da Rumpilezz. Fomos num quarto na parte de cima onde ficam os instrumentos de percussão e todos vieram e tocaram.
Fiquei imerso, no meio de um batuque muito poderoso. Foi divertido, tocante e inspirador.

A formação musical sem piano ou contrabaixo deve ser uma novidade para você.
É muito único ter uma banda onde todos os elementos harmônicos vem dos sopros. E é fantástico para mim perceber o quanto tão plenamente realizado isso é, você ouve as harmonias bem claramente. Letieres tem um conceito maravilhoso e totalmente formado para essa banda. Ele obviamente pensou na forma e trabalhou em todos os detalhes, é uma estética realmente completa.
Um mundo musical único, que Letieres criou dessa tradição musical muito, muito profunda, poderosa e complexa que vem da Bahia, com os ritmos colocados em um vocabulário harmônico mais moderno, que vem do jazz e da música clássica.

A relação da Rumpilezz com a música africana é forte. Você tinha alguma experiência nesse sentido?
É totalmente novo para mim. O mais próximo da música africana que já cheguei. Quando eu era novo, minha mãe me levou a apresentações de música e dança africana, então talvez lá no fundo eu tenha isso em mim. Mas, de fato, nunca tive uma experiência como essa antes. É tudo muito estimulante e gratificante e um território ainda pouco familiar pra mim, a ser descoberto.

18 DIAS E 2000 MILHAS: LIBOR SMOLDAS

18 agosto, 2012
Libor Smoldas
Ao longo de 18 dias e 2000 milhas percorridas durante sua turnê pela América em 2011, o guitarrista checo Libor Smoldas encontrou um intervalo para entrar em estúdio e registar em álbum a dimensão da sua jornada - 18 Days, 2.000 Miles.
Nesta turnê ele teve ao lado a participação do saxofonista Bobby Watson, que participa do álbum na faixa bonus "Moanin" (Timmons), gravada ao vivo no WCU Jazz Festival.
Libor faz homenagem a Wes Montgomery na faixa que abre o disco, "One For Wes Montgomery"; dedica um tema para seu filho, "Mike’s Bike"; e traz temas do baterista Tomas Hobzek, "Humblebee", e do contrabaixista Josef Feco, "Lenka", dedicada a sua esposa; e ainda os standards "It Could Happen To You" (Van Heusen) em uma empolgante versão e "Israel"(Carisi).

Libor Smoldas nasceu em Olomouc, República Checa, em 1982. Cresceu ligado na música, um estudante de trompete que aos 12 anos escolheu a guitarra como seu instrumento; e seu interesse pelo Jazz deu-se pela fascinação com as gravações de Charlie Parker. Ainda estudante na Evropska High School of Music, em Praga, começou a aparecer nas jams dos clubes de Jazz local e logo tornou-se um dos talentos emergentes no meio dos músicos jazzistas.
Aos 23 anos partiu para Freiburg, Alemanha, para participar de uma audição concorrendo a uma bolsa na prestigiada Berklee School of Music. Embora aprovado, decidiu manter-se em Praga. Sua amizade com o colega de conservatório e organista Ondrej Pivec o levou a fazer parte do Organic Quartet, liderado pelo organista, que já foi assunto aqui, junto com o baterista Tomas Hobzek e o saxofonista Jakub Dolezal, cujo grupo ganhou repercussão muito positiva e tornou-se o mais respeitado grupo de jazz da Republica Checa.

Libor SmoldasEm 2006 Libor passou a liderar seu próprio trio e três anos mais tarde partiu para New York para aprender com os mestres guitarristas Paul Bollenback, Lage Lund, Mike Moreno, Ben Monder, Steve Cardenas e Peter Bernstein.
Em 2009, gravou seu primeiro album solo, "In New York On Time", gravado em New Jersey, e contou com as participações do contrabaixista George Mraz, do pianista Sam Yahel e do baterista Jeff Ballard, um time da pesada, e o trabalho repercutiu positivamente em sua terra natal tornando-o primeiro jazzman checo a gravar com músicos de jazz consagrados. O álbum ainda teve a participação da sua esposa e cantora Vendula Smoldasova, que tem o nome artístico Zeurítia.
Em 2010, grava um álbum ao vivo, "Live at Jazz Dock", em um clube de Jazz em Praga, com um repertório totalmente autoral e acompanhado por um notável trio de amigos e músicos checos - Petr Benes no rhodes, Josef Feco contrabaixo e Tomas Hobzek bateria.
Com a ideia de que fazer música não significava ter um propósito comercial, resolve disponibilizar o trabalho gratuitamente para download em seu site - www.liborsmoldas.cz/en/download - com o objetivo de simplesmente oferecer a música para o maior público possível.


liborsmoldas.com

O BRILHO CRESCENTE DE LINDA OH

14 agosto, 2012
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
JB, 14 de julho

Linda Oh
O brilho e a fama crescentes da jovem Linda Oh, como contrabaixista, compositora e líder, foi assunto desta coluna (28/2/2010) quando do lançamento de seu CD de estreia, Entry, uma seleção de oito originais e de um tema do Red Hot Chili Peppers (Soul to Squeeze) por ela desenvolvidos de maneira bem free, na companhia dos também então emergentes e destemidos Ambrose Akinmusire (trompete) e Obed Calvaire (baixo).
Para quem ainda não sabe, a nova estrela do jazz nasceu na Malásia, filha de pais chineses, e foi criada na Austrália (Perth), onde teve formação clássica, estudando piano e fagote, antes de fixar-se no baixo (acústico e elétrico). Ela vive em Nova York desde 2004, quando lá desembarcou para completar o mestrado na Manhattan School of Music, com tese sobre Dave Holland.

O segundo álbum assinado por Linda Oh, gravado no ano passado, chama-se Initial Here, e vem de ser lançado pelo selo Greenleaf, do grande trompetista Dave Douglas. A baixista comanda agora um quarteto integrado pelos igualmente rising stars Dayna Stephens (sax tenor), o cubano Fabian Almazan (piano acústico e Fender Rhodes) e Rudy Royston (bateria).
Das 10 faixas do disco, oito são composições da líder. As duas restantes são: uma interpretação, fervilhante, de mais de oito minutos, de uma montagem de Something’s Coming, de Leonard Bernstein (West Side story), com um tema da peça pianística Cinq Doigts, de Stravinsky; um belo e meditativo tratamento de Come Sunday (5m55), de Duke Ellington, com realce especial para o sax tenor soulful de Stephens.
No desenvolvimento de suas próprias composições, a baixista não só aviva o clima percussivo do quarteto, ao lado do lépido Royston, mas também atua como solista, no baixo acústico ou no elétrico (no estilo “guitarrístico” de Steve Swallow), em diálogos com Almazan (no teclado acústico ou no elétrico).

O álbum começa muito animado, com a totalmente acústica Ultimate Persona (6m10), peça na qual Linda introduz o quarteto ao som carnudo de seu upright bass, que depois complementa os solos do sax de Stephens e do piano assimétrico de Almazan. E termina na também desplugada Deeper than Sad (4m05), mais profunda e solene do que triste, como está no título, num clima oposto à faixa Deeper than Happy (4m45), em allegro vivace, com o baixo e o teclado elétricos.
Outro ponto alto de Initial Here é Mr.M (5m40), uma composição em andamento de balada dedicada a Charles Mingus que destaca, mais uma vez, o notável saxofonista tenor Dayna Stephens, cujo fraseado reverencia Michael Brecker e seu mentor Wayne Shorter.
Thicker than Water, de concepção camerística, é a faixa mais estranha (odd) e até dispensável do CD. A melodia é desenvolvida por Linda Oh no fagote e pela vocalista de ascendência chinesa Jen Shyu, que canta em inglês e mandarim, apoiadas por dois baixos tocados com arco pela compositora, na base do artificial multitracking.
Mas, no cômputo geral, vale a apreciação de Ben Ratliff, do New York Times, ao comentar o disco do quarteto da jovem jazz woman: “Em tempo rápido ou lento, esta banda devora sua música. Da bateria, do piano e do baixo vem uma precisão clara e hiper alerta, com condimentos extras, funk fraturado e ritmos dentro de ritmos”.

JAIMOE JASSSZ BAND

09 agosto, 2012
Jaimoe
Jai Johanny Johanson é mais conhecido como Jaimoe.
Nasceu em Ocean Springs, Mississipi, em 1944.
Adolescente, se encantava com a big band de Duke Ellington e os improvisos de Johnny Hodges e Paul Gonsalves.
Nos anos 60 esteve ao lado de grandes nome do rhythm & blues como Otis Redding e Percy Sledge e ao final desta década tornou-se um dos membros e fundadores de uma das maiores bandas de todos os tempos, o Allman Brothers Band.
E foi justamente o Allman Brothers que mudou sua maneira de ver a música. Para ele, não se concebia a idéia de "caras brancos" fazerem aquele tipo de som, na época junto com Greg Allman, Dickey Betts e Berry Oakley.
E isso encantou Jaimoe, aquela fusão de blues, jazz e rock; e justamente com o Allman Brothers fez um dos mais espetaculares registros ao vivo da história do rock, o album gravado no saudoso Filmore East, local que, hoje, Jaimoe o compara com o Beacon Theater em New York.

Atualmente Jaimoe lidera sua Jaimoe Jassz Band, e lançou no final de 2011 o album Renaissance Man (Lil'Johnieboy Records), premiado com o Grammy Award for Lifetime Achievement, uma das principais categorias do Grammy, prêmio que reconhece a obra de um artista.
Renaissance Man é seu primeiro album de estúdio e um time da pesada acompanha Jaimoe neste trabalho - Junior Mack nos vocais, slide e dobro, Paul Lieberman nos sax tenor, alto e flauta, Kris Jensen nos sax tenor, barítono e soprano, Reggie Pittman trompete e flugelhorn, Dave Stolz baixo e Bruce Katz hammond e piano.
E essa formula não tem erro, o resultado é uma fusão do bom e velho classic rock, southern rock, blues e boas pinceladas de jazz com uma energia vibrante.

E Jaimoe tem uma relação muito estreita com o jazz e isso se comprova nos seus albuns ao vivo Live at the Double Down Grill (2006) e Ed Blackwell Memorial Concert (2008), onde interpreta standards como Softly as in a Morning Sunrise, Impressions, Footprints e Night in Tunisia em versões bem intensas.
Em sua entrevista para o site All About Jazz, afirma : "Jazz é música americana, então se um músico toca algo que tem origem aqui, é jazz. Pode ser originada na Alemanha, Suecia, Japão ou em qualquer outro lugar, isso é parte de nós e isso foi desenvolvido aqui. É assim, é música improvisada, é jazz".

Renaissance Man
E não poupa elogios a Junior Mack, a quem se refere como um grande músico que toca muita guitarra, canta, compõem e ainda é empresário, foi um especialista em computação por muito tempo trabalhando em um grande empresa e após seu desligamento concentrou-se exclusivamente na música.

Renaissance Man é um disco completo. E Junior Mack realmente é um show a parte neste trabalho, assina quatro composições; Bruce Katz, Dave Stolz e Reggie Pittman assinam uma cada.

Encontramos o melhor estilo southern-rock em Dilemma, que abre o disco; uma abordagem jazzy em Drifting and Turning e até algo meio bossa em Points of Friendship em que destacam-se os sopros de Paul Liberman, Kris Jensen e Reggie Pittman; uma balada soul em Rainy Night in Georgia (Tony Joe White); um funkeado cheio de groove em Leaving Trunk (Sleepy John Estes), o bom e enraizado blues nos temas I Believe I'll Make a Change, aqui com Bruce Katz fazendo a melhor cama possivel junto com a base de metais, rhythm & blues em Hippology e a acústica Simple Song; e lógico que não podia faltar um tributo ao Allman Brothers com Melissa.

Mais sobre Jaimoe's Jasssz Band em  http://www.jaimoe.com

SEMPRE BRILHARÁ ... CELSO BLUES BOY MORRE AOS 56 ANOS

06 agosto, 2012
... as coisas são assim, pra que se lamentar
se dentro de nós sempre existirá
toda esperança sempre brilhará

Assim descreveu Celso Blues Boy na letra da música Sempre Brilhará, de sua autoria.
Era essa esperança escrita e registrada em 1996 no album Indiana Blues que ainda mantinha Celso Blues Boy nos palcos.
Um do ícones do Blues Rock nacional. Não há ninguem, absolutamente ninguem, que há 28 anos, independentemente de idade na época e que estivesse ligado ao blues e ao rock, nao tenha vibrado com um vinil intitulado Som na Guitarra.
Celso Blues Boy registrava uma nova onda no cenário musical nacional, cujo disco de estréia deixou clássicos que são interpretados, lembrados e cantados até hoje.

... que os tempos dificeis irão acabar
eu pego a guitarra e começo a tocar
porque chorar não vale mais a pena

O Blues Boy incorporado ao seu nome foi em homenagem a Blues Boy King, o B.B. King, título atribuido por Sá na época em que Celso Ricardo Carvalho tocava com Sá & Guarabira.
Teve o Circo Voador, no Rio de Janeiro, como um dos seus templos, foi o músico que mais realizou shows neste palco, e manteve sua audiência fiel por toda a sua carreira. Lançou em 2011 seu último disco, Por um monte de Cerveja, realizando um show de lançamento no palco do Circo Voador com a presença de vários músicos da geração Blues carioca; feito repetido na edição de 10 anos do Festival de Rio das Ostras com uma apresentação emocionante no palco mais efervescente do festival, Iriry.

... era como um trem sacudindo a cabeça
parado é que não dava pra ficar

O cancer que limitava sua voz venceu, mas imortalizou nosso ícone do Blues-Rock Brasil. Sua verdadeira voz era a guitarra e foi essa voz que um dia o rotulou como nosso mago da Fender.
Celso Blues Boy partiu aos 56 anos.
... e eu continuo
fumando na escuridão

1956-2012

JAZZ: HARMONIA E IMPROVISAÇÃO

04 agosto, 2012
Ivan Barasnevicius é músico, professor, coordenador didático do Centro Musical Venegas Music em São Paulo e apresentador do programa de entrevistas musicais Venegas Music TV, apresentado no canal web JustTV.

Formado pela FAAM, Ivan é um pesquisador musical, desenvolveu o projeto "A improvisação no ensino da teoria musical elementar : uma proposta metodológica aplicada à guitarra elétrica", teve seu método "Harmonia para Contrabaixo" publicado na coleção Toque de Mestre e foi colaborador da revista Cover Baixo. Desde 2007, Ivan lidera seu trio de música instrumental em que atua como guitarrista ao lado da contrabaixista e esposa Dé Bermudez e do baterista Thiago Costa.

Ivan está apresentando seu novo livro -
Jazz: Harmonia e Improvisação, lançado pela editora Irmãos Vitale.


Ivan nos conta um pouco sobre o livro, educação musical e seus projetos -

Gustavo Cunha : A arte da Música é fascinante. Sua formação musical vem de família ? Como se desenvolveu essa sua vontade de fazer Música ?
Ivan Barasnevicius : Em primeiro lugar, gostaria de agradecer imensamente o espaço cedido no 33 Rotações para a divulgação do meu trabalho.
Comecei a ter aulas de violão quando era criança, por volta dos 9 anos. Sempre tive bastante incentivo por parte dos meus pais, em casa sempre ouvimos muita música boa - MPB, Rock, Música Erudita. Na adolescência toquei em algumas bandas de metal como Violent Hate e Cisma, com as quais tive oportunidade de gravar alguns discos, que inclusive foram distribuídos no mercado europeu. Na maior parte das vezes toquei guitarra, mas também participei tocando baixo em alguns deles. Posteriormente, por volta dos 20 anos entrei na Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM) onde passei a estudar outros estilos, principalmente jazz e música brasileira, e embora estudasse e tocasse principalmente guitarra, aprofundei meus estudos de contrabaixo elétrico.

GC : Mais do que fazer Música, ensinar torna o ofício muito mais prazeroso e que é também uma forma de aprendizado. Voce tem um método próprio ou voce aplica esse ensino conforme a expectativa do aluno ?
IB : Na minha escola, a Venegas Music, utilizamos método próprio de ensino. É um método bastante completo, voltado no início para o estudo das principais ferramentas - escalas, arpejos, acordes, inversões, e posteriormente para o estudo de harmonia e improvisação. Vale lembrar que o repertório é escolhido de acordo com o gosto do aluno, de maneira a funcionar como um estímulo. Boa parte do conteúdo que utilizamos em nosso material didático é baseado nos materiais que já publiquei no livro "Harmonia para contrabaixo" e no "Jazz: Harmonia e Improvisação".

GC : Conhecer harmonia e aplicar a improvisação são dois grandes desafios para o músico. Muitos mestres dedicaram esses conhecimentos em livros. Conte-nos o projeto do seu livro "Jazz: Harmonia e Improvisação" ?
IB : Este método tem por objetivo evidenciar ao aluno quais são os procedimentos mais utilizados por improvisadores, compositores e arranjadores para a escolha dos materiais utilizados na construção dos seus solos e improvisos. Trata-se de um guia para aqueles que desejam se aprofundar no assunto da improvisação jazzística, assim como composição e arranjo. O livro traz uma análise completa da harmonia , melodia e a forma de temas compostos por nomes como Tom Jobim, Vinícius e Carlos Lyra, entre outros, como forma de exemplificar os assuntos abordados. O livro contém a maioria do conteúdo que o músico precisa adquirir para desenvolver os improvisos com consistência e qualidade.
Vale lembrar que este material, na verdade, é o resultado dos muitos anos de experiência com aulas de música, trata-se da base que costumo utilizar em nossas aulas de instrumento, improvisação e arranjo.

GC : Qual o público alvo do livro ?
IB : O livro é indicado para quem deseja conhecer os principais procedimentos utilizados na improvisação jazzística, para posteriormente também poder aprofundar seus conhecimentos em composição e arranjo. Pode ser bastante útil independentemente do instrumento que se toque, já que não se trata de um livro específico de guitarra ou baixo. Entretanto, para um melhor aproveitamento do material, um pré-requisito importante é a leitura musical.

GC : Onde encontrar o livro ?
IB : O livro Jazz: Harmonia e Improvisação pode ser encontrado nas principais livrarias e lojas de música, entre elas a Venegas Music Store, FreenoteLivraria CulturaSaraiva Megastore.

GC : Sempre tenho um questionamento aos mestres sobre a forma de aprendizado. Vejo muitos aprendizes preocupados com a velocidade em tocar escalas e esquecem do feeling, da melodia, de estudar essa alma musical chamada harmonia. Como voce aborda isso ?
IB : De maneira geral, considero importante para uma boa formação musical estudar principalmente aspectos relacionados à composição, como construção de frases, períodos, motivos, progressões, entre outros elementos como harmonização, contraponto e história da música, de forma que seja possível compreender melhor o estilo que estamos tocando/estudando. Acredito que estes pontos são mais prioritários do que técnicas específicas de um determinado instrumento. Não me parece uma abordagem mais musical inverter a ordem das coisas.

GC : Seu programa Venegas Music TV, além de muito original, é um diferencial no assunto e dá total liberdade ao músico convidado em falar sobre sua técnica e seus trabalhos. Apesar da sua exibição restrita ao mundo da internet, o programa tem boa audiência.
Como surgiu essa idéia de promover esse talk show musical ?
IB : Tenho muito orgulho de todo o trabalho desenvolvido nestes 4 anos de programa. Tive a oportunidade e a honra de tocar com mestres como Nelson Faria, Heraldo do Monte, Arismar do Espírito Santo, Andreas Kisser, Itamar Collaço, Michel Leme, entre muitos e muitos outros, o que acabou sendo uma grande fonte de estudo para mim, sem contar toda a experiência que envolve a produção de um programa como este. E também fico muito feliz de ver o programa sendo comentado e visto nos quatro cantos do país, é impressionante a quantidade de pessoas que me procura para falar do programa e também o vejo muitas vezes sendo utilizado como fonte de pesquisa, já que muitos dos músicos entrevistados, embora com grande atuação em discos e shows há muito tempo, nunca haviam sido entrevistados de forma mais aprofundada. Fico muito contente de fazer parte desde projeto.

Confira algumas entrevistas no Venegas Music TV -
    com Nelson Faria :  http://youtu.be/jS43lr3JLlA
    com Heraldo do Monte :  http://youtu.be/Kd3rzXFJheM

GC : Voce toca guitarra no Ivan Barasnevicius Trio. Conte-nos sobre esse trabalho.
IB : O grupo começou como um quarteto em 2007 apresentando um trabalho totalmente instrumental com arranjos e adaptações próprios feitos para temas de Nico Assumpção, Pat Metheny, Milton Nascimento e João Bosco, entre outros; e tocando em diversos lugares voltados para a música instrumental em São Paulo.
Em 2009, o grupo estabilizou-se com um trio, contando, além de mim, com Dé Bermudez no baixo e Thiago Costa na bateria, e desde então o foco do trio é apresentação de repertório autoral, também totalmente instrumental, com composições e arranjos elaborados por mim, sempre com muito espaço para experimentações com ritmos brasileiros como baião, xaxado e samba, e também para as influências que vão do rock progressivo brasileiro dos anos 70 até o jazz-fusion. Entretanto, vale sempre ressaltar a importância da contribuição da Dé Bermudez e do Thiago Costa com suas interpretações e improvisos para a sonoridade final do grupo.

Obrigado Ivan Barasnevicius, e Sucesso !
ivanbarasnevicius.com