FESTIVAL JAZZ & BLUES - NO IMPROVISO APRESENTA IGOR PRADO

29 setembro, 2012
divulgação

O Festival de Jazz & Blues No Improviso segue com a programação e quem se apresenta entre os dias 5 e 7 de outubro é o super guitarrista Igor Prado, que contará ainda com as presenças dos guitarristas Guy King e Décio Caetano numa grande jam session de Blues.

Uma programação que promete agitar o final de semana no Teatro Bom Jesus em Curitiba. A noite de sexta-feira abre com a apresentação do guitarrista americano Guy King e da Décio Caetano Blues Band com a participação de Igor Prado, às 20h30.
No sábado, a banda Tic Tac Joe abre a noite para a Igor Prado Band no mesmo horário; e no domingo às 16h acontece o workshop com Igor Prado apresentando o papel da guitarra no Blues, abordando a prática e dando dicas de como se tocar blues e improvisos na guitarra. Igor contará como começou seu envolvimento com o blues e a guitarra.

Igor Prado mistura o Blues ao swing do jazz. Começou a se interessar pela guitarra aos 11 anos e logo se apaixonou pela linguagem do Blues Seu estilo é diferenciado, autodidata e canhoto, toca com as cordas invertidas do instrumento. Aprofundou-se na linguagem do Blues tradicional e West Coast Swing, famoso movimento de jazz dançante dos anos quarenta. Em sua trajetória conta com uma bagagem com diversas excursões de renomados artistas americanos como Mark Hummel, Rick Estrin, Lynwood Slim, J.J Jackson, James Wheeler, Phil Guy, Mud Morganfield e Bob Stroger.

Guy King nasceu em Israel, mas aos 16 anos foi morar em Memphis, Tennessee. Mudou-se para New Orleans e de lá foi para Chicago, cidade onde mora atualmente. King integrou a banda do premiado baixista e cantor americano Willie Kent, com o qual se apresentou em importantes festivais na América, Japão e Europa. Em 2006, com a morte de Kent, Guy King decidiu então montar sua própria banda, a Guy King Band. Sua música destaca-se pela originalidade e forte combinação do Blues, Soul e Jazz. Tem como influências Ray Charles, B.B. King, Johnny “Guitar” Watson, Albert King, Jimmy McGriff, Albert Collins, T-Bone Walker, Muddy Waters, Robert Johnson e Lightnin’ Hopkins.

Décio Caetano é reconhecido como o Encantador do Blues com voz característica do estilo além de ser um grande guitarrista. Conheceu o Blues quando entrou em um trem para São Paulo, e lá encontrou várias pessoas que estavam a caminho do Festival Internacional de Blues de Ribeirão Preto. Essa viagem serviu de ponte para Décio conhecer e se apaixonar pelo mundo do Blues. Mal sabia que, no destino final do trem, o músico que seria seu mentor musical estaria iniciando a turnê do primeiro disco nacional de Blues em português : André Cristovam, que foi seu mentor na didática do estilo.

A banda Tic Tac Joe foi formada no final de 2010 com a proposta de unir elementos do Rock, Blues, Folk e pitadas de música brasileira. Tudo isso enriquecido com elaborados arranjos vocais e embalado por uma sonoridade calcada no rock acústico, com violões, gaita de boca, baixo elétrico e percussão.

Programação -

5 de outubro, sexta-feira, 20h30min
     Jam session com Guy King, Décio Caetano Blues Band e Igor Prado
     Ingressos : R$ 20 (R$ 10 meia entrada)
6 de outubro, sábado, 20h30min
     Tic Tae Joe e Igor Prado Band
     Ingressos : R$ 30 (R$ 15 meia entrada)
Workshop com Igor Prado
     7 de outubro, domingo, 16h
     Ingressos : R$ 10 (R$ 5 meia entrada)
Passaporte Promocional : Jam Session + Show + Workshop : R$ 50 (R$ 25 meia entrada)

O Teatro Bom Jesus fica na Rua 24 de Maio 135, Curitiba.

Mostras fotográficas e audição de vinil, também fazem parte da programação, aberta ao público nos dias do evento.

O Festival Jazz & Blues No Improviso é realizado com incentivo fiscal por meio da Lei Rouanet e tem o apoio do Hospital Pequeno Príncipe.

O SOUL E O JAZZ NA VOZ DE GREGORY PORTER

25 setembro, 2012
Ele está na fronteira do soul e do jazz.
Gregory Porter é uma das vozes mais promissoras da atualidade - imponente, profunda, calorosa, dentro de um estilo que poucos desenvolveram com talento e sobriedade.

Não tem como não se render com a atmosfera de sua música, que envolve, melodica e harmonicamente, com sua voz enraizada no soul e R&B, e quando coloca a forma do jazz o faz como nós gostamos.
Com os álbuns "Water" (Motema, 2010) e "Be Good" (Motema, 2012), alcançou uma repercussão muito positiva, inclusive "Water" foi indicado como álbum de jazz vocal pelo Grammy e como álbum de jazz do ano pela Jazzwise Magazine.
Em ambos , Porter está acompanhado de uma super banda - o piano de Chip Crawford, o contrabaixo de Aaron James, o sax de Yosuke Sato e a bateria de Emanuel Harrold, formação que encontrou-se no St. Nick's Pub, Harlem, local onde o grupo já tocava. E uma coisa levou a outra - na hora de gravar o álbum Water, Porter quis uma seção rítmica já familiarizada e que estivesse com o clima das músicas.

Porter nasceu na Califórnia e começou cantando nos pequenos clubes de jazz em San Diego, ao mesmo tempo que atendia a um chamado para uma bolsa de estudos na San Diego State University; mas seu destino foi o Brooklin, em New York. Criado pela mãe, cresceu sem o pai. Compensava esse vazio emocional na música de Nat King Cole, cuja voz melosa e barítono de Porter se assemelha.
Porter ouviu Nat King Cole por tanto tempo e tão profundamente que ele criou uma conexão emocional com ele. Kamau Kenyatta, seu diretor musical, foi quem o ouviu pela primeira vez em 1998 e, percebendo sua admiração por Nat King Cole, o convidou para visitá-lo em seu estúdio onde estava produzindo o álbum de Hubert Laws em tributo ao próprio, "Unforgettable Nat King Cole" (Unique Records, 1998).
Quando Laws ouviu Porter cantar sozinho o tema "Smile" (Chaplin), deu um jeito de incluir uma faixa bônus no disco com sua voz, e esta tornou-se sua primeira gravação em estúdio.


Em "Be Good" Porter traça uma conectividade única entre o soul e o jazz enquanto revela experiências pessoais que ligam profundamente o cantor e o ouvinte. Ele afirma que quando cria uma música e a coloca pra fora, não tem idéia de como isso volta a ele, e isso é o que torna tudo extraordinário, essa comunicação; não dizer a você como você devia se sentir ao ouvir uma música, simplesmente a interpreta e você sente o que quiser.
O tema homônimo fala sobre um relacionamento em que você se sente amarrado, confinado de forma que não é permitido sair para amar, e percebe-se uma tendência erudita no solo do excelente pianista Chip Crawford. Destacam-se ainda "Mother's Song", que honra a beleza interna e externa da influência primária da vida de Porter, a mãe que ensina a todas as suas crianças a amarem e serem amadas; faz uma simples declaração de amor em "Real Good Hands"; traz fúria no clássico "Work Song" (Adderley); e uma versão bela, intimista e solitária, a capela, de "God Bless the Child" (Billie).

BRITISH BLUES AWARDS 2012

23 setembro, 2012
British Blues Awards
British Blues Awards foi criado em 2010 por um grupo de entusiastas da Nottingham Blues Society, Reino Unido, com o objetivo de recompensar os artistas de blues britânicos pela dedicação e esforço em divulgar o estilo.
Um comitê formado por radialistas, escritores e produtores são questionados para nomear os artistas em cada categoria e a votação é feita pelo público, com suporte das rádios locais, gravadoras e internet.

Criaram o prêmio "Kevin Thorpe Memorial Award", que premia o compositor do ano. Kevin Thorpe foi um reconhecido cantor e compositor de Nottingham e brilhou no cenário Blues britânico, mas infelizmente faleceu de um ataque do coração durante e edição de 2010 do Newark Blues Festival.

Os premiados –

Male Vocal :  Ian Siegal
Female Vocal :  Chantel McGregor
Band :  King King
Guitar :  Matt Schofield  
Harmonica :  Paul Jones
Keyboard :  Paddy Milner
Bass :  Andy Graham
Drums :  Steve Cutmore  
Acoustic Act :  Ian Siegal  
Instrumentalist :  Becky Tate
Young Artist :  Oli Brown
Blues Festival :  Hebden Bridge
Overseas Artist :  Joe Bonamassa
Broadcaster :  Gary Grainger
Album :  Take My Hand, King King   
Kevin Thorpe Memorial Award :  The Bittersweet, Marcus Bonfanti  

NOITE DE CLASSIC ROCK COM MARTIN TURNER NO RIO PROG FESTIVAL

22 setembro, 2012
Nem a noite chuvosa espantou o público para assistir no Teatro Rival o baixista Martin Turner com seu Wishbone Ash Project, grupo que foi um das mais representativos do classic rock.
E a noite concorria com o show solo e acústico do Jon Anderson do outro lado da cidade, no Imperator.

O show do Martin Turner Wishbone Ash Project foi parte da terceira edição do Rio Prog Festival, promovido pela Renaissance Discos, e que levou na noite seguinte o reencontro do grupo Bacamarte.

Martin Turner veio acompanhado pelos guitarristas Ray Hatfield e Danny Wilson e pelo baterista Dave Wagstaffe. O show dividiu-se em dois sets de cerca de 45 minutos e a proposta foi apresentar uma saudação a um dos melhores album do Wishbone Ash, Argus (1972), e talvez um dos melhores albuns da história do rock.

Platéia ansiosa, quase 1 hora de atraso para início do show marcado para 19:30h. E teve um primeiro set um tanto frio, mas com destaque para os temas clássicos Rock´n´Roll Widow (Four, 1973), The Way of the World (No Smoke with Fire, 1978) e um encerramento com No Easy Road (Argus), já antenando um promissor segundo set.  E uma das principais características do Wishbone Ash era a dualidade de guitarras representadas por Andy Powel e Ted Turner. Ray Hatfield e Danny Wilson não deram muito essa vibração formada pelas twins guitars, porém ficou bastante evidente a liderança de Ray Hatfield, abraçado com uma Strato que, particularmente, por opção de setup dele, fugiu um pouco do timbre e da sonoridade calorosa da guitarra original do Wishbone Ash. Ray tem uma presença um tanto fria no palco, sério, e tomou a frente dos improvisos em quase todos os temas. Por outro lado, já vi um Danny Wilson com muito mais pegada e atitude e um timbre muito mais caloroso vindo de sua Telecaster Thinline. Mas ambos deram o recado e o que o público queria ver era isso mesmo, muitos solos de guitarra.
E realmenbte o segundo set veio com muito mais energia e o disco Argus em destaque. Abriu com Time Was seguindo com Sometime World, King Will Come, Warrior e fechou com Blowin Free para delírio total da plateia. E a pedidos, ainda rolou Living Proof (Just Testing, 1980). As guitarras ganharam mais destaque ecoando os melódicos solos que fizeram a marca do Wishbone Ash e um Teatro Rival lotado vibrando com Ray Hatfield.

Aos 65 anos, Martin Turner ainda vibra com a música e, apesar da pouca extensão de sua voz, mostrou ainda boa forma no baixo elétrico desfilando improvisos pontuais e uma sólida base instrumental. Martin deixou o Wishbone Ash em 1996 e criou o Martin Turner´s Wishbone Ash para mostrar para as novas gerações a beleza e energia da era do clássico rock setentão revivendo o album Argus.

Impressionante como o público está carente do bom e velho rock e todos os méritos para a Renaissance Discos representada pela produção do Claudio Fonzi.

Que venha a próxima edição !

MUITO PRAZER, KEILA ABEID

14 setembro, 2012
A ideia de gravar um disco sempre esteve nos planos da cantora Keila Abeid. Até que um dia, numa mesa de bar, disse para o pianista Fabio Leandro que aquele era o momento, mas não sabia como fazer pois não tinha recursos para financiar o projeto. Fabio acreditou na ideia, assim como o violonista Vinicius Gomes e o baterista Ricardo Berti; até que o contrabaixista Rogerio Botter Maio chegou e disse - "Se precisar de alguma coisa com o disco, pode contar comigo".
Assim foi a história, e assim se formou o quarteto que a acompanha Keila Abeid em seu disco de estreia, intitulado Muito Prazer. Mais que um sonho, a perseverança, a dedicação e o empreendedorismo de Keila tornou possível esta realização. Sem recursos para financiar a produção do disco, inscreveu o projeto no Catarse, uma rede de financiamento coletivo baseada no conceito de Crownfunding, e investiu nas redes sociais mobilizando a rede de amigos, e, consequentemente, de amigos de amigos, espalhando de forma viral a necessidade de contribuição financeira para realização do projeto, com um prazo específico para arrecadação.
A idéia de crownfunding é que ao final do prazo de captação, e não conseguindo o valor pretendido, ninguém sai perdendo e todos os recursos investidos são devolvidos aos doadores.
Keila alcançou seu objetivo e tornou seu sonho realidade.


"Muito Prazer" revela a sensibilidade da voz dessa moça de São Bernardo do Campo, São Paulo, e que neste disco de estreia traduz a musica brasileira e a boa bossa com uma roupagem jazzy. Trouxe um time da pesada da nossa música instrumental para acompanhá-la, com destaque para o excelente pianista Fabio Leandro e o contrabaixo de Botter Maio, ambos responsáveis pelos arranjos junto com o violonista e guitarrista Vinicius Gomes, ainda o baterista Ricardo Berti e as participações mais que especiais de Conrado Paulino, Lea Freia, Jota P, entre outros.

Com a palavra, Keila Abeid -

Keila Abeid. Muito Prazer! Conte-nos um pouco sobre sua formação musical.Desde pequena o contato com a música sempre foi muito grande. Minha avó tocava piano, meu pai e meu tio são músicos e sempre tocaram na igreja, que foi onde eu comecei a cantar aos seis anos de idade. Minha primeira apresentação foi em uma Feira das Nações, evento que reunia várias igrejas realizado no Parque da Agua Funda. Minha mãe, que tocava piano, começou a me ensinar as primeiras notas musicais e a partir daí fui estudando sozinha e na adolescência fui estudar com mais seriedade, começando com canto e piano até que fui pra Fundação das Artes de São Caetano do Sul, onde tive um conhecimento mais fundo da teoria e estudei canto erudito. Mas me encontrei mesmo na ULM (Universidade Livre de Música Tom Jobim), pois lá tive um contato maior com a música brasileira, com o jazz e estudei canto popular, harmonia, teoria. Conheci músicos incríveis e, claro, foi lá que conheci os meninos que trabalham comigo hoje.

"Muito Prazer" torna-se mais que especial pois foi financiado por meio de Crownfunding, prática que vem sendo muito explorada no mercado artístico. Como foi administrar essa ansiedade?
Eu já me apresentava com o quarteto há cinco anos, e o nosso som já tinha uma identidade. Então eu senti a necessidade de registrar isso, de ter o primeiro "filho" desse casamento com o quarteto. Quando eu joguei a ideia pros meninos eu realmente não tinha condições nenhuma ($$) de realizar, mas fechei os olhos e me joguei. Os meninos compraram a ideia, eu dei muita aula, mas muita mesmo, e abdiquei de todo e qualquer gasto e por 3 anos foi tudo direcionado pro disco. No final do processo, eu precisa bancar o que restava tudo de uma vez, e daí só com as aulas eu não dei conta. Foi aí que entrou o Catarse.me. Eu já conhecia o site, por causa do Movimento Elefantes, conversei com uns amigos e resolvi arriscar. E foi muito legal, porque em 60 dias alcançamos o valor que faltava e muita gente acabou conhecendo o trabalho por causa do Catarse. O apoio veio de amigos, fãs, familiares e também de algumas pessoas que a gente nem conhecia até então. O pessoal no facebook se mobilizou divulgando, compartilhando e deu tudo muito certo.


Um super grupo acompanha você nesse trabalho, alem de convidados muito especiais.
Os músicos são realmente um presente de Deus. Eu, o Fábio Leandro, o Vinícius Gomes e o Ricardo Berti, somos amigos de escola, estudamos juntos, começamos a fazer o som juntos e agora estamos aí. Cada um deles tem outros trabalhos na música e todos são super bem sucedidos, e é uma alegria dizer que começamos juntos. A primeira música que gravamos juntos foi O Cantador, para um CD demo, e o Vinícius escreveu o arranjo. No disco, além de tocar violão e guitarra, ele também entrou como arranjador.
Quando eu comecei com o projeto, eu sabia que não ia dar conta sozinha, e o Fábio Leandro topou fazer a direção musical e produção do trabalho. Então, além de tocar e fazer os arranjos, ele participou de todo e cada detalhe do processo.
O Rogério Botter Maio entrou pro quarteto um pouco depois. Eu o conheci quando ele foi tocar com uma colega nossa e fui pesquisar o trabalho dele na internet. Eu fiquei encantada com suas composições e o escrevi. Na época ele estava lançando um trabalho dele com canções e me convidou para participar do seu show. Depois de um tempo conversando, pedi para gravar algumas de suas música no meu primeiro disco. Numa conversa de bar, alguns dias depois, ele me disse que se eu precisasse de mais alguma coisa ele ficaria feliz em ajudar. Pronto, foi o suficiente. Pedi pra ele fazer os arranjos das músicas e tocar na gravação. Então não teve jeito, ele acabou participando do disco inteiro e hoje faz parte do quarteto. O disco teve participações tão especiais que ainda nem acredito.
Gravamos no estúdio do Itamar Collaço, que foi meu professor em tempos de ULM. Me deu uma super força para a gravação do disco e a participação dele em Balanço Zona Sul é um presentão!
Ainda quando eu era aluna de canto na ULM, eu conheci o Conrado Paulino e disse que quando eu gravasse meu disco queria gravar uma de suas composições, e ele me mostrou Eu Não Sabia, que na época não tinha letra e foi gravada pela Jane Duboc em seu disco. Mais tarde a música ganhou letra do Lysias Enio e eu ganhei a música, o arranjo e a participação do Conrado no disco. Outros amigos queridos que também me deram uma super força e tiveram participações muito importantes foram o Carlinhos Noronha, a Gabriela Machado e o Jota P. A Lea Freire, poxa, que difícil falar da Lea Freire. Tanto eu como os meninos somos fãs e a admiramos demais. Eu comecei a estudar flauta transversal e ela sempre me deu apoio. No final das gravações, encorajada pelo Fábio, eu, na cara de pau, pedi pra ela participar do disco. E ela aceitou !!
Eu estou muito feliz com todas essas participações.

"Eu canto pra aqueles que sonham e ainda acreditam nas coisas do coração", diz a letra da música "Coisas do Coração". Assim se define o sentimento na música de Keila Abeid?
"Coisas do Coração" foi a primeira música que o disco ganhou. Na verdade, o João Linhares, compositor da música, me deu antes mesmo da gente começar a pensar em gravar. E quando a ouvi pela primeira vez me apaixonei pela doçura da letra. Acho que não tem como fazer arte sem acreditar nas coisas do coração.
Cada música do disco tem uma história. Espinhos de Rosa, da Agna Maria, é da época da ULM. Estávamos no pátio, ela estava mostrando suas composições e quando ouvi perguntei se eu podia gravar no meu primeiro disco; levou oito anos, mas ela está aí. Quando  começou aquela moda do myspace, a gente procurava músicos de toda a parte do mundo, o que é muito legal. Foi quando o Henrik Mossberg visitou a minha página e nos conhecemos via internet, conheci o trabalho dele e ele me mostrou September Weekends, daí eu também quis que fizesse parte do disco.
Outro caso de internet é a parceira do Fábio Leandro com o Leonardo Bava. O Leonardo é de Salvador, viu o Fábio na TV tocando com o Filó Machado, o encontrou pela internet e mandou algumas letras, daí nasceu Canção de um Tempo Só.

Seu disco é muito recheado de Bossa Nova. Voce interpreta Balanço Zona Sul, uma composição do Tito Madi, ele que, inclusive, tem um parentesco com voce. Essa influência da bossa nova vem de berço?
Eu visitei o Rio de Janeiro poucas vezes, mas não tem como não se encantar com aquela maravilha toda, em cada lugar que a gente passa tem uma trilha sonora diferente. Uma das visitas ao Rio foi justamente para passar um tempo com o Tito, que é primo da minha avó em primeiro grau. Passei dias maravilhosos ouvindo-o contar histórias da minha avó que eu nem conhecia. Ele teve muito mais contato com meus avós e na verdade só fomos nos conhecer de verdade há uns seis anos, e ele me recebeu de braços abertos. Com certeza ele é uma influência muito grande pra mim.
O meu contato com a bossa nova foi mesmo na escola. Em casa, tocava-se muita música de igreja, não a que hoje é classificada como música gospel, mas os hinos tradicionais da igreja batista, música brasileira de todo tipo, mas não somente a bossa nova. Foi pelos estudos que fui  viajando pelo jazz, bossa e caí fundo na música brasileira.

Poucas cantoras aparecem investindo na bossa nova, no samba jazz e mesmo explorando o contexto instrumental nos temas. Você seguiu esse caminho. É difícil a divulgação e busca de palcos para este tipo de trabalho?
KA: Eu sempre ouvi música instrumental, sempre estudei com instrumentistas e me agrada muito explorar isso no canto. A gente pensa na música como um todo e a ideia não é fazer a música contribuir para que a voz apareça, e sim que a voz contribua para a música acontecer, assim como todos os instrumentos. Tudo caminha junto, e isso que é legal. Quanto a divulgação, não é a coisa mais fácil do mundo, mas existe espaço sim, vamos trabalhando e a gente chega lá.

Vozes que te inspiram.
Eu gosto de escutar quase tudo, gosto de canção assim como adoro música instrumental.
Adoro a Tânia Maria, Leny Andrade, Joyce, o extraordinário Filó Machado. Sou muito fã também do Wilson Simonal, Elis Regina, Milton Nascimento. Aprendi muito com a música do Ivan Lins e sou grande fã. Tem tantos, ficaria aqui escrevendo um tempão.

Obrigado Keila Abeid, e sucesso.

Voce encontra o álbum "Muito Prazer" no iTunes e na Livraria Cultura
keilaabeid.com/

DICIONÁRIO DE RITMO: O MUNDO RÍTMICO SOB A REGÊNCIA DA MATEMÁTICA

07 setembro, 2012
Dicionário de Rítmo
O mundo rítmico sob a regência da matemática, essa é a proposta do livro Dicionário de Ritmo, um projeto do músico, professor e escritor Jack Lima, estudioso da música e que trata o assunto com a devida importância, como uma linguagem, com sua semântica e considerando suas características cognitiva, emotiva e poética.

De acordo com o Glossário do Jazz (Mario Jorge Jacques), ao Ritmo atribui-se todo e qualquer movimento ou ruido que se repete no tempo, a intervalos regulares; na música, é o agrupamento de valores de tempo, métrica e andamento combinados de maneira que marquem com regularidade uma sucessão de sons fortes e fracos, de maior ou menor duração, conferindo a cada trecho características especiais.

Teorias à parte, o Dicionário de Ritmo é uma obra completa e uma iniciativa inovadora em que Jack Lima, o autor, apresenta uma infinidade de possibilidades rítmicas, documentadas, exemplificadas e agrupadas nas 248 páginas do livro.
O que é interessante é que o autor criou sua própria linguagem para abordar o tema, a Limatura, que ele explica no livro fazendo uma analogia com a partitura, apresentando uma abordagem completa sobre compassos, acentos, poliritmia, tempos, quiálteras, levadas e muito mais.
Jack Lima estreita a relação entre a música e a matemática para entender a estrutura musical. É fato que  desde a antiguidade que estas ciências se manifestam em campos distintos, mas existe uma intensa sintonia entre esses mundos. Muitos povos manifestaram-se musicalmente de diversas maneiras até que Pitágoras, com a criação do monocórdio, fez-se estabelecer de fato essa relação.

O violonista Paulo Bellinati não poupa elogios a esta obra de Jack Lima -
"Nunca a música e a matemática foram apresentadas como artes tão próximas. O Dicionário de Ritmo impressiona pela profundidade minuciosa como as figuras musicais são organizadas e divididas, subdivididas, multiplicadas, indo aonde nenhum método de teoria musical jamais chegou. Sem duvida alguma, uma contribuição valiosa para a literatura musical mundial."

Jack Lima nos conta um pouco sobre esta enciclopédia musical -

Com toda a riqueza de ritmos que existe no universo, como Jack Lima interpreta a palavra ritmo?
Ritmo é a organização do tempo - sob a regência da matemática. Sem ritmo tudo fica em total desordem. O ritmo está em tudo, no andar, falar, dirigir, comer, dançar. Usamos o ritmo desde que nascemos. O relógio é um ótimo exemplo, temos que andar "no ritmo", "no tempo".Cada segundo equivale a "um tempo", na velocidade 60, ou seja, 60 bpm (batidas por minuto).
Na música, dentro do mundo rítmico, são as fórmulas de compassos que ditam as regras, informando-nos quantas figuras (possibilidades) podem ser usadas em cada tempo encontrado dentro de um compasso - o quaternário-2 (rock) possui 128 possibilidades, o quaternário-3 (blues) 2048, o quaternário-4 (funk) 32.768. O resultado das possibilidades sai com total precisão devido a uma progressão matemática criada para essa finalidade, progressão jackmétrica, PJ.

Entendo ritmo como a alma dos sons, e junto com a melodia fornece o movimento que imprime uma identidade musical e até mesmo sonora. Essa é a ideia?
Sim. O ritmo é o recipiente e a melodia (intervalos) o ingrediente, portanto, são intrínsecos à linguagem musical.

Acredito que ritmo é um fenômeno existente desde que a humanidade existe. Independe de época, local e raça. É correto afirmar isso?
Corretíssimo. O ritmo é o principal elemento do idioma matriz (idioma musical). Todo e qualquer idioma possui um código (letras, símbolos, palavras, expressões), mas o ritmo (velocidade da fala) e o som inerentes à linguagem musical estão implícitos.

É estreita a relação entre música e matemática. Essa fusão tornou-se mais explícita por Pitágoras na descoberta do monocórdio, na distinção das frequências e criação dos intervalos?
Na teoria tradicional, sim. O ritmo, sob a visão do meu sistema, é regido pela matemática, já os intervalos pelas regras e exceções, desenvolvidas, por mim, para a minha metodologia e usadas no software que acompanha o Dicionário de Ritmo.
Exemplos -
Quinta justa (5):
    Regra - achar o quinto nome;
    Exceção (Si bemol e Si) - achar o quinto nome e acrescentar meio tom;
Sexta menor (b6):
    Regra - achar o sexto nome e tirar meio tom;
    Exceção (Mi bemol, mi natural, la bemol, la natural, la sustenido, Si bemol e Si) - achar o sexto nome.
O Dicionário de Ritmo traz, pela primeira vez na história da música, o mundo rítmico sob a regência da matemática.

Como surgiu a ideia de publicar um livro específico sobre o assunto?
Primeiro, porque sou um apaixonado pelo mundo rítmico desde minha tenra idade; segundo, porque não existe, no mercado musical e linguístico, algo que trate do mundo rítmico sob a regência da matemática.
O ensino tradicional do ritmo é caracterizado pelo empirismo e subjetivismo, sem precisão, com uma abordagem vaga e superficial deixando muito a desejar.
O ilogismo na escrita do ritmo é muito evidente nas partituras, onde escreve-se uma coisa e lê-se outra - compasso composto escrito como simples etc. Há uma demasiada preocupação com as notas do instrumento, isso prejudica a lógica do estudo da linguagem musical, pois daí o músico deixa o estudo rítmico de lado, se preocupando mais com notas, acordes e escalas, sem saber que quem faz a coisa funcionar de fato são as fórmulas de compassos, os grooves (motivos). As notas musicais são apenas 12 (uma região), dentro da escala geral, com 8 regiões e mais uma nota, chega-se ao total de 97 notas (alturas); já no aspecto rítmico são mais de quintilhões de possibilidades segundo a fórmula de compasso, além de muito mais possibilidades através dos recursos disponíveis tais como tempo dobrado, quiálteras etc.

O livro aborda um instrumento específico?
O corpo. O nosso corpo é o primeiro instrumento a ser dominado, depois disso qualquer outro estará liberado.

Qual o público alvo?
Aqueles que almejam entender, em definitivo, o mundo rítmico e o idioma musical sem limites.

Como adquirir o livro?
O livro vem acompanhado de um software contendo tudo sobre notas (limatura e partitura), acordes, escalas, campo harmônico (tonal, modal e atonal), percepção etc.
Pode ser adquirido pelo site www.smdjacklima.com.br  ou pela  Free Note www.freenote.com.br.

Mais sobre o Dicionário de Ritmo, acesse os canais de divulgação -
     site :  http://www.smdjacklima.com.br
     facebook :  http://www.facebook.com/dicionarioderitmo
     youtube :  http://www.youtube.com/DicionariodeRitmo
     twitter :  http://twitter.com/dicionarioritmo

Obrigado Jack Lima, e sucesso.

ELAS TAMBÉM TOCAM JAZZ

03 setembro, 2012
Coluna do Luiz Orlando Carneiro
JB, 11 de agosto

Em 1958, a revista Esquire publicou na capa a histórica fotografia de Art Kane com 57 grandes músicos de jazz reunidos na calçada fronteira e na escadinha de dez degraus de uma casa (brownstone) típica do Harlem. Na foto, intitulada A Great Day in Harlem, apareciam celebridades como Count Basie, Coleman Hawkins, Lester Young, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins, Thelonious Monk e Charles Mingus. Havia apenas duas representantes do sexo feminino: as pianistas Mary Lou Williams e Marian McPartland.
Mais de 50 anos depois, a produtora-diretora Judy Chaikin está concluindo um documentário, The girls in the band, iniciado a partir de uma foto similar, com a mesma disposição, feita no mesmo lugar. Só que com nada menos de 72 instrumentistas de salto alto e batom, todas elas jazzwomen de expressão, que hoje competem com os jazzmen em igualdade de condições técnicas e criativas.

A revista Jazz Times aproveitou o gancho para dedicar sua edição de setembro (já enviada aos assinantes virtuais) às mulheres que também tocam jazz, e não apenas às que ficaram famosas como cantoras (geralmente fazendo jazz para quem não gosta muito de jazz) ou pianistas. Não por acaso, o editor Evan Haga ilustrou a capa da edição especial com o sorriso da clarinetista-saxofonista Anat Cohen, tão irresistível como a sua música. E destacou nas chamadas, além das jazz singers Cassandra Wilson, Carmen Lundy e Cheryl Bentyne, a violinista Jenny Scheinman, a guitarrista Mary Halvorson e a flautista Nicole Mitchell.

No recente referendo anual dos críticos de jazz promovido pela revista Downbeat (60th annual pool, edição de agosto), as instrumentistas acima citadas conquistaram posições invejáveis. Cohen ganhou, por larga margem, a competição entre os clarinetistas (à frente de Don Byron, Paquito D’Rivera e Ken Peplowski), e também a eleição referente à estrela em ascensão (rising star) entre os saxofonistas tenores (derrotando Mark Turner, Jon Irabagon e Marcus Strickland).
Mitchell foi a primeira na divisão dos flautistas, superando Charles Lloyd e Frank Wess. Halvorson foi a quarta mais votada no grupo dos guitarristas (logo atrás de Bill Frisell, Nels Cline e John Scofield). Scheinman chegou também em honroso quarto lugar no páreo dos violinistas, cuja vencedora foi, mais uma vez, a aclamada Regina Carter (Mark Feldman e Jean-Luc Ponty ocuparam as segunda e terceira posições, respectivamente).
Registre-se ainda que na mesma lista da DB dos melhores músicos de jazz em atividade, Maria Schneider continuou a reinar em três categorias: líder de orquestra, arranjador e compositor; Esperanza Spalding foi a terceira mais votada na bancada dos baixistas, atrás dos grandes Charlie Haden e Christian McBride; Jane Ira Bloom (sax soprano) só perdeu para Branford Marsalis; Claire Daly (sax barítono) chegou em quinto lugar numa especialidade até bem recentemente considerada inadequada para mulheres.

Em 1989, a editora Jorge Zahar publicou o meu livrinho Elas Também Tocam Jazz, de 160 páginas, com perfis de 25 instrumentistas, das quais 12 eram pianistas. Havia no índice apenas uma trombonista (Melba Liston), uma trompetista (a obscura Barbara Donald) e duas saxofonistas (a também esquecida Vi Redd e Jane Ira Bloom).
Se o livro fosse atualizado agora, 23 anos depois, teria de ter certamente o dobro de páginas. Só para dar um exemplo, deveriam ser incluídas na reedição revista e aumentada, pelo menos, mais nove renomadas saxofonistas além das já citadas, e que seriam as seguintes: Tia Fuller, Grace Kelly, Christine Jensen (irmã da trompetista Ingrid), Virginia Mayhew, Sharel Cassity, a austríacaa Karolina Strassmayer, a holandesa Tineke Postma, a francesa Géraldine Laurent e a italiana Ada Rovatti.

BLUES PARA OS NOBRES

01 setembro, 2012
divulgação

A edição 2012 do Festival Blues para o Nobres promete agitar os finais de semanas de setembro e outubro no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca, Rio de Janeiro.

São dez atrações programadas que se apresentarão nas noites de sexta e domingo.

A proposta do projeto consiste em resgatar e ampliar o espaço dedicado ao gênero Blues no cenário musical atual, além da valorização e promoção de artistas, bandas e músicos locais dedicados ao gênero.

Setembro -
     9, domingo : Alma Thomas
     14, sexta-feira : Rosane Correa
     16, domingo :  Guto Goffi Instrumental
     21, sexta-feira : Zanata Blues Trio
     23, domingo : Big Phata Mama
     28, sexta-feira : Bandana Blues
     30, domingo : Sergio Rocha

Outubro -
     5, sexta-feira : Duca Belintani
     12, sexta-feira : Blues & Beer
     19, sexta-feira : Duo a Doodle

O Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola é um auditório de 159 lugares, batizado com o nome de Sala Maestro Paulo Moura. A casa é um palacete construído em 1921, um belo conjunto arquitetônico que é patrimônio tombado da nossa cidade.

O Centro de Referência da Música Carioca fica na Rua Conde de Bonfim 824, Tijuca, Rio de Janeiro.