100.000 VISITANTES

26 dezembro, 2013

100.000 visitantes passaram por aqui !
Esse número é estatística do Google, que hospeda este espaço no Blogger.

São 2 anos no ar e realmente chega a ser uma ousadia criar um espaço para falar de Jazz, Blues e outras vertentes pouco comuns em um mundo de mídia com tanta massificação da música comercial e da arte pouco criativa.

Continuamos na estrada e só tenho a agradecer a todos os músicos que acreditaram no espaço para divulgação de seus trabalhos e compartilharam suas experiências em nossas entrevistas.

Um grande abraço a todos voces, visitantes e amigos, que fazem esse espaço mais que especial !

É BATE E REBATE: DUO TAUFIC

18 dezembro, 2013
Piano e violão já protagonizaram grandes momentos na nossa música instrumental.
A fórmula é bem conhecida - Cesar Camargo Mariano e Helio Delmiro colocaram o disco "Samambaia" (1981) como um dos mais extraordinários já gravados nesse formato; Sebastião Tapajós e Gilson Peranzzetta também registraram a beleza dessas formas no disco "Afinidades" (1993); e o mesmo Cesar Carmargo convidou Romero Lubambo para registrarem o belíssimo disco "Duo" (2003).

Instrumentos de características, formato e timbres tão distintos, mas que se complementam com uma beleza estonteante, e cuja dimensão dos sons é dada pela dinâmica e intensidade que o músico coloca.

Roberto Taufic e Eduardo Taufic

Os irmãos Roberto Taufic e Eduardo Taufic formam o DUO, violão e piano respectivamente, e apresentam o novo disco, Bate Rebate, totalmente autoral, resultado de anos vivenciando a música, sempre em um diálogo criativo e harmonioso.

A direção musical deste trabalho é do fantástico Andre Mehmari, que também participa do disco tocando sanfona no tema "Sobre as nuvens"; e que traz também como convidada a cantora Luciana Alves em "É assim".
Sem dúvida, é muito evidente as influências de ambos nas 18 composições do disco, em que Eduardo assina 6 e Roberto 12, e isso só enriquece a audição. Um trabalho quase que intimista, mas que passeia por sonoridades muito familiares, e não tem como destacar o toque 'gismonti' no piano de Eduardo em "Nosso chão"; e as belas baladas "Quando vem do coração", "Ficou o amor", "Lembranças" e "De tanto amar".
Nesse diálogo incessante, as vozes desses instrumentos se complementam e respondem em harmonia e melodia, um bate e rebate, como em "Deu gato na cabeça" e "Children´s dance"; nas linhas de baixo do violão de Roberto em "Assenza" e "Êta danado" e em momentos de liberdade criativa como em "Bicho solto".


"Pra mim, a música é assim, sem ser, sem par, sem fim", são as palavras de Roberto Taufic no encarte do disco, e que resume a beleza deste trabalho.

Eduardo Taufic nasceu em Natal e iniciou na música aos 11 anos. Já realizou trabalhos na nossa música instrumental ao lado de, entre outros, Arthur Maia, Ricardo Silveira, Guinga e Pascoal Meirelles, e também compõem trilhas sonoras. Foi eleito em 2012 como Instrumentista do Ano no Prêmio Hangar de Música.
Roberto Taufic nasceu em Honduras e veio para o Brasil aos 5 anos de idade, e aos 15 elegeu o violão como profissão, e tão logo já estava nos palcos acompanhando artistas como Dulce Quental e Wilson Simonal. Nos anos 90 partiu para a Itália, onde estudou improvisação jazzística.

www.duotaufic.com/



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MORRE O GUITARRISTA JIM HALL

10 dezembro, 2013
Jim Hall
A guitarra no Jazz perde um dos seus grandes mestres. Jim Hall morre aos 83 anos, vítima de ataque cardíaco em sua residência no Greenwich Village, NY.

Um guitarrista de toque elegante, de uma digitação limpa, fiel ao Jazz e que influenciou uma infinidade de outros guitarristas, entre eles Pat Metheny, com quem gravou um excelente album em duo.
Em sua ampla discografia, há registros marcantes e obrigatórios como The Bridge (1962), em um super quarteto ao lado de Sonny Rollins; os albuns em duo com o pianista Bill Evans, Undercurrent (1963) e Intermodulation (1966); o quinteto com Chet Baker e Paul Desmond em Concierto (1975); além de seus albuns como líder, como os excelentes Live (1975), Circles (1981) e All Across the City (1989). Lógico que há tantos outros, mas esses são, particularmente, os mais expressivos.

James Stanley Hall nasceu em Buffalo, New York, em 1930, e começou a estudar guitarra aos 10 anos, cujo instrumento ganhou de sua mãe. Mudou-se para Cleveland, Ohio, onde, no meio dos anos 50, ingressou no Institute of Music para estudar teoria musical, além de piano e contrabaixo. Não demorou para partir para Los Angeles e tornar-se o guitarrista do quinteto de baterista Chico Hamilton. Nessa época, predominava o Cool Jazz.
Outro momento de grande importância na carreira de Jim Hal foi como sideman do saxofonista Jimmy Giuffre, com quem também registrou boa discografia; e ao lado do trompetista Art Farmer.

Em 1997, Jim Hall recebeu o título de melhor compositor e arranjador de Jazz, pelo New York Jazz Critics; e em 2004 foi eleito Jazz Master pela National Endowment for the Art, honra concedida para músicos de Jazz na America.

Sempre adepto das guitarras archtop, de corpo largo, Jim Hall usou modelo 175 da Gibson, D'Aquisto e mais tarde ganhou um instrumento assinado para ele pelo luthier Roger Sadowski.
Um músico extraordinário, compositor de mão cheia, uma escola de guitarra jazzística, e mesmo nos seus 80 anos ainda estava tocando muito e bastaste ativo. Em 2008 lançou o projeto Hemisphere, um album duplo dividido em duo com Bill Frisell e em trio com Scott Colley e Joey Baron; em 2010 gravou em duo com Kenny Barron o album Conversations; e recentemente lançou Live at Birdland, registro de uma sessão gravada em dezembro de 2010 ao lado de Greg Osby, Steve LaSpina e Joey Baron.

Jim Hall : 1930-2013

IGOR PRADO BAND FECHA O ANO EM GRANDE ESTILO

07 dezembro, 2013
A banda do guitarrista e produtor Igor Prado encerra o ano em grande estilo, não por menos, afinal ele é o nosso maior expoente do Blues na América Latina.
Somente em 2013 foram mais de 150 shows, alguns deles ao lado de grandes artistas como Rod & Honey Piazza, Sugaray Rayford, Wallace Coleman, entre outros; e mais de 50 shows internacionais em paises como Noruega, Itália, Espanha, Alemanha, Dinamarca e Chile.
Agora em Dezembro, uma super Tour nos EUA.
Para os shows em território americano, o grupo contará com o apoio de um dos maiores pianistas de Blues da atualidade - Mr. Fred Kaplan, lendário pianista da Hollywood Fats Band, com mais de 40 anos de carreira e que já acompanhou monstros como T-Bone Walker, Big Joe Turner, Lowell Fulsom e John Lee Hooker.
Mais sobre Fred Kaplan em  www.fredkaplanmusic.com/

Além de Kaplan, o grupo contará no também com as participações de Lynwood Slim, Rod & Honey Piazza e Debbie Davis, guitarrista de Albert Collins.

O produtor brasileiro Chico Blues também acompanhará a Tour e promete fechar uma interessante parceria com um dos maiores selos da atualidade nos EUA. Aguardem novidades para 2014 !
Boa viagem e Sucesso !

Confira a agenda -
12/dez : Lucy´s 51, North Hollywood-CA; com Fred Kaplan & Lynwood Slim;
13/dez : Chaparral Live Room, San Dimas-CA; com Lynwood Slim;
14/dez : The Tiki Bar, Long Beach-CA; com Fred Kaplan, Lynwood Slim & Horn Section (Ron Dziubla & Troy Jennings);
15/dez : Piazza's Blues Festival, Riverside-CA; com Lynwood Slim, Rod & Honey Piazza;
16/dez : Maui Sugar Mill, Tarzana-CA; com Fred Kaplan, Lynwood Slim & Debbie Davis.

E tem album novo de Igor Prado chegando - Lowdown Boogie (iTunes, CD Baby), um album instrumental realizado ao lado do organista Ari Borger e que conta com as participações de Junior Watson, Sax Gordon e Denilson Martins.

Assista o tema Joogie Boogie -



Mais sobre Igor Prado em  www.igorpradoband.com/

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Igor Prado Band Donny Nichilo

O PIANISTA DONALD VEGA

05 dezembro, 2013
O pianista Donald Vega tem berço musical. Começou tocando piano aos 3 anos de idade e teve no avô e tio seus primeiros mestres, ambos músicos em sua terra natal, Nicaragua.
Emigrou para os EUA aos 14 anos e quando chegou somente conhecia duas palavras - Bud Powell. Teve como mentor o baterista Billy Higgins no The World Stage, uma escola e galeria de arte em Los Angeles fundada por Billy em 1989, e que tem como missão preservar a música e a literatura afroamericana.
E Vega não parou por aí, partiu para a University of Southern California para juntar-se ao contrabaixista John Clayton e mais tarder graduou-se no coração da 'big apple', nas tradicionais Manhattan School of Music e Juilliard School, onde estudou com Kenny Barron. Foi eleito pianista do ano pela Downbeat em 2008 e vencedor da Great American Jazz Piano Competition em 2010.

Em Spiritual Nature (2012, Resonance Rec), seu segundo album, traz um seção rítmica da pesada formada por Christian McBride contrabaixo, Anthony Wilson guitarra, Lewis Nash bateria e as participações especiais de Christian Howes no violino, Bob Sheppard sax, Gilbert Castellanos trompete e Bob McChesney trombone.
Para Vega, o título do album é a direção para o caminho da magia e mistério da natureza e espírito.

O album abre com "Scorpion", no melhor estilo hardbop com o naipe de metais puxando pressão; Vega aparece contagiante em "Accompong"(Monty Alexander) e "First Light"(Ron Carter), em que também destaca-se a guitarra de Anthony Wilson, magistral músico; no melhor estilo piano-trio, Vega também não economiza nos temas "You Never Tell Me Anything" e "Future Child"; as baladas estão presentes em "Future Child", que ganhou o violino de Howes, e na belíssima "I Remember Clifford"(Benny Golson); a textura bossa-nova aparece do tema título e Vega faz uma homenagem ao nosso Tom Jobim em "Falando De Amor", interpretada em piano solo.

Donald Vega hoje é integrante do Golden Striker Trio, liderado pelo contrabaixista Ron Carter, em substituição ao pianista Mulgrew Miller, que faleceu em março de 2013. E para o veterano Carter, Vega é uma das próximas vozes de expressão no piano.

Mais sobre Donald Vega em  www.donaldvega.com/

Som na caixa !

GOLDINGS BERNSTEIN STEWART

25 novembro, 2013
O desafio é encontrar o equilíbrio em formas desconexas, assimétricas. Mesmo que exista uma linha de contorno direcionando os movimentos, qualquer deslize pode comprometer a meta. A dispersão deve ser mínima. É nessas horas que torna-se necessário conhecer os detalhes, reconhecer o improvável e estar preparado para o ataque certo, na hora certa, sem hesitação.

O organ trio formado por Larry Goldings, Peter Bernstein e Bill Stewart tem os elementos para essa aventura. Com outros trabalhos em paralelo como líderes ou sidemen, o grupo já grava junto há mais de duas décadas, com uma ampla discografia, e a sintonia que esses caras tem juntos é algo impressionante, vai além da Música.

Larry Goldings, Peter Bernstein, Bill Stewart

A inspiração de Larry Goldings é o organista Jimmy Smith. Como sideman já atuou ao lado de Maceo Parker, Michael Brecker, John Scofield, Harry Allen, e só gente grande. Teve seu nome indicado para o Grammy em 2007 pelo album Saudade (ECM), também um organ trio ao lado de John Scofield e Jack DeJohnette. Seu mais recente album é um trabalho em piano solo intitulado In My Room (BFM Jazz), com temas autorais e interpretações de Beatles, Brian Wilson e Joni Mitchell.
Peter Bernstein é onipresente no cenário novaiorquino, gravou um DVD no Smoke, fantástico clube de jazz local, onde sempre se apresenta nas terças-feiras de groove com o grupo do organista Milke LeDonne. Teve como mentor o guitarrista Jim Hall, uma das suas grandes influências. Atuou por muito tempo ao lado do organista Melvin Rhyne, tem um boa discografia e já contribuiu com sua guitarra no som de Joshua Redman e Brad Mehldau.
Bill Stewart ganhou muita expressão no grupo do John Scofield, o qual integrou entre os anos de 1990 e 1996. É também um músico muito atuante, tem suas baquetas em registros de Maceo Parker, Pat Metheny e Bill Carrothers, e afirma como suas grandes influências os bateristas Bernad Purdie e Idris Muhammad.

Larry Goldings, Peter Bernstein, Bill Stewart O último trabalho oficial lançado do organ trio foi gravado no Smalls, em NY, em uma sessão incendiária, registro de três noites em janeiro de 2011.

O LOBO WARREN

18 novembro, 2013
Com timbre muito particular, da família dos instrumentos de percussão, o vibrafone tem em suas teclas um tubo metálico oco afinado e um disco de diâmetro menor no topo deste tubo. Esses discos estão ligados a um eixo girado por um motor elétrico que, uma vez acionado ao toque de uma tecla, as notas soam em um efeito de vibrato, causado pela abertura e fechamento rápido dos tubos. O músico pode variar a velocidade de rotação, controlando esse efeito. Com o motor desligado, os tubos ficam abertos e o vibrafone apresenta um som semelhante ao de um sino. A extensão usual de um vibrafone compreende 3 oitavas.
Criado no início do século passado para compor a percussão das orquestras dos teatros populares, o vibrafone rapidamente se inseriu no Jazz e se popularizou nas mãos de Lionel Hampton, em plena era do swing, inserindo no estilo a primeira geração do instrumento. Mais tarde, outro gigante protagonizou com maestria o instrumento, Milt Jackson, a frente do Modern Jazz Quartet, dando ao bebop um colorido especial. O legado do instrumento foi levado adiante e ganhou importância na música contemporânea e no Jazz pelas baquetas de Bobby Hutcherson, Gary Burton, Roy Ayers, Joe Locke, Steve Nelson, Stefon Harris, entre outros.

Warren Wolf

Aqui em foco, um dos representantes desta nova geração no instrumento - Warren Wolf .
Desde os 3 anos de idade tem intimidade com o vibrafone e a marimba, a bateria e o piano. A influência veio pelo pai, percussionista amador, e mergulhou fundo em vários estilos de música - Clássico, Ragtime e o Jazz.
Estudou música clássica por oito anos na Baltimore School for the Arts, e partiu para a graduação em Berkelee, Boston, onde estudou com o vibrafonista Dave Samuels, e lá começou a explorar a fundo o Jazz. Milt Jackson e Bobby Hutcherson eram suas referências no vibrafone, mas foi Charlie Parker sua grande influência, assim como Miles, Hancock e Corea, que fortemente definiram sua direção.
Voltou aos palcos e atuou como sideman nos grupos de Bobby Watson, Christian McBride, Wynton Marsalis, Cyrus Chestnut e Ron Carter.
Warren Wolf foi apelidado pelo pai como Chano, em homenagem a Chano Pozo, que liderava as congas no grupo de Dizzy Gillespie.

Após gravar dois album com lançamento exclusivo no mercado japones - "Incredible Jazz Vibes" e "Black Wolf", Warren assina com a gravadora Mack Avenue em 2011 e lança o album "Warren Wolf", que teve a seção rítmica formada por Christian McBride, também produtor do album, Peter Martin, Gregory Hutchinson e os sopros de Jeremy Pelt e Tim Green.
McBride não economiza elogios a Warren, afirmando ser um músico extremamente talentoso e criativo e um dos mais extraordinários surgidos na última década.

O album Wolfgang (2013, Mack Avenue), traz novamente McBride na produção, também dividindo o contrabaixo com Kris Funn; no piano Benny Green, Aaron Goldberberg e Aaron Diehl; na bateria Lewis Nash e Billy Willians Jr; e o vocal de Darryl Tookes no tema "Setembro", dos nossos ilustres Ivan Lins e Gilson Peranzzetta. Além de composições próprias, Wolf assina 6 das 9 composições, traz "Frankie e Johnny" (Hughie Connon), que Warren lembra a primeira que ouviu o tema intepretado por Milt Jackson, Ray Brown e Stanley Turrentine, e aqui, para ele, é um tributo que McBride presta a Ray Brown; e "Le Carnaval de Venise" (Jean-Baptiste Arban), uma valsa em duo com Diehl.
O líder aparece contagiante em "Grand Central", cujo título foi inspirado por um expectador em uma apresentação no Dizzy´s Club que, ao ouvir o tema, afirmou sentir-se em plena estação novaiorquina na hora do rush.
Outro duo com Diehl na belíssima "Wolfgang"; e um destaque para as teclas de Benny Green em "Things Were Done Yesterday".

Warren WolfUm passeio pelo Blues e pelo Clássico, e o líder afirma - "Quis mostrar a beleza do instrumento. Em um quinteto, voce fica limitado; já em quarteto voce pode me ouvir mais. Muitas vezes o vibrafone é tocado suportado pelo outros instrumentos, aqui mostro que eu mesmo posso segurar a onda."

DOWNBEAT READERS POLL 2013

10 novembro, 2013

Divulgada a lista do DownBeat Readers Poll, em sua edição número 78.
E o destaque, sem dúvida, é, finalmente, a inclusão do guitarrista Pat Metheny no "Downbeat Hall of Fame", além de ter sido eleito, mais uma vez, o guitarrista do ano.
A eleição para o DownBeat Hall of Fame teve início em 1952, é anual e é resultado das votações dos críticos e leitores da revista. Confira a lista completa aqui.

Uma alegria imensa para todos os "methenymaníacos" ver o nome de Metheny no "Hall of Fame". Um título merecido, afinal já foi premiado com 20 prêmios Grammy, tem uma extensa e excepcional discografia como líder e foi eleito por 7 anos seguidos como o guitarrista do ano pela Readers Poll.

Downbeat já teve Metheny ilustrando sua capa nos anos de 1979, 1986 e 1992; e lá esta ele mais uma vez nesta edição de dezembro, que traz uma super entrevista em que fala sobre sua carreira, projetos, albuns e todos os grandes músicos com quem tocou e gravou.
Vale conferir !


Outro grande vencedor desta edição da DownBeat Readers Poll é o saxofonista Wayne Shorter que, comemorando seus 80 anos de vida, levou 5 premiações nas categorias de artista, album, grupo, compositor e sax soprano.

Foram quase 25 mil eleitores nesta votação, a maior até hoje.
A lista completa está na edição de dezembro (edição digital aqui).

Confira os premiados -

Hall of Fame: Pat Metheny
Jazz Artist: Wayne Shorter
Jazz Album: Wayne Shorter Quartet, Without A Net (Blue Note)
Historical Album: Miles Davis Quintet, Live In Europe 1969: The Bootleg Series Vol. 2 (Columbia/Legacy)
Jazz Group: Wayne Shorter Quartet
Big Band: Jazz at Lincoln Center Orchestra
Trumpet: Wynton Marsalis
Trombone: Trombone Shorty
Soprano Saxophone: Wayne Shorter
Alto Saxophone: Kenny Garrett
Tenor Saxophone: Sonny Rollins
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Hubert Laws
Piano: Keith Jarrett
Keyboard: Herbie Hancock
Organ: Joey DeFrancesco
Guitar: Pat Metheny
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Stanley Clarke
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Vibes: Gary Burton
Percussion: Poncho Sanchez
Miscellaneous Instrument: Béla Fleck (banjo)
Female Vocalist: Diana Krall
Male Vocalist: Kurt Elling
Composer: Wayne Shorter
Arranger: Maria Schneider
Record Label: Blue Note
Blues Artist or Group: B.B. King
Blues Album: Dr. John, Locked Down (Nonesuch)
Beyond Artist or Group: Robert Glasper Experiment
Beyond Album: Donald Fagen, Sunken Condos (Reprise)

AVALANCHE CRIATIVA

06 novembro, 2013

A proposta de colocar elementos da música brasileira junto à criatividade do Jazz e a energia do Rock é desafiadora, mas é real e está registrada no trabalho da pianista Marilia Giller.
Avalanche: Jazz Friction é o nome do album que retrata esse universo. Como afirma o musicólogo Acácio Piedade no encarte do album, a idéia dessa fusão, denominada como "jazzfriction", implica um hibridismo, que não se mistura e provoca uma fricção musical.

Uma avalanche musical, criativa e recheada de idéias originais distribuídas nas 12 composições do album.


Na seção rítimica, Marilia apresenta seus filhos Allan Giller Branco no baixo e Ian Giller Branco na bateria, e como ela mesmo afirma de forma divertida - "Criei minha própria cozinha". E os garotos não deixam espaço vazio, e tiveram a companhia das guitarras de Scott Henderson, Mario Conde, Ruan de Castro, Sergio Sofiatti, Gustavo Arthury e Emerson Antoniacomi.

Admiradora confessa da combinação do jazz e do rock, muito influenciada por Joe Zawinul e o grupo Weather Report, Marilia não economiza no uso dos teclados e sintetizadores em suas composições, alternando com o piano acústico. Uma sonoridade que mergulha no melhor universo do Jazz-Rock e que nos permite uma viagem pela escola do estilo.
Na abertura do album, o tema "Teoria da Situação" mostra viva a energia fusion transformada em uma roupagem de frevo com Scott Henderson protagonizando a guitarra em diálogo com os teclados de Marilia. Scott ainda coloca sua assinatura em "Horizonte Interno", com destaque para o baixo de Allan; e no tema título, que abre nas baquetas de Ian e com Scott largando a mão em um improviso contagiante. Pura "Avalanche", cujo tema foi introduzido pela curta e introspectiva viagem solo de Marilia em "Le Rayon Vert".
Allan também toma a frente no tema "Superagui", composição sua e de seu irmão Ian, em que desenvolve a linha de baixo e o improviso, e ganha reforço do drive da guitarra de Ruan de Castro. Allan também se destaca nos temas "July in Ritiba", novamente com um belo improviso e com um walking dando uma roupagem tradicional, e no tema "Eu Kiss", com o guitarrista Sergio Sofiatti e seu toque abafado e desenhado por oitavas, no melhor estilo.
O balanço brasileiro está presente em "Mandinga", ilustrado pela percussão de Marco Lobo, pela sonoridade acústica da guitarra de Mario Conde e, aqui, Marilia no piano acústico.
"Tempo" se apresenta com arranjo do mestre Nelson Ayres, e Marilia desenha a melodia nos teclados e piano e desenvolve o tema em duo com Allan. E o piano de Marilia também protagoniza o tema "Ritual Hermético", numa fusão cheia de balanço e novamente a guitarra de Mario Conde, com um belo improviso, e a percussão de Marco Lobo. "Instantaneous Minds" registra em memória o produtor e guitarrista Emerson Antoniacomi, que faleceu no período da gravação do album, vítima de um AVC.
O tema "Nascente" fecha o album com a guitarra de Gustavo Arthury.


É o jazz-rock brasileiro se mostrando muito vivo. Um disco com um belo encarte e texto do jornalista musical Roberto Muggiatti. Discão.

Marilia Giller é paranaense, residiu em Montreux nos anos 90 onde estudou Piano Jazz e, além da formação em Música, também é artista plástica. Como pesquisadora, realizou sua dissertação de Mestrado sobre história do Jazz no Paraná entre as décadas de 1920 e 1940.


O PRISMA, POR DAVE HOLLAND

30 outubro, 2013

Qualquer semelhança, é mera coincidência.

Elemento de múltiplas formas geométricas, um prisma é todo poliedro formado por uma face superior e uma face inferior paralelas e congruentes, chamadas de bases, ligadas por arestas, e suas laterais são quadriláteros ou paralelogramos. Sua nomenclatura é dada de acordo com a forma das bases.

Sobre o efeito visual em um prisma, quando a luz branca incide sobre sua superfície, sua velocidade é alterada separando-se dentro do espectro, e para cada feixe de luz branca há um índice de refração diferente promovendo também diferentes ângulos de refração ao chegar na outra extremidade.
Parece complicado ?


Bom, matemática e geometria de lado, o que vale aqui são as múltiplas cores e formas sonoras do novo trabalho liderado pelo contrabaixista Dave HollandPrism, que traz a guitarra de Kevin Eubanks, as teclas de Craig Taborn e a bateria de Eric Harland.
Esse time já integrou formações ao lado do líder em outros projetos - Eubanks aparece no album Extensions (1989) e no World Trio (1995) em formato acústico, que também tinha a presença do percussionista Mino Cinelu; Harland está presente no album Pass it On (2008); e Taborn está ao lado de Holland no album The Real Quietstorm (1995) liderado pelo sax de James Carter.

Prism traz fortemente uma textura Jazz-Rock, suportada pelo drive da guitarra do extraordinário guitarrista Kevin Eubanks, e ainda o rhodes de Taborn e a energia das baquetas de Harland. Todos assinam composições no album. Eubanks contribuiu com três temas - The Watcher, The Color of Iris e Evolution; os demais assinam dois temas cada um - Holland com The Empty Chair e A New Day; Taborn com Spirals e The True Meaning of Determination; e Harland com Choir e Breathe.

"The Watcher" abre o album em uma onda bem eletrizante, com Taborn pilotando um rhodes bem rasgado e Eubanks largando a mão. "Empty Chair" traz um Blues composto por Holland para sua esposa, Clare, e um belo improviso do líder, que assina também "A New Day", outra composição com textura bem contemporânea em que Taborn senta ao piano acústico, e muito espaço para Eubanks e mais um belo improviso de Holland. Um pouco de mainstream em "Choir", cuja melodia é desenhada com um efeito meio "Leslie" na guitarra de Eubanks, e o tema se desenvolve com um contagiante walking de Holland para deleite do piano de Taborn. "Evolution" carrega um ar setentão, Taborn novamente ao rhodes, Eubanks sempre endiabrado e Harland desenhando formas intensas.
A belíssima balada "Breathe" fecha o album.

MORRE LOU REED AOS 71 ANOS

27 outubro, 2013
Lou Reed
Lou Reed morreu aos 71 anos em sua casa em Long Island.
A causa da morte foi uma doença hepática. Lou Reed havia feito uma cirurgia de transplante de fígado e estava em tratamento intensivo.

Um ícone do mundo do Rock.
Sua música fez, e ainda faz, parte da vida de muita gente.
Desde o Velvet Underground, seu primeiro grupo no final dos 60, formado ao lado de John Cale, seu som sombrio é a trilha perfeita para uma juventude rebelde, sem motivos, sem causas e cheia de consequências.
Quem nunca navegou em alguma viagem ao som do clássico tema "Walk on the Wild Side" ?
O tema está presente em seu album Transformer (1972), produzido por David Bowie, e deu a ele uma atenção especial, o que Reed odiava, tornando-se um das músicas mais tocadas na época, até hoje é um clássico.

De suas palavras, sempre acreditou que havia um número incrível de coisas que voce podia fazer com o som do Rock. O Velvet Underground, originalmente idealizado por Andy Warhol, teve um impacto significante no Rock underground no mundo inteiro, influenciou diretamente grupos como Joy Division, Talking Heads, R.E.M., entre outros, e suas músicas falavam sobre amor, alienação, alegria e transformação espiritual, que permaneceram no som de Lou Reed ao longo de sua discografia solo.
Seu tão polêmico album Metal Machine Music (1975) era puramente guitarra jogada em dois amplificadores, em que Reed alterava a velocidade no momento da gravação, sem voz, baixo e bateria. O album mais tarde teve um registro semelhante realizado por Pat Metheny em Zero Tolerance for Silence (1994). Sobre este album Reed disse uma década depois - "Ninguém que eu conheça ouviu este album até o fim, nem eu".

Louco, poeta, insano.
Lewis Allan Reed nasceu no Brooklin, NY, em 2 de março de 1942.

Lou Reed : 1942-2013

A MÚSICA É A CHAVE PARA O SUCESSO ?

21 outubro, 2013
Excelente artigo publicado no NY Times sobre a relação da música com outras atividades profissionais.
(tradução livre)

por Joanne Lipman
fonte : NY Times (imagem : Anna Parini)

A cientista politica americana Condoleezza Rice estudou para ser uma pianista. O economista Alan Greenspan foi clarinetista e saxofonista. O bilionário e investidor Bruce Kovner estudou na Julliard.

O que o estudo e treinamento dedicado da música parece se relacionar com o sucesso em outras áreas ?
A ligação não é uma coincidência. Eu coloquei a questão para profissionais bem sucedidos na industria de tecnologia, finanças e comunicação, e todos tinham alguma relação no passado como músicos. Quase todos fizeram uma conexão entre o estudo da música e sua realização profissional.

O fenômeno vai além da associação matemática-música. Evidentemente, muitos afirmaram que a música abriu o caminho para o pensamento criativo e lembram que suas experiências aguçaram outras qualidades, como o trabalho em equipe, a habilidade de ouvir, um jeito de pensar que a agrega ideias distintas e o poder de focar no presente e no futuro simultaneamente.

Um programa musical escolar transformará seu filho em um Paul Allen (guitarra), o bilionário co-fundador da Microsoft? Ou um Wood Allen (clarineta)? Provavelmente não. Estes são únicos. Mas o meio que estes e outros visionários citados utilizam a música é fascinante. É a forma que muitos deles aplicam o estudo, a dedicação e o foco na música em muitas maneiras de pensar e se comunicar, até mesmo na solução de problemas.
Olhando cuidadosamente, voce encontrará músicos no topo de quase todas as industrias. Woody Allen toca semanalmente com um grupo de Jazz. A apresentadora Paula Zahn (cello) e a corresponde da Casa Branca Chuck Todd (trompa) ingressaram em suas escolas como bolsistas de música; Andrea Mitchell, da NBC, tornou-se uma violinista profissional. Allen, assim como o investidor de risco Roger McNamee, tiveram grupos de Rock. Larry Page, co-fundador da Google, tocou saxofone na escola. Steven Spielberg é clarinetista e filho de uma pianista. O presidente do Banco Mundial James Wolfensohn tocou violoncelo no Carnegie Hall.

Não é coincidência, afirma Greenspan, que desistiu do clarinete mas toca o instrumento em sua sala de estar. "Posso dizer a voce, como estatístico, que a probabilidade de que isso é mero acaso é extremamente pequena. Isso é tudo que você pode julgar sobre os fatos. A questão crucial é: por que essa ligação existe?", diz ele.
Paul Allen tem uma resposta, ele reforça sua confiança na habilidade de criar. Começou a tocar violino aos 7 anos e trocou para a guitarra quando adolescente. Mesmo no início da Microsoft, ele pegava a guitarra ao final de uma maratona de dias de programação. A música era sua válvula de escape em seus dias de trabalho, canalizando diferentes tipos de impulsos criativos. "Muita coisa puxa voce para olhar além do que realmente existe e isso se expressa de muitas maneiras", diz ele.
Todd diz que há uma ligação entre os anos de prática e ele chama isso de "guiar pela perfeição". O executivo Steve Hayden credita sua experiência como celista ao seu mais famoso trabalho, o comercial da Apple para o computador "1984", ilustrando uma rebelião contra um ditador. "Eu estava pensando em Stravinski quando me veio a ideia", diz ele. E acrescenta que tocar violoncelo o ajudou a trabalhar em equipe - "Tocar em conjunto educa voce, literalmente, tocar bem com os outros, saber quando solar e quando acompanhar".

Para muitos dos altos executivos entrevistados, a função musical como a "linguagem oculta", de acordo com Wolfensohn, permite melhorar a habilidade de conectar coisas diferentes ou mesmo idéias contraditórias. Quando ele liderava o Banco Mundial, viajava para mais de 100 países e frequentemente assistia a shows locais (ocasionalmente juntava-se ao grupo com um violoncelo emprestado), e isso o ajudava a entender a cultura das pessoas.
É nesse contexto que as tão discutidas ligações entre matemática e música ressoam. Ambos são meios de expressão. Bruce Kovner, o fundador da Caxton Associates e membro executivo da Juilliard, diz que vê similaridades entre tocar piano e estratégias de investimento, afirmando que ambos se relacionam por reconhecer padrões e muitas pessoas estendem esses paradigmas por diferentes sensações.
Kovner e o pianista Robert Taub descrevem isso como um conjunto, uma sinestesia, em que percebe-se os padrões de um meio tri-dimensional. Taub ganhou fama por suas gravações de Beethoven e desde que fundou sua empresa de sofware musical, MuseAmi, diz que quando toca pode visualizar todas as notas e suas inter-relações, uma habilidade que se traduz intelectualmente em fazer múltiplas conexões em múltiplas esferas.
Para outros, a paixão pela música é mais notável que seus talentos. Wood Allen afirma duramente - "Eu não sou um músico completo, muito pelo fato de estar no cinema. Sou como um jogador de tenis de final de semana, daqueles que joga somente uma vez. Não tenho um bom ouvido ou particularmente um bom senso de tempo. Em comédias, tenho um bom instinto para ritmo, mas na música nem tanto."
Ainda, ele pratica o clarinete pelo menos meia hora por dia senão perderá a embocadura se não o fizer. Afirma que, se quiser tocar, tem que praticar e, por pior que ele esteja, o faz todos os dias. Allen toca regularmente com seu grupo e  não pretende tocar em salas de concertos para 5000 ou 6000 pessoas, mas isso enriquece tremendamente sua vida.

A música te dá equilibrio, explica Wolfensohn, que iniciou as lições de violoncelo já adulto. Diz ele - "Voce não está tentando ganhar uma corrida para ser o líder disso ou aquilo. Voce está se divertindo pela satisfação e alegria da música, que está totalmente desvinculada da sua situação profissional."
Para Roger McNamee, cuja empresa Elevation Partners seja, talvez, a mais conhecida em investimento no Facebook, música e tecnologia convergiram. Ele se tornou um especialista na rede social usando-a para promover sua banda, Moonalice, e agora está promovendo videos por streaming de seus shows. Ele afirma que músicos e profissionais compartilham a necessidade quase que desesperada de ir mais fundo.
Paula Zahn lembra passar quatro horas por dia tentando tirar uma frase em seu violoncelo. Todd, agora com 41 anos, conta em detalhe sua audição solo aos 17 - "Sempre acreditei nas razões que me levaram a trabalhar mais que as outras pessoas. É uma competência aprender a tocar solo, trabalhar em algo muitas e muitas vezes. Não há nada como a música para ensinar a voce que, eventualmente, se trabalhar duro, obterá o melhor. Voce vê os resultados."
Esta é uma observação da qual lembra que a música com um sério propósito, a educação musical, está em declínio neste país.

Considerando as qualidades destes altos realizadores, digo que a música aguçou a colaboração, a criatividade, a disciplina e a capacidade para reconciliar idéias conflitantes. Qualidades ausentes da vida pública. A música não faz de voce um gênio, ou rico, ou mesmo uma pessoa melhor, mas ajuda a pensar diferente, a processar diferentes pontos de vista, e o mais importante - torna prazeroso o ato de ouvir.

Joanne Lipman is a co-autora junto com Melanie Kupchynsky do livro "Strings Attached: One Tough Teacher and the Gift of Great Expectations”.

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ELAS : JO HARMAN

16 outubro, 2013
Jo Harman
Jo Harman tem potencial para ser uma voz de grande expressão no blues, soul e R&B - potente, marcante e com muito feeling nas interpretações.

Ela nasceu em Brighton, sul da Inglaterra, e cresceu em Devon, sempre ouvindo a música que seus pais ouviam - Beatles e Cat Stevens; mais tarde abriu os ouvidos para Ella Fitzgerald, Aretha Frankling e Etta James, sua grande influência, e passou a admirar as cantoras de sua geração como Lauren Hill e Amy Winehouse.

Seu album de estreia, Live at Hideaways (2011), gravado ao vivo, capturou a verdadeira essência da música e da voz dessa bela moça, que afirma que cada show é diferente.
Sobre esse trabalho, Harman quis fazer algo clássico, que soasse como os que ela ouvia, e seguiu seu instinto.
No repertório, um passeio pelo R&B em "Summer Breeze", clássico do Isley Brothers, e "Bless Ma Soul"; põe um ar 'Janis' em "Move Over"; agita com "Through The Night" e "Heartsring"; e dá espaço para as belas baladas "Sideways" e "Sweet Man Moses", no qual faz uma homenagem ao seu pai.
Nesta sessão está acompanhada por Mike Davies guitarra, John McKenzie baixo, Steve Watts teclados, Martin Johnson bateria e os backing vocals de Rosie Cunningham e Faye Hamilton.



SALVEM OS POETAS, OS ANJOS E OS PALHAÇOS

11 outubro, 2013
Há um ditado que afirma que a solidão inspira os poetas, cria os artistas e estimula a genialidade daqueles que inovam. Há controvérsias, mas somos nós, espectadores deste espetáculo, que agradecemos a estes personagens que, aqui, nos envolvem com Música e, tão folclóricos e existenciais quanto inocentes, são como anjos que nos protegem e palhaços que nos proporcionam alegria.

Nuno Mindelis
São esses os protagonistas que intitulam o álbum do guitarrista Nuno Mindelis, Angels & Clowns.
É o primeiro registro de Nuno pela gravadora Shining Stone, e seu sétimo de estúdio.
Para Nuno, fazer este trabalho foi como superar um obstáculo; compor o repertório foi desafiador porque queria alcançar algo além do mundo do blues e ainda poder falar para tantas pessoas quanto possível, disse ele no encarte.
Nuno assina 10 das 13 composições, e é categórico ao dizer que antes do músico vem o poeta. O álbum foi produzido por Duke Robillard, que colocou seu grupo para acompanhar Nuno com Bruce Bears nos teclados, Brad Hallen no baixo e Mark Teixeira na bateria. Robillard também contribuiu com sua guitarra, além do vocal de Sunny Crownover, artista da Shining Stone.

A música "It´s All About Love" puxou o álbum, impulsionado pelo video-clipe gravado nas ruas do centro da cidade de São Paulo, um cenário cosmopolita onde a música atraiu a atenção de curiosos, distraídos e amantes, e colocou sorriso no rosto das pessoas em uma verdadeira representação do espírito do tema, que traz ainda o vocal de apoio de Sunny e a guitarra base de Robillard.
Na mesma onda contagiante, "It´s Only a Dream" traz novamente Robillard na base; e o próprio protagonizou a guitarra solo na funkeada "Hellbound".
O tema título traz uma onda Hendrix, afinal é uma de suas grandes influências, assim como JJ Cale, cuja atmosfera se faz presente no tema "Miss Louise".
Nuno não economizou na beleza do seu solo no epílogo de "27th Day"; e trouxe o peso de volta em "Perfect Blues", em que dialogou com o wha wha e fechou com mais um espetacular solo. Cry Baby!
Não podia faltar um slow blues, presente na instrumental "Tom Plaisir"; e um registro tradicional em "Blues in My Cabin". Para fechar,  uma onda jazzy com "Jazz Breakfast at Lakewest".

Não é a primeira vez que Nuno grava com uma base formada por músicos estrangeiros, em "Texas Bound" (1996) e "Blues on the Outside" (1999) gravou com o Double Trouble, grupo base do saudoso Stevie Ray Vaughan formado por Tommy Shannon e Chris Layton.
Nuno cada vez mais se destaca no cenário internacional, onde conhecido como "A Fera", e Angels & Clowns tem recebido boas críticas nas revistas do gênero ao redor do mundo.



Mais sobre Nuno Mindelis em  www.nunomindelis.com.br/

O BATERISTA MAGNUS OSTROM INVOCA OS DEUSES DO OLIMPO

05 outubro, 2013
Jupiter era o rei dos deuses para os romanos, invocado quando a força do destino inesperadamente aparecia em sua vida. Reinava no Olimpo e, ao movimento de sua cabeça, era capaz de agitar o mundo. Filho de Réia e Saturno, um dia resolveu destronar o pai e extinguir da existência os Titãs, obstáculos ao seu reinado. A ele foi dado o trovão, o relâmpago e o raio, armas de luta e de vitória.
Entre as divindades, Júpiter era sempre o mais cultuado.

Quem invoca o reino do Olimpo é baterista sueco Magnus Ostrom, integrante do saudoso trio E.S.T, um dos grupos mais surpreendentes surgidos nos últimos tempos e cuja trajetória foi interrompida pela morte do líder, o pianista e amigo Esbjorn Svensson, morto há cinco anos em acidente durante uma atividade de mergulho.

Após Thread of Life (ACT, 2011), seu primeiro disco, Magnus Ostrom está de volta com novo trabalho, Searching for Jupiter, tão espetacular quando o trabalho de estréia.
Ostrom está acompanhado por Andreas Hourdakis nas guitarras, Daniel Karlsson no piano e teclados e Thobias Gabrielson no contrabaixo.

Mais uma verdadeira viagem sonora, marcada fortemente pela atmosfera fusion e em muitos momentos nos lembrando o saudoso som do rock progressivo, proporcionado pela densa atmosfera imposta com os solos de Hourdakis.
O E.S.T deixou mesmo uma marca na assinatura de Ostrom, muito evidente em The Moon (And the Air It Moves) e na bela balada Mary Jane Doesn't Live Here Anymore, em destaque para o piano de Karlsson, que também contribuiu com um ar sombro no tema Hour of the Wolf marcada pela percussão de Ostrom.
Jules and Jim's Last Voyage alça um vôo quase psicodélico e Gabrielson ganha espaço no melódico e contemporâneo tema Through the Sun, e quem fica a frente é a guitarra de Hourdakis, que também se apresenta em contagiantes momentos em Dancing at the Dutchtreat e no tema título do album, em que coloca um ar 'methenyiano' pelo seu timbre e digitação. O album fecha com At the End of Eternity, uma viagem na esperança de dias melhores, e aqui com espaço para o improviso de Ostrom.

Mais sobre Magnus Ostrom em  www.magnusostrom.com/


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Magnus Ostrom : Thread of Life E.S.T : 301

A PEQUENA GIGANTE HIROMI

29 setembro, 2013
Hiromi
foto : Earl Gibson III, AP

Ela nasceu na província japonesa de Shizuoka, Japão, e conquistou o mundo com seu estilo empolgante e vigoroso de tocar piano. Hiromi omeçou o estudo do piano clássico aos 6 anos e aos 14 já tocava com a Czech Philharmonic Orchestra. Destino e sorte a fizeram encontrar, por acaso, com Chick Corea, e no dia seguinte ao encontro já estava convidada para dividir o palco com ele.
Em 1999, ganhou uma bolsa de estudos e partiu para a Berklee, em Boston, onde teve como mentor o pianista Ahmad Jamal, que produziu seu primeiro album solo, Another Mind (2003, Telarc).

Este que vos escreve teve a oportunidade de vê-lá no Blue Note, uma pequena japonesa que chega ao palco com um jeito apreensivo, um olhar atento na lotada platéia e dando a impressão de que era sua primeira apresentação, tal o estado de êxtase que ela transpirava.
Sua discografia contempla tanto a roupagem acústica e mais jazzística, em trio, quanto a pegada fusion junto com o grupo Sonicbloom, o qual ela lidera em uma onda em que pilota teclados e que tem como coadjuvante o ousado guitarrista David Fiuczynski, aliás, não poderia existir outro guitarrista que dialogasse tão bem com Hiromi.
Em projetos paralelos, gravou um excelente álbum em duo com Chick Corea (2008, Stretch Rec), lançado no Japão; e o trio com Stanley Clarke e Lenny White intitulado Jazz in the Garden (2010, Contemporary Rec).

"Quando voce escreve uma música dificil, ela não soa dificil; a dificuldade é fazer esta música soar como se fosse facil de tocar", disse ela em sua entrevista para a revista Downbeat.

E essa pequena guerreira afirma que tem muita inspiração em Bruce Lee e Jackie Shan, compondo até uma homenagem no tema Kung-Fu World Champion em duas versões (Brain, 2004; Spiral, 2006); e ainda protagonizou a trilha para o cartoon Tom & Jerry (Another Mind, 2003).

Hiromi ao piano é incendiária, contagiante, intensa, de habilidade e técnica impecáveis. Ela traz também para o repertório composições clássicas, incorporando Beethoven na Sonata número 8 e Debussy em Clair de Lune, ambas com bela roupagem jazzística.

Hiromi
Seu álbum Move (2013) é o segundo da série que ela intitula The Trio Project, iniciada com Voice (2011), ambos lançados pela Telarc. E o trio que a acompanha é formado por dois gigantes e de formações bem distintas - as seis cordas do baixista nova-iorquino Anthony Jackson e a pegada fusion baterista inglês Simon Philips.
Mesmo em formato acústico, Hiromi não larga as intervenções no teclado eletrônico, mas é sua pegada no piano que impressiona, seu ataque, sua sensibilidade, é uma verdadeira usina de ideias e ela empurra o time, que não perde tempo e, literalmente, "quebra tudo".

Ela descreve o álbum Move como uma trilha sonora para um dia, do despertar com a faixa título até o adormecer com o tema "11:49pm". E é um dia realmente intenso, que passa por momentos frenéticos como a enérgica "Brand New Day", a suíte intitulada "Escapism", dividida em três partes - "Reality", a bela e melódica "Fantasy" e "In Between"; e ainda espaço para o funkeado de "Margarita!".
Um discão.


hiromimusic.com/

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Hiromi Marcin Wasilewski

A BOSSA NOVA PERDE UM DOS SEUS MESTRES : MORRE OSCAR CASTRO NEVES

28 setembro, 2013
Oscar Castro Neves
A Bossa Nova perde um dos seus grandes mestres.
Oscar Castro Neves faleceu aos 73 anos, vítima de um cancer, em Los Angeles, California, cidade onde morava.

Violonista, compositor e arranjador, é considerado um dos pais do movimento da Bossa Nova ao lado de Jobim e João Gilberto.
Esteve presente no histórico concerto do Carnegie Hall, NY, no início dos anos 60. Mais tarde integrou os grupos de Stan Getz, Sergio Mendes, Paul Winter e  contribuiu como arranjador e produtor para muitos artistas como Vinicius de Moraes, Dorival Caymmi, Quincy Jones, Toots Thielemans, Eliane Elias, Diane Schuur, entre muitos outros, a lista é imensa.

Oscar Castro Neves nasceu em 15 de maio de 1940 no Rio de Janeiro.
Foi nomeado pelo governo brasileiro, com honras, como membro da Ordem do Rio Branco, em reconhecimento por sua contribuição para a disseminação da música e cultura brasileira ao redor do mundo.
Deixa uma bela discografia como líder, arranjador e produtor. Seus dois últimos albuns, Playful Heart (2003) e All One (2006), foram lançados pela gravadora Mack Avenue.

Oscar Castro Neves : 1940-2013

PAT METHENY ANUNCIA NOVO INTEGRANTE PARA A UNITY BAND

24 setembro, 2013
Pat Metheny Unity Band
Pat Metheny anunciou em sua página oficial na internet um novo integrante para a Unity Band - o pianista italiano Giulio Carmassi.

Indicado pelo baixista Will Lee, grande amigo de Metheny, Giulio Carmassi é multi-instrumentista, toca também sopros, guitarra, baixo, bateria e, como afirma o líder, ainda canta como um anjo.

Disse Metheny -
"O projeto da Unity Band  foi muito marcante na minha carreira. Liderei grupos de músicos talentosos e passar tanto tempo junto com esse grupo foi inspirador. Quando fizemos nosso último show, tudo que eu pensei era que isso não acabasse, e eu sabia que o sentimento era o mesmo para Chris, Antonio e Ben".

E Metheny sempre pensou em ter um multi-instrumentista em um de seus projetos.
Para Carmassi, é um sonho pois sua inspiração veio pela música de Metheny quando, ainda jovem, o assistiu em uma apresentação na Italia.

O novo album da Unity Band tem lançamento previsto para fevereiro de 2014.
fonte : patmetheny.com
Assista Giulio Carmassi interpretando o tema First Circle -

O TROMPETISTA FLAVIO BOLTRO

22 setembro, 2013
Flavio Boltro
Em destaque, o trompetista italiano Flavio Boltro.
Sopro vibrante, enérgico, na melhor escola do bop. Teve na figura paterna um trompetista e um fã de Jazz, e aprendeu a amar a música desde cedo iniciando o estudo do trompete aos 9 anos. Nos anos 80, foi integrante da Turin’s Symphonic Orchestra e da RAI Symphonic Orchestra, e teve sua iniciação no Jazz em gigs ao lado de Steve Grossman, Cedar Walton, Billy Higgins e David Williams. Em 1986 foi premiado como melhor músico de Jazz pela revista italiana Musica Jazz. Em 1987, participou de uma homenagem ao selo Blue Note no album intitulado Into the Blue, lançado somente na Itália, em uma reverência ao Blues, com uma abordagem moderna. Neste album participaram Michele Bozza tenor, Piero Bassini piano, Riccardo Fioravanti contrabaixo e Giampiero Prina bateria.
Gravou seu primeiro album em 1992, Flabula, na formação de quarteto ao lado de Massimo Farao piano, Aldo Zunino contrabaixo e Giulio Capiozzo bateria. Ainda nos anos 90, participou junto com o saxofonista Stefano Di Battista na Orchestre Nationnal de Jazz, liderada pelo pianista frances Laurent Cugny, com a qual gravaram três albuns; e ambos participaram do sexteto do pianista Michel Petruccianni.
Em 98, arregalou os olhos de Wynton Marsalis, que afirmou ser um dos melhores trompetistas de Jazz.

Boltro lançou três álbuns como líder pela Blue Note - Road Runner (1999), 40 degrés (2003) e Milestones, un Encontro in Jazz (2007). Nessa época, também liderou um quinteto intitulado Sidewinder, em tributo a Lee Morgan.

JoyfulEm Joyful (2012) conta com um novo quinteto formado por Rosario Giuliani sax, Pietro Lussu piano, Darryl Hall contrabaixo, André Ceccarelli bateria e traz a participação vocal de Alex Ligertwood, que marcou a voz no grupo do Santana.
No repertório, Boltro assina 5 das 9 composições, e traz versões muito próprias de alguns clássicos - "Over the Rainbow" (Arlen), em um belíssimo duo entre trompete e contrabaixo; resgata os Jazz Messengers e Horace Silver em "The Preacher"; traz o espírito dos 60 com "Sidewinder" de Lee Morgan, aqui pontuada na voz de Ligerwood; e revive a popular "Every Breath You Take" do The Police, que conta também com os vocais de Ligerwood.
Ainda destaque para um contagiante diálogo entre Boltro e Ceccarelli na introdução de "Black Jack" e a rítmica funk e balançada de "See You Tomorrow" marcada pela voz de Ligerwood.

MORRE O GUITARRISTA JIMMY PONDER

18 setembro, 2013

O guitarrista Jimmy Ponder, um dos mais expressivos na onda do Soul-Jazz, morreu aos 67 anos, vítima de cancer.
Ponder incorporou a técnica de Wes Montgomery, tocando com o polegar, e atuou ao lado de Lou Donaldson, Houston Person, Stanley Turrentine e de grandes organistas como Charles Earland, Jimmy McGriff, Lonnie Smith, Jack McDuff e Richard Holmes.

James Willis Ponder nasceu em 10 de maio de 1946 em Pittsburg. Começou a tocar guitarra aos 11 anos quando seu irmão mais velho se apresentou na Marinha, deixando o instrumento para ele.
Praticando mais de seis horas por dia, Ponder não demorou muito para estar nos palcos e aos 16 anos se apaixonou pelo Jazz. Em uma apresentação do organista Charlie Earland em sua cidade, Ponder subiu ao palco e tocou, deixando Earland impressionado, convidando-o para integrar seu grupo, mas a mãe de Ponder disse que só ia deixá-lo ir para a estrada quando terminasse os estudos e, dois anos mais tarde, Earland voltou à cidade e novamente fez o convite, que foi prontamente aceito.
Nessa época, predominava forte a era do Hammond e o movimento do Soul-Jazz.
Seu encontro com Wes Montgomery aconteceu em Atlanta quando assistia uma apresentação dele. Aos 18 anos, um tímido e nervoso Ponder recebeu de Wes sua guitarra para que tocasse o tema "Chitlins con Carne" de Kenny Burrell, e a performance agradou o mestre. A técnica de Wes teve muita influência em seu desenvolvimento e forma de tocar, tanto que largou a palheta e passou a tocar com o polegar. Após a morte de Wes, Ponder soube que o mestre confiava a ele em levar seu legado e sua técnica de tocar adiante.

Um apaixonado pela Gibson Super 400, sua preferida.
Jimmy Ponder deixa uma grande discografia, como sideman e como líder, inclusive trabalhos em guitarra solo.
Era artista residente na Duquesne University, em Pittsburgh.

Jimmy Ponder : 1946-2013

O CAMALEÃO ADEMIR JUNIOR

16 setembro, 2013
Camaleão significa "leão da terra", nome derivado das palavras gregas chamai (na terra, no chão) e leon (leão). Seu movimento é lento para não ser notado antes do ataque e sua mudança de cor tem um papel importante na comunicação durante as lutas entre a espécie. As cores indicam se o oponente está assustado ou furioso, mas também ajuda em sua camuflagem, embora esta não seja uma ocorrência frequente, e sim ocasional.

Ademir JuniorAs múltiplas formas do camaleão aqui se apresenta na forma de sopro, no sax de Ademir Junior - arranjador, compositor e um mestre na improvisação.
Iniciou o estudo da música aos 7 anos, com a clarineta, influenciado pelo pai, mas levou um tempo para começar a levar o assunto a sério. Aos 13 anos já se apresentava como clarinetista. Ingressou na UnB e teve a oportunidade de estudar com o clarinetista Luiz Gonzaga Carneiro, o trompetista Moises Alves e o saxofonista Idriss Boudrioua, mas a paixão pelo sax só veio aos 18 anos por influência do saxofonista Widor Santiago, e teve nestas pessoas seus verdadeiros tutores.
E não demorou para se apaixonar pelo som de Coltrane, Brecker, Shorter e Branford, entre muitos outros mestres do instrumento cuja música tanto o influenciou.
Ademir Junior já tem três discos lançados - Gratidão (2002), Vitória na Cruz (2007) e Brasilidades (2009).

Camaleão é o título que dá nome ao seu novo trabalho, o primeiro de uma trilogia em que pretende mostrar suas diversas influências como Choro, Erudito, Samba, Jazz, Salsa, Bolero e Pop - "Todos esses estilos me influenciaram e me ajudaram a entender as belezas que a música produz em nossa vida interior e como influencia em nossa vida cotidiana", diz Ademir no encarte do disco.

Neste novo trabalho, Ademir formou um super sexteto com Jesse Sadoc trompete, Lula Galvão guitarra, Vitor Gonçalves piano, Jefferson Lescowich contrabaixo e Rafael Barata bateria; e as participações especiais de Bob Mintzer, Alexandre Carvalho e Idriss Boudrioua.
Ademir assina 6 das 9 composições, Jesse Sadoc contribuiu com 3. E a atmosfera hard bop está presente por todo o disco, e Sadoc é realmente um expoente nessa onda, orgulho nosso em ter um instrumentista desse nivel. E é bom demais também ouvir novamente Lula Galvão tocando guitarra, matando uma saudade do tempo que ele abraçava o instrumento nas boas jams do final dos anos 80.

O disco abre com o tema Melhor de 8, dando as "boas-vindas" ao fraseado contagiante de Ademir. O samba-jazz aparece em A Prata e o Ouro, com um belo diálogo entre Ademir, Sadoc Vitor e Barata ao final do tema; faz uma roupagem gipsy no tema título, que se transforma ao longo do tema, com muito balanço, espaço para o improviso de Vitor e novamente um belo diálogo entre Ademir e Sadoc; o tema Livre Acesso nos remete a uma bela viagem, um retrato fiel da nossa música instrumental com aquela levada de baixo balançado em um arranjo que nos faz, literalmente, flutuar sobre as notas.
Duas baladas - Feelings e Elegia pro Freddie, homenagem de Sadoc a Freddie Hubbard e que traz uma atmosfera a la "João Donato".
Bob Mintzer aparece no tema JC, uma homenagem a Coltrane, e junto com Ademir abrem o tema no melhor ensemble, e aqui participa o guitarrista Alexandre Carvalho. Idriss participa da composição Entre Amigos. O disco fecha com JT, outro tema na melhor escola sambop.
Um disco espetacular.


www.ademirjunior.com/

Leia também: Ademir Junior é endorsee dos saxofones Selmer -

Ademir Junior

GARY BURTON EM AUTOBIOGRAFIA

11 setembro, 2013
por Nate Chinen
fonte : NY Times  (tradução livre)

Há um momento em Learning to Listen: The Jazz Journey of Gary Burton que relata o encontro de Gary Burton com Miles Davis no festival de jazz de verão em sua cidade natal, Indiana. Para Burton, esse encontro provavelmente poderia ter sido um pouco melhor. O ano era 1959 e Burton tinha 16 anos, um precoce vibrafonista matriculado na Stan Kenton Jazz Camp. Davis estava tocando no festival com seu sexteto, o grupo que fez o disco Kind of Blue. Burton descreve - "Enquanto ele andava atrás do palco, eu tirei uma foto dele com a minha câmera Brownie, e, ao piscar o flash em seu rosto, ele respondeu simplesmente, de forma sarcástica - obrigado, garoto".
Esta é somente uma das histórias contadas no livro e que captura algo essencial sobre Burton. Assim ele conta - "Eu sempre fiquei fora da badalação, vim de um lugar de campo, tocando um instrumento que muitas pessoas não conheciam. Era jovem e todos os integrantes de grupos que toquei estavam na faixa dos 40 anos; e eu estava contente, embora não tivesse como descobrir muito naquela época".

O que é uma verdade sobre Burton é que ele se encaixa nesse perfil insider, e se sente orgulhoso da sua trajetória. Ganhou 7 Grammys, um deles com Chick Corea. Foi um pioneiro no nascimento do jazz-rock e seus grupos serviram como incubadora para jovens artistas, como Pat Metheny. Durante mais de 30 anos como afiliado da Berklee College of Music em Boston, ajudou a transformar a educação do jazz e transformou o cenário da música atual. Felizmente, o som predominante do jazz, harmonicamente sofisticado, ritmicamente simples e não autoconsciente dessa mistura de tradições, suporta a influência de Burton..
"Muitos jovens músicos de hoje não estão vindo de uma escola ou de outra, eles estão vindo de um lugar mais amplo. E Gary foi sempre veio desse grande lugar."", disse o saxofonista Joe Lovano, que detém a Gary Burton Chair in Jazz Performance na Berklee.

Burton cultiva um pouco da atmosfera mística de Miles Davis e outras grandes figuras do jazz. Sua educação sempre se baseou nos seguintes princípios - seja educado, cortez e tente fazer as pessoas se sentirem bem. Muitas vezes ele encontra pessoas pela primeira vez e elas se surpreendem em aprender em saber que ele é um músico de jazz - "Voce parece um professor de colégio", muitos dizem.
O livro lança uma nova luz sobre sua inserção no jazz. Burton cresceu com uma marimba, e com um professor de vibrafone começou a estudar música aos 6 anos. Sua família sempre se programava para viagens em torno dele para que se apresentasse em programas de talentos.
Na adolescência, já era conhecido nas jams locais. Um dos que ficaram impressionados com o ainda garoto foi o saxofonista Boots Randolph, que fez os arranjos para Hank Garland, guitarrista de Nashville. Garland, que pensava em gravar um disco com vibrafone, convidou Burton para passar um verão em Nashville e tocaram juntos no festival de Newport, em que também participou Chet Atkins. O disco que Garland gravou, “Jazz Winds From a New Direction", se tornou um clássico. Com o suporte de Atkins, Burton fez seu próprio acordo com a gravadora RCA.
Curioso o fato que os dois primeiros mentores de Jazz de Burton não eram músicos de jazz, mas lendas da música Country. Realizou seu disco de estreia, "New Vibe Man in Town" (1961), enquanto estudava em Berklee e não demorou muito para trabalhar como sideman, primeiro com o pianista George Shearing e depois com o saxofonista Stan Getz, com quem gravou Getz/Gilberto, registro que marcou a química entre o jazz e outras tradições musicais. Esse sucesso significava que Burton logo encontraria seu próprio rumo.
O público gostava de sua performance com as quatro baquetas - The Burton Grip, como era conhecido, e atuava como diretor musical também. Manfred Eicher, fundador da ECM, disse que viu Burton no quarteto de Getz e ficou impressionado com sua criatividade melódica como solista e, é claro, pela técnica fenomenal que estava sempre a serviço da expressão lírica. Burton carregou essas qualidades por toda a sua carreira como líder - "Uma das razões que me senti motivado a tentar combinar rock e jazz era ter visto Stan Getz combinar estilos por três anos e pensei - eu quero fazer algo assim". Inspirado pela energia do som do rock dos anos 60, formou o Gary Burton Quartet com o guitarrista Larry Coryell. O primeiro disco do grupo, "Duster", foi lançado em 1967 com Steve Swallow e Roy Haynes. Mais tarde o quarteto se solidificou com o baterista Bob Moses em turnê pela Europa.

Burton disse que se sentiu menosprezado por muito tempo por relatos de que o jazz-rock começou com "Bitches Brew", álbum que Miles Davis fez em 1969. Na época, o Gary Burton Quartet foi devidamente creditado por desbravar novos caminhos e a eleição dos leitores da Downbeat em 1968 o elegeu como o jazzman do ano. O guitarrista Bill Frisell, que viu o grupo de Burton naquele verão, lembra o momento - "O que Gary fez foi uma espécie de modelo para tantas coisas que eu ainda faço".
Frisell é atualmente um dos muitos guitarrista que não passou pelo grupo de Burton. Após Coryell, passaram John Scofield e Kurt Rosenwinkel. Pat Metheny foi outro que se antenou com Burton ainda jovem, se tornando uma descoberta preciosa e um verdadeiro parceiro, diz ele - "Para mim ele foi a síntese do que um músico moderno devia ser, ele é um poço de ideias e melodias. Isso fica um pouco perdido por causa da natureza do instrumento. Com essas quatro baquetas voando pelas notas, muitas vezes sinto que as pessoas podem perder o conteúdo real das ideias, das linhas, e é impressionante a visão disso tudo".

Um argumento que Burton traz em seu livro é que ele também popularizou as apresentações solo e em duo com instrumentos além do piano. E isso é de extrema importância pois Burton ganhou seu primeiro Grammy por "Alone at Last", um álbum solo de vibrafone magistral lançado no Atlântico em 1971; além do duo com Chick Corea na mesma época com o album Crystal Silence, ECM, altamente aclamado. Para Manfred Eicher, Burton foi um artista marcante, assim como Keith Jarrett, com quem ele também gravou. A diferença entre os dois é que Jarrett cultivou uma personalidade mais introspectiva. Burton afirma - "Eu poderia ter acabado como Jarrett se não tivesse partido para o lado acadêmico, e a única coisa que acontece quando voce ensina, como em Berklee, é que voce está acessível para muita gente".

De Berkelee, onde começou como professor em 1971 e saiu como vice-presidente em 2004, Burton fez dessa acessibilidade sua doutrina, expandindo a base de estudantes além dos protocolos do Jazz.
Em 1994 colaborou com Astor Piazzolla, o mestre do novo tango, que o fez emergir em uma nova veia de expressão emocional. Mais de uma década depois, em 2010, lançou novo album com o espantoso guitarrista Julian Lage e uma super seção rítmica com o contrabaixista Scott Colley e o baterista Antonio Sanchez. Para Julian Lage, a experiência foi um momento marcante e afirma que, se olhar o trabalho de Burton cronologicamente, ele sempre está fazendo algo novo e sempre instituiu uma nova tradição.

MILES SMILES PROJECT

08 setembro, 2013
Miles Smiles Project
Miles Smiles dá nome ao disco que Miles Davis gravou em 1967 com seu segundo quinteto, ao lado de Shorter, Hancock, Carter e Willians. Foi o terceiro registro nesta formação e já sinalizava o início de uma nova direção na música do líder.

O título do disco inspirou o organista Joey deFrancesco, o trompetista Wallace Roney e o baterista Omar Hakim a criarem mais um tributo ao mestre, o Miles Smiles Project.
Além do trio, complementam a formação, em tempos distintos, os saxes de Rick Margitza e Bill Evans, as guitarras de Larry Coryell e Robben Ford e os baixos de Ralphe Armstrong, Darryl Jones e Victor Bailey.

Todos tocaram com Miles em sua fase "elétrica", alguns ainda muito jovens, como deFrancesco que, aos 17 anos, recebeu um convite do próprio Miles para integrar seu grupo e participou do disco Amandla (1989), junto com o saxofonista Rick Margitza. Já Darryl Jones tinha um grande amigo, Vince Wilburn Jr, sobrinho de Miles e com quem tocou em suas primeiras gravações, e justamente nessa época o mestre estava procurando um novo baixista e Darryl foi convidado, integrando o grupo de Miles em 1983 e participou dos albuns Decoy (1984) e You're Under Arrest (1985). O baterista Omar Hakim está na sessão de Tutu (1986) e foi Miles quem o apresentou para o Weather Report, do qual foi o último baterista.
Ralphe Armstrong e Robben Ford não gravaram nenhuma sessão em estúdio com Miles, mas estiveram com ele nos palcos. Armstrong em 1977, cuja trajetória foi interrompida devido a um acidente de carro com Miles, que o tirou dos palcos por um tempo; e Robben Ford aparece no festival de Montreux em 1986 em uma sessão incendiária. Para Larry Coryell, Miles foi um grande amigo e um dos grandes incentivadores em sua carreira, um exemplo de liderança. Apesar de terem gravado juntos, a sessão até hoje está esquecida nos arquivos da Columbia e nunca foi lançada comercialmente.
E ninguém melhor para representar a música e a textura do sopro de Miles do que Wallace Roney, cuja influência é muito evidente em seu timbre e fraseado. Roney tocou junto com o mestre em Montreux na histórica sessão de 1991 em que Miles voltou a tocar o Jazz após 30 anos. Após sua morte, Roney integrou um dos mais expressivos grupos em tributo ao mestre, o VSOP, ao lado de Hancock, Carter, Shorter e Willians.

A B C ... RACHEL Z

04 setembro, 2013
Rachel Z
Rachel Carmel Nicolazzo é Rachel Z.
Eu conheci essa moça em uma formação bem inusitada, ao lado do grupo do saxofonista Wayne Scoferry no Jazz Standard. Nesta sessão, ainda estavam o pianista Orrin Evans, o contrabaixista Hans Glawischnig e o baterista Jason Brown.
Rachel Z, com um ar de mulher-gato, pilotava os teclados dando uma outra textura e uma abordagem um tanto eletrônica ao característico som acústico e straight ahead de Wayne.
Uma boa surpresa.

Rachel Z é uma nativa de NY, e teve a música e a arte no berço - a mãe cantora de ópera e o pai pianista. Cresceu frequentando o Metropolitan Opera House, onde a família assistia apresentações todas as semanas. Começou o estudo do piano clássico aos 7 anos e quando ouviu Miles Davis, aos 15, resolveu trocar o clássico pela improvisação, formando grupos locais fazendo covers de Joni Mitchell e Steely Dan. Graduou-se no New England Conservatory, premiada com honra em performance, e passou pela Berklee College e a Manhattan School of Music, onde teve  a oportunidade de estudar com Joanne Brackeen e Richie Beirach.
Nessa época tocava em pequenos grupos nas redondezas de Boston ao lado de Miroslav Vitous, Bob Moses e George Garzone. Retornou para New York e integrou o grupo Steps Ahead até 1996.
Colaborou com o premiado album de Wayne Shorter, High Life (1995, Verve), no qual foi convidada para elaborar um sistema computadorizado que simulasse uma orquestra e cujo registro foi premiado com o Grammy de melhor album contemporâneo na época. Mais tarde Rachel realizou um tributo a Wayne Shorter no excelente album On the Milky Way Express (2000, Crossover).

Em seu primeiro album solo, "Trust the Universe" (1992, Columbia Rec), que teve a produção de Mike Mainieri, dividiu-se entre o tradicional e o contemporâneo e teve as participações de Charnette Moffett e Al Foster de um lado e Victor Bailey e Lenny White de outro, ainda os sopros de David Sanchez e David Mann. Em "Room of One" (1996, NYC Rec), fez um tributo às mulheres artistas com arranjos realizados por Maria Schneider, registro que levou quatro estrelas pela Downbeat; e realizou um tributo a Joni Mitchell, que tanto a influenciou, em "Moon at the Window "(2002, Tone Center). Fez parte do projeto fusion chamado Vertú (1999, Sony Music) ao lado de Stanley Clarke e Lenny White e que ainda contou com o violino de Karen Briggs e a guitarra de Ritchie Kozen. Além de participar de vários trios em que fez novas leituras para o Jazz de temas do universo do pop-rock assinados por Steely Dan, Peter Gabriel, The Police, U2, Rolling Stones, entre outros.

The Trio of OzEm destaque aqui está o excelente projeto Trio of Oz (2010, Crossover), que traz Rachel Z junto com o marido e baterista Omar Hakim e a contrabaixista Maeve Royce em uma sessão contagiante. A proposta neste primeiro album do trio, que foi eleito na época de seu lançamento como o melhor album do ano pela Jazziz Magazine, é aproximar temas do Rock com a linguagem do Jazz, uma iniciativa que tem sido muito bem aceita e seguida por muitos grandes músicos do universo jazzístico.

O tema de Alice in Chains (Angry Chair) abre o album, e Rachel está contagiante com direito a uma citação de Softly as Morning Sunrise em seu improviso. Ainda Coldplay (Lost); a presença do rock alternativo dos 80 com New Order (Bizarre Love Triangle) e Depeche Mode (In Your Room); Stone Temple Pilots (Sour Girl); Morrisey (There is a Light); o rock independente do Death Cab For Cutie (I Will Possess Your Heart) e The Killers (When You Were Young); e uma bela versão para o clássico The Police (King of Pain).
Um discão.

rachelz.com/
thetrioofoz.com/


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Hiromi Marcin Wasilewski

BRITISH BLUES AWARDS 2013

01 setembro, 2013

British Blues Awards foi criado em 2010 por um grupo de entusiastas da Nottingham Blues Society, Reino Unido, com o objetivo de recompensar os artistas de blues britânicos pela dedicação e esforço em divulgar o estilo.
Um comitê formado por radialistas, escritores e produtores são questionados para nomear os artistas em cada categoria e a votação é feita pelo público, com suporte das rádios locais, gravadoras e internet.

Criaram o prêmio "Kevin Thorpe Memorial Award", que premia o compositor do ano. Kevin Thorpe foi um reconhecido cantor e compositor de Nottingham e brilhou no cenário Blues britânico, mas infelizmente faleceu de um ataque do coração durante e edição de 2010 do Newark Blues Festival.

Sue Hickling, uma dos criadoras da entidade, escreveu uma carta aberta ao mundo do Blues, que transcrevo em resumo para conhecimento de todos os amantes do estilo -
abre aspas
Apesar do crescente interesse pelo evento, estamos considerando a continuidade do mesmo. 
Nós contamos com apoio de patrocínio e doações para financiar os prêmios, além da boa vontade dos colaboradores em ajudar e dispor de vossos tempos neste trabalho. Reconhecemos o suporte e força que recebemos das pessoas e organizações envolvidas e não queremos ser recompensados ou agraciados por nossos esforços. Nosso objetivo é identificar e valorizar os talentos em cena no Blues britânico. Não participamos nem interferimos sobre o resultado final, os votos são decididos pelo público.
No entanto, apesar de minoria, temos recebido feedback negativo e maldoso, o que é muito desanimador.
Vamos passar por um período de avaliação, discussão e decisão se e como vamos seguir em frente.
Para a imensa maioria, reconhecemos e agrademos todas as mensagens, comentários e sugestões positivas e construtivas, e é isso que nos motiva continuar o trabalho e que influenciará nossa decisão final.
fecha aspas

E nós, aqui do outro lado do continente, vamos apoiar -
acesse : www.britishbluesawards.com
acompanhe no Facebook : www.facebook.com/bbawards

Na votação deste ano, 107 países participaram. Na premiação, destacaram-se Ian Siegal, que levou três prêmios - vocal masculino, composição e disco do ano; Chantel McGregor com dois prêmios - vocal feminino e guitarrista do ano. Ambos artistas estão em foco pelo terceiro ano seguido - Ian Siegal foi premiado nas duas edições anteriores como vocal masculino e em 2012 também levou destaque no trabalho acústico; Chantel McGregor foi premiada na edição passada como vocal feminino e em 2011 como talento jovem, ela realmente é um espetáculo e já foi destaque aqui no site; e King King, o melhor grupo pelo segundo ano consecutivo e em 2011 levou o título de album do ano.

Confira os vencedores da edição 2013 -

Male Vocalist of the Year : Ian Siegal
Female Vocalist of the Year : Chantel McGregor
Band of the Year : King King
Acoustic Act of the Year : Marcus Bonfanti
Guitarist of the Year : Chantel McGregor
Harmonica player of the Year : Paul Lamb
Keyboard Player of the Year : Bennett Holland
Bass Player of the Year : Lindsay Coulson
Drummer of the Year : Wayne Proctor
Instrumentalist of the Year : Becky Tate
Young Artist of the Year : Dan Owen, Lucy Zirins
Festival of the Year : Hebden Bridge
Overseas Artist of the Year : Walter Trout
Independent Blues Broadcaster of the Year : Dave Raven
Album of the Year : Candy Store Kid, Ian Siegal and the Mississippi Mudbloods
Kevin Thorpe Memorial Award Songwriter of the Year : I Am The Train, Ian Siegal
Lifetime Achievement Award : Mike Vernon, Barry Middleton
British Blues Greats : Bill Wyman, Wilko Johnson e Chris Farlowe

ELAS : LISA MANN

23 agosto, 2013
Lisa Mann
Seu nome: Lisa Mann.
Seu instrumento: baixo elétrico.

Ela é de Portland, no estado americano de Oregon, e a moça é invocada, tanto como instrumentista quanto vocalista. Em 2011, foi eleita para o Hall of Fame pela Cascade Blues Association, entidade afiliada da Blues Foundation que se dedica a preservar e promover o Blues.

Influenciada por Etta James, Koko Taylor e Bonnie Rait, compõem a quase totalidade dos temas de seus dois albuns lançados - Satisfied (2012) e Lisa Mann (2010).
Seu grupo intitula-se "Really Good Band" e é formado por Jeff Knudosn na guitarra, Brian Harris no orgão e Michael Ballash bateria.

Satisfied carrega o bom blues contemporâneo, são 9 temas autorais e 4 interpretações. Traz convidados especiais como o guitarrista Lloyd Jones e os gaitistas Mitch Kasmar e Joe Powers. No repertório, as contagiantes See You Next Tuesday e o Satisfied; faz uma abordagem slow em Surrender To The Blues e Catch me When I Fall; põe um ar R&B em Always Nobody, que traz também os vocais de Lloyd Jones, Gamblin’ Virgin Mary, Doin' Alright e Don´t Touch Me, aqui com de sopros Joe McCarthy, Dan Fincher and Brad Ulrich; coloca uma roupagem pop e acústica para Have I Told You, que se transforma ao longo do tema; e um dos pontos altos do álbum, a intervenção totalmente solo de Lisa em Alone, voz e contrabaixo em perfeita sintonia.

www.lisamannmusic.com