CYRUS CHESTNUT CELEBRA 50 ANOS

29 janeiro, 2013
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
Jornal do Brasil, 26 de janeiro

Nestes últimos cinco dias, o pianista Cyrus Chestnut vem celebrando 50 anos de vida do modo que mais lhe compraz. Ou seja, tocando dois sets por noite no palco do refinado Dizzy's Coca-Cola Club, debruçado sobre o Central Park de Nova York, à frente de seu trio (Dezron Douglas, baixo; Neal Smith, bateria), e na companhia do saxofonista Stacy Dillard e de outros convidados.

Nascido em Baltimore (Maryland), em 17 de janeiro de 1963, Chestnut é um daqueles young lions que, na década de 80, começaram a reinterpretar a mainstream do jazz, na base do old wine, new bottle, sob a liderança intelectual do grande trompetista-compositor Wynton Marsalis, que comemorou o 50º aniversário em outubro de 2011. Dessa mesma geração fazem parte outros consagrados músicos, tais como os pianistas Marcus Roberts, Benny Green, Gonzalo Rubalcaba e Danilo Perez (os dois últimos oriundos de Cuba e do Panamá); os saxofonistas Branford Marsalis, Kenny Garrett, Vincent Herring e Donald Harrison; os trompetistas Terence Blanchard e Wallace Roney; o trombonista Wycliffe Gordon e o baterista Jeff “Tain” Watts.

Filho de um organista amador de igreja paroquial, Cyrus foi embalado ao som da música gospel, revelou-se logo um pianista nato e, antes de completar 10 anos, já ocupava o banco do piano da Mount Calvary Star Baptist Church de Baltimore. Mais tarde, graduou-se pelo Berklee College of Music de Boston, enquanto aprofundava sua intimidade com a arte e a obra de mestres Bud Powell, Thelonious Monk, Hank Jones e Wynton Kelly. Depois de um “emprego” de dois anos como sideman do trio da vocalista bop Betty Carter, uma especialista em descobrir novos talentos, o pianista juntou-se à turma dos Marsalis & Cia. Em 1993, lançou seu primeiro disco como líder para um selo de renome: Revelations (Atlantic), em trio, contendo nove peças de sua autoria.

No ano passado, a etiqueta WJ3 editou o 14º álbum autoral de Chestnut, gravado em dezembro de 2010, e intitulado, simplesmente, The Cyrus Chestnut Quartet. Os três outros membros do combo são o jovem e vigoroso Stacy Dillard (saxes tenor e soprano), Dezron Douglas (baixo) e Willie Jones III (bateria). Das oito faixas do álbum, apenas duas não são assinadas pelo líder : No Problem (7m40), o tema de Duke Jordan gravado pelos Jazz Messengers de Art Blakey para a trilha sonora do filme Les Liaisons Dangereuses (1960), de Roger Vadin; What's Happening (4m35), hard bop em tempo quente do baixista Douglas.
As demais têm aquela coloração bluesy ou soul que o pianista-compositor privilegia, no entanto sem o clima bem contemplativo do álbum Blessed Quietness (Atlantic, 1996), primoroso vôo solo de Chestnut a partir de temas de hinos e spirituals.
O novo CD tem mais a ver com o também ótimo disco Soul Food (Atlantic, 2001), que contava com Christian McBride (baixo) e Lewis Nash (bateria), mais convidados do quilate de James Carter (sax tenor), Stefon Harris (vibrafone), Marcus Printup (trompete) e Wycliffe Gordon (trombone). Neste último álbum da WJ3, no qual a atuação de Stacy Dillard é brilhante, os pontos culminantes são as interpretações dos temas bluesy de Chestnut intitulados Anibelle Cousins (7m05) e Indigo Blue (8m), em tempo médio, e o dolente Mustard (8m35). Dillard toca sax soprano nas delicadas peças Waltz for Gene and Carol (5m) e Solace (7m05).

The Cyrus Chestnut quartet é um registro que enriquece ainda mais a discografia desse pianista agora cinquentão que, com engenho e arte excepcionais, sabe navegar pela mainstream do jazz “sem jamais parecer old fashioned”, para tomar de empréstimo recente comentário do estimado crítico John McDonough.

TARYN SZPILMAN APRESENTA NEGRO BLUE

25 janeiro, 2013
Taryn Szpilman
O canto de Taryn Szpilman de berço. Seu pai, Marcos Szpilman, liderou uma das mais tradicionais big bands de jazz por aqui, a Rio Jazz Orchestra, grupo que Taryn também fez parte liderando as vozes, e cujo registro guardou para a posteridade no CD-DVD intitulado "Alma de uma Orquestra" (2008, Rob Digital).

A voz é seu instrumento, e sua presença de palco realmente faz a diferença. Taryn é teatral, é performática, é intensa, e esses adjetivos só complementam uma das mais belas vozes da nossa música, que, para nossa alegria, seguiu na escola do blues e do jazz.
Não à toa, o crítico musical Luiz Orlando Carneiro atestou a qualidade da sua voz e a segurança em suas interpretações; palavras de quem entende de verdade do assunto.

A música de Taryn carrega influências que passam pelo jazz nas vozes de Billie Holiday e Nina Simone, pelo soul e R&B nas vozes de Ray Charles, Etta James e Aretha Franklin, e se amplificam no blues e no rock em Janis, Hendrix, Muddy Waters e Led Zeppelin. Em suas apresentações, conta histórias da origem destes estilos e sobre esses personagens que marcaram no tempo, interpreta canções originadas no Delta do Mississipi e faz um passeio por todas essas tendências até o bom e velho clássico rock em uma verdadeira viagem sonora, do acústico ao elétrico, mostrando, em música, a interseção de todos estes estilos com o blues que, de alguma forma, é a fonte e está inserido de fato na música contemporânea.

E essa bela moça, de pela clara, olhos azuis e cabelos loiros, que se auto intitula uma "branca de alma negra", não economiza sentimento em suas interpretações e isso está registrado em dois excelentes álbuns - Bluezz (2010, Blues Time Rec) e Negro Blue (2012, Niteroi Discos).

E por trás de sua surpreendente voz, Taryn está sempre acompanhada por excelentes músicos.
Em "Negro Blue", participam Jefferson Lescowich e Andre Neiva no contrabaixo; Glauton Campelo e Lulu Martin no piano; o excelente Guilherme Schwab, Joe Manfra e Bernardo Bosisio revezando-se nas guitarras, violão e lap steel; Jefferson Gonçalves na harmônica; os metais da Rio Jazz Orchestra arranjados pelo competente AC; e aquele que, como ela apresenta, é seu companheiro na vida, na música e no amor, seu marido e baterista Claudio Infante.
Um time da pesada, o primeiro time, em um repertório que passa por Ray Charles (I´ve Got News for You), Janis (Piece of my Heart e Turtle Blues), Muddy Waters (I Feel Like Going Home e Hoochie Coochie Man), Billie Holiday (You´ve Changed), Zeppelin (Black Dog) e uma belíssima e surpreendente versão de Gershwin (I Love You Porgy) com arranjo de cordas.

BluezzNegro Blue

Taryn nos conta um pouco sobre sua história e sua música -

Gustavo Cunha : Com toda essa musicalidade vinda de berço, como deu-se sua formação musical?
Taryn Szpilman : Acredito que somos fruto do nosso meio. Sem dúvida a convivência com minha família musical influenciou demais a minha escolha, a minha paixão pela arte e pelo palco, que já frequentava desde muito pequena e nos ensaios da Rio Jazz Orchestra, assim como o meu gosto musical.
O meu avô era músico erudito e teve uma grande história ao lado do Villa Lobos, com quem tocou e era saxofonista solista. Meu pai seguiu com o saxofone e começou a tocar desde pequeno, fundou a Rio Jazz Orchestra e ouvia os vinis dos mestres do Jazz Miles, Duke Ellington, Charlie Parker, assim como o R&B de Stevie Wonder, Tina Turner e as divas do Jazz Billie Holiday, Sarah, Ella, Carmen McRae, Dinah Washington. Já minha mãe gostava do Rock inglês e estas são exatamente as minhas maiores influências até hoje. Eu vivi isso tudo ao lado desta família musical.

GC : Você reúne várias tendências na sua música e faz isso de forma muito natural. O quão é desafiador montar um repertório que represente todos esses estilos?
TS : Verdade. Percebi que amo todos estes - jazz, rock clássico, soul, R&B antigo, e todos são subgêneros do blues. Por este mesmo motivo todos se costuram e percebi este "fio da meada" que é o Blues, que possui um cast que amo de intérpretes e compositores e vi que podia juntar todos estes estilos em um só show e CD.

GC : Seu tributo a Billie Holiday foi um das mais belas homenagens já realizadas por aqui. 
Billie, talvez, seja a artista que mais representou no Jazz, em seu tempo, a linguagem do canto negro, do canto em lamento, e ela sempre esteve acompanhada por excelentes músicos de Jazz.
Voce também se cerca com músicos do nosso primeiro time. O quanto de Billie está em Taryn Szpilman?
TS : Ela é uma das minhas maiores influências exatamente pelos motivos que você citou, e amo estar bem cercada, acho essencial para a música e inspiração fluírem. Sou muito abençoada de ser acompanhada pelo meu "time" e produzida pelo Claudio Infante, um músico que ainda por cima, além de ser totalmente do jazz, tem uma super musicalidade brasileira em sua formação como baterista.

GC : Blue, em sua essência, carrega melancolia, tristeza, e o termo ficou muito enraizado pelo canto escravo. Negro Blue, título do seu novo álbum, representa o retrato histórico desse sentimento?
TS : Exato! Até escrevi sobre isso no encarte do CD Negro Blue, é um estilo muito vigoroso, visceral e emocionante porquê vem do lamento desse povo tão sofrido e tão rico em matéria de arte. O Blues nasceu da sua necessidade de transmutar o sofrimento quando trabalhavam nos campos de algodão. Era registrado primeiramente como folclore americano pelo pessoal das bibliotecas americanas e tornou-se o grande sucesso das juke boxes e rádios. E a partir do Blues nasceram o Jazz, a Soul, o R&B e esta gama enorme de subgêneros que até hoje são tão populares e influentes.
Mágica que nasceu da dor, Negro Blue, o fio da meada do meu trabalho, passeia por todos estes gêneros.

GC : Bluezz e Negro Blue se tornam oásis de influências do Jazz e Blues interpretados por uma artista nacional. Estilos que tem um publico muito fiel, porém pouca divulgação da mídia comum. Qual é sua expectativa com esses trabalhos?
TS : Eu faço o que acredito ser a minha verdade, não há outra maneira, e esta é minha expectativa - tocar os corações sem, realmente, me preocupar com números. Isso é consequência numa carreira, não pode haver uma meta de público, isso é crescente, progressivo, como colocar um tijolo acima de outro, comigo tem sido assim.. E nesses 16 anos de carreira tive a felicidade de constatar o que voce falou, existe um público fiel e apaixonado e em lugares no Brasil que sequer imaginamos, não é à toa que os festivais de Jazz e Blues tem pipocado! Graças a Deus.

GC : Da radiola de Taryn Szpilman, o que recomenda para nós?
TS :  Difícil resumir , mas vamos lá -
-  as coletâneas Verve com o melhor da Billie Holiday (qualquer uma delas);
-  a ópera negra Porgy and Bess de Gershwin com Louis Armstrong e Ella Fitzgerald;
-  Led Zeppelin IV.

Obrigado Taryn, e sucesso.


www.taryn.com.br/

ORRIN EVANS CONTAGIANTE EM FLIP THE SCRIPT

21 janeiro, 2013
Como afirmou Bruce Lindsay, crítico do All About Jazz, um trio de piano contemporâneo nas mãos erradas pode soar como recauchutado; já nas mãos certas é uma força muito poderosa, emocionante, envolvente, cheia de imaginação e capaz de vôos de invenção.
Assim é o trio do pianista Orrin Evans no álbum Flip the Script (2012, Posi-tone Rec), em que está acompanhado pelo contrabaixo de Ben Wolfe e a bateria de Donald Edwards.

Orrin Evans
Orrin Evans nasceu em Trenton, New Jersey, e cresceu na Philadelphia, local de grande importante na sua formação musical pois deu-lhe a oportunidade de estudar com grandes nomes do piano.
Aceito no programa Mason Gross School of The Arts na Rutgers University, teve como mestres Kenny Barron e Joanne Brackeen e recebeu a importância dos fundamentos do Jazz assim como a necessidade de ouvir e viver a música.
Após sua mudança para New York em 1996, juntou-se ao espetacular grupo do saxofonista Bobby Watson, Horizon, e foi a oportunidade de estar inserido no forte cenário jazzístico local.  Realizou trabalhos com nomes do primeiro time do jazz contemporâneo como Wallace Roney, Pharoah Sanders, Mingus Big Band, Roy Hargrove, Nicolas Payton, Brandford Marsalis, Gary Bartz, Eddie Henderson, Sean Jones, Tim Warfield, Ravi Coltrane, Robin Eubanks, Dave Douglas, entre outros.

Com uma ampla discografia como líder, já é reconhecido como um dos pianistas mais empolgantes desta geração. Evans afima que sempre evitou as gravações em trio, nunca quis soar comum, o que podia acabar se tornando um tanto chato. Sempre ouviu muito o trio de Keith Jarrett e começou a prestar atenção em Jaki Byard, Hancock e McCoy Tyner, percebendo como eles soavam diferentes.

Em Flip the Script a fórmula é quase diabólica, o couro realmente come nos 9 temas do album. E é um trio como gostamos de ver, com muita empolgação, como nos temas Flip the Script, Clean House, TC´s Blues, The Answer e na recriação cheia de swing do clássico tema de Luther Vandross Brand New Day, em que Evans mostra sua influência no R&B em um tema que ilustrou o premiado musical da Broadway em 1975, The Wiz: The Super Soul Musical Wonderful Wizard of Oz [ veja aqui ].
Ainda tem espaço para as baladas When e Someday My Prince Will Come, em uma belíssima versão, o slow blues Big Small e a espetacular The Sound of Philadelphia em piano solo .
Um discão.

A ORQUESTRA DE UM HOMEM SÓ

15 janeiro, 2013
Mecatrônica é a ciência que promove a integração das engenharias mecânica e eletrônica, suportada por controles inteligentes e automatizados e uso de programação de computadores. Uma invenção poderosa, cujos sistemas são constituidos por sensores que captam as informações e as passam às partes mecânicas e elétricas para realizar uma determinada função. Um dos componentes que compõem essa arquitetura é a válvula solenóide pneumática, um dispositivo eletro mecânico que tem por finalidade prover ação mecânica a partir de impulsos elétricos.

OrchestrionAgora imagine toda essa inteligência, formada por um arquitetura engenhosa de engenharia e tecnologia da informação, aplicada na música. Sim, é real.
E podemos ver isso ao vivo no DVD The Orchestrion Project, do guitarrista Pat Metheny.
Quando o álbum de estúdio foi lançado em 2009, tornou-se um dos registros mais fascinantes de um trabalho solo, cuja execução dos instrumentos, que seria realizada por músicos, aqui são substituídos por máquinas que traduz em sons os movimentos e ritmos de instrumentos de percussão, piano, vibrafone, baixo elétrico e violões. E os instrumentos são reais. Um álbum que já era bom e que ficou mais surpreendente frente a imagem e som mostrados no DVD.
Até imaginava toda essa parafernália eletrônica fazendo música, mas não conseguia visualizá-la de fato.
As turnês deste álbum necessitavam de uma logística absurda para transporte e montagem dos equipamentos, suportados por uma engenharia de áudio e processamento de informações muito avançados.

Metheny tem em sua discografia excelentes trabalhos solo, desde seu primeiro e espetacular New Chatauqua (1979, ECM) até One Quiet Night (2003, Nonesuch) e What´s All About (2012, Nonesuch), em que fez uso do violão barítono e afinações não tradicionais.
Orchestrion é surpreendente, inovador, mágico.
Para ter a melhor acústica possível para gravar as sessões do DVD, Metheny escolheu uma igreja no Brooklin, local onde passou meses desenvolvendo o trabalho, sem público, com um belo cenário e com uma filmagem em foco de todos os instrumentos sendo tocados.
No repertório, a íntegra do álbum homônimo, revisita os temas Sueño con Mexíco (New Chatauqua), 80/81-Broadway Blues (80/81 e Bright Size Life), Tell Her You Saw Me (Secret Story), Antonia (Secret Story) e faz dois temas em improvisação livre.  Cerca de 90 minutos de música e um DVD extra com o Making Of do álbum e uma entrevista com Metheny.
Na apresentação, Metheny faz uso de loops e utiliza as guitarras tradicional e sintetizada, violões e o exótico Pikasso de 42 cordas.

Para Metheny, este projeto reflete uma homenagem ao seu avô materno, que foi um grande músico, trompetista, tocava banjo, cantava e que tinha em sua coleção de instrumentos um piano fabricado no início do século passado e que foi motivo de muita diversão durante sua infância, além dele ter sido o responsável por tê-lo introduzido na música.
Isso é algo que eu sonho desde que eu tinha 9 anos de idade”, disse Metheny.

Pat Metheny


Orchestrionics é o termo usado por Metheny para descrever o método de desenvolver música usando instrumentos acústicos e eletro acústicos que são controlados mecanicamente de várias formas, usando solenóides e pneumáticos. Assim, com a guitarra, uma caneta e teclados, consegue criar toda uma ambiência e por cima destas camadas de sons coloca a guitarra como um componente de improvisação.
O grande responsável pela arquitetura deste projeto chama-se Eric Singer, líder de uma empresa de tecnologia localizada no Brooklin, NY, denominada LEMUR, League Of Electronic Musical Urban Robots - http://lemurbots.org.

Nesta composição instrumental, o set de bateria foi cedido por Jack DeJohnette, o vibrafone por Gary Burton, o GuitarBot inventado pela LEMUR, além de todo o suporte da Yamaha para a configuração dos Disklaviers. Outro elemento importante na música da Orchestrion foi provido pela Peterson Company, de Chicago, que criou um conjunto de garrafas afinadas cromaticamente e que produzem sons.
A idéia nasceu da cabeça de Metheny quando, em 2008, chegou para Eric Singer e disse que queria realizar um trabalho com uma banda de apoio suportada inteiramente por instrumentos robóticos. E a resposta foi objetiva – “Nós podemos fazer isso”.

O álbum de estúdio foi gravado no MSR Studios em New York e contou com a engenharia de som de Joe Ferla, que carrega mais de 40 anos de experiência no assunto e trabalhou com John Coltrane.
Orchestrion foi eleito como melhor álbum de Jazz pela eleição da Downbeat Readers Poll na sua edição 75 em 2010 e terá um relançamento em disco duplo no final de janeiro de 2013.

Mais Pat Metheny -

What´s All About Unity Band What´s All About Live at Vienna Opera House

III RIO JAZZ FESTIVAL

09 janeiro, 2013

Rio Jazz Festival

Entre os dias 16 e 31 de janeiro acontece a terceira edição do Rio Jazz Festival, apresentando o melhor da nossa Música Instrumental em diversos palcos da cidade.
E o melhor, com entrada franca.

A programação inclui lançamento de CD, trios de Jazz não vistos ainda, ensemble de contrabaixos e tributos a Piazzola e a Música Clássica, e tudo isso com a boa e contagiante atmosfera jazzística.

Segue a programação -

dia 16, quarta-feira
CCBB Teatro 2, 12h30min  (Rua Primeiro de Março 66, Centro)
Daniel Garcia e Ronaldo Diamante Quarteto

dia 20, domingo
MAM, 11h30min  (Avenida Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo)
Corda toca Piazzola
Nikolay Sapoundjiev violino e Emília Valova cello, Ana Azevedo piano, Lipe Portinho contrabaixo e Tandeta bateria.

dia 23, quarta-feira
CCBB Teatro 2, 12h30min  (Rua Primeiro de Março 66, Centro)
Grupo Tutti intepretando Classicos in Jazz
Daniel Garcia sax, Ana Azevedo piano, Lipe Portinho contrabaixo e Tandeta bateria.

dia 26, sábado
Hebraica, 18h  (Rua das Laranjeiras 346, Laranjeiras)
Adriano Souza, Romulo Gomes e Rafael Barata

dia 27, domingo
MAM, 11h30min  (Avenida Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo)
Augusto Matoso Trio
Augusto Mattoso contrabaixo, Ithamar Acieri piano e Rafael Barata bateria

dia 30, quarta-feira
CCBB Teatro 2, 12h30min  (Rua Primeiro de Março 66, Centro)
Gravíssimo Bass Ensemble
com os contrabaixistas Lipe Portinho, Lise Bastos, Augusto Mattoso e Tarcisio Silva

dia 31, quinta-feira
Casa Rui Barbosa, 12h30min  (Rua São Clemente 134, Botafogo)
Hamleto Stamato Trio

JOHN PIZZARELLI EM BIOGRAFIA

07 janeiro, 2013
Filho de peixe, peixinho é !
Esta expressão popular se aplica muito bem ao guitarrista John Pizzarelli, filho do também guitarrista Bucky Pizzarelli, um dos gigantes da guitarra jazzística.

E quem já viu esse cara tocando ao vivo, ou mesmo ouviu seus excelentes discos, com um ampla discografia, sabe que ele é um dos mais expressivos guitarristas surgidos nas últimas décadas.
Um adepto da guitarra de 7 cordas, cantor sem exageros e que faz scat como poucos.

Nasceu em New Jersey e começou a tocar guitarra aos seis anos, seguindo os passos do pai, Bucky. Tem como ídolo Nat King Cole, cuja música muito o influenciou e a quem dedicou um tributo, assim como Sinatra, Beatles e a Bossa Nova.

E a história deste gigante agora pode ser lida em sua biografia lançada no mercado americano intitulada World on a String : A Musical Memoir, escrita pelo próprio Pizzarelli e Joseph Cosgriff em 304 páginas, contando histórias desde sua infância, a vida musical junto ao pai e o dia a dia nestes longos anos de muita boa música.

Não sei afirmar se será lançado no mercado nacional, mas já é leitura obrigatória.
O livro pode ser encontrado em sua página na internet - http://johnpizzarelli.com/index2.html , e nas principais livrarias americanas como Barnes & Noble e Amazon.

JAZZTIMES READERS POLL 2012

05 janeiro, 2013

JazzTimes  divulga a lista da votação dos melhores do ano de 2012 realizada online, que será publicada na edição de janeiro-fevereiro.
Os leitores foram questionados sobre artistas, livros e filmes realizados entre novembro de 2011 até novembro de 2012.

Confira a lista dos vencedores –

Artist of the Year : Sonny Rollins
New Artist : Gregory Porter
New Release : Kurt Elling 1619 Broadway: The Brill Building Project (Concord Jazz)
Historical Release : Bill Evans Live at Art D’Lugoff’s Top of the Gate (Resonance)
Acoustic Group: Wayne Shorter Quartet
Contemporary/Electric Group : Pat Metheny Unity Band 
Big Band : The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra 
Vocal Group : The Manhattan Transfer 
Blues Artist : Tedeschi Trucks Band 
Record Label : Concord 
Books : The Jazz Standards: A Guide to the Repertoire by Ted Gioia (Oxford University Press)
Syndicated Radio Program : Marian McPartland’s Piano Jazz (NPR)
Festival : Newport Jazz Festival 
Nightclub : Village Vanguard 
Trumpet : Roy Hargrove
Trombone : Wycliffe Gordon
Tenor Saxophone : Sonny Rollins 
Alto Saxophone : Miguel Zenón 
Soprano Saxophone : Wayne Shorter 
Baritone Saxophone : Gary Smulyan 
Clarinet : Anat Cohen 
Flute : Nicole Mitchell 
Violin : Regina Carter 
Piano : Herbie Hancock 
Electronic Keyboards : Chick Corea 
Organ : Joey DeFrancesco 
Guitar : Pat Metheny 
Acoustic Bass : Christian McBride 
Electric Bass : Marcus Miller 
Vibes : Gary Burton 
Drums : Jack DeJohnette
Percussion : Poncho Sanchez 
Male Vocalist : Kurt Elling 
Female Vocalist : Diana Krall 
Miscellaneous Instruments : Béla Fleck (banjo), Toots Thielemans (harmonica), Steve Turre (conch shells) e Howard Levy (harmonica)
Arranger : John Clayton 

(fonte : Jazztimes)

ONDE COMEÇAR ?

02 janeiro, 2013
Como começar pelo início se as coisas acontecem antes de acontecer? 
(Clarice Lispector) 

Seja como for, nem tudo tem início, quase tudo tem um meio e tudo tem um fim. A verdade é que todo começo de algo precisa de uma atitude, qualquer que seja. E é o início que determina novos horizontes, é como um marco.
E voce, onde voce começa ?

Where Do You Start (2012, Nonesuch)  apresenta o pianista Brad Mehldau em plena maturidade, soando moderno e acompanhado por seu habitual trio formado por Larry Grenadier no contrabaixo e Jeff Ballard na bateria.

Sem se preocupar com rótulos, recriou os 11 temas do álbum com interpretações do universo do Pop (Elvis Costelo), Rock (Hendrix e Alice in Chains), Jazz (Clifford Brown e Sonny Rollins) e da Música Brasileira (Ivan Lins e Toninho Horta).
Mehldau entortou tão magnificamente os temas que, sob um olhar e audição ampliados, com a mente aberta, encontramos algumas fronteiras que se assemelham a melodias que fizeram história do universo musical em alguma época do tempo. Lógico que é uma impressão muito particular, mas que revelou-se a cada tema do álbum.

No tema de abertura, uma atmosfera a la Esbjorn Svensson em Got me Wrong, tema que tem origem no Rock (Alice in Chains). A balada Baby Plays Around (Elvis Costello) nos brinda em com uma roupagem que transcende com algo de Procol Harum e, ainda neste universo, a clássica Hey Joe (Hendrix) inspirada com uma introdução solo de Grenadier para Mehldau explorar a melodia do tema, sempre mantendo a originalidade da melodia ao fundo.
Airegin (Rollins) e Brownie Speaks (Brown) colocam Mehldau no caminho do Jazz tradicional, empolgante, e mais uma vez o contrabaixo de Grenadier em destaque, no improviso e no walking, sustentando um Mehldau bem à vontade improvisando como a gente gosta e com direito a uma pequena citação de Milestones (Miles).
E novamente um ar viking em Holland (Sufjan Stevens), com a introdução de Grenardier desenhando a melodia sob os acordes de Mehldau e as vassouras de Ballard. E mais baladas, Time Has Told Me (Nick Drake) carrega um ar pop que lembra na melodia Bridge Over Trouble Water (Garfunkel) e mostra, definitivamente, que Mehldau está sublime e inspirador nos temas introspectivos.
E a música brasileira se faz presente em Samba e Amor, gravada por Chico Buarque em 1970, com um arranjo característico de Mehldau em que mostra um verdadeiro diálogo entre mão esquerda e direita, simplesmente espetacular, um dos pontos altos do disco ao lado de Aquelas Coisas Todas, de Toninho Horta, em uma contagiante versão embalada pela rítmica percussiva de Jeff Ballard.
No tema título, que fecha o album, Where Do You Start (Johnny Mandel), um Mehldau entregue totalmente em uma atmosfera cool.
Um discão.

www.bradmehldau.com/where-do-you-start