WAYNE SHORTER: ACROBACIAS MUSICAIS SEM REDE DE PROTEÇÃO

26 fevereiro, 2013
Wayne Shorter
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
Jornal do Brasil, 23 de fevereiro


Em junho de 2011, o quarteto do magnífico saxofonista-compositor Wayne Shorter eletrizou os jazzófilos que tiveram o privilégio de ouvi-lo no Festival BMW, realizado no eixo São Paulo-Rio. Escrevi então, neste JB, que “no mais requintado e criativo 'jazz combo' dos últimos 10 anos melodia, ritmo e harmonia se entrelaçam em linhas ao mesmo tempo distintas e convergentes, num inusitado processo de sístoles e diástoles”. E que se a voz do líder é preponderante, mestres Danilo Perez (piano), John Patitucci (baixo) e Brian Blade (bateria) são chamados a intervir no processo criativo com bravura, de maneira totalmente franca.
Reescrevo estas observações porque elas me voltam à mente depois de repetidas audições do recém-lançado CD Without a Net (Blue Note), que contém oito faixas gravadas durante aquele mesmo ano, numa tournée europeia, por esse grupo que se nivela, em termos de inventividade e de livre arbítrio, aos quartetos de Ornette Coleman e de John Coltrane do início da década de 1960. A nona faixa do disco, a mais longa, de 23 minutos, é uma peça na linha da Third Stream Music (vide Günther Schuller), com a participação do quinteto de sopros Imani Winds, tipicamente camerístico, nas partes escritas ou arranjadas “de cabeça”. Ou seja, o quarteto vira noneto em quase 2/3 da duração da peça, mas o sound of surprise que caracteriza o bom jazz e, em especial, a música de Shorter, é tão mágico que, a certa altura (7m18), um dos músicos não consegue se conter, e exclama: “Oh my God!”.

O novo álbum do quarteto de Shorter é o quarto, depois de Footprints Live! (2002), Alegria (2003) e Beyond the Sound Barrier (2005), estes três editados pela Verve. E o título Without a Net, ou seja, “sem rede de proteção”, é muito apropriado, pois os quatro jazzmen assumem todos os desafios e riscos inerentes à criação de uma música sem a habitual lógica das chords changes e da divisão de solos ou choruses a partir de um determinado tema, em geral na forma AAB (ponte)A. Aliás, o próprio ícone do jazz, que comemora 80 anos em agosto, disse em recente entrevista: “I'm not a composer, I'm a decomposer”.

Desde a primeira action playing de Without a Net, que é Orbits (4m45), tema escrito para o LP Miles Smiles (1967), daquele célebre quinteto modal de Miles Davis, as “decomposições” do saxofonista (mais no sax soprano do que no sax tenor) vão surgindo de maneira fragmentária. Às vezes, a partir de ostinatos sombrios do piano ou do baixo, em crescendos que chegam a cumes vertiginosos. Starry Night (8m45) abre com o piano de Perez, até os 2m30, insinuando-se então, em murmúrios, o contemplativo sax tenor do líder, que se torna mais e mais incisivo, num clima polirrítmico, até o zênite da faixa (lá pelos 6m), quando a bateria e o sax soprano promovem um exuberante final.

Wayne Shorter escreveu Plaza Real para o álbum Procession (1983), do grupo fusionista Weather Report, de Joe Zawinul. No novo disco, a melodia é inicialmente “decomposta” pelo tandem sax soprano-piano, e o quarteto é lava fervente em constante ebulição. S.S. Golden Mean (5m15) é outro momento fascinante dessa gravação ao vivo, na base do aqui e agora, com citações de Manteca (o tema Latin-bop de Dizzy Gillespie) e evoluções acrobáticas de Shorter no soprano. Myrrh (3m05) é a faixa mais curta do álbum, mas nem por isso menos hipnótica. Flying Down to Rio (12m45), tema de um filme de 1933 (!) da dupla Fred Astaire-Ginger Rogers, começa com um simples assovio de Shorter, mas logo depois o seu sax soprano “voa” por sobre a batucada de Blade e o piano percussivo de Perez.

ELAS : DEANNA BOGART

24 fevereiro, 2013
Deanna Bogart
Deanna Bogart nasceu em Detroit, passou a infância em Phoenix e New York, e não podia ver uma banco de piano disponível que ela se atirava com vontade. Aos 6 anos foi gentilmente convidada a se retirar do Brooklyn Conservatory of Music por tocar piano de ouvido em vez de aprender a ler música. Adolescente, resolveu tocar sax, e ouvia os comentários precnceituosos tipo “meninas tocam clarinete, não sax”. Para ela, felizmente, as coisas mudaram.

Compositora, vocalista e com extrema destreza no piano e sax, a música de Deanna é muito eclética. Apesar de estar presente no circuito blues por bastante tempo, e até ser rotulada como uma artista do estilo, sua música passeia pelo R&B, country, jazz e boogie-oogie com tanta naturalidade e versatilidade que isso a torna uma artista tão admirada, o que lhe deu nomeação por três anos seguidos como instrumentista do ano pelo Blues Music Awards em 2008, 2009 e 2010, e recebeu 22 Wammies, Washington Area Music Awards,  prêmio que reconhece realizações significativas aos músicos locais.

Uma ampla discografia, desde seu álbum de estréia "Out to Get You" (1991) até Pianoland (2012), e a afirmação da revista Blues Revue de que sua música revela as intersecções entre estilos tão consumidos por décadas.
Uma super banda a acompanha, uma base formada pelo baixista Scott Ambush, extraordinário músico que também integra o Spyro Gyra, a guitarra de Dan Leonard e a bateria de Mike Aubin.

11th HourEm destaque, o álbum 11th Hour (2009, Vista Rec), em que faz uma versão da imortal "Cause We Ended As Lovers" (Jeff Beck). Um trabalho com muito espaço para a guitarra de Leonard e o balanço do baixo de Ambush. Deanna também não economiza, larga a mão em "High Horse"coloca a atmosfera R&B flertando com o country em "Heart´n´Soul", põe balanço em "Sweet Pea" assim como na instrumental funkeada "Unk Funk", com Ambush e Leonard deitando e rolando; e ainda tem espaço para a balada "Have a Little Faith", e, como não podia faltar, uma onda bem bluesy no tema título.

UMA SEMANA DE LUTO PARA O BLUES. MORRE MAGIC SLIM

21 fevereiro, 2013
Magic Slim
Uma semana de luto para o Blues.
Morris "Magic Slim" Holt morreu aos 75 anos.

Ele estava em turnê com sua banda Teardrops em final de janeiro quando ficou doente e teve problemas respiratórios, sendo internado em Phoenixville, Pennsylvania, e transferido mais tarde para a Philadephia, onde faleceu.

Seu blues elétrico contagiou muito por nossas terras, inclusive gravou um DVD com o grupo paulista Blue Jeans ao lado de Marcos Ottaviano, Junior Moreno, Andrei Ivanovic e Adriano Grineberg.

Nascido no Mississipi, se interessou por música desde criança, cantando em igrejas. Teve sua primeira paixão pelo piano, mas desistiu do instrumento após sofrer um acidente trabalhando nas colheitas de algodão, que o fez perder o dedo mindinho, partindo para a guitarra.

Um representante do estilo Chigaco-Blues, cidade em que chegou em 1955 com seu amigo e mentor Magic Sam, de quem ganhou o nome "Magic". Magic Sam o ensinou os primeiros acordes e uma das suas principais lições foi que não deveria tentar tocar como ninguém, que deveria ter seu próprio som.
E foi o que Magic Slim fez.

Ao longo de sua carreira, Magic Slim recebeu 44 nomeações e ganhou 6 prêmios do Blues Music Awards desde sua criação em 1980. Inclusive na edição deste ano concorre na categoria masculina de artista de Blues tradicional (Traditional Blues Male Artist).

"se voce quer tocar o Blues, toque o Blues; mas se voce não sente o Blues, deixe pra lá, porque voce não pode tocá-lo se voce não o sentir" - Magic Slim : 1937-2013

A VOZ DO BLUES BRASILEIRO CALOU. MORRE RICARDO WERTHER

19 fevereiro, 2013
A voz do Blues brasileiro calou na manhã desta terça-feira.
Ricardo Werther faleceu após uma luta contra um cancer.

Uma músico cuja voz ajudou a consolidar o Blues brasileiro. Foi integrante do grupo Big Allanbik nos anos 90 ao lado de Big Gilson, Ugo Perrota, Alan Ghreen e seu irmão Beto Werther, nomes marcantes do cenário Blues nacional e com quem gravou quatro albuns, decolando o grupo para os palcos do mundo.
Iniciou sua carreira solo com o excelente album The Turning Point, lançado pela Delira Musica, que recebeu as melhores críticas da mídia especializada, não só do Brasil como do exterior, e de músicos consagrados que cercam o estilo, como o saudoso Celso Blues Boy e Andre Cristovam.

Ricardo Werther

Uma carreira promissora que foi interrompida pela doença. Uma recuperação intensa, uma luta constante e ele foi um guerreiro implacavel que sempre em seus momentos de recuperação subia aos palcos em breves apresentações.
No ano passo foi criado um festival em sua homenagem, que intitulou-se Ricardo Werther’s Day, promovido pela revista Blues´n´Jazz, que mobilizou toda a comunidade do Blues com shows simultâneos em várias capitais com artistas locais e cuja renda foi destinada ao seu tratamento.

The Turning PointUm músico de voz singular, um também apaixonado pelo Jazz, influenciado pelo pai, que dirigiu programas de rádio nos anos 60 e que conviveu com os brilhantes Dick Farney e Moacir Santos em sua casa desde pequeno, e ele ouvindo Coltrane, Monk, Mingus e Dizzy Gillespie, que conheceu por intermédio do Arlindo Coutinho em uma de suas apresentações no Rio de Janeiro.
Esta influência do Jazz o levou a gravar o standard My Funny Valentine (Rodgers & Hart) em seu album de estréia.

Uma perda irreparavel para o Blues brasileiro.

Ricardo Werther : 1964-2013

GRAMMY DE MELHOR CD DE JAZZ VAI PARA PAT METHENY

17 fevereiro, 2013
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
Jornal do Brasil, 16 de fevereiro


O prodigioso e heterodoxo guitarrista-compositor Pat Metheny, 58 anos, levou mais um Grammy para a sua coleção. Desta vez, na festa-show de domingo último, no Staples Center, Los Angeles, ele foi o vencedor na categoria “melhor álbum de jazz instrumental”, e não nas divisões mais comerciais intituladas “Contemporary Jazz” ou “New Age”, nas quais tem sido distinguido com frequência.

O CD de jazz propriamente dito premiado com o gramofone de ouro da Recording Academy (o 55º, referente ao ano-base setembro de 2011-outubro de 2012) foi Unity Band (Nonesuch), uma seleção de nove composições de Metheny por ele interpretadas em quarteto com os também notáveis Chris Potter (saxes tenor e soprano, clarinete baixo), Antonio Sanchez (bateria) e Ben Williams (baixo).

Os outros quatro discos indicados para esta seção do Grammy eram dois do mestre do piano Chick Corea gravados pela Concord Jazz, Hot house, em duo com o vibrafonista Gary Burton, e Further Explorations, registro ao vivo no clube Blue Note, em trio com Paulo Motian (bateria) e Eddie Gomez (baixo); Blue Moon: The New York Session (Jazz Village), do quarteto do pianista Ahmad Jamal; Seeds from the Underground (Mack Avenue), do sax alto Kenny Garrett no comando de seu trio (Benito Gonzalez, piano; Nat Reeves, baixo).

Em janeiro, na eleição anual dos críticos promovida pela revista Jazz Times dos 40 Top CDs, o da banda de Metheny tinha ficado em 19º lugar, à frente de Hot House (23º), de Blue Moon (33º) e de Seeds from the Underground (35º). Ou seja, Unity Band já fora considerado pelos entendidos um dos melhores registros fonográficos do ano passado, numa lista encabeçada por Accelerando (ACT), de Vijay Iyer; Four MF's Playin' Tunes (Marsalis), de Branford Marsalis; e Spirit Fiction (Blue Note), de Ravi Coltrane.

O mais recente álbum do guitarrista é o primeiro na companhia de um saxofonista, desde o também ganhador do Grammy Tales from the Hudson (Impulse, 1996), no qual o líder era o memorável Michael Brecker. A escolha de Chris Potter para a linha de frente da nova Unity Band é assim explicada e elogiada pelo próprio Metheny: “Como fã, tenho visto como ele se tornou um dos grandes músicos do nosso tempo (…). Sua versatilidade é desconcertante, e ele tira um grande som de todos os instrumentos, em todos os registros. Mas suas ideias, suas execução e fluência como improvisador estão num nível que eu raramente vi. Já comentei, várias vezes, que Gary Burton e Ornette Coleman foram dois caras com os quais toquei que, realmente, se destacam como fontes inesgotáveis de ideias nos seus respectivos caminhos. Para mim, Chris rivaliza com eles. (…) É um dos maiores músicos que já tive por perto”.

Com a contribuição inestimável de Antonio Sanchez e Ben Williams (sempre no baixo acústico), a dupla Metheny-Potter produziu um álbum merecidamente premiado, por ser um show bem jazzístico do guitarrista, usando sua coleção de axes e macetes eletrônicos, e uma prova de fogo definitiva para o saxofonista (também íntimo do clarone) de 42 anos, que passou a brilhar, no fim da década de 90, como sideman de Dave Holland.

O CD Unity Band abre, suavemente, com a “modinha” New Year (7m35) exposta pela guitarra de cordas de nylon do líder, que prepara solos incisivos do sax tenor e do baixo de Williams. O espírito fusionista de Metheny, mago dos sintetizadores, começa a baixar em Roofdogs (5m30), com Potter no sax soprano, enquanto na faixa mais longa do disco,Signals/Orchestrion Sketch (11m25), os saxes procuram achar “saídas” melódicas no terreno minado pela música sônico-robótica e densamente percussiva do compositor.
Mas mesmo os ouvintes que repudiam os rompantes por demais sônicos de Pat Metheny não poderão deixar de apreciar as demais faixas do disco, principalmente Come and See (8m25), com o líder-autor no manejo da guitarra Picasso de 42 cordas, e Potter tocando clarone e tenor; Breakdealer (8m30), com solos ferventes dos dois e de Sanchez; a guitarra acústica (com cordas de aço) e o sax interpretando, em andante cantabile, a balada This Belongs to You (5m20); a também envolvente Then and Now (5m50), com a guitarra do líder só levemente amplificada.

UM AR BUCÓLICO SOBRE O PIANO DE BOBO STENSON

14 fevereiro, 2013
Bo Gustav Stenson, aka Bobo Stenson, nasceu na Suécia em 1944.
Ganhou evidência no início dos anos 60 quando passou a frequentar o cenário musical local e a acompanhar músicos americanos que ali se apresentavam, entre eles Sonny Rollins, Stan Getz e Gary Burton. Também trabalhou muito próximo ao trompetista Don Cherry no início de sua residência artística na Escandinávia.

Como afirmou o crítico Ben Ratliff, do NY Times, Bobo representa meio século de desenvolvimento do jazz, da música livre, em particular ao som europeu pós 60, com sua raiz e tendências clássicas.
O piano de Bobo Stenson vem navegando por décadas ao lado de gigantes como Palle Danielsson, Arild Andersen, Jan Garbarek, Chales Lloyd,  Jon Christensen, entre outros, e tornou-se uma das referências da gravadora ECM.
Quando liderando seu trio, fica difícil descrever a beleza da sua música, como se retratando cenários bucólicos, que nos carrega em nostalgia, em um nível de introspecção intenso. Alguns momentos lembra a atmosfera musical de Bill Evans, com aquele toque característico e muito particular que ele impunha sobre os temas.

Bobo Stenson realizou uma das apresentações mais estonteantes já realizadas por um trio ao ar livre, dentro uma floresta na Suécia, cuja sessão durou até o anoitecer, entre animais e o grupo explorando a própria natureza em volta como mais um instrumento. Simplesmente sensacional ! (Este concerto foi exibido pela TV européia, não é um lançamento oficial e circula pela internet na íntegra)


Indicum (2012, ECM) apresenta uma coleção de 12 temas, em que Bobo está acompanhado pelo contrabaixista Anders Jormin e pelo baterista Jon Falt, seu habitual trio.

No repertório, uma homenagem ao baterista Paul Motion, com quem gravou em seu álbum Goodbye (2005, ECM), em uma releitura de um tema de Bill Evans, Your Story. Em todos os temas, ouvimos o estado da arte quando se trata de trios com improvisação em uma atmosfera introspectiva, pontuados por intervenções do contrabaixo de Anders Jormin e as vassourinhas de Jon Falt. Assim vemos em Indicum, Indigo e Indikon, quase como uma trilogia; Ermutigung, uma canção de protesto do compositor alemão Wolf Bierman; uma belissima versão de uma canção tradicional norueguesa intitulada Ave Maria, com um arranjo do contrabaixista Anders Jormin, aqui em um dos mais belos momentos do album, realmente, quase uma prece; e o som ECM, como costumamos dizer, bem marcante em December e Ti Er Jeg Glad.
Um discão.

www.bobostenson.com

MORRE DONALD BYRD

11 fevereiro, 2013
fonte : JazzTimes
por Jeff Tamarkin

(tradução livre)

Donald Byrd, o trompetista cuja música atravessou os mundos do hard bop, fusion e R&B, e que com seus grooves pesados dos anos 70 influenciou inúmeros artistas de hip-hop, morreu no dia 4 de fevereiro. Ele tinha 80 anos.

A notícia da sua morte não foi revelada pela família por razões desconhecidas, nem a causa e nem o local. No entanto, um aviso fúnebre publicado em Michigan confirmou sua morte.
Byrd foi um músico muito atuante no Jazz por quase duas décadas, quando, no início de 1970, se juntou com o produtor de R&B Larry Mizell e com um grupo de músicos da Howard University, que ele chamou de Blackbyrds, e gravou uma série de álbuns que o colocou no alto ranking da música Pop.
Sua maior contribuição para o Jazz como lider foi durante seus primeiros anos no selo Blue Note, com o qual assinou em 1958. Muitos destes albuns, incluindo Off to the Races, Byrd in Hand and Fuego (ambos de 1959), os dois volumes At the Half Note Café (1960), Royal Flush and The Cat Walk (1961) e A New Perspective (um album baseado em spirituals, lançado em 1963), são considerados clássicos do hard bop. Seu album Free Form (1961), que traz Wayne Shorter e Herbie Hancock, já sinalizava o lado funk que Byrd seguiria uma década mais tarde.

Donaldson Toussaint L’Ouverture Byrd II nasceu em Detroit em 9 de dezembro de 1932, estudou trompete e composição após juntar-se a força área e tocar na banda militar. Graduou-se pela Detroit’s Wayne State University em 1944 e após receber o título de Mestre pela Manhattan School of Music iniciou a carreira como sideman.
Na segunda metada de década de 50, seu trompete pode ser ouvido nas gravações de Kenny Clarke, Oscar Pettiford, Jackie McLean, Hank Jones, Billy Taylor, Gene Ammons, Horace Silver, Hank Mobley, Phil Woods, Sonny Rollins, Lou Donaldson, Jimmy Smith, Art Taylor, Kenny Drew, Sonny Clark, Red Garland, John Coltrane, Thelonious Monk e muitos outros. Um intervalo importante em sua carreira ocorreu em 1956, quando juntou-se aos Jazz Messengers de Art Blakey para gravar com a Columbia neste mesmo ano.

Em 1958, Byrd começou a dar os primeiros passos como lider, primeiramente no grupo do saxofonista barítono Pimenta Adams, com quem tocou por três anos, enquanto, simultaneamente, gravava em seu próprio nome para a Blue Note.
No início dos anos 60, Byrd também estudou música na Europa e tornou-se altamente respeitado por promover a educação do Jazz, desenvolvendo cursos para universidades e conservatórios nos EUA. Ensinou em muitas escolas, realizou clínicas e deu aulas particulares. Em 1982, Byrd recebeu o título de doutorado pela Teachers College of Columbia University.
Nos anos 1965 e 1966 trabalhou como arranjador para a Norwegian Radio Orchestra; no fim dos 60 e início dos 70 começou a mudar seu estilo, como no album Electric Byrd, em uma emergente fusão.
Nos anos seguintes, trabalhando como o produtor Mizell, Byrd virou totalmente a chave para os ritmos funky dançantes, proeminentes dos R&B da época. Seu album Black Byrd (1973) alienou muitos puristas de Jazz e acabou tornando-se um dos mais vendidos da história da Blue Note. Street Lady (1974) foi seu album com melhor colocação no ranking da Billboard, alacançando a posição 33.

Byrd largou os Blackbyrds em 1975 quando o single Walking in Rhythm, que teve sua produção e foi lançado pela Fantasy Records, alcançou a posição 4 da Billboard na categoria R&B e a posição 6 na categoria Pop. Um outro single, Happy Music, alcançou a posição 3 na categoria R&B e a posição 19 na categoria Pop.
Muitos dos albuns de Byrd em seu período funk, incluindo Places and Spaces e Step Into Tomorrow, ambos de 1975, se tornaram referência para artista de hip-hop. De acordo com o site Brooklyn Vegan, Byrd foi sampleado por vários artistas e produtores como Guru, Black Moon, J Dilla, Large Professor, Public Enemy, Nas, Jungle Brothers e Ice Cube. Também foi muito popular entre os artistas de acid jazz no Reino Unido.

Byrd ainda passou pela Elektra Records em 1978 e pela Landmark Records em 1983, onde retornou para o bop do início da sua carreira. Passou a maior parte de seu tempo nas últimas décadas como educador e foi nomeado NEA Jazz Master (National Endowment for the Arts) em 2000.

Donald Byrd : 1932-2013

A VIBRAÇÃO DE NEW ORLEANS NO CARNAVAL CARIOCA

01 fevereiro, 2013
Lavradio Jazz Fest
divulgação

O carnaval carioca vai receber a vibração de New Orleans entre os dias 6 a 12 de fevereiro no Quarteirão Cultural da Rua do Lavradio, na Lapa.

É o Lavradio Jazz Fest.

Uma iniciativa ousada e cheia de criatividade que tem como inspiração o Mardi Grass, que celebra o Carnaval na cidade de New Orleans com muita festa e música. Aqui não vai ter samba nem pagode, o reinado será do Dixie e do Jazz.

Serão dois palcos para as apresentações, um no bar Santo Scenarium onde os shows acontecerão entre os dias 6 e 8 às 20h; e outro na Rua do Lavradio entre os dias 9 e 12 com dois shows entre 12h30min e 18h.
Todos os shows serão gratuitos.


Programação -

Santo Scenarium
dias 6, 7 e 8 às 20h : Mark Lambert & Quinteto Radio Swing

Quarteirão Cultural da Rua do Lavradio
dia 9
     12h30min : All That Jazz Band;
     15h30min : Orleans Original Jazz Band
dia 10
     12h30min : Tom Ashe & The Maze All Stars;
     15h30min : Orleans Original Jazz Band
dia 11
     12h30min : Monte Alegre Hot Jazz Band;
     15h30min : Orleans Original Jazz Band
dia 12
     12h30min : Canastra
     15h30min : Orleans Original Jazz Band

Sobre as apresentações -

Mark Lambert & Quinteto Radio Swing
O cantor e guitarrista norte-americano Mark Lambert lidera uma super banda, o Quinteto Radio Swing, que traz um som conhecido como Jump Swing, uma fusão entre Jazz e o R&B.
Mark Lambert voz, guitarra e arranjos; Maico Lopes trompete; Marcelo Martins tenor; Jefferson Lescowich contrabaixo; Jimmy Duchowny bateria.

Lavradio Jazz FestOrleans Original Jazz Band
A proposta do grupo é trazer o Jazz de New Orleans e o Dixieland em um ambiente sonoro de divertimento e inventividade musical no verdadeiro clima do Quartier Française, em New Orleans.
Altair Martins trompete; Pedro Aune contrabaixo e tuba; Fritz Meier trombone; Gallus Bachmann clarinete; Pedro Araujo banjo; Rodrigo Serra percussão e washboard.

All That Jazz Band
A banda promove um animado Mardi Gras misturando as marchinhas típicas de New Orleans com as músicas de festas populares de vários países, especializada no estilo vibrante e animado do Hot Jazz de New Orleans. Conhecida pelo bom humor de seus integrantes, foi criada em 1990 com o apoio do saudoso escritor e baterista amador, Fernando Sabino.
Jesrael Silva trompete; Libni Pimentel trombone; Charles Kocerginskis clarinete; Leandro Freixo teclado; Wagner Viana contrabaixo; Adilson Werneck bateria; Paul Campbell banjo e voz.

Tom Ashe & The Maze All Stars
O grupo nasceu tocando no The Maze, na comunidade Tavares Bastos. Traz o estilo de Jazz suingado e dançante que animava as casas e as ruas de New Orleans no início do século 20.
Pedro Araujo banjo; Tom Ashe tuba; Levi Chaves clarinete; Gilmar Ferreira trombone; Altair Martins trompete; Fernando Pinto Pereira bateria.

Monte Alegre Hot Jazz Band
A banda carioca de Traditional Jazz traz no repertório arranjos de temas famosos compostos durante as primeiras décadas do século 20 e tem uma formação acústica típica de uma banda de rua de New Orleans.
Marcos Serragrande trombone; Tom Ashe trompete; Arturo Cussen clarinete; Leandro Joaquim cornet; Tim Malik sax; Fernando Oliveir banjo; Rodrigo Serra percussão.

Canastra
O grupo faz uma mistura de Dixieland com Country, Rockabilly e Swing Jazz, e tudo isso tocado por músicos com formação no Rock em uma apresentação contagiante.
Renato Martins guitarra e voz; Edu Vilamaior contrabaixo; Bruno Levi guitarra; Rodrigo Barba bateria; Fernando Oliveira guitarra e trompete; Daniel Vasques sax; Marcos Serragrande trombone.

O evento tem patrocínio da Heineken e Curadoria de Thiago Espósito.
Realização Santo Scenarium.

Mais informações em
http://santoscenarium.blogspot.com.br/2013/01/o-jazz-de-new-orleans-anima-lapa-no.html

foto : Mark Lambert & Quinteto Radio Swing; Orleans Original Jazz Band; All That Jazz Band; Tom Ashe & The Maze All Stars; Monte Alegre Hot Jazz Band; Canastra