A MÚSICA PERDE PHIL RAMONE

31 março, 2013
NY Times, 30 de março
por Ben Sisario

(tradução livre)

Phil Ramone, produtor e engenheiro que trabalhou com muitas da grandes estrelas da música nos últimos 50 anos, incluindo Ray Charles, Frank Sinatra, Paul Simon, Billy Joel e Barbra Streisand, morreu nesta sábado, 30 de março, em Manhattan.
Embora informado que ele estava com 72 anos, registros públicos e sua famíla confirmam que ele nasceu em 5 de janeiro de 1934.

Sua morte foi confirmada por seu filho, Matthew. Ele náo informou imediatamente a cauxa, mas Ramone foi internado em um hospital de Manhattan no final de fevereiro para tratamento de um aneurisma.

Eu sua biografia, Making Records: The Scenes Behind the Music, escrita por Charles Granta, Ramone definiu a regra de produzir gravações, disse ele -
"Diferente de um diretor de cinema, que está em foco e frequentemente é um celebridade, o produtor de discos trabalha continuamente no anonimato. A nossa profissáo segue noite adentro, atras de portas trancadas. E com poucas exceções, o fruto do nosso trabalho raramente é lançado com aquelas festas mirabolantes de uma estréia de Hollywood."

Sua carreira foi uma destas exceções. Ramone era uma pessoa hablidosa e muito próxima da indústria e também um dos poucos produtores conhecidos do publico.
Ganhou 14 Grammy Awards, incluindo o prêmio de produtor do ano em 1981, pelos albuns Still Crazy After All These Years de Paul Simon em 1976, 52nd Street de Billy Joel em 1980 e Genius Loves Company de Ray Charles em 2005.
Também produziu música para TV e filmes, premiado com um Emmy Award pela mixagem de um especial da CBS em 1973 intitulado Duke Ellington ... We Love You Madly.

Phil Ramone nasceu na Africa do Sul e cresceu no Brooklin. Seu pai morreu quando ele era jovem e sua mãe trabalhavava em um loja de departamentos. Um prodígio no violino, estudou na Julliard School mas logo mudou-se em direção ao Jazz e ao Pop e foi trabalhar em um estúdio de gravação, J.A.C. Recording.
Em 1958, co-fundou a A&R Recording, um estúdio na West 48th St em Manhattan, e construiu sua reputação como um versatil engenheiro, trabalhando para artistas Pop como Lesley Gore e também para jazzistas como John Coltrane e Quincy Jones.
Ele configurou o som quando Marilyn Monroe cantarolou "Happy Birthday" para o presidente John Kennedy em 1962, e três anos mais tarde ganhou seu primeiro Grammy como engenheiro para o lendário album de Stan Getz e João Gilberto, Getz/Gilberto.
Como produtor, ele esteve muito próximo a Billy Joel e Paul Simon. A capa traseira do album de Billy Joel The Stranger (1977) traz uma foto de Ramome posando com Joel e sua banda em um restaurante.
"Sempre pensei em Phil Ramone como um dos mais talentosos na minha banda. Ele foi a pessoa que ninguem unca viu no palco, ele estava ao meu lado tanto quanto os outros músicos que eu já toquei, tanto que minha música foi moldada e materializada por ele.", disse Billy Joel em seu depoimento sobre sua morte.

A relação de Ramone com todas essas pessoas foram profundas o suficiente para que ele desse nomes a dois de seus filhos - Simon e William (conhecido como B.J.), que viveram com ele, Matthew, seu terceiro filho, e sua esposa Karen.

Como produtor, Ramone era conhecido por sua raiz sonora e conservadora no Jazz e no Pop, e anos mais tarde seus maiores sucessos incluiram albuns de Ray Charles, Tony Bennett, Elton John, entre outros.
Mas ele tambem era favoravel a novas tecnologias. Foi um dos primeiros a colocar em prática as gravações digitais e fez do album 52nd Street de Billy Joel o primeiro album lançado comercialmente em CD, em 1982.
O album Duets de Sinatra (1993), que trazia estrelas como Bono, Streisand e Natalie Cole, foi feito conectado com o estúdio de Sinatra em Los Angeles e com outros ao redor do mundo usando cabos de fibra ótica.

Em sua entrevista para a Billboard em 1996, Ramone explicou porquê ele acreditava que um produtor não deve deixar sua marca nas gravações -
"Se nossos nomes viessem na capa principal, seria diferente, mas não está, e o público não se importa. Se voce pensa que tem um estilo e voce apresenta isso às pessoas, voce está ferindo muito a essência da criatividade deles. A recompensa de produzir vem de dentro da gravadora, quando alguem que está muito ligado com o que está acontecendo chega e diz - Cara, este disco está sensacional; ou quando outros artistas chamam voce e querem trabalhar com voce".

Phil Ramone : 1934-2013

fonte : NY Times, 31 de março, page A19
foto : Phil Ramone e Paul Simon na premiação do Grammy em 1976, Associated Press

O LADO ESCURO DA LUA

24 março, 2013
A lua sempre foi inspiração para poetas, românticos e sonhadores. O astro não só ilumina a face da terra como influencia as marés deste planeta constituído em sua maior parte de agua.
Tão enigmático, foi alvo de uma corrida espacial que brindou o universo com a pegada do americano Neil Armstrong no final dos anos 60, representado por suas próprias palavras como um pequeno passo para o homem e um salto gigantesco para a humanidade.
Seu eclipse é um raro e belo fenômeno e torna-se um ritual a observação deste momento, seja parcial ou em sua totalidade, e é incrivel que até a beleza da sua escuridão é apreciada com tanta euforia.

Dark Side of the Moon, que traduz-se o lado escuro da lua, é o título de um dos mais extraordinários albuns da história, não só do Rock, mas da Música, e cujo lançamento realizou-se há exatos 40 anos na data de 24 de março de 1973. É, até hoje, o album que permaneceu por mais tempo no ranking da Billboard, vendeu mais de 50 milhões de cópias e figura na lista do livro "1001 discos para se ouvir antes de morrer".
O álbum foi gravado no Abbey Road Studio, em Londres, em sessões executadas entre maio de 1972 e janeiro de 1973. Eternizou o grupo Pink Floyd, formado aqui por Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, que, além da grande imensidão sonora que produziram no album, carregaram nas letras as angústias do ser humano, o tempo, o dinheiro, a loucura e trouxe questões metafísicas, a vida além da terra, no espaço.

A década de 70 deu protagonismo à guitarra e David Gilmour, com sua própria identidade sonora, futurista e lisérgica, deu o registro preciso para essa viagem. Seus solos neste álbum preenchem todos os espaços, como se colorisse o plano geométrico do prisma que ilustra a capa e o traduzisse no próprio arco-iris, lógico que com o pote de ouro em sua extremidade.
Era uma época em que os recursos eletrônicos não eram tão avançados, sem sampling, e fazia-se o uso criativo dos sintetizadores e efeitos simulados pelos instrumentos, a sobreposição de vozes, tudo sempre sob a direção da engenharia de som de Alan Parsons.

O tecladista Rick Wright afirmou sua influência em outro album histórico do Jazz, Kind of Blue, de Miles Davis, na interpretação de Breathe; e percebe-se a beleza harmônica desenhada nos acordes do tema, um dos pontos altos do disco.
Traz um dos mais belos e emocionantes improvisos vocais em The Great Gig in the Sky, na voz da pouco conhecida Clare Torry, que simplesmente chegou no estúdio, improvisou e foi embora.
A série Sexto Sentido, criada em 1972 e exibida em nossas terras em 1976, colocou a música Time na abertura, com a introdução dos sinos e o pulsar do relógio criando um ar sombrio e tenebroso que ilustrava a série. O capitalismo também foi colocado em questão por Roger Waters em Money, introduzida pelo som das máquinas registradoras e moedas, tornando-se o hit do álbum para o lançamento, o tema tornou-se um dos riffs mais famosos do Rock e destaca-se o solo de sax de Dick Parry.
O álbum ainda carrega a mística em torno do filme Mágico de Oz, em relação ao sincronismo da sequencia dos temas com o filme, o que foi negado pelo grupo.

Inspirou tambem a nova geração do Jazz como o Jazz Side of the Moon (2008, Chesky Rec), grupo formado pelo organista Sam Yahel, o guitarrista Mike Moreno, o baterista Ari Hoenig e o sax de Seamus Blake; e a Neufeld-Occhipinti Jazz Orchestra, aka NOJO, um super grupo canadense formado por 16 integrantes que recriaram os temas em "Explores the Dark Side of the Moon" (2010, True North Rec).

Dark Side of the Moon é um disco eterno. Um disco para você ouvir sorrindo, para você ouvir chorando. Um disco que, obrigatoriamente, você vai ouvir sempre porque o lado escuro da lua é aqui mesmo onde vivemos.

Por mais que voce viva e voe alto
E os sorrisos que voce vai dar e lágrimas que vai chorar
E tudo que voce toca e tudo que voce vê
É tudo que sua vida sempre será
Breathe

CHARLES LLOYD COMEMORA 75 ANOS COM HAGAR´S SONG

20 março, 2013
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
Jornal do Brasil, 9 de março

Em 1967, em Nova York, ainda nos meus twenties, ouvi ao vivo, pela primeira vez, o sax tenor hipnótico de Charles Lloyd, à frente daquele quarteto consagrado no LP Forest Flower (Atlantic), no qual despontava um inquieto pianista de 21 anos chamado Keith Jarrett. A segunda vez foi em 1999, no Rio, no palco do Free Jazz Festival, onde ele tinha ao seu lado Billy Higgins (bateria), John Abercrombie (guitarra) e Marc Johnson (baixo). A terceira foi no ano passado, em São Paulo, no BMW Jazz Festival, com o quarteto que lidera de uns tempos para cá (Jason Moran, piano; Reuben Rogers, baixo; Eric Harland, bateria), muito bem captado pela ECM nos excepcionais álbuns Rabo de Nube, gravado ao vivo na Basileia, em 2007, e Mirror, registro em estúdio de dezembro de 2009.
Ao vivo ou em estúdio, sobretudo na série de 14 álbuns da ECM, a partir de Fish Out of Water (1989), as litanias desse feiticeiro do saxofone são tão envolventes e cool como as de Lester Young, mas podem elevar-se em espirais cromáticas, dependendo do momento, a estertores sonoros à la John Coltrane. Porém, o som, o fraseado e a postura zen de Charles Lloyd são inconfundíveis. No palco ou no estúdio. Quando era o arquétipo do jazzman hippie, na década de 1960, ou agora, às vésperas do seu 75º aniversário (15 de março).

Para celebrar a data, o selo de Manfred Eicher vem de lançar o CD Hagar's song, gravado por Lloyd em abril do ano passado. Não se trata, no entanto, de mais um registro do já aclamado quarteto, mas de um duo – um diálogo muito íntimo com Jason Moran, que tem a metade da idade do “chefe”, embora seja tido como o pianista mais criativo surgido na cena jazzítica desde Brad Mehldau. Anteriormente, o saxofonista tinha gravado um único disco em duo: Which way is East, em janeiro de 2001, com Billy Higgins, meses antes da morte do icônico baterista.

Na apresentação de Hagar's song pela ECM lê-se :
“O álbum contém peças especialmente caras a Lloyd, desde composições de Billy Strayhorn (Pretty girl), Duke Ellington (Mood indigo), George Gershwin (Bess, you is my woman) e Earl Hines (Rosetta) até um standard fortemente associado a Billie Holiday, a mais famosa balada de Brian Wilson para os Beach Boys (God only knows) e uma canção de Bob Dylan (I shall be released). A peça central do set é a suíte que dá título ao CD, composta por Lloyd, e dedicada à sua tataravó, que foi arrebatada de casa, no sul do Mississipi, quando tinha 10 anos, e vendida para um dono de escravos no Tennessee. 'Quando soube de sua história fiquei muito comovido', diz Lloyd. 'A suíte espelha as etapas de sua vida; perda da família, solidão e o desconhecido, sonhos, sofrimento, e canções para os filhos pequenos'”.

As cinco partes desta emotiva suíte ocupam 27m45 dos quase 70 minutos do disco: Journey up River (6m15), com a melodia sussurrada na flauta baixo; Dreams of White Bluff (9m45), no sax tenor; Alone (2m30), com Lloyd na flauta alto e Moran no pandeiro; a excêntrica Bolivar Blues (4m15), sax alto; Hagar's Lullaby (5m40), sax tenor.
Mas o álbum é cativante desde as três primeiras faixas, em que o duo improvisa a partir de temas que estão na cabeça e no coração não só de Lloyd mas também de qualquer jazzófilo que se preze: Pretty Girl (4m50) ou Star Crossed Lovers, de Such Sweet Thunder, a suíte-magna de Duke Ellington-Billy Strayhorn, de rara melancolia, sublinhada pelo sopro volátil do sax tenor; Mood Indigo (5m15), de Ellington, em tempo mais acelerado que o costumeiro, graças ao piano meio stride de Moran; Bess You is my Woman Now (3m35), de Gershwin, uma troca de afagos entre “Porgy” (Lloyd) e “Bess” (Moran).
A surpresa do disco fica por conta de Pictogram (3m55), peça de Lloyd, em que o saxofonista faz visível referência (e reverência) ao dialeto free de Ornette Coleman, por sobre as assimetrias harmônicas do jovem pianista, cada vez mais senhor de si e da arte do piano jazzístico.

CARTA DE AMOR

16 março, 2013
Que significado tem essa expressão no mundo atual, tão eletrônico, em que mensagens se traduzem codificadas em zeros e uns, criptografadas dentro de e-mails, formatadas em curtas mensagens de texto em dispositivos móveis ou mesmo resumida por limitadas palavras em redes sociais.
Talvez diga-se tanto com tão pouco, alguns afirmam; talvez o conceito do niilismo esteja em pauta, vindo na carona da modernidade e na velocidade da era da informação; talvez uma transformação de valores que, de certa forma, tirou o encanto de uma carta desenhada pelas mãos e esculpida por sentimentos.

Em 1981, época em que a informação ainda não se expressava com tanta velocidade, uma carta nos tornava onipresentes, envolvia um ritual tanto para quem a escrevesse quanto para quem a recebesse, e isso realmente criava um momento mágico.

Carta de Amor é o título do disco de Egberto Gismonti, Jan Garbarek e Charlie Haden, um trio que foi apelidado com o nome de Magico
Não por menos, este espetacular grupo, formado por mestres, surgiu inicialmente da vontade de Haden em formar um duo com Gismonti, mas Manfred Eicher, o homem forte da ECM, sugeriu Garbarek para integrar o grupo, com quem Haden já tinha tocado no grupo de Keith Jarrett, e o encontro do trio foi promissor.
No ano de 1979 gravaram dois discos, Mágico e Folk Songs, ambos pela ECM.

"Carta de Amor" foi gravado em abril de 1981 ao vivo em Munique, no America Haus, e lançado mais de 30 anos depois em edição dupla pela ECM, e aqui no Brasil distribuído pela Borandá.

"É uma mensagem que lançamos ao mar numa garrafa e que só agora chegou à praia.”, disse Gismonti sobre o título do disco, gravado em dois canais e que, para ele, foi como um milagre tecnológico a mixagem das fitas originais, analógicas, tão perfeitas e distante dos ruídos dos registros ao vivo.

E ouvimos uma viagem sonora em 11 composições guiadas pelo sopro intenso de Garbarek, pontual, com sua assinatura sonora, e que aqui se soma ao lirismo do contrabaixo de Charlie Haden, um poeta do instrumento, e Gismonti, sempre Gismonti, se revezando no violão e piano.
É o violão de Gismonti que conduz a maioria das composições - no tema título, que divide-se em duas variações, Cego Aderaldo, Branquinho, composições próprias; os arranjos de Garbakek estão em Folk Song, Two Folk Songs e na experimental Spor; e a intensa La Pasionaria de Haden, que nos brinda com um belo improviso de contrabaixo, tão melódico quanto estonteante, e cujo tema é repertório da Liberation Music Orchestra, grupo liderado por ele que ainda contava, entre outros, com Ryan Kysor, Joe Lovano, Mick Goodrick e Bill Stewart. Ao piano, Gismonti remonta seus clássicos temas Palhaço e Dom Quixote; e também na composição de Haden, All that is Beautiful, em gravação inédita.

Um discão.


UMA BIG BAND PARA A MÚSICA DE METHENY E MAYS

12 março, 2013
Bob Curnow nasceu e cresceu em Easton, Pensylvania. Iniciou na música aos 9 anos de idade aprendendo trompete, barítono sax e finalmente trombone. Encantou-se com a música da orquestra de Stan Kenton, até que o encontrou pessoalmente em 1961 durante um evento denominado Stan Kenton Band Clinics. Em 1963, 1 dia após graduar-se na West Chester University of Pensylvania e na época com 21 anos, ingressou na orquestra do ídolo como trombonista para uma turnê por toda a América, tornando-se um dos arranjadores do lider e mais tarde tambem produtor.
Curnow alcançou uma ilustre carreira como educador de Jazz e tem a grande honra de estar inserido no Hall of Fama da IAJE (Internationl Association of Jazz Education), onde também estão Louis Armstrong, Stan Kenton, Duke Ellington, Count Basie , Woody Herman, Benny Carter, e muitos outros.

Curnow antenou-se com a música contemporânea e logo foi envolvido pela sonoridade do Pat Metheny Group. A ideia de criar um trabalho baseado nos temas de Pat Metheny e Lyle Mays amadureceu e em 1994 lancou Bob Curnow’s L.A Big Band Plays the Music of Pat Metheny and Lyle Mays, lançado na época pela MAMA Records.
Neste primeiro volume, interpretações de First Circle e If I Could (First Circle), Letter From Home, Have You Heard e Are We There Yet? (Letter form Home), Minuano, It's Just Talk e In Her Family (Still Life) e Always and Forever e See the World (Secret Story), todas interpretadas no idooma de uma Big Band .
O album ganhou repercussão por todo o mundo e tornou-se o mais vendido da história da gravadora.

O próprio Metheny sentiu-se honrado com este tributo, disse ele na época para a MIX Magazine –
“Tenho que admitir que estou realmente sensibilizado por tudo que eu ouvi. Não sabia o que esperar e estava um pouco apreensivo, mas quando ouvi isso fiquei extasiado, senti que a banda de Curnow está com a vibração certa.”

E quase duas décadas após o lançamento do primeiro volume, Curnow e sua Big Band nos apresenta um novo tributo, The Music of Pat Metheny & Lyle Mays Volume 2.

Bob Curnow Big Band: The Music of Metheny & Mays
Na contra-capa do novo album, Curnow desabafa sobre o desafio de produzir um CD de Big Band nos dias de hoje, afirmando ser desencorajador; e ressalta a necessidade de muita ajuda, músicos talentosos e muitos e muitos bons amigos. Mas para nós, ouvintes, é um resultado maravilhoso ouvir a música de dois gênios em interpretações intensas, cheios de ataques de metais e arranjos muito bem escritos, respeitando a estrutura melódica dos temas originais.

A música de Pat Metheny já  foi interpretada por inúmeros artistas em todos os formatos, na textura erudita do violão solo de Jason Vieaux, nas vozes de Kurt Elling e Anna Maria Jopek, no sopro de Wallace Roney, no jazz contemporâneo de Alex Sipiagin e em grandes formações como a Metropole Orchestra, entre muitas outras interpretações.

Para os "methenymaníacos", como eu, ouvir os clássicos temas interpretados com tanta originalidade e criatividade é um grande presente.

E Curnow fala sobre este projeto, diz ele –
"A música de Pat e Lyle sempre foi uma grande inspiração para mim. Minha decisão sobre o que fazer sempre foi baseada pela curiosidade em obter o que eles realmente queriam dizer com  a música. E analisar uma música é sempre um desafio. Quando escrevi o primeiro álbum sobre a música de Metheny-Mays, não tinha planos de criar um novo álbum, mas as músicas foram se desenvolvendo e o grupo estava cada vez melhor."

O repertório deste segundo volume explora bastante as composições do álbum Speaking of Now com os temas A Place In the World, The Gathering Sky, You, Afternoon e Wherever You Go; e traz também os temas Follow Me, The Heat of the Day e As It Is (Imaginary Day),  And Then I Knew (Secred Story), a clássica James (Off Ramp) e uma composição inédita, Chet´s Call, um tema nunca gravado pelo PMG mas que tem seu registro em uma apresentação ao vivo em 1985, e que foi escrita para uma apresentação com Charlie Haden, Billy Higgins e Chet Baker que nunca aconteceu.

Para os amantes da música de Metheny e Mays, um registro obrigatório.

Bob Curnow Big Band

A Bob Curnow Big Band é formada por Don Goodwin piano, Kyle Smith guitarra, Brian McCann contrabaixo e Dan Cox, Michael Waldrop e Dru Heller revezando-se na bateria;
e nos sopros -
sax : Todd Delguidice, Dick Hubbard, Vanessa Sielert, Dave Fague, Cameron LaPlante, Jeremy Hamilton, Gary Edighoffer, Jessica Leek e Matt Thistle;
trompetes : Terry Lack, Jim Philips, Andy Plamondon, Vern Sielert, Larry Jess, Tim Larkin e Liz Bradstreet;
trombones : Rob Tapper,  Tim Lienhard, Andrew Fudge, Al Gemberling, Jenny Kellogg, Devin Otto, Holly Amend e Bill Foster.

Os CDs, assim como todos os arranjos dos álbuns, estão disponíveis no site da Sierra Music.



Mais Pat Metheny -

What´s All About Orchestrion Unity Band What´s All About

HOMENAGEM ÀS MULHERES

08 março, 2013
A celebração do Dia Internacional da Mulher surgiu na virada do século XX no calor da revolução industrial com a entrada da mão de obra feminina nas indústrias. Naquela época, nesta data, elas se manifestaram por melhores condições de vida, trabalho e remuneração, e numa destas manifestações, reprimida com muita violência, acabou tragicamente com a morte de centenas delas.
A data de 8 de março foi estabelecida durante uma conferência internacional feminina realizada na Dinamarca em 1910 e só foi oficializada pela ONU em 1977.
A data nos dias de hoje nem carrega mais o contexto político original, hoje é uma comemoração pelas conquistas e respeito alcançados.

Este espaço já dedica permanentemente uma homenagem às mulheres. Já temos uma seção só para ELAS, que tocam, que cantam; mas hoje dia é dia de todas elas. Celebramos então a existência daquela que nos gera, nos alimenta, nos educa e àquelas que se transformam ao longo da nossa vida, que nos encontram, que se encontram, as tristes, as felizes, as que amam, erram, acertam, tentam, se apaixonam, que vivem a intensidade da vida e que são companheiras da nossa existência.

Para esta homenagem, o registro do trabalho do saxofonista italiano Stefano Di Battista intitulado Woman´s Land (2011), um tributo às mulheres, um projeto que nasceu do desejo de contar em música a beleza, a coragem e a força da figura feminina, neste álbum estão reverenciadas a cantora americana Ella Fitzgerald, a atriz Anna Magnani, a neurologista Rita Levi, a astronauta russa Valentina Tereshkova, Molly Bloom, Coco Chanel e a personagem Lara Croft. São 12 temas ilustrando todas essas mulheres.

E um time da pesada acompanha Di Battista - Jonathan Kreisberg guitarra, Jeff Ballard bateria, Francesco Puglisi contrabaixo, Julian Oliver e Robert Tarenzi piano, Fabrizio Bosso trompete e a presença do nosso ilustre Ivan Lins.

QUEST RESSURGE COM TEMAS MARCANTES DA ASSOCIAÇÃO MILES-SHORTER

07 março, 2013
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
Jornal do Brasil, 2 de março

Lá se vão 30 anos, o saxofonista Dave Liebman e o pianista Richard Beirach fundaram o quarteto Quest (palavra inglesa para busca, aventura), inicialmente com George Mraz (baixo) e Al Foster (bateria), que foram logo sucedidos pelos não menos magistrais Ron McClure e Billy Hart. Esse grupo interativo - cultor de composições de natureza camerística, mas desenvolvidas de maneira bem free, foi muito aplaudido e ouvido pelos jazzófilos mais atentos com base, principalmente, em três álbuns: Quest II (Storyville, 1986), Natural selection(Evidence, 1988) e Of one mind (CMP, 1990).
Quando fundou o Quest, Liebman já tinha uma certa fama. Em 1972, aos 26 anos de idade, foi convocado por Miles Davis para a gravação da primeira sessão que gerou o LP fusionista On the corner (Columbia), ao lado dos eletrificados Chick Corea, Herbie Hancock e John McLaughlin. Mas, depois, o saxofonista (tenor e soprano) preferiu trilhar os caminhos vanguardistas mais especulativos abertos por John Coltrane e Ornette Coleman. E encontrou em Richard Beirach o seu partner ideal. Ambos eram novaiorquinos nascidos no Brooklyn, tinham quase a mesma idade e respeitável formação musical como compositores e instrumentistas.

Em 2000, Beirach mudou-se para Leipzig (Alemanha), onde até hoje leciona no Conservatório Felix Mendelsson. Liebman continuou sua fulgurante carreira, enriquecida nos últimos anos por dois excelentes registros: Turnaround: The music of Ornette Coleman (Jazzwerkstatt, 2009), em quarteto com Vic Juris (guitarra), Tony Marino (baixo) e Marko Marcinko (bateria); Contact:Five on one (Pirouet, 2010), com John Abercrombie (guitarra), Marc Copland (piano), Drew Gress (baixo) e Billy Hart (bateria). Em 2007, Liebman, Beirach, Ron McClure e Hart refizeram o Quest, e o reencontro foi documentado no CD Re-dial: Live in Hamburg (OutNote).

Em fevereiro de 2011, o grupo, a idade média de seus integrantes é agora de 68,5 anos, gravou para a etiqueta alemã Enja o CD Circular Dreaming, recém-lançado e já disponível nas lojas virtuais. Das nove faixas do novo álbum, sete foram garimpadas nos célebres discos (Columbia) do quinteto de Miles Davis (1965-68) que tinha o saxofonista Wayne Shorter como diretor musical. Seis delas são assinadas por Shorter: Pinocchio (4m50) e Nefertiti (6m20), do LP Nefertiti (1967); Prince of Darkness (6m25) e Vonetta (4m15), de Sorcerer (1967); Footprints (7m20), de Miles Smiles (1966); Paraphernalia (9m50), de Miles in the Sky (1968). O tema Hand Jive (5m35) é de autoria de Tony Williams, baterista daquele quinteto, e apareceu também no antológico álbum Nefertiti. As duas peças restantes, a faixa-título Circular Dreaming (7m35) e M.D. (7m20), são originais de Richie Beirach e Dave Liebman, respectivamente.

Nesta nova reunião, a temática Miles Davis-Wayne Shorter é transfigurada pela estética do quarteto, mais pantonal do que modal. Footprints e Paraphernalia são, a meu ver, os pontos culminantes da sessão, com o formidável sax tenor de Liebman, mais coltraneano do que shorteriano, pontificando em expressivos e longos solos, assim como o piano de Beirach – pleno de assimetrias rítmico-harmônicas. O clima é decididamente efervescente, graças também à hiperatividade do tandem Hart-McClure.

A faceta mais contemplativa do Quest é ressaltada em Prince of Darkness (Liebman no sax soprano), na camerística M.D. (longa introdução “erudita” de Beirach, solo plangente do sax tenor), em Vonetta (sax tenor) e em Nefertiti (sax soprano).

O CD Circular Dreaming foi lançado “oficialmente” no afamado clube Birdland, Nova York, na semana passada, com apresentações ao vivo do quarteto em cinco noites seguidas.

MAIS UM GIGANTE QUE PARTE : ALVIN LEE

06 março, 2013
O guitarrista Alvin Lee morreu nesta quarta-feira aos 68 anos decorrente de complicação em um procedimento cirúrgico de rotina.

Graham Alvin Barnes, aka Alvin Lee, nasceu em Nottingham, Inglaterra, começou a tocar guitarra aos 13 anos influenciado pelos pais, que tinham um vasta coleção de gravações de Jazz e Blues. Com a ascenção do Rock nos anos 60, o estilo despertou seu interesse e teve em Chuck Berry e Scotty Moore suas grandes influências.
Foi um dos fundadores do Ten Years After ao lado do baixista Leon Lyons , grupo do puro rock inglês criado no final dos anos 60 e que incendiou o festival de Woodstock com o tema I’m Going Home, considerado um dos pontos altos do histórico festival. Deixou o grupo em 1973 e gravou 14 albuns solo, colaborando ainda com inúmeros artistas como Ron Wood, Mick Taylor, George Harrison, entre outros.

Um gigante da 335, modelo Gibson que foi apelidado de "Big Red" e cujo instrumento teve uma edição limitada fabricada com seu nome.

"Perdemos uma pessoa maravilhosa, um grande pai e companheiro. O mundo perdeu um verdadeiro e abençoado músico", diz a declaração da esposa e filhos.

Alvin Lee : 1944-2013



foto : Alvin Lee em 1975, fonte Wikipedia

UMA HOMENAGEM AO TROMPETISTA DONALD BYRD

04 março, 2013
A gravadora Blue Note está homenageando o imortal trompetista
Donald Byrd em sua página na internet com o streaming de um concerto realizado em Montreux em 5 de julho de 1973.

Acesse aqui para ouvir -
www.bluenote.com/spotlight/donald-byrd-live-at-montreux-july-5-1973

Este registro não foi lançado oficialmente.
De acordo com Michael Cuscuna, curador da gravadora, a sessão foi gravada e mixada por Bob Belden em 1979 e, inexplicavelmente, permaneceu esquecida nos arquivos da gravadora, até agora.

Uma super apresentação e o grupo que acompanha Donald Byrd está formado por Fonce Mizell no trompete e vozes, Allan Barnes no tenor e flauta, Nathan Davis no tenor e soprano, Kevin Toney no piano elétrico, Larry Mizell nos sintetizadores, Barney Perry na guitarra, Henry Franklin no baixo, Keith Killgo na bateria e Ray Armando nas congas e percussão.

Vale conferir !

ENCONTRO INTERNACIONAL DE HARMÔNICA

01 março, 2013
divulgação
Encontro Internacional de Harmônica
O 12º Encontro Internacional de Harmônica acontecerá entre os dias 7 e 10 de março no Sesc Pompéia, São Paulo. O evento promoverá shows, workshops e uma super jam session de encerramento.

Programação -

dia 7, quinta-feira, 21h30min
     Geison Cezare & Hillbilly Country Band
     Blues Etílicos
dia 8, sexta-feira, 21h30min
     Nico Smoljan and the Shake Dancers
     Harmônicas SP
dia 9, sábado, 21h30min
     Rildo Hora e Misael Hora
     Howard Levy e Chris Siebold
dia 10, domingo, 19h
     Blues Jam com a banda Shake Dancers
       
Workshops -
     Little Will, dias 7 quinta-feira e 10 domingo às 18h      
     Blues Duo com Little Will e Gyba Biblos, dia 8 sexta-feira, às 20h
     Howard Levy (EUA), dia 9, sábado, 16h

Alguns destaques sobre as apresentações -

O gaitista Geison Cezare vai resgatar as raizes do Hilliby, gênero musical que deu origem ao Country. Estará acompanhado por Paulo Belinassi (bateria), Marcio Scialis (voz, violão), Ralph Silva (contrabaixo), Alex Fernandes (guitarra e violão), Rodrigo Battello (Banjo), Cezar Benzoni (Mandolin e Steel Guitar Dobro) e um repertório que vai do country tradicional ao moderno;
O Blues Etílicos foi o primeiro grupo nacional a criar um público fiel nesse segmento e tem a lideração do gaitista Flávio Guimarães, além de Otávio Rocha guitarra, Cláudio Bedran baixo e Pedro Strasser bateria;
Nico Smoljan é um dos gaitistas mais reconhecidos da Argentina. Em seu trabalho solo é acompanhado por Matías Cipiliano (Guitarra), Patricio Raffo (Bateria) e Mariano Dandrea (baixo). No repertório, temas tradicionais de Muddy Waters, Little Walter e Willie Dixon, além de composições próprias. O show conta com a participação especial do gaitista gaúcho Toyo Bagoso;
O grupo Harmônicas SP coloca pela primeira vez juntos num mesmo show os mais atuantes gaitista de Blues de São Paulo - Sérgio Duarte, Robson Fernandes e Daniel Granado, e um super banda com  Celso Salim guitarra, Marcos Klis baixo e Humberto Zigler bateria;
Rildo Hora é gaitista, arranjador, compositor e produtor musical e é um dos ícones do instrumento na Música Popular Brasileira. Nesta apresentação estará acompanhado ao piano pelo filho Misael Hora;
Howard Levy é reconhecido com um mestre da gaita diatônica, compositor e produtor de trilhas sonoras. Atualmente reside em Chicago e estará acompanhado pelo violonista Chris Siebold apresentando um repertório com Jazz, Blues, Música Brasileira e Erudita;
O gaitista Little Will e o guitarrista Giba Byblos farão apresentações intimistas e descontraídas e no repertório temas próprios e clássicos do Blues imortalizados por Robert Johnson, Leadbelly, Sonny Terry e Brownie McGhee;

O SESC Pompéia fica na Rua Clélia 93, Pompeia, São Paulo.
O telefone é (11) 3871-7700.