JOHN MEDESKI EM UM TEMPO DIFERENTE

27 abril, 2013
Um John Medeski um tanto diferente, longe do vibração eletrônica do trio Medeski Martin & Wood, da onda bluesy com o North Mississipi All Stars e o guitarrista Robert Randolph (The Word, 2010) e do recente tributo fusion ao baterista Tony Willians com o Spectrum Road.

A Different Time é um album introspectivo, em que Medeski mergulha em piano solo, dentro de si mesmo, tão quieto quanto intenso.
É seu primeiro trabalho neste formato, um projeto que ele sempre teve vontade de realizar e gravou esta sessão em um piano Gaveau, um instrumento francês de 1924 construído em estilo que precedeu os pianos modernos.
A resposta sonora deste instrumento é muito mais delicada, o que exige do músico uma atenção intensa em todos os momentos para domínio do seu som, como se cantasse com os dedos. Assim Medeski esclarece o instrumento no encarte do album.

Joseph Gabriel Gaveau se estabeleceu em Paris em 1847 e foi um dos três mais importantes fabricantes de pianos da França, após Sebastien Erard e Ignaz Pleyel.

Medeski incorporou com muita sensibilidade o toque deste instrumento, demonstrando uma técnica impecável e explorando os altos registros. O album foi gravado no Waterfront Studios, construído dentro uma igreja do século 19 em Hudson Valley, NY. O estúdio é de propriedade do produtor Henry Hirsch, que encorajou Medeski a utilizar o piano Gaveau, um instrumento que ele nunca tinha tocado.
O mínimo de eletrônica foi utilizado a fim de captar a capacidade dinâmica do instrumento, foram dois microfones plugados em uma mesa vintage Helios e as sessões foram gravadas ao longo da noite, longe dos ruídos externos e aproveitando a atmosfera crepuscular.
E Medeski espera que os ouvintes ouçam o album sob essa mesma atmosfera, em um momento quando deixamos de lado as responsabilidades sociais, quando questões políticas do dia foram tratadas, quando as fofocas chegaram ao fim, quando todas as necessidades e desejos foram colocados para descanso momentâneo, quando todos os planos foram feitos, quando você está cansado de palavras e está pronto para se entregar à música.

São nove temas, sete deles assinados por Medeski, explorando a improvisação livre; e traz ainda Willie Nelson em I´m Falling in Love Again e Charles Gabriel em His Eye is on the Sparrow.

"Eu estava apenas tocando a música, me perdi no som. E isso é realmente o objetivo final, não importa a hora, é voce se deixar levar, sentar e tocar", diz Medeski.

Som na caixa !

RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES FESTIVAL

23 abril, 2013
O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival chega em sua edição número 11 e mais uma vez nos presenteia com um festival recheado de excelentes atrações, nacionais e internacionais. O evento acontece entre os dias 29 de maio e 2 de junho em Rio das Ostras, cidade litorânea do Rio de Janeiro.

E uma boa notícia em relação a infraestrutura do Palco Costazul na edição deste ano. Para evitar os problemas com a chuva e lama, como ocorreu no ano passado, será colocado um piso cobrindo toda a área do palco, idêntico aos usados nos estádios em dias de shows. Mais conforto para o público e lembrando que todos os shows são gratuitos.

A programação desta edição é uma das melhores dos últimos anos e quem vai ditar as regras são as cordas.
Acredito que o grande nome desta edição é o baixista Stanley Clarke, um gigante que tem história no mundo do Jazz em todas as suas formas e com certeza vai desfilar do acústico ao elétrico em uma super apresentação, que certamente vai reviver seus clássicos temas.
O "dum-dum" vai falar forte também com a presença de Victor Wooten, que deve trazer o repertório de seus últimos albuns Words and Tones e Sword and Stone, vocal e instrumental respectivamente. Wooten fez parte junto com Clarke no trio de baixistas SMW, que contava também com Marcus Miller. E se apresenta também nosso grande Arthur Maia, um dos ícones da nossa música instrumental e que merece toda a atenção.
Não esperamos que este trio de super baixistas esteja junto no palco, mas eles traduzem a certeza de grandes apresentações com muito balanço, muito walking e muito slap.

Stanley Clarke, Victor Wooten, Arthur Maia








Outro grande músico que faz a linha de baixo e também improvisa como guitarrista é Charlie Hunter, hoje se apresentando com um instrumento de sete cordas produzido especialmente para ele em substituição ao seu antigo oito cordas. Como ele mesmo afirmou, sua mão pequena carecia de um instrumento menor e isso tornou sua digitação mais confortável. Curioso que essa mudança deu-se quando, no meio de uma apresentação, a oitava corda arrebentou e ele se viu obrigado a continuar tocando, descobrindo novas formas e percebendo que podia render a mesma intensidade com as sete cordas. Hunter é único em seu estilo de som e no palco estará acompanhado pelo sax de Leo Gandelman, vamos ter muito groove, afinal Gandelman entende e muito do assunto.
O guitarrista Diego Figueiredo é outro grande nome desta edição. Ainda garoto, surgiu no premio Visa Instrumental de 2001 em uma interpretação solo de Brigas Nunca Mais (Jobim). Seguiu uma sólida carreira internacional e passeia facil pelo Jazz e pela Música Brasileira com arranjos bem originais.

Na onda Fusion, os guitarristas Scott Henderson e Vernon Reid prometem um som de arrepiar.
Henderson é unanimidade nesta linha, um monstro das cordas, o lider do Tribal Tech e que também tem muita influência do Blues em seus trabalhos solo, vide os albuns Dog Party e Tore Down House. Se apresentará ao lado do baixista Travis Carlton e do baterista Alan Hertz.
Reid está na lista da Rolling Stones entre os mais importantes guitarristas da história, é integrante e lider do Living Colour e participou ano passado com o Spectrum Road em um tributo ao baterista Tony Willians. Já esteve em Rio das Ostras como sideman de outro gigante, James Blood Ulmer, em uma das mais intensas performances deste festival desde que eu frequento. Nesta edição,Vernon vem como lider ao lado da sua banda Masque e a cantora Maya Azucena.

Will Cahoun; Donald Harrison










Nomes fortes do Jazz também estão presentes nesta edição, representados pelo som contemporâneo do trompetista Christian Scott e pelo saxofonista Donald Harrison que vem acompanhando o trio do baterista Will Cahoun.
Scott provavelmente vai apresentar o trabalho de seu último e excelente album Christian aTunde Adjuah e deve vir com seu grupo atual formado por Braxton Cook no sax, Warren Wolf vibrafone, Lawrence Fields piano, Vicente Archer contrabaixo e Corey Fonville bateria. Grande trompetista e é um show imperdivel.
Cahoum também já esteve em Rio Das Ostras e na época estava o sax de Marcus Strickland a frente. Desta vez é Donald Harrison que lidera o grupo e traz o pianista Mark Cary e o excelente contrabaixista Charnet Moffett. Esta será a apresentação mais Jazz desta edição e o grupo vem afiado, direto de uma apresentação no Blue Note em New York.
Ainda, a novidade da Big Band BYU Sintesis, uma das mais conceituadas Big Bands de universidade da América.

John Primer









A frente Blues desta edição também vem forte. John Primer é um dos representantes do Blues de Chicago e está garantido o melhor do estilo com a Real Deal Blues Band, banda que o acompanha. Lucky Peterson é outro nome de peso e no palco mostra muita competência na guitarra e no hammond e vem acompanhado da sua esposa e cantora Tamara Peterson.
O Blues nacional está representado pelos guitarristas Lancaster e Mauro Hector; e ainda haverá uma celebração ao guitarrista Celso Blues Boy com uma super banda formada por Marcos Amorim Bart guitarra, Roberto Lly baixo e Márcio Saraiva bateria, banda base de Blues Boy e que terá como convidados Jefferson Gonçalves gaita, Joe Manfra guitarra e Ivo Pessoa nos vocais.

No palco Novos Talentos, ainda se apresentam os guitarristas Gean Pierre Fernando Vidal e o baixista Vagner Faria; e a Orleans Street Band que vai animar as ruas da cidade.

Programação -

29 de maio, quarta-feira
Praça José Pereira, 17h : BYU Synthesis
Palco Costazul, 20h : Orquestra Kuarup; Lancaster; John Primer & The Real Deal Blues Band

30 de maio, quinta-feira
Praça São Pedro, 11h15min : Gean Pierre
Palco Tartaruga, 17h15min : Stanley Clarke
Palco Costazul, 20h : BYU Synthesis; Diego Figueiredo; Léo Gandelman & Charlie Hunter; Tributo à Celso Blues Boy

31 de maio, sexta-feira
Praça São Pedro, 11h15min : Mauro Hector
Palco Iriry, 14h15min : Lucky Peterson & Tamara Peterson
Palco Tartaruga, 17h15min : Victor Wooten
Palco Costazul, 20h : Arthur Maia; Christian Scott; Vernon Reid & Maya Azucena; Stanley Clarke

1 de junho, sábado
Praça São Pedro, 11h15min : Vagner Faria
Palco Iriry, 14h15min : Léo Gandelman & Charlie Hunter
Palco Tartaruga, 17h15min : Christian Scott
Palco Costazul, 20h : Will Calhoun & Donald Harrison; Scott Henderson; Victor Wooten; Lucky Peterson & Tamara Peterson

2 de junho, domingo
Praça São Pedro, 11h15min : Fernando Vidal Trio
Palco Iriry, 14h15min : Scott Henderson
Palco Tartaruga, 17h15min : Vernon Reid & Maya Azucena

Mais informações em  http://www.riodasostrasjazzeblues.com

DOIS MUNDOS ORQUESTRADOS POR FREDERICO HELIODORO

05 abril, 2013
O físico Hugh Everett, nos anos 50, afirmou a existência de mundos paralelos em sua Teoria dos Muitos Mundos; e que vivenciamos isso, porém não temos ideia de como esta natureza se apresenta e de como estes mundos estão relacionados.
Assim como Einstein, que comprovou a não distinção entre tempo e espaço e que ambos não podem ser verificados isoladamente, afirmando que um evento só pode ser definido conforme seu lugar no espaço e no tempo em que ocorre.
Viagens no tempo e no espaço, o que talvez eles queiram afirmar é que tudo "é aqui e agora". E a ficção também se encarregou de nos mostrar essa dualidade de realidades - Richard Bach, o autor de Fernão Capelo Gaivota, apresenta esse cenário em seu romance intitulado UM; além de inúmeras séries como a clássica "Tunel do Tempo", a trilogia "De volta para o Futuro", "Efeito Borboleta", entre outros.

Teorias físicas, angustias metafísicas, realidades paralelas, a única certeza é que a música está em todos esses universos.

"Dois Mundos" é o título do excelente trabalho do contrabaixista Frederico Heliodoro, seu segundo disco, aqui acompanhado por Pedro Martins guitarra, Felipe Vegas piano e Felipe Continentino bateria.

Em entrevista para Wilson Garzon, do Clube de Jazz, Frederico afirma que o termo "Dois Mundos" significa seu envolvimento com o Kardecismo, mundo material e mundo espiritual, e que também reflete a mistura do jazz com o rock, resultando em uma música aberta e que foge dos rótulos.
É exatamente isso que ouvimos neste trabalho, o grupo soa no melhor estilo da big apple, contemporâneo, e flertando muito com a sonoridade da boa música progressiva.

O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Acústico, em BH, com a produção de Frederico e de Daniel Santiago, e traz nove belíssimas composições arranjadas por todo o grupo, com muito espaço para o jovem e excelente guitarrista Pedro Martins.

Um luxo a música instrumental brasileira e o jazz contemporâneo tão vivos e com a nossa assinatura.
Recomendadíssimo.
Para adquirir o disco, acesse  http://fredericoheliodoro.com/