INSTRUMENTOS MUSICAIS E SUAS FAIXAS DE FREQUÊNCIAS SONORAS

29 julho, 2013

Para algumas pessoas, ouvir música é sempre um experiência; para outras, uma simples música de fundo.
O que realmente importa é a música estar presente na vida das pessoas.
Com a explosão da música digital, a compressão do registro sonoro tornou-se uma constante no universo musical, o que, por um lado, colocou o som em diversos equipamentos portáteis como iPods e tocadores de MP3, e nos permitiu também ver e ouvir música em qualquer lugar que possua acesso remoto pelo YouTube ou qualquer outro provedor de serviço de mídia.
Não que antigamente não pudéssemos levar a música conosco, não da forma tão portátil como hoje, mas o walkman fez um belo papel com as fitas cassetes.
E é essa música sem compressão que faz o disco de vinil tão atualizado nos dias de hoje.

Mas o quando o assunto é áudio, sempre há polêmica; e ouvir música em um som "dos grandes", bem acomodado, realmente é mais contagiante. Quem curte som de verdade tem uma certa nostalgia das composições formadas pelos saudosos receivers, caixas de madeira, integrados, powers, prés e tudo com uma leve potência e muita vibração no sofá. A verdade é que esses equipamentos tornaram-se bem menos acessíveis, mas ainda estão por aí, seja um modelo vintage ou um moderno equipamento.
Em alguns ambientes tornava-se necessária a inclusão de um equipamento muito comum nas configurações dos amantes do áudio - os equalizadores. Muito utilizado para ajustar o som nas características do local ou mesmo para colocar pressão nos fracos receivers, esses equipamentos sempre tiveram um lugar reservado no rack dos apaixonados por som, ainda hoje, apesar que por aqui eu já aposentei o uso deles.
E o uso dos equalizadores ainda é uma ferramenta de muita importância para o engenheiro de som.

Nos anos 80, uma revista obrigatória para os amantes do áudio era a Som Três, e dela resgatei um artigo publicado em 1998 que disserta sobre os segredos dos equalizadores, escrito pelo engenheiro Luiz Fernando Cysne, e que ilustra o alcance das frequências das notas musicais e dos instrumentos musicais.
A verdade é que nem tudo é percebido pelos nossos ouvidos, e todos os sons são influenciados, de alguma forma, pelo ambiente em que o som se propaga.

Confira o universo das frequências -

1 a 20 Hz : frequências infra-sônicas - não são audiveis e quando se apresentam geralmente produzidas por grandes orgãos, sentimos sua presença pela variação da pressão atmosférica;
20 a 40 Hz : baixas frequências - graves muito baixos;
40 a 160 Hz : graves - frequências produzidas por pianos, baterias, orgãos, baixos elétricos e instrumentos de corda;
160 a 315 Hz : graves, médios baixos - frequências fundamentais de vozes soprano a tenor estão nessa região e baixas frequências de diversos instrumentos como trompete, clarineta, oboé e flauta;
315 a 2500Hz : médios - faixa que nossos ouvidos são relativamente sensiveis; como a maioria dos instrumentos é rica em harmônicos baixos, o conteúdo de sons nessa faixa é muito grande;
2500 a 5000Hz : médios superiores - a definição e claridade dos sons devem-se bastante aos componentes dessa faixa; os vocais sempre possuem harmônicos nessa região e o volume aparente de um programa é incrivelmente influenciado por essas frequências;
5000 a 10000 Hz : altas frequências - agudos; embora essa faixa possua pouca energia, ela resulta maior brilho e muitos sons consonantais não vocais se encontram nessa frequência;
10000 a 20000 Hz : agudos superiores - essa oitava superior do espectro contem parcela ínfima de energia da maioria dos programas musicais e é facilmente perdida acusticamente em estúdios ou simplesmente não é reproduzida pelos microfones.

MORRE J.J. CALE

27 julho, 2013
J.J. Cale : 1938-2013
Mais um que partiu !
J.J. Cale morreu aos 74 anos vítima de um ataque do coração. Ele estava internado no Scripps Hospital em La Jolla, California.
Um gigante do Blues-Rock e autor de clássicos como Cocaine, After Midnight e Call me the Breeze, entre muitos outros.
Para J.J. Cale, a música não era uma escolha, era tudo que ele sabia.

John Weldon Cale nasceu em 5 de dezembro de 1938 em Oklahoma. Compositor, guitarrista e vocalista, seu som passeava pelo Blues, Rockabilly e Country com a maior naturalidade.
Começou a tocar guitarra nos clubs de Tulsa nos anos 50 tocando Rock e o som das bandas de swing ao lado de Leon Russel. Em 1964 partiu para Los Angeles e trabalhou como engenheiro de estúdio e tocou com Delaney & Bonnie por um tempo, alcançando sua carreira solo em 1965 com a primeira versão de After Midnight, que se tornaria um dos seus mais famosos temas.

Lançou seu primeiro álbum, Naturally, em 1971, que emplacou os temas Crazy Mama, uma nova versão de After Midnight e Call me the Breeze. J.J. Cale tinha 32 anos quando gravou este álbum e pensava que estava velho demais para gravar, e brincava dizendo que deveria estar deitado numa rede. Cale tinha aversão a longas turnês e permaneceu obscuro por décadas. Uma vez afirmou ser um compositor de sorte por Clapton ter ouvido um de seus temas, afinal ele mesmo não fazia parte do showbiz.
Nunca teve a intenção de ser famoso.

Foi uma grande influência para Eric Clapton, que gravou e deu muito destaque aos temas After Midnight e Cocaine, em versões incendiárias no album ao vivo Just on Night (1979), I’ll Make Love To You Anytime (Backless, 1978), Travelin’ Light (Reptile, 2001) e Angel, que está em seu último album Old Sock (2013). Uma vez perguntado sobre a pessoa que mais admirava, Clapton não exitou em responder que era J.J. Cale. Assim como Neil Young, que disse que de todos os que já tinha ouvido, tinha Hendrix e J.J. Cale como seus guitarristas preferidos.

Ainda com Clapton, gravaram juntos o album The Road To Escondido (2006, Reprise Rec), premiado com o Grammy pelo melhor álbum de Blues Contemporâneo.
J.J. Cale: 1938-2013

A SANFONA CALOU. MORRE DOMINGUINHOS.

23 julho, 2013
que falta eu sinto de um bem, que falta me faz um xodó
mas como eu não tenho ninguém, eu levo a vida assim tão só

Dominguinhos : 1941-2013
A sanfona calou.
José Domingos de Moraes, nosso Dominguinhos, faleceu aos 72 anos, perdendo a luta contra um cancer.
Aquele que trouxe a alegria do forró e o registrou em uma ampla discografia, deixando uma história na música regional brasileira contada nos baixos de uma sanfona.
A sanfona que levou o prêmio do Grammy Latino em 2002.

Dominguinhos nasceu em Garanhuns em 1941. Filho de sanfoneiro, começou a aprender o instrumento com seis anos de idade quando ganhou um pequeno acordeão de oito baixos. Tornou-se um estudioso do instrumento, nas sanfonas de 48, 80 e 120 baixos, e músico profissional ainda garoto.
Aos nove anos conheceu Luiz Gonzaga quando tocava na porta do hotel em que ele estava hospedado, e o mestre se impressionou com a desenvoltura do menino convidando-o para ir ao Rio de Janeiro. E Gonzagão lhe deu de presente uma sanfona e o colocou em seu grupo.

Dominguinhos : 1941-2013

DE SENHORES, BARONESAS, BOTOS, URUBUS, CABRITOS E OVELHAS

20 julho, 2013
Cau Karam, Quarteto À Deriva

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De Senhores, Baronesas, Botos, Urubus, Cabritos e Ovelhas é o resultado da parceria criativa entre o violonista e compositor Cau Karam e o Quarteto À Deriva. Fruto de um delicado equilíbrio entre afinidades e diferenças, o album apresenta uma música original, expressiva e cheia de nuances, atenta à riqueza das matrizes que a cultura brasileira oferece e, ao mesmo tempo, aberta a infinidade de possibilidades criativas que surgem no diálogo entre essas tradições e formas contemporâneas de Jazz e Música Erudita.

A característica central da música de Cau Karam é a presença marcante das matrizes musicais brasileiras. A riqueza rítmica e a linguagem melódica dos gêneros tradicionais são recriadas de um ponto de vista pessoal, incorporando um enfoque harmônico e formal muito original e uma utilização cuidadosa de timbres na construção de arranjos. À Deriva, por sua vez, foca sua produção na elaboração de situações musicais com alto potencial criativo, baseadas sobretudo na improvisação e na interação livre entre os músicos. Mesmo marcada pelo experimentalismo, que se manifesta de forma renovada a cada performance, é sempre sensorial e expressiva.
São características comuns aos dois trabalhos e pontos de partida na construção da parceria, a sonoridade baseada em instrumentos acústicos, o desejo de aprofundar o conhecimento a respeito das distintas culturas que estão ao nosso redor e o compromisso com o nosso tempo.

Cau Karam e À Deriva propuseram-se um processo criativo orientado pela horizontalidade. A disposição ao risco e a consciência das diferenças, associadas à profunda amizade e admiração que os une, conduziu-os a um lugar novo. Alimentados por um impulso criativo renovado, cada indivíduo pôde transbordar suas potencialidades. Juntos, dedicaram-se à construção de arranjos para composições que, quando nasceram, representavam fragmentos de um imaginário muito particular, e, mais adiante, ao serem reelaboradas coletivamente, ganharam novas dimensões e significados.

De Senhores, Baronesas, Botos, Urubus, Cabritos e Ovelhas resulta em uma totalidade significativa, um universo que emerge da justaposição de cada um desses fragmentos de experiência, construídos no encontro - sínteses possiveis em que da sobreposição das diferenças emergem particularidades compartilhadas.

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Texto inserido no encarte do album 
"De Senhores, Baronesas, Botos, Urubus, Cabritos e Ovelhas"

Mais sobre o trabalho do grupo em  http://musicaaderiva.com.br/caukaramaderiva/

Confira o video do Making Of do album -




Mais Quarteto À Deriva -

Cau Karam e Quarteto À Deriva


OS RAPAZES DO TRIO

17 julho, 2013
RdT

"Não há distância entre músicas. Não há barreiras. Não há, tampouco, regras. Há apenas limitações estéticas. Quando a vencemos tornamos a música universal, única."

Esta é a mensagem do grupo RdT, os Rapazes do Trio, formado por Walter Nery guitarra, Guto Brambilla contrabaixo e Fernando Baggio bateria, sobre o novo trabalho intitulado Elo.
O nome do disco parece sugestivo - um elemento de ligação, uma junção de formas, conteúdos e sons.

O grupo nasceu no Conservatório Souza Lima, escola de música de São Paulo, onde os integrantes são professores, e foi como um encontro de músicos que tinham como único objetivo fazer música, simplesmente tocar. Juntos desde 2004, "Elo" é o terceito disco do grupo, que faz um trabalho autoral e cheio de influências e, como o próprio grupo afirma - é a música em uma linguagem sem barreiras, com quebras de vários conceitos e aceitação de todos os estilos, incorporando a feição niilista da música instrumental, uma visão de fusão moderna.

Neste trabalho, um convidado mais que especial, o guitarrista americano Mike Moreno, um dos grandes músicos desta nova geração criada na "big apple". Mike tem forte aproximação com a música brasileira e, para se ter uma ideia, em seu disco "First in Mind" (2011, Criss Cross) interpretou de forma belíssima Nelson Cavaquinho (A Flor e o Espinho) e Milton Nascimento (Milagre dos Peixes).

"Elo" abre com "Sarayu", um contagiante tema em que se apresenta a textura do jazz contemporâneo e as boas-vindas com o belo solo de Mile Moreno na primeira parte do tema, expressando sua assinatura com uma digitação precisa e empolgante. Um tema cuja melodia fica enraizada na cabeça.
"Incidental" dá a impressão de uma citação meio bossa na melodia introdutória, e Nery esclarece que a introdução foi baseada em um elemento melódico que se desloca sobre a escala diminuta. No entanto, o tema se transforma em andamento acelerado marcado pelo contrabaixo de Guto Brambilla e a bateria de Fernando Baggio em que destacam-se os solos de Mike e Nery.
A bela balada "Liv" foi composta por Baggio para sua filha, um melódico tema conduzido na base pelo acústico de Nery e espaço para os improvisos de Brambilla e Mike.
"Sky" é uma suite em três movimentos, inspirada na música húngara. O contrabaixista Brambilla pesquisou profundamente compositores húngaros contemporâneos como Mihaly Dresh e Bela Szakcsi Lakatos para compor o tema, e no primeiro movimento, "Fantasy Moon", coloca o contrabaixo em destaque em improviso livre, envolvente, denso e um tanto experimental em cerca de 7 minutos solo fazendo pontuações com o arco e uso de efeitos; a suite segue com "Green Stars" e "Dawn Alone", desenhadas pela digitação da guitarra de Nery e conduzida em pulsação intensa pela bateria de Baggio.
"Délicatesse" traz novamente o contrabaixo em destaque com o uso do arco, e Baggio esclarece que o tema foi inicialmente criado no piano e tornou-se um desafio trazê-lo para o trio, destacando novamente o improviso de Nery, excelente guitarrista. Aqui,  percebe-se claramente a forte interação do grupo durante a execução do tema.
Mike Moreno assina "Mirror Mirror" e introduz o tema solo, e mais uma vez sobra espaço para o improviso de Brambilla. "Rabbit Experiment" fecha o disco e distingue-se o timbre das guitarras em que Nery faz leve uso de drive dando uma textura mais fusion em seu improviso.

Walter Nery, Guto Brambilla, Fernando Baggio, Mike Moreno

Um discão.
O guitarrista Chico Pinheiro chama a atenção para essa parceria do grupo com Mike Moreno, disse ele - "A incrível cumplicidade do Trio com o guitarrista texano é notada desde o início,  como se já tocassem juntos há muito tempo, e essa intensa interatividade musical permeia o disco todo, tornando-se um elemento muito especial em Elo."

Assista o tema Sarayu -



Leia também as palavras de Fernando Baggio sobre o baterista Brian Blade -

Brian Blade, por Fernando Baggio

UM TRIBUTO PARA LUTHER ALLISON

10 julho, 2013
Walter Trout

Luther Allison foi um daqueles guitarristas incendiários. Mudou-se para Chicago aos 12 anos e não se cansava de ouvir Sonny Boy Williamson e Muddy Waters, cujo filho era seu colega de escola e ele sempre aproveitava e parava na casa do mestre para ouví-lo ensaiando.
Aos 18 anos já estava nas jams com Magic Sam, Otis Rush e Freddie King, quem o incentivou a cantar.

Gravou albuns históricos como Bad News is Coming (1973), Luther Blues (1974) e Live in Chicago, gravado em 1995 no Chicago Blues Festival e lançado pela Alligator em 1999, após sua morte em 1997, decorrente de um cancer.
Deixou um legado para o Blues.

E quem faz a homenagem a Luther Allison é o guitarrista Walter Trout, no album intitulado
Luther´s Blues (2013, Mascot Music).
Em toda a sua discografia Trout jamais realizou um album cover, esta foi a única exceção pois Luther é o seu preferido, além de ter sido um grande amigo.
Tocaram juntos apenas uma vez no Montreux Festival em 1986 quando Trout acompanhava o grupo de John Mayal, e Luther Allison realizou um set com o grupo. A foto que ilustra a capa do album foi tirada após este show.
Para Trout, a paixão de Allison pela música, seu comprometimento e sua energia no palco eram contagiantes e desde sua morte em 1997 ele que pretendia fazer um album em sua memória, mais que um tributo a sua música, um tributo ao jeitão que Allison levava a vida.

No repertório, 13 composições em que Luther Allison assinou 11 delas - I’m Back, Cherry Red Wine, Move From The Hood, Bad Love, Big City, Chicago, Just As I Am, Pain In The Streets, All The King’s Horses, Freedom e Luther Speaks. Bernard Allison, seu filho, contribui com Low Down And Dirty e também participa da faixa; e Trout com When Luther Played The Blues.
Os temas estão nos seguintes albuns originais de Luther - Songs from the Road, Bad Love, Blue Streak, Reckless e Soul Fixin' Man.

O grupo que acompanha Trout é Rick Knapp baixo, Sammy Avila e Deacon Jones hammond, Skip Edwards piano e Michael Leasure bateria.

Som na caixa !

"Eu não quero ser um estranho por onde ando.
Eu quero ser parte do universo de todos. 
Não preciso de fãs, eu preciso de amigos, vamos fazer amigos fãs. 
Eu quero ver voce hoje, eu quero ver voce amanhã. 
É isso que eu quero."
Luther Allison 

JOE BONAMASSA TOTALMENTE ACÚSTICO

05 julho, 2013
Joe Bonamassa An Acoustic Evening At The Vienna Opera House
Cinco músicos que nunca tinham tocado juntos, alguns nunca haviam se encontrado antes, todos de estilos bastante distintos e que se reuniram no palco sem nenhuma fonte de eletricidade para os instrumentos. A única linguagem em comum entre eles era a Música.

Para o produtor Kevin Shirley, reunir Joe Bonamassa, Arlan Schierbaum, Lenny Castro, o irlandes Gerry O'Connor e o sueco Mats Wester foi um grande desafio e o resultado foi surpreendentemente espetacular, o album An Acoustic Evening At The Vienna Opera House.

Evidente que, para esses extraordinários músicos, este desafio estava em suas próprias mentes. Foram somente 3 dias de ensaios e 3 apresentações antes do registro final, cuja turnê começou com um show em Montreux, seguiu para Toulouse, Lyon até a gravação ao vivo no Viena Opera House, Austria, um palco de grande importância musical, pela sua história, que sempre vibrou ao som de grandes orquestras clássicas.

O Viena Opera House foi inaugurado em 1869 e teve um momento de silêncio durante a segunda guerra mundial quando foi atingido por uma bomba em 1945, sendo reconstruído 10 anos depois.

Este album foi gravado com instrumentos totalmente acústicos, nenhum deles plugado, alguns muito interessantes como os tocados pelo sueco Mats Wester, como a Mandola, uma tipo de Mandolim e muito popular na Irlanda, e a Nyckelharpa, instrumento tradicional sueco datado do século 14, cheio de chaves e tocado com arco na posição horizontal, como um lap steel. Gerry O'Connor toca Banjo, Mandolin e Violinos; Arlan Schierbaum encarrega-se do Acordeon, Piano e Harmonium, instrumento similar ao orgão porém de tamanho reduzido; Lenny Castro nos instrumentos de percussão; e Bonamassa se reveza entre os 12 violões distribuídos no palco, incluindo dobros e violão de 12 cordas.
O repertório é composto por 21 composições já gravadas por Bonamassa. Para Mats Wester, isso foi mais desafiador pois não conhecia nenhuma delas e as estudou profundamente para traduzi-las ao seu instrumento, e o mais importante, para seu estilo, visto que Mats tem uma cultura musical bastante diferente e muito enraizada no Swedish Folk.
Assim como para o percussionista porto-riquenho Lenny Castro, que utilizou instrumentos que não costuma usar ao vivo, no palco, como Cajon, Washboard e o Bodhran (Irish Drum).

Uma sonoridade impressionante.

Joe Bonamassa

Para quem está acostumado com o peso e o som caloroso e envolvente da Les Paul de Bonamassa, vai se surpreender com esse show. Ele mesmo afirma que sente a falta da energia elétrica da guitarra, mas sempre mostrou muita destreza no violão aço e já havia realizado uma turnê solo explorando outras roupagens de seus temas originais.
Neste quinteto acústico um outro objetivo foi alcançado, os temas foram novamente arranjados e adequados à realidade de cada instrumento, mas sempre mantendo a essência dos registros originais.
É uma compilação de varias fases de Bonamassa, que inclui Mountain Time (So It's Like That, 2002); Woke Up Dreaming (Blues Deluxe, 2003); Palm Trees, Helicopters and Guns e High Water Everywhere (You and Me, 2006); Jelly Roll, Around the Bend, Richmond, Ball Peen Hammer, Sloe Gin e Seagull (Sloe Gin, 2007); Athens to Athens, From the Valley, The Ballad of John Henry e Jockey Full of Bourbon (The Ballad of John Henry, 2009); Dust Bowl, Slow Train e Black Lung Heartache (Dust Bowl, 2011); Driving Towards the Daylight, Dislocated Boy e Stones in My Passway (Driving Towards the Daylight, 2012).

E o Blues-Rock tão marcante destes temas aqui dá lugar ao novo, um encontro com uma atmosfera celta, às vezes um tanto rústica, com citações evidentes de Ragtime e Country, um nostálgico Folk setentão e, lógico, o Blues, tudo isso com uma textura muito particular.
Eloquente, inspirador, simplesmente espetacular.

Bonamassa é um verdadeiro alquimista, segue seu caminho musical sem se preocupar com rótulos e sempre buscando novas fronteiras. Ainda vai surpreender muita gente que ainda o acha um produto de mídia, mas o cara realmente sabe das coisas e toca demais.

O DVD está muito bem gravado e ainda traz entrevistas, os bastidores da turnê e a preparação para a apresentação final no Viena Opera House.
Registro obrigatório.



Mais Joe Bonamassa -

Joe Bonamassa : See Saw Joe Bonamassa : Don´t Explain Black Country Communion

ILHA BLUES FESTIVAL EM SUA OITAVA EDIÇÃO

02 julho, 2013
A oitava edição do Ilha Blues Festival acontecerá em Ilha Comprida, litoral sul de São Paulo, entre os dias 25 e 28 de julho.
O evento é gratuito e será realizado no Iate Park Hotel.

A programação está excelente e nosso melhor time estará no palco, representado por nomes muito atuantes no cenário Blues nacional, como os gaitistas Big Chico e Jefferson Gonçalves; os organistas Adriano Grineberg e Ari Borger; e os guitarristas Artur Menezes e Nuno Mindelis.

Nos destaques internacionais, uma grande oportunidade de asssitir o gaitista James Cotton que, aos 78 anos, é um dos grandes bluesman ainda vivos, uma história na harmônica. Cotton, além do show neste festival, realizará um turnê pelo país trazendo na bagagem seu último album Cotton Mouth Man.
Lurrie Bell é outro grande nome já conhecido em nossas terras e foi eleito o artista de Blues do ano em 2012 pela Living Blues Awards.
E mais Chicago Blues nas mãos e na vozes de Michael Dotson e Eddie Taylor Jr.

Programação -

dia 25, quinta-feira
     General Blues, 21h
     Jefferson Gonçalves, 22h30
     Adriano Grineberg Quarteto, 24h
dia 26, sexta-feira
     Fulvio Oliveira & The Wild Blues Band, 21h
     Artur Menezes, 22h30
     Eddie Taylor Jr, 24h
dia 27, sábado
     Ari Borgher, 21h
     Nuno Mindelis, 22h30
     Lurrie Bell, 24h
dia 28, domingo
     Big Chico, 21h
     Michael Dotson, 22h
     James Cotton,, 23h

O Iate Park Hotel fica na Av Sarnambi 100.

Ilha Comprida fica distante 200 km de São Paulo pela Rodovia Régis Bittencourt (BR116) até o trevo de Iguape, seguindo pela Rodovia Casimiro Teixeira SP-222, acesso Iguape-Ilha via Ponte prefeito Laércio Ribeiro; de Curitiba 260 km pela BR116 até o trevo de Pariquera-Açu, pelas Rodovias Ivo Zanella e SP226 até Iguape, acesso Iguape-Ilha via Ponte prefeito Laércio Ribeiro.

O JAZZ COMO ESPERANTO MUSICAL

01 julho, 2013
Uri GurvichColuna do Luiz Orlando Carneiro 
JBOnline, 29 de junho

Conforme a narrativa do Gênesis, os homens falavam uma só língua. Até que decidiram construir uma torre que tocasse os céus, e mostrasse ao “Todo Poderoso” do que eram eles capazes. Como Deus não gostou do desafio, confundiu a linguagem dos construtores, que começaram a se expressar em idiomas até então inexistentes.
Sem se entenderem, os homens de Babel (ou BabEl) dispersaram-se mundo afora, em grande confusão.

No mundo moderno, o jazz, que não é um tipo de música afroamericana, mas um modo de expressão musical cada vez mais global, é o idioma capaz de reunir, num estúdio ou num palco, instrumentistas nascidos em países os mais diversos num clima de criativa harmonia.

Com sotaques distintos, Louis Armstrong e Django Reinhardt, Art Tatum e Martial Solal, Miles Davis e Thomasz Stanko falaram ou falam esse esperanto musical.

O CD BabEl, recém-lançado pelo selo Tzadik, do “cult” John Zorn, é um registro especialmente relevante dessa língua sempre aberta a neologismos, cultivada em lugares de intensa atividade cultural, como os clubes underground do Village e do Brooklyn, em Nova York, e o Berklee College of Music, em Boston.
BabEl contém oito peças da lavra do saxofonista alto israelense Uri Gurvich, que comanda um quarteto integrado pelo argentino Leo Genovese (piano, teclados), pelo cubano Francisco Mela (bateria), e pelo búlgaro Peter Slavlov (baixo). Todos eles completaram seus estudos no afamado Berklee College, e acabaram por radicar-se em Nova York. Em três faixas deste cativante álbum, o marroquino Brahim Fribgane embarca no grupo tocando o seu oud, instrumento de origem árabe similar ao alaúde, também com cordas duplas, mas fretless (sem trastes).

O chamado world jazz não é novidade. Um dos conjuntos mais interessantes do gênero é o quarteto Third World Love, formado pelos israelenses Avishai Cohen (trompete), Yonathan Avishai (piano) e Omer Avital (baixo) mais o americano Daniel Freedman (bateria), e que teve merecido sucesso com o CD New blues (Anzic, 2007). O cultor mais radical do gênero é o acima citado John Zorn, que vem de lançar, como compositor, o álbum Tap: Book of Angels, Vol. 20 (Tzadik), no qual Pat Metheny entra em erupção, com todo o seu arsenal de guitarras e engenhocas eletrônicas, na companhia do baterista Antonio Sanchez.

BabEl, de Uri Gurvich & Cia, está mais na linha da música de Avishai Cohen do que no viés excêntrico de Zorn. A temática oriental, de caráter modal, é hipnótica e ritmicamente dançante logo na primeira faixa, Pyramids (6m10), que destaca o oud de Fribgane, na abertura e na conclusão da peça, desenvolvida num solo de mais de três minutos do saxofonista, cujos som ácido e articulação invejável lembram muito Kenny Garrett. O clima é o mesmo em Derwish Dance (6m20), com realce para o piano assimétrico, à la Don Pullen, de Genovese, e na pegada groovy de Nedudim (6m35), incrementada pelo teclado com som de órgão do pianista.
As peças mais contemplativas do CD são também as mais longas: Alfombra Magica (8m) e Hagiga Suite (8m50). O oud do marroquino Fribgane “orientaliza” ainda mais Scalerica de Oro (6m), tema tradicional sefardita, desenvolvido em crescendo até uma celebração final com efeitos eletrônicos dos teclados e uma coda vocal em ladino, e Camelão (5m45), com o incisivo sax alto de Gurvich e o piano de Genovese em movimentada troca de ideias, mais solo do magnífico baterista Francisco Mela (o preferido de Joe Lovano).