O PRISMA, POR DAVE HOLLAND

30 outubro, 2013

Qualquer semelhança, é mera coincidência.

Elemento de múltiplas formas geométricas, um prisma é todo poliedro formado por uma face superior e uma face inferior paralelas e congruentes, chamadas de bases, ligadas por arestas, e suas laterais são quadriláteros ou paralelogramos. Sua nomenclatura é dada de acordo com a forma das bases.

Sobre o efeito visual em um prisma, quando a luz branca incide sobre sua superfície, sua velocidade é alterada separando-se dentro do espectro, e para cada feixe de luz branca há um índice de refração diferente promovendo também diferentes ângulos de refração ao chegar na outra extremidade.
Parece complicado ?


Bom, matemática e geometria de lado, o que vale aqui são as múltiplas cores e formas sonoras do novo trabalho liderado pelo contrabaixista Dave HollandPrism, que traz a guitarra de Kevin Eubanks, as teclas de Craig Taborn e a bateria de Eric Harland.
Esse time já integrou formações ao lado do líder em outros projetos - Eubanks aparece no album Extensions (1989) e no World Trio (1995) em formato acústico, que também tinha a presença do percussionista Mino Cinelu; Harland está presente no album Pass it On (2008); e Taborn está ao lado de Holland no album The Real Quietstorm (1995) liderado pelo sax de James Carter.

Prism traz fortemente uma textura Jazz-Rock, suportada pelo drive da guitarra do extraordinário guitarrista Kevin Eubanks, e ainda o rhodes de Taborn e a energia das baquetas de Harland. Todos assinam composições no album. Eubanks contribuiu com três temas - The Watcher, The Color of Iris e Evolution; os demais assinam dois temas cada um - Holland com The Empty Chair e A New Day; Taborn com Spirals e The True Meaning of Determination; e Harland com Choir e Breathe.

"The Watcher" abre o album em uma onda bem eletrizante, com Taborn pilotando um rhodes bem rasgado e Eubanks largando a mão. "Empty Chair" traz um Blues composto por Holland para sua esposa, Clare, e um belo improviso do líder, que assina também "A New Day", outra composição com textura bem contemporânea em que Taborn senta ao piano acústico, e muito espaço para Eubanks e mais um belo improviso de Holland. Um pouco de mainstream em "Choir", cuja melodia é desenhada com um efeito meio "Leslie" na guitarra de Eubanks, e o tema se desenvolve com um contagiante walking de Holland para deleite do piano de Taborn. "Evolution" carrega um ar setentão, Taborn novamente ao rhodes, Eubanks sempre endiabrado e Harland desenhando formas intensas.
A belíssima balada "Breathe" fecha o album.

MORRE LOU REED AOS 71 ANOS

27 outubro, 2013
Lou Reed
Lou Reed morreu aos 71 anos em sua casa em Long Island.
A causa da morte foi uma doença hepática. Lou Reed havia feito uma cirurgia de transplante de fígado e estava em tratamento intensivo.

Um ícone do mundo do Rock.
Sua música fez, e ainda faz, parte da vida de muita gente.
Desde o Velvet Underground, seu primeiro grupo no final dos 60, formado ao lado de John Cale, seu som sombrio é a trilha perfeita para uma juventude rebelde, sem motivos, sem causas e cheia de consequências.
Quem nunca navegou em alguma viagem ao som do clássico tema "Walk on the Wild Side" ?
O tema está presente em seu album Transformer (1972), produzido por David Bowie, e deu a ele uma atenção especial, o que Reed odiava, tornando-se um das músicas mais tocadas na época, até hoje é um clássico.

De suas palavras, sempre acreditou que havia um número incrível de coisas que voce podia fazer com o som do Rock. O Velvet Underground, originalmente idealizado por Andy Warhol, teve um impacto significante no Rock underground no mundo inteiro, influenciou diretamente grupos como Joy Division, Talking Heads, R.E.M., entre outros, e suas músicas falavam sobre amor, alienação, alegria e transformação espiritual, que permaneceram no som de Lou Reed ao longo de sua discografia solo.
Seu tão polêmico album Metal Machine Music (1975) era puramente guitarra jogada em dois amplificadores, em que Reed alterava a velocidade no momento da gravação, sem voz, baixo e bateria. O album mais tarde teve um registro semelhante realizado por Pat Metheny em Zero Tolerance for Silence (1994). Sobre este album Reed disse uma década depois - "Ninguém que eu conheça ouviu este album até o fim, nem eu".

Louco, poeta, insano.
Lewis Allan Reed nasceu no Brooklin, NY, em 2 de março de 1942.

Lou Reed : 1942-2013

A MÚSICA É A CHAVE PARA O SUCESSO ?

21 outubro, 2013
Excelente artigo publicado no NY Times sobre a relação da música com outras atividades profissionais.
(tradução livre)

por Joanne Lipman
fonte : NY Times (imagem : Anna Parini)

A cientista politica americana Condoleezza Rice estudou para ser uma pianista. O economista Alan Greenspan foi clarinetista e saxofonista. O bilionário e investidor Bruce Kovner estudou na Julliard.

O que o estudo e treinamento dedicado da música parece se relacionar com o sucesso em outras áreas ?
A ligação não é uma coincidência. Eu coloquei a questão para profissionais bem sucedidos na industria de tecnologia, finanças e comunicação, e todos tinham alguma relação no passado como músicos. Quase todos fizeram uma conexão entre o estudo da música e sua realização profissional.

O fenômeno vai além da associação matemática-música. Evidentemente, muitos afirmaram que a música abriu o caminho para o pensamento criativo e lembram que suas experiências aguçaram outras qualidades, como o trabalho em equipe, a habilidade de ouvir, um jeito de pensar que a agrega ideias distintas e o poder de focar no presente e no futuro simultaneamente.

Um programa musical escolar transformará seu filho em um Paul Allen (guitarra), o bilionário co-fundador da Microsoft? Ou um Wood Allen (clarineta)? Provavelmente não. Estes são únicos. Mas o meio que estes e outros visionários citados utilizam a música é fascinante. É a forma que muitos deles aplicam o estudo, a dedicação e o foco na música em muitas maneiras de pensar e se comunicar, até mesmo na solução de problemas.
Olhando cuidadosamente, voce encontrará músicos no topo de quase todas as industrias. Woody Allen toca semanalmente com um grupo de Jazz. A apresentadora Paula Zahn (cello) e a corresponde da Casa Branca Chuck Todd (trompa) ingressaram em suas escolas como bolsistas de música; Andrea Mitchell, da NBC, tornou-se uma violinista profissional. Allen, assim como o investidor de risco Roger McNamee, tiveram grupos de Rock. Larry Page, co-fundador da Google, tocou saxofone na escola. Steven Spielberg é clarinetista e filho de uma pianista. O presidente do Banco Mundial James Wolfensohn tocou violoncelo no Carnegie Hall.

Não é coincidência, afirma Greenspan, que desistiu do clarinete mas toca o instrumento em sua sala de estar. "Posso dizer a voce, como estatístico, que a probabilidade de que isso é mero acaso é extremamente pequena. Isso é tudo que você pode julgar sobre os fatos. A questão crucial é: por que essa ligação existe?", diz ele.
Paul Allen tem uma resposta, ele reforça sua confiança na habilidade de criar. Começou a tocar violino aos 7 anos e trocou para a guitarra quando adolescente. Mesmo no início da Microsoft, ele pegava a guitarra ao final de uma maratona de dias de programação. A música era sua válvula de escape em seus dias de trabalho, canalizando diferentes tipos de impulsos criativos. "Muita coisa puxa voce para olhar além do que realmente existe e isso se expressa de muitas maneiras", diz ele.
Todd diz que há uma ligação entre os anos de prática e ele chama isso de "guiar pela perfeição". O executivo Steve Hayden credita sua experiência como celista ao seu mais famoso trabalho, o comercial da Apple para o computador "1984", ilustrando uma rebelião contra um ditador. "Eu estava pensando em Stravinski quando me veio a ideia", diz ele. E acrescenta que tocar violoncelo o ajudou a trabalhar em equipe - "Tocar em conjunto educa voce, literalmente, tocar bem com os outros, saber quando solar e quando acompanhar".

Para muitos dos altos executivos entrevistados, a função musical como a "linguagem oculta", de acordo com Wolfensohn, permite melhorar a habilidade de conectar coisas diferentes ou mesmo idéias contraditórias. Quando ele liderava o Banco Mundial, viajava para mais de 100 países e frequentemente assistia a shows locais (ocasionalmente juntava-se ao grupo com um violoncelo emprestado), e isso o ajudava a entender a cultura das pessoas.
É nesse contexto que as tão discutidas ligações entre matemática e música ressoam. Ambos são meios de expressão. Bruce Kovner, o fundador da Caxton Associates e membro executivo da Juilliard, diz que vê similaridades entre tocar piano e estratégias de investimento, afirmando que ambos se relacionam por reconhecer padrões e muitas pessoas estendem esses paradigmas por diferentes sensações.
Kovner e o pianista Robert Taub descrevem isso como um conjunto, uma sinestesia, em que percebe-se os padrões de um meio tri-dimensional. Taub ganhou fama por suas gravações de Beethoven e desde que fundou sua empresa de sofware musical, MuseAmi, diz que quando toca pode visualizar todas as notas e suas inter-relações, uma habilidade que se traduz intelectualmente em fazer múltiplas conexões em múltiplas esferas.
Para outros, a paixão pela música é mais notável que seus talentos. Wood Allen afirma duramente - "Eu não sou um músico completo, muito pelo fato de estar no cinema. Sou como um jogador de tenis de final de semana, daqueles que joga somente uma vez. Não tenho um bom ouvido ou particularmente um bom senso de tempo. Em comédias, tenho um bom instinto para ritmo, mas na música nem tanto."
Ainda, ele pratica o clarinete pelo menos meia hora por dia senão perderá a embocadura se não o fizer. Afirma que, se quiser tocar, tem que praticar e, por pior que ele esteja, o faz todos os dias. Allen toca regularmente com seu grupo e  não pretende tocar em salas de concertos para 5000 ou 6000 pessoas, mas isso enriquece tremendamente sua vida.

A música te dá equilibrio, explica Wolfensohn, que iniciou as lições de violoncelo já adulto. Diz ele - "Voce não está tentando ganhar uma corrida para ser o líder disso ou aquilo. Voce está se divertindo pela satisfação e alegria da música, que está totalmente desvinculada da sua situação profissional."
Para Roger McNamee, cuja empresa Elevation Partners seja, talvez, a mais conhecida em investimento no Facebook, música e tecnologia convergiram. Ele se tornou um especialista na rede social usando-a para promover sua banda, Moonalice, e agora está promovendo videos por streaming de seus shows. Ele afirma que músicos e profissionais compartilham a necessidade quase que desesperada de ir mais fundo.
Paula Zahn lembra passar quatro horas por dia tentando tirar uma frase em seu violoncelo. Todd, agora com 41 anos, conta em detalhe sua audição solo aos 17 - "Sempre acreditei nas razões que me levaram a trabalhar mais que as outras pessoas. É uma competência aprender a tocar solo, trabalhar em algo muitas e muitas vezes. Não há nada como a música para ensinar a voce que, eventualmente, se trabalhar duro, obterá o melhor. Voce vê os resultados."
Esta é uma observação da qual lembra que a música com um sério propósito, a educação musical, está em declínio neste país.

Considerando as qualidades destes altos realizadores, digo que a música aguçou a colaboração, a criatividade, a disciplina e a capacidade para reconciliar idéias conflitantes. Qualidades ausentes da vida pública. A música não faz de voce um gênio, ou rico, ou mesmo uma pessoa melhor, mas ajuda a pensar diferente, a processar diferentes pontos de vista, e o mais importante - torna prazeroso o ato de ouvir.

Joanne Lipman is a co-autora junto com Melanie Kupchynsky do livro "Strings Attached: One Tough Teacher and the Gift of Great Expectations”.

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ELAS : JO HARMAN

16 outubro, 2013
Jo Harman
Jo Harman tem potencial para ser uma voz de grande expressão no blues, soul e R&B - potente, marcante e com muito feeling nas interpretações.

Ela nasceu em Brighton, sul da Inglaterra, e cresceu em Devon, sempre ouvindo a música que seus pais ouviam - Beatles e Cat Stevens; mais tarde abriu os ouvidos para Ella Fitzgerald, Aretha Frankling e Etta James, sua grande influência, e passou a admirar as cantoras de sua geração como Lauren Hill e Amy Winehouse.

Seu album de estreia, Live at Hideaways (2011), gravado ao vivo, capturou a verdadeira essência da música e da voz dessa bela moça, que afirma que cada show é diferente.
Sobre esse trabalho, Harman quis fazer algo clássico, que soasse como os que ela ouvia, e seguiu seu instinto.
No repertório, um passeio pelo R&B em "Summer Breeze", clássico do Isley Brothers, e "Bless Ma Soul"; põe um ar 'Janis' em "Move Over"; agita com "Through The Night" e "Heartsring"; e dá espaço para as belas baladas "Sideways" e "Sweet Man Moses", no qual faz uma homenagem ao seu pai.
Nesta sessão está acompanhada por Mike Davies guitarra, John McKenzie baixo, Steve Watts teclados, Martin Johnson bateria e os backing vocals de Rosie Cunningham e Faye Hamilton.



SALVEM OS POETAS, OS ANJOS E OS PALHAÇOS

11 outubro, 2013
Há um ditado que afirma que a solidão inspira os poetas, cria os artistas e estimula a genialidade daqueles que inovam. Há controvérsias, mas somos nós, espectadores deste espetáculo, que agradecemos a estes personagens que, aqui, nos envolvem com Música e, tão folclóricos e existenciais quanto inocentes, são como anjos que nos protegem e palhaços que nos proporcionam alegria.

Nuno Mindelis
São esses os protagonistas que intitulam o álbum do guitarrista Nuno Mindelis, Angels & Clowns.
É o primeiro registro de Nuno pela gravadora Shining Stone, e seu sétimo de estúdio.
Para Nuno, fazer este trabalho foi como superar um obstáculo; compor o repertório foi desafiador porque queria alcançar algo além do mundo do blues e ainda poder falar para tantas pessoas quanto possível, disse ele no encarte.
Nuno assina 10 das 13 composições, e é categórico ao dizer que antes do músico vem o poeta. O álbum foi produzido por Duke Robillard, que colocou seu grupo para acompanhar Nuno com Bruce Bears nos teclados, Brad Hallen no baixo e Mark Teixeira na bateria. Robillard também contribuiu com sua guitarra, além do vocal de Sunny Crownover, artista da Shining Stone.

A música "It´s All About Love" puxou o álbum, impulsionado pelo video-clipe gravado nas ruas do centro da cidade de São Paulo, um cenário cosmopolita onde a música atraiu a atenção de curiosos, distraídos e amantes, e colocou sorriso no rosto das pessoas em uma verdadeira representação do espírito do tema, que traz ainda o vocal de apoio de Sunny e a guitarra base de Robillard.
Na mesma onda contagiante, "It´s Only a Dream" traz novamente Robillard na base; e o próprio protagonizou a guitarra solo na funkeada "Hellbound".
O tema título traz uma onda Hendrix, afinal é uma de suas grandes influências, assim como JJ Cale, cuja atmosfera se faz presente no tema "Miss Louise".
Nuno não economizou na beleza do seu solo no epílogo de "27th Day"; e trouxe o peso de volta em "Perfect Blues", em que dialogou com o wha wha e fechou com mais um espetacular solo. Cry Baby!
Não podia faltar um slow blues, presente na instrumental "Tom Plaisir"; e um registro tradicional em "Blues in My Cabin". Para fechar,  uma onda jazzy com "Jazz Breakfast at Lakewest".

Não é a primeira vez que Nuno grava com uma base formada por músicos estrangeiros, em "Texas Bound" (1996) e "Blues on the Outside" (1999) gravou com o Double Trouble, grupo base do saudoso Stevie Ray Vaughan formado por Tommy Shannon e Chris Layton.
Nuno cada vez mais se destaca no cenário internacional, onde conhecido como "A Fera", e Angels & Clowns tem recebido boas críticas nas revistas do gênero ao redor do mundo.



Mais sobre Nuno Mindelis em  www.nunomindelis.com.br/

O BATERISTA MAGNUS OSTROM INVOCA OS DEUSES DO OLIMPO

05 outubro, 2013
Jupiter era o rei dos deuses para os romanos, invocado quando a força do destino inesperadamente aparecia em sua vida. Reinava no Olimpo e, ao movimento de sua cabeça, era capaz de agitar o mundo. Filho de Réia e Saturno, um dia resolveu destronar o pai e extinguir da existência os Titãs, obstáculos ao seu reinado. A ele foi dado o trovão, o relâmpago e o raio, armas de luta e de vitória.
Entre as divindades, Júpiter era sempre o mais cultuado.

Quem invoca o reino do Olimpo é baterista sueco Magnus Ostrom, integrante do saudoso trio E.S.T, um dos grupos mais surpreendentes surgidos nos últimos tempos e cuja trajetória foi interrompida pela morte do líder, o pianista e amigo Esbjorn Svensson, morto há cinco anos em acidente durante uma atividade de mergulho.

Após Thread of Life (ACT, 2011), seu primeiro disco, Magnus Ostrom está de volta com novo trabalho, Searching for Jupiter, tão espetacular quando o trabalho de estréia.
Ostrom está acompanhado por Andreas Hourdakis nas guitarras, Daniel Karlsson no piano e teclados e Thobias Gabrielson no contrabaixo.

Mais uma verdadeira viagem sonora, marcada fortemente pela atmosfera fusion e em muitos momentos nos lembrando o saudoso som do rock progressivo, proporcionado pela densa atmosfera imposta com os solos de Hourdakis.
O E.S.T deixou mesmo uma marca na assinatura de Ostrom, muito evidente em The Moon (And the Air It Moves) e na bela balada Mary Jane Doesn't Live Here Anymore, em destaque para o piano de Karlsson, que também contribuiu com um ar sombro no tema Hour of the Wolf marcada pela percussão de Ostrom.
Jules and Jim's Last Voyage alça um vôo quase psicodélico e Gabrielson ganha espaço no melódico e contemporâneo tema Through the Sun, e quem fica a frente é a guitarra de Hourdakis, que também se apresenta em contagiantes momentos em Dancing at the Dutchtreat e no tema título do album, em que coloca um ar 'methenyiano' pelo seu timbre e digitação. O album fecha com At the End of Eternity, uma viagem na esperança de dias melhores, e aqui com espaço para o improviso de Ostrom.

Mais sobre Magnus Ostrom em  www.magnusostrom.com/


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Magnus Ostrom : Thread of Life E.S.T : 301