DOWNBEAT CRITICS POLL 2014

24 junho, 2014

A cantora e compositora Cécile McLorin Salvant foi a grande revelação da edição 62 da Downbeat Critics Poll. Cecile foi premiada em 4 categorias - album do ano pelo trabalho Woman Child (Mack Avenue), destaque vocal feminino, e na seção de artistas em ascensão como revelação do Jazz e novamente como vocal feminino.

Para Frank Alkyer, editor da Downbeat, este foi um ano formidável para as vozes do Jazz - outro nome de destaque foi Gregory Porter.
Maria Schneider também foi outra grande premiada nesta edição nas categorias Big Band, Compositora e Arranjadora.
Ainda, a inclusão do guitarrista Jim Hall no Downbeat Hall of Fame, e os nomes do guitarrista Peter Bersntein e do saxofonista Wayne Scofery nos artistas em ascensão, dois músicos que sempre gostei muito.

Nesta edição foram 62 categorias premiadas e mais de 1200 artistas listados. A lista completa será publicada na edição de agosto da Downbeat.



Confira a lista  -

Hall of Fame: Jim Hall 
Veterans Committee Hall of Fame: Dinah Washington 
Veterans Committee Hall of Fame: Bing Crosby 
Jazz Artist: Gregory Porter
Jazz Album: Cécile McLorin Salvant, WomanChild (Mack Avenue)
Historical Album: Miles Davis, Miles At The Fillmore 1970 The Bootleg Series Vol.3 (Columbia/Legacy)
Jazz Group: Wayne Shorter Quartet 
Big Band: Maria Schneider Orchestra
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Wycliffe Gordon
Soprano Saxophone: Jane Ira Bloom
Alto Saxophone: Kenny Garrett
Tenor Saxophone: Joe Lovano 
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Vijay Iyer 
Keyboard: Robert Glasper 
Organ: Lonnie Smith
Guitar: Bill Frisell
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Stanley Clarke 
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Vibraphone: Gary Burton 
Percussion: Hamid Drake 
Miscellaneous Instrument: Béla Fleck (banjo)
Male Vocalist: Gregory Porter
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant 
Composer: Maria Schneider 
Arranger: Maria Schneider 
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Buddy Guy
Blues Album: Buddy Guy, Rhythm & Blues (RCA/Silvertone)
Beyond Artist or Group: Robert Glasper Experiment
Beyond Album: Robert Glasper Experiment, Black Radio 2 (Blue Note)

Rising Stars

Jazz Artist: Cécile McLorin Salvant
Jazz Group: 3 Cohens 
Big Band: Ryan Truesdell Gil Evans Project
Trumpet: Jonathan Finlayson
Trombone: Vincent Gardner
Soprano Saxophone: Tia Fuller
Alto Saxophone: Jaleel Shaw
Tenor Saxophone: Wayne Escoffery
Baritone Saxophone: Colin Stetson
Clarinet: David Krakauer
Flute: Holly Hofmann
Piano: Fabian Almazan
Keyboard: Marc Cary
Organ: Brian Charette
Guitar: Peter Bernstein
Bass: Avishai Cohen
Electric Bass: Derrick Hodge 
Violin: Eyvind Kang
Drums: Rudy Royston
Vibraphone: Matt Moran
Percussion: Pedrito Martinez
Miscellaneous Instrument: Wycliffe Gordon (tuba)
Male Vocalist: Ed Reed
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant
Composer: Ben Allison
Arranger: Ryan Truesdell
Producer: Terri Lyne Carrington

downbeat.com/

Leia também as postagens aqui publicadas sobre Cécile McLoren Salvant e Gregory Porter -

A Voz e o Swing de Cécile McLoren Salvant O Soul e o Jazz na voz de Gregory Porter

MORRE HORACE SILVER AOS 85 ANOS

19 junho, 2014
fonte : Peter Keepnews, NY Times

O pianista Horace Silver, um dos mais influentes dos anos 50 e 60 e um dos protagonistas do movimento Hard Bop, morreu nesta quarta-feira, 18 de junho, aos 85 anos em sua casa em New Rochelle, NY.

Horace Silver começou liderando seu próprio grupo em meados de 1950, e rapidamente ganhou evidência por suas composições e pelo seu toque bluesy. Silver era um pianista que enfatizava a simplicidade melódica sobre harmonias complexas, e tinha em seu improviso uma sofisticação ímpar.

Horace Ward Martin Tavares Silver nasceu em 2 de setembro de 1928 em Norwalk, Connecticut.  Embora tenha iniciado o estudo do piano ainda criança, começou sua carreira profissional como saxofonista, retornando ao piano e sendo descoberto por Stan Getz, para quem trabalhou nos anos 50.
Assim ele descreve - “Eu tocava em um bar em Hartford e um dia Stan Getz chegou para tocar com meu grupo e disse que iria nos chamar para tocar com ele, mas eu não levei muito a sério. Algumas semanas depois ele me ligou e convidou o meu trio para se juntar a ele.”
Silver mudou-se para NY em 1951 e logo foi convidado para tocar com outros gigantes como Coleman Hawkins e Lester Young. Em 1953, formou com o baterista Art Blakey os Jazz Messengers, definindo o que viria se transformar no Hard Bop. Após dois anos, assinou com a gravadora Blue Note e deixou o grupo na liderança de Blakey, formando seu próprio quinteto, que tinha os sopros de Blue Mitchel e Junior Cook.
Assim como Blakey e Miles, Horace Silver tinha o dom de descobrir novos talentos, como os saxofonistas Hank Mobley, Joe Henderson e Michael Brecker, os trompetistas Art Farmer, Woody Shaw, Tom Harrell e Dave Douglas, e os baterista Louis Hayes e Billy Cobham.

Em 2005, Horace Silver recebeu da National Academy of Recording Arts and Sciences (NARAS) o título de President’s Merit Award (NARAS é uma organização de músicos, produtores e engenheiros de gravação dedicada a melhorar a qualidade de vida e condição cultural para a música)
Teve sua autobiografia registrada em "Let's Get to the Nitty Gritty: The Autobiography of Horace Silver", lançada pela University California Press.

Horace Silver gravou álbuns célebres como "Tokyo Blues" e "Song for my Father", meus preferidos, entre outros de sua extensa discografia.
A histórica foto de Art Kane - "Um grande dia no Harlem" - perde mais um grande músico.

"Sou um abençoado por estar ao lado e tocar com muitos dos grandes gênios desta música que apaixonadamente chamamos de Jazz. Espero que eu possa inspirar muitos dos jovens de hoje como esses músicos me inspiraram." - Horace Silver : 1928-2014

NEXT COLLECTIVE: OS NOVOS YOUNG LIONS

11 junho, 2014
Next Collective
O grupo Next Collective traz os young lions do Jazz contemporâneo juntos no album Cover Art, lançamento Concord Records.

Um privilégio contar com Ben Williams contrabaixo, Gerald Clayton piano, Walter Smith e Logan Richardson nos sopros, Matthew Stevens guitarra, Kris Bowers no Rhodes, Christian Scott no trompete e Jamire Williams bateria.
A iniciativa é do produtor Chris Dunn, que já produziu albuns de Christian Scott, Ben Willians, Kurt Elling e o quinteto Ninety Miles.
Dunn afirma que este trabalho começou como um meio de introduzir os novos artistas da gravadora, como Walter Smith e Matthew Stevens, que vem de diferentes estilos quando atuando como líder de grupo.

Apesar da proposta Jazz do album, os temas tem origem longe deste universo - D'Angelo (Africa), Meshell Ndegeocello (Come Smoke My Herb), Jay-Z (No Church in Wild), Stereolab (Refractions in the Plastic Pulse) e Pearl Jam (Oceans) são interpretados com uma roupagem bastante interessante e, com certeza, vai agradar os ouvidos mais exigentes. Aliás, essa é uma fórmula que dá certo e muito aplicada por nomes como The Bad Plus, Rachel Z, Jacob Karlson e muitos do mundo jazzístico.
Além da presença de Christian Scott, que faz uma interpretação quase bucólica do tema Marvin´s Room (Drake), tem que destacar o guitarrista Matthew Stevens, também integrante do quinteto de Scott, com uma linguagem moderna de fraseado e timbre, seguindo a linha dos seus contemporâneos residentes na big apple. Stevens recebeu a maior honra do departamento de guitarra da Berklee School.
Vale conferir !


nextcollectivemusic.com/

HOLLAND, GARRETT E SNARKY PUPPY CONTAGIAM A EDIÇÃO CARIOCA DO BMW

03 junho, 2014
Kenny Garrett
foto : Vinicius Pereira

Não foi a melhor edição do maior evento de Jazz da capital carioca, mas trouxe, como sempre, atrações de peso e que, sem a menor dúvida, sensibilizou os amantes da boa música a irem até o Vivo Rio.
A noite de sábado abriu inspirada com o trio do contrabaixista Dave Holland, cuja expectativa era a apresentação do quarteto Prism, album homônimo lançado ano passado  e que foi assunto aqui.
As ausências do guitarrista Kevin Eubanks e do baterista Eric Harland, integrantes originais do quarteto, não tiraram o brilho da apresentação, e Holland ao lado do baterista Obed Calvaire e do pianista Craig Taborn, que chamou pra si a responsabilidade de preencher o espaço deixado pela guitarra de Eubanks.  O repertório do album Prism conduziu a apresentação, e Holland realmente muito à vontade, um gigante, esbanjou técnica em pontuações solo e teve ao lado um Taborn em noite inspirada, explorando o piano acústico e o Rhodes nos temas "Evolution", "The Meaning of Determination", "Breathe" e "The Watcher", esta que teve um diálogo empolgante entre Holland e Calvaire. Um super show e a noite de Jazz se encerrou aí !

A noite de domingo prometia com a abertura do pianista Ahmad Jamal, sempre escoltado pelo contrabaixista James Camack e, nesta apresentação, com o baterista Ben Riley e a adição do percussionista Manolo Bradena. É fato que Jamal não é o mesmo dos velhos discos, com aquela liberdade contagiante nas improvisações; mas sem dúvida é uma das lendas vivas do Jazz. Vale destacar a interpretação do tema "Poinciana".

E a noite ferveu quando Kenny Garrett subiu ao palco de forma arrasadora, em uma apresentação contagiante.
Acompanhado por Vernell Brown piano, Corcoran Holt contrabaixo, McClenty Hunter bateria e Rudy Bird percussão, Garrett apresentou um mainstream frenético, fez improvisações livres, colocou cadências latinas, vibrações coltraneanas, África, psicodelia, ritmo, tudo em uma intensidade absurda e ainda com direito a citações de Brown para It Don´t Mean a Thing (Ellington) e do líder para St.Thomas (Rollins). Até o gongo na parafernália percussiva de Bird soou original em um tema de fazer "pirar a cabeça" de muita gente.
Ao final, deixou rolar uma temática funky, puxou a platéia nas palmas e fez um final apoteótico, colocando todo mundo junto com a banda. Simplesmente sensacional !

A noite fechou com a garotada do Snarky Puppy, não à toa uma das grandes revelações do cenário musical contemporâneo. O grupo é originado do Brooklin, NY, e faz uma fusão contagiante do Jazz, do Funk e do Rock. Liderado pelo baixista Michael League e o pianista Bill Lawrence, a super banda ainda trouxe na formação o excelente tecladista Corey Harris, Chris Mcqueen na guitarra, Mike Maher no trompete, Justin Stanton revezando-se no trompete e teclados, Chris Bullock no tenor e flauta, Nate Werth percussão e Robert Searight na bateria.
No repertório, o album "We Like It Here", com destaque para os temas Lingus e What About Me; e League aproveitou para contar histórias, pontuou improvisos a la Jaco e, no ritmo de baião do tema "Tio Macaco", chamou ao palco o percussionista Bernardo Aguiar, que representou com maestria a nossa percussão com direito a um diálogo improvisado com Nate Werth e uma citação de "Asa Branca" na pele do pandeiro.
Um grupo fantástico, sem dúvida uma inspiração da atmosfera musical novaiorquina.

Ano que vem tem mais !