MUTHSPIEL, GRENADIER E BLADE

28 julho, 2014
Driftwood
Brilhante o trabaho do trio liderado pelo guitarrista e violonista austríaco Wolfgang Muthspiel, ao lado do contrabaixista Larry Grenadier e o baterista Brian Blade - Driftwood.
Com uma ampla discografia, Muthspiel já realizou outros projetos com Blade e Grenadier, como em "Air, Love and Vitamins" (2004); o ousado duo "Friendly Travelers" (2007) ao lado de Blade; e "Drumfree" (2011) com Grenadier.

Driftwood é o primeiro registro do trio junto, e a estréia do guitarrista na gravadora ECM. O resultado é espetacular, carregando a característica da atmosfera da gravadora.
São 8 composições e Muthspiel alterna no violão acústico e guitarra, realizando passagens melódicas ("Uptown" e "Madame Vonn"), introspectivas ("Cambiata"), e um tanto experimental ("Lichzele"e "Highline"); além das belíssimas homenagens para Joe Zawinul ("Joseph") e Michael Brecker ("Bossa for Michael Brecker").
Sobre este trabalho, Muthspiel afirma que quis realçar e ampliar o horizonte da guitarra e ao mesmo tempo aproximar as possibilidades de contraponto de um trio de piano.
Ouça aqui : player ECM Records

Wolfgang Muthspiel nasceu na pequena cidade de Judenburg, Áustria. Começou estudando violino aos 6 anos, e aos 15 abraçou a guitarra. Aos 21 partiu para a América, Boston, para estudar na New England Conservatory com o guitarrista Mick Goodrich; mais tarde foi para Berklee onde gradou-se em 1989 com o título "Magna Cum Laude", com honras. Lá encontrou Gary Burton, que o convidou para integrar seu quinteto, vaga que foi ocupada por Pat Metheny 12 anos antes. Partiu para NY onde morou entre 1995 e 2002. Junto com seu irmão, o pianista Christian Muthspiel, criou o selo Material Records.

"Wolfgang Muthspiel é uma luz brilhante da geração da guitarra Jazz contemporânea."
(The New Yorker)



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OZ NOY LANÇA O SEGUNDO VOLUME DE TWISTED BLUES

17 julho, 2014
Oz Noy

"Se voce não entende o Blues, acho que o que voce está tocando não soará tão bem. É um vocabulário que voce tem que ter se quiser tocar qualquer coisa."

Assim explica o guitarrista Oz Noy, sobre o album Twisted Blues Volume 2.

Seguindo a mesma linha do primeiro volume, pegadas rock, blues e funk predominam neste trabalho, e com convidados muito especiais em cada uma das 10 faixas do álbum.
Oz Noy está acompanhado por uma super seção rítmica invocada com os baixistas Will Lee e Roscoe Beck, os bateristas Chris Layton, Dave Weckl e Keith Carlock, e os organistas Reese Wynans e Jerry Z; ainda traz Lew Soloff no trompete e o multi-instrumentista Giulio Carmassi na flauta.
Entre os convidados estão Eric Johnson, Warren Haynes, Gregroire Maret, John Medeski, Allen Toussaint e Chick Corea, em uma verdadeira mistura de tendências que deram um colorido todo especial neste trabalho.

E não faltou o bom groove, que se destaca nos temas "You Dig", reforçada com um super riff de funky-blues e a participação do slide de Greg Leisz; em "Just Groove Me", que traz Dave Weckl nas baquetas; e "Get Down". Uma inspiração em Stevie Wonder aparece no tema "Let Your Love Come Down" e o auxílio luxuoso da harmônica de Gregroire Maret.
Mais Blues no melhor estilo texano em "Blue Ball Blues" e o convidado é Warren Haynes; em "EJ Blues" colocou a assinatura de Eric Johnson; e o piano de Allen Toussaint aparece em "Slow Grease". Chick Corea ataca de rhodes em "Rumbha Tumba"; e fechando o álbum numa verdadeira jam, um frenético John Medeski como protagonista em "Freedom Jazz Dance".


oznoy.com/

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O VAZIO QUE VAI DEIXAR O CONTRABAIXISTA CHARLIE HADEN

14 julho, 2014

Não tem como não registrar algumas palavras sobre o contrabaixista Charlie Haden, que nos deixou aos 77 anos. Uma trajetória musical como poucos realizaram, e deixa um legado importante para os amantes do instrumento e da boa música. Eu o tinha como um poeta do instrumento, tendo a oportunidade de assistí-lo na edição 2006 do saudoso Tim Festival.

Comecei a ouvir Haden de verdade com seu Quartet West, grupo que também trazia o saxofonista Ernie Watts e o pianista Alan Broadbent, registro dos discos Haunted Heart (1992), Always Say Goodbye (1993) e Now is the Hour (1995), estes que jamais pararam de rodar por aqui.
No lançamento de Beyound the Missoury Sky (1996), em duo com Pat Metheny, estava ali mais um registro histórico, de beleza musical ímpar, e que deu a Haden seu primeiro Grammy em 1997. Haden já havia gravado com Metheny nos discos 80-81 (1980), Rejoicing (1984) e Song X (1986), em formações variadas. Aliás, Song X, pra mim, foi uma porta de entrada para o universo da música livre, a qual Haden foi um dos pioneiros quando participou do disco Free Jazz:A Collective Improvisation (1961), sob a liderança de Ornette Coleman com dois quartetos tocando ao mesmo tempo, um em cada canal - Haden estava em um deles ao lado de Freddie Hubbard, Eric Dolphy e Ed Blackwell, um disco que só consegui perceber, e entender, musicalmente mais tarde.
A série de concertos ao vivo em Montreal foi outro marco de Haden, sessões registradas na edição do festival em 1989 em formação de trio, que teve o piano de Geri Allen e Gonzalo Rubalcaba, ambos com o baterista Paul Motian, e o ousado trio com o trompetista Don Cherry e novamente Ed Blackwell numa sessão incendiária sem instrumento harmônico de base.

Haden também fez belos trabalhos com nosso Egberto Gismonti, como o duo registrado ao vivo em Montreal (2001); o trio Mágico, que também trazia o sax de Jan Garbarek, no disco homônimo lançado em 1979 e no registro perdido de uma apresentação em Munique no ano de 1981, Carta de Amor, lançado recentemente.
O mestre também estava ao lado de Michael Brecker em Don't Try This at Home (1988) e o belíssimo Nearness of You: The Ballad Book (2000); com David Sanborn em Another Hand (1991); com John Scofield em Time on My Hands (1989) e Grace Under Pressure (1991); e no Blues com James Cotton em Deep in the Blues (1995).
Tem que destacar os registros com o pianista Keith Jarrett, com quem Haden talvez tenha mais gravado e com quem fez dois trabalhos sensacionais em duo - Jasmine (2010) e Last Dance (2014).

Enfim, em muito que eu ouvia, e ainda ouço, tem o contrabaixo de Charlie Haden desenhando melodias, walkings e improvisos. Vai deixar uma imensa lacuna no jazz e na boa música.

Charles Edward Haden nasceu na cidade Shenandoah, Iowa, em 6 de agosto de 1937.

Charlie Haden: 1937-2014

EDIÇÃO 2014 DO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES PROMOVE CONCURSO DE BANDAS

09 julho, 2014
O Rio das Ostras Jazz & Blues lança seu primeiro Concurso de Bandas, abrindo espaço para grupos de Jazz, Blues e Música Instrumental.
O vencedor será premiado com a apresentação de duas músicas autorais no palco principal na noite do dia 16 de agosto. Além disso, a banda vencedora tem presença garantida na edição de 2015.
O objetivo do concurso é abrir espaço para os músicos do Rio de Janeiro e a competição vai movimentar a cidade do Jazz, já que a população e os turistas poderão prestigiar apresentações de qualidade entre os dias 12 e 14 de agosto, período entre os dois finais de semana da programação principal.
Poderão se inscrever bandas do estado do Rio de Janeiro que sejam formadas por três a sete integrantes. Para a inscrição, os candidatos devem preencher a ficha disponível no site da Prefeitura de Rio das Ostras e enviar junto um CD contendo três músicas, sendo duas autorais e uma cover, dentro da proposta de gênero do grupo. O material deve ser entregue até 31 de julho via Correios ou diretamente na sede da Secretaria de Turismo de Rio das Ostras - Praça Prefeito Cláudio Ribeiro s/nº, Extensão do Bosque; e na Fundação de Cultura - Praça São Pedro 109, Centro.
Ao todo, serão 18 grupos selecionados por uma equipe técnica composta por cinco jurados. Seis bandas se apresentam por dia nos dias 12, 13 e 14, em shows de 18 minutos. Serão observados pelo júri os quesitos interação, letra em português ou inglês, melodia, harmonia, ritmo, criatividade, performance e a impressão geral dos jurados. O edital está disponível no site da prefeitura e na página do festival.
Mais informações pelo telefone da organização (22) 99819-6969.

E, como sempre, esta 12º edição do festival promete. O evento será realizado em 2 finais de semana do mês de agosto - dias 8, 9, 10 e 15, 16 e 17. Serão mais de 60 horas de música em mais de 30 shows gratuitos espalhados pelos quatro palcos da cidade - Praça São Pedro, Lagoa de Iriry, Praia da Tartaruga e o palco principal de Costazul.

Na programação deste ano, o Jazz contemporâneo com o baixista Marcus Miller e o trompete de Randy Brecker; a voz imponente de Al Jarreau, em um passeio por várias tendências; a fusão Jazz-Rock do power trio HBC formado por Billy Cobham, substituindo Dennis Chambers que não poderá vir por problemas de saúde, Scott Henderson e Jeff Berlin; o Blues na guitarra de Larry McCray e na harmônica de Rick Estrin & The Nightcats; e o peso Blues-Rock do guitarrista Popa Chubby.
No elenco nacional, Taryn Szpilman a frente da Rio Jazz Orquestra e um convidado muito especial - o guitarrista Toninho Horta; o violão de Badi Assad ao lado do percussionista Marcos Suzano; o sopro de Carlos Malta; e a guitarra incendiária de Pepeu Gomes.
E algumas novidades por aqui como o Funk holandes da The Jig, a onda Zydeco de Rockin Dopsie Jr e o cantor e violonista Raul Midón.


Confira a programação -

8 de agosto, sexta-feira
Costazul, 20h : Orquestra Kuarup; Carlos Malta e Pife Muderno; Marcus Miller; Pepeu Gomes

9 de agosto, sábado
Praça São Pedro, 11h15 : Duca Belintani
Iriry, 14h15 : Pepeu Gomes
Tartaruga, 17h15 : Marcus Miller
Costazul, 20h : Afro Jazz; Larry McCray; Raul Midón; Rick Estrin & The Nightcats

10 de agosto, domingo
Praça São Pedro, 11h15 : Angelo Nani
Iriry, 14h15 : Rick Estrin & The Nightcats
Tartaruga, 17h15 : Raul Midón

15 de agosto, sexta-feira
Costazul, 19h30h : Adriano Grineberg; Badi Assad e Marcos Suzano; The Jig; Randy Brecker; Popa Chubby

16 de agosto, sábado
Praça São Pedro, 11h15 : Zuzo Moussawer Trio
Iriry, 14h15 : Popa Chubby
Tartaruga, 17h15 : Randy Brecker
Costazul, 20h : Taryn, Rio Jazz Orquestra e Toninho Horta; HBC; Al Jarreau; Rockin' Dopsie Jr & Zydeco Twisters

17 de agosto, domingo
Praça São Pedro, 11h15 : Glaucus Linx & Ancestrais Fututros
Iriry, 14h15 : Rockin' Dopsie Jr & The Zydeco Twisters
Tartaruga, 17h15 : HBC

O evento também poderá ser assistido em tempo real pela web, iniciativa de muito sucesso disponibilizada na edição do ano passado e que teve acesso em mais de 39 países, com maior número dos Estados Unidos, seguido da Argentina, Japão, França e Portugal.
Ainda, um aplicativo para smartphone e tablet para que o público possa acompanhar todos os detalhes da programação, artistas e dados turísticos de Rio das Ostras, disponível na Apple Store e Google Play.

O Rio das Ostras Jazz & Blues é realizado pela Prefeitura Municipal de Rio das Ostras, por meio da Secretaria de Turismo, com produção da Azul Produções; é patrocinado pela Lei de Incentivo da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e conta com apoio cultural da Odebrecht, da Vallourec e da Caixa Econômica Federal.
http://www.riodasostrasjazzeblues.com/

HIROMI ALIVE

02 julho, 2014
Hiromi é ousada, empolgante, criativa e faz música com muita emoção. É a minha pianista preferida !

Alive é o nono album de sua discografia, lançamento Telarc, e o terceiro gravado ao lado do baixista Anthony Jackson e do baterista Simon Philips, o The Trio Project, grupo que, apesar de junto há apenas 4 anos, já tem uma identidade própria, resultado de uma química perfeita de integração e conjunto, e que foi citado pela DownBeat como um dos mais excitantes nessa formação em atividade hoje.

Sobre o album, Hiromi afirma que ele tem um duplo significado, pois ela queria escrever temas que fossem ao encontro com as coisas e emoções que encontramos na vida; e a palavra "Alive" pode também significar tocar com vida.
O album foi gravado ao vivo no estúdio, sem overdubs.

A intensidade das composições se mantém em todo o album, 9 temas com muitas passagens criativas.
Destaque para "Wanderer", que alterna dinâmica e vibração desenhados pelas mãos de Hiromi e um Anthony Jackson empurrando um invocado walking suportado pelos pratos de Simon Philips; e "Player", cujo tema inicia com uma cadência tradicional seguido por um frenético uptempo.
"Warrior" é outro tema denso, iniciado como balada e que ganha intensidade, e aí percebemos como o trio está em perfeita sintonia. Ainda tem espaço para duas belíssimas baladas, a melódica "Firefly", em interpretação solo; e "Spirit", em que Hiromi coloca uma roupagem clássica e dá espaço para o improviso de Anthony Jackson. O album fecha com a empolgante "Life Goes On".

Hiromi é categórica em suas palavras - "Minha habilidade de ouvir melhora a cada dia. Com o passar dos anos, aprendi como ouvir mais cuidadosamente, e responder musicalmente para o que está acontecendo no momento. Isso é o que faz meu trio brilhar como um time."


hiromimusic.com/

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Hiromi: Move