A IGOR PRADO BAND É NOMEADA PARA A PREMIAÇÃO DO BLUES MUSIC AWARDS

18 dezembro, 2015
A edição 37 do Blues Music Award, que acontecerá em maio de 2016 em Memphis, terá pela primeira vez um tempero brasileiro na cerimônia de premiação – a Igor Prado Band está nomeada com o álbum Way Down South na eleição de destaque entre novos artistas, em que também concorrem os guitarristas Eddie Cotton, Mighty Mike Schermer, Mr. Sipp e Slam Allen.


Mais que merecida essa nomeação, afinal o guitarrista Igor Prado é uma referência brasileira no assunto na terra do blues; e Way Down South já encabeçou o ranking da audição nas rádios de blues americanas de acordo com a publicação Living Blues.
O álbum foi lançado pela Delta Groove Music, e é dedicado a Lynwood Slim, que faleceu em agosto de 2014; o próprio está presente em 2 faixas do álbum, que foi seu último registro em estúdio.
Parabéns Igor Prado, Yuri Prado e Rodrigo Mantovani.

O evento Blues Music Awards é promovido pela Blues Foundation, fundada em 1980, e tem como objetivo preservar a herança do blues e garantir o futuro desta forma de arte americana que influencia artistas de todo o mundo. A premiação elege os destaques em 24 categorias, entre álbuns históricos e contemporâneos, vozes, instrumentistas, canção e se estende também à soul music, além de reverenciar prêmios a B.B. King, Koko Taylor e Pinetop Perkins. É um grande evento.
Para mais informações sobre o Blues Music Awards, acesse www.blues.org

Conheça o álbum Way Down South -

Way Down South

A LIVRE FORMA DAS GUITARRAS

12 dezembro, 2015
A guitarra no jazz é algo fascinante, está sempre se renovando e, principalmente, inovando. Vários nomes surgem no cenário a todo momento, cada um com estilo e técnica muito particulares, e o melhor é que não se deixam levar em copiar aqueles que tanto os influenciaram.
Julian Lage e Mary Halvorson são dois desses nomes que me chamam atenção há um bom tempo. Ambos já tem identidade própria e, alcançados um nível elevado de maturidade musical, registraram álbuns de guitarra solo muito interessantes.

World's Fair Meltframe

Julian Lage foi um dos integrantes da nova geração promovida pelo vibrafonista Gary Burton, este que sempre abriu espaço para guitarristas no início de suas carreiras como Larry Coryell e Pat Metheny. O álbum “Generations” (2004) foi uma grande vitrine para Lage, que mais tarde ainda viria a participar nos álbuns “Next Generation” (2005), “Common Groud” (2011) e “Guided Tour” (2013).
Lage, além da sua formação clássica, é formado pela Berkelee, o que lhe dá uma grandeza de vocabulário jazzístico, rico em harmonias e dinâmicas. Além de seus trabalhos como líder – "Sounding Point" (2009) e "Gladwell" (2011), registrou duos com os pianistas Taylor Eigsti e Fred Hersch, e com o guitarrista Nels Cline em uma abordagem totalmente livre.
World´s Fair (2015) revela Lage como mais que um músico puramente jazzista, explorando o instrumento acústico em improvisações livres com uma abordagem impecável, abrindo mão dos tradicionais standards e revelando um trabalho bastante original. Para ele, o resultado foi inspiração do violonista espanhol Andres Segovia.
Nessa sessão, Lage usou um Martin 000-18, sem overdubs; e no repertório 12 composições em que viaja por lugares como  “Peru”, “Japan” e “Missouri”, e nos transporta pelo tempo e espaço em “Century”, “Day and Age” e “Where or When”. Um belo registro intimista em que a sonoridade acústica é protagonista.
www.julianlage.com/



Mary Halvorson é uma das fieis representantes da improvisação livre na guitarra contemporânea, o que torna sua música muito interessante pois, muito além da abordagem criativa, traz uma riqueza de intervenções melódica e harmonicamente complexas.
Sua relação com o instrumento começou na adolescência quando ouviu Hendrix, o que talvez explique a origem de sua forte pegada no instrumento. Sua aproximação com o jazz deu-se quando começou a ter aulas com um professor que tocava o estilo, e assim conheceu a música de Anthony Braxton, a quem ela tem como seu mentor e quem a ensinou a focar na criatividade e a encontrar sua própria voz.
Além de seus trabalhos como líder - "Reverse Blue" (2014), "Ghost Loop" (2013), "Illusionary Sea" (2013), "Bending Bridges" (2012), "Saturn Sings" (2010) e "Dragon’s Head" (2008), sua guitarra tem registro em uma extensa discografia, em diversas formações. Sempre questionada sobre a criação de um trabalho solo, Halvorson queria mais do que simplesmente realizar um álbum totalmente improvisado.
Meltframe (2015) é  resultado de um estudo introspectivo e da prática de arranjar temas que ela gosta para a guitarra solo, cujo repertório acabou se expandindo além dos tradicionais standards, sem composições autorais, desconstruindo e reconstruindo, do seu jeito, versões de Ellington, Ornette Coleman, Oliver Nelson, Annette Peacock, e Roscoe Mitchell. Sempre abraçada com sua archopt Guild Artist, Halvorson explora ao máximo a sonoridade acústica do instrumento, em que, além de microfonar seu amp Princeton Reverb, aplica os microfones sobre as cordas e no ambiente.
www.maryhalvorson.com/

CANÇÃO PARA TEMPOS MELHORES

02 dezembro, 2015

Genuinamente jazz.
Assim é o novo trabalho do trompetista Daniel D'Alcântara, intitulado Canção para Tempos Melhores.
Talento e criatividade não faltam para esse extraordinário músico, muito atuante no cenário instrumental brasileiro, que, além do seu trabalho solo, também é integrante da Soundscape Big Band.

Com uma família de origem muito musical, Daniel D'Alcântara tem em seu pai, também trompetista, uma grande influência, e é dele suas lembranças musicais mais antigas, afinal foi quem o ensinou solfejo e teoria musical quando tinha cinco anos de idade; e essa fonte de inspiração vem de gerações pois seus bisavós tocavam em salas de cinema mudo, o avô em orquestras de baile e os tios baterista e saxofonista.
Daniel formou-se no instrumento pela Escola de Comunicação e Artes da USP; e acredita que o estudo é fundamental para a excelência, diz ele – "Se o músico não gostar de ocupar muitas horas com sua música, e de descobrir sua maneira de tocar, não irá muito longe."

"Canção para Tempos Melhores" traz Daniel D’Alcântara ao lado de Vitor D’Alcântara, seu primo, no tenor e soprano, Edson Santana no piano rhodes, Bruno Migotto no contrabaixo e Cuca Teixeira na bateria.
A formação em quinteto é a preferida de Daniel, carregando a influência dos quintetos de Miles Davis, primeiro e segundo, no hardbop de Horace Silver e no Jazz Messengers liderado por Art Blakey.
O grupo está muito entrosado, já tocam juntos há bastante tempo, inclusive na formação da Soundscape Big Band; e um repertório contagiante em 6 composições que Daniel assina 3 delas - "Samba Viscoso", "SanMagno" e "Ilha Bela"; as demais ficam com a assinatura de Bruno Migotto em "Bode On", Alexandre Mihanovich em "Nestico" e Gustavo Bugni no tema título.


danieldalcantara.com/

FELIZ DIA DO MÚSICO: 22 DE NOVEMBRO

22 novembro, 2015
"O que é bom já nasce feito,
e está perfeitamente inserido neste contexto divino
que é o dom de ser Músico"
(Hermeto Pascoal)

Àqueles que nos proporcionam momentos de pura beleza, magia e que fazem a trilha sonora da nossa vida.
Parabéns a todos os Músicos pela data de hoje !
22 de novembro, DIA DO MÚSICO

ADEMIR JUNIOR LANÇA SENSAÇÕES, SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE CAMALEÃO

11 novembro, 2015
“Todos os seres vivos são tocados pelo poder das vibrações musicais. Ela tudo permeia e a todos ela sempre diz algo sem palavras.” É assim que o saxofonista Ademir Junior expressa a singularidade da Música.
Endorser dos saxofones Selmer e das palhetas Vandoren, marcas respeitadas no mundo dos sopros, Ademir faz jus ao reconhecimento pelo seu estilo vibrante, criativo e pela sua total fluência na linguagem do jazz.
Um músico extraordinário.
Em continuidade à série Camaleão, nos apresenta o espetacular disco Sensações, o segundo volume da trilogia. Tocando tenor, clarineta e EWI, Ademir tem ao seu lado nessa sessão Moises Alves no trompete, Marcos Wander no trombone, Alex Carvalho na guitarra, Marcelo Corrêa no piano, Hamilton Pinheiro no baixo elétrico, Guilherme Santana na bateria e Carlos Pial na percussão; e os convidados especiais Mario Morejon El Indio e Sidmar Vieira nos trompetes e Junior Ferreira no acordeão.


Sensações traz um belo encarte baseado na literatura de cordel, representando a cultura nordestina em um livreto que, originalmente, tem a capa feita com xilogravura e textos impressos em tipografias.
Ademir detalha cada tema do disco nas linhas do encarte, e reforça que a influência de ritmos brasileiros nas músicas tinha que estar impregnada também em todo o visual da capa e encarte, que tem o design gráfico de Karina Santiago.

No repertório, uma devoção a John Coltrane em “Nativos”, usando a essência da clássica “A Love Supreme”; traz a essência do blues em um baião cheio de groove em “Mexidão”, e ele misturado com texturas orientais em “Coisas de Lá”; faz a alternância de ritmos em “Andarilho”, inspirada no tema “Knozz-moe-King” de Wynton Marsalis, em que retrata no título a vida daquele de corre, cansa e volta a sua caminhada buscando folego para uma nova aventura. Tem balada em “Madrugada”, um apelo a reflexão às coisas simples da vida, um spiritual em 4 frases, onde as notas abordam o caminho da sinceridade, devoção e paz ao fim de cada dia; como um mantra,  filosofa em “Saudades do futuro”; e resgata um tema guardado há 6 anos, esperando a melodia, “Xote Candango”, inspirado em nossa festas juninas, crianças, fogueira e muita comida.
Mais inspiração em “Fasgroove” em um apanhado de estilos e propostas de grooves, harmonias modais e melodias rápidas, tema inspirado em Gillespie e Miles; e a homenagem a Michael Brecker na balda “Tributo MB”, composta no período dos últimos meses de sua vida como forma de gratidão ao legado e importância desse grande músico em sua trajetória como saxofonista.

Ademir é objetivo sobre esse novo trabalho, diz ele –
“Sensações são percepções inicias de tudo que ouvimos com os sons musicais, e é por meio delas que apreciamos, nos afastamos, gostamos, refletimos, nos inspiramos e podemos até tomar decisões sobre inúmeros assuntos de vida. A música é a passagem para o mundo perceptivo da mente, virtual, metafísico ou espiritual, como cada um prefere chamar, e é onde os 5 sentidos aguardam ansiosos suas novas Sensações.”


www.ademirjunior.com/

Leia também sobre o primeiro disco da trilogia Camaleão -

Ademir Junior

MIDNIGHT MCCARTNEY

08 novembro, 2015
Um Beatle é sempre um Beatle.
Independente de época, a influência dos integrantes do quarteto de Liverpool vai aparecer em trabalhos diversos, e no jazz a fórmula é muito interessante.

Mais uma vez, John Pizzarelli resgata toda essa magia com mais um tributo - Midnight McCartney, uma coleção de temas originais de Paul McCartney da época pós Beatles.
Pizzarelli não esconde a admiração por McCartney, e faz questão de mostrar essa afinidade pelos álbuns solo do beatle "Pipes of Peace" (1983) e "Tug of War" (1984).

Eles já estiveram juntos no estúdio em "Kisses on the Bottom", álbum de McCartney de 2012, e daí surgiu a ideia de criarem um trabalho com novos arranjos, em um resgate do catálogo desde os tempos do Wings. McCartney sugeriu para Pizzarelli um repertório nem tão conhecido, como as canções "Junk", "Warm and Beautiful" e "My Valentine”; no final, foram selecionados 13 temas, que incluíram as clássicas "Coming Up", "Maybe I’m Amazed", "No More Lonely Nights", "With a Little Luck", “My Love”, "Some People Never Know" e "Silly Love Songs"

O álbum teve a co-produção de sua esposa Jessica Molaskey, que também participa nas vozes, e do pianista Larry Goldings; e traz Bucky Pizzarelli na guitarra, Martin Pizzarelli no contrabaixo, Konrad Paszkudzki no piano e Kevin Kanner na bateria, e convidados muito especiais como Helio Alves, Harry Allen, Michael McDonald e o arranjador Don Sebeski.


www.johnpizzarelli.com/

DOWNBEAT READERS POLL 2015

03 novembro, 2015

Saiu a lista da edição 80 da DownBeat Readers Poll, que teve a mais ampla votação da história deste evento.
Como afirmou Frank Alkyer, editor da revista, o resultado desse ano reflete uma grande diversidade de talentos na cena jazz atual.

Em destaque, a voz de Tony Bennett que, finalmente, ganhou seu lugar no Hall of Fame, e ainda levou a premiação na categoria vocal masculino. Chick Corea também aparece como pianista e álbum do ano com "Trilogy", ao lado de McBride e Brian Blade; Wayne Shorter destaca seu histórico álbum "Speak No Evil" e é o nome na categoria sax soprano; e Maria Schneider eleita novamente como arranjadora e compositora do ano.
Ainda, Pat Metheny, sempre genial, como guitarrista em destaque; e o jovem grupo Snarky Puppy com seu entusiamo e criatividade na sua fusão dentro do jazz. O blues marca presença na voz e guitarra de B.B.King, que nos deixou esse ano; e no álbum de Eric Clapton em tributo a J.J.Cale.

A lista completa está na edição de dezembro da Downbeat.


Hall of Fame: Tony Bennett
Jazz Artist: Chick Corea
Jazz Album: Chick Corea Trio, Trilogy (Stretch/Concord)
Historical Album: Wayne Shorter, Speak No Evil (Blue Note)
Jazz Group: Snarky Puppy
Big Band: Jazz at Lincoln Center Orchestra
Trumpet: Wynton Marsalis
Trombone: Trombone Shorty
Soprano Saxophone: Wayne Shorter
Alto Saxophone: Ornette Coleman
Tenor Saxophone: Chris Potter
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Hubert Laws
Piano: Herbie Hancock
Keyboard: Herbie Hancock
Organ: Joey DeFrancesco
Guitar: Pat Metheny
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Stanley Clarke
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Percussion: Poncho Sanchez
Vibraphone: Gary Burton
Miscellaneous Instrument: Béla Fleck (banjo)
Female Vocalist: Diana Krall
Male Vocalist: Tony Bennett
Composer: Maria Schneider
Arranger: Maria Schneider
Record Label: Blue Note
Blues Artist or Group: B.B. King
Blues Album: Eric Clapton & Friends, The Breeze: An Appreciation of JJ Cale (Bushbranch/Surfdog)
Beyond Artist or Group: Jeff Beck
Beyond Album: D’Angelo, Black Messiah (RCA)

www.downbeat.com

PÓ DE CAFÉ QUARTETO

18 outubro, 2015
O grupo paulista Pó de Café Quarteto mostra a força da música instrumental brasileira, sempre criativa e empolgante. Formado por Bruno Barbosa no contrabaixo, Marcelo Toledo no sax, Murilo Barbosa no piano elétrico e Duda Lazarini na bateria, o grupo tem origem no interior de SP, na cidade de Ribeirão Preto, e mesmo fora dos grandes centros vem ganhando reconhecimento pelo excelente trabalho.

Amérika é o segundo álbum do grupo, e, como esclarece o contrabaixista Bruno Barbosa, o gosto pela improvisação não faz disso uma regra, e o quarteto sempre procura reforçar os grooves, as linhas de baixo, os acordes ostinato e os riffs. A adição do piano rhodes nessa sessão, pelas mãos do pianista Murilo Barbosa, deu ao grupo inspiração para buscar novas expressões e novas texturas.
Como convidados, estão o trompetista Rubinho Antunes, que também tocou do álbum de estreia do grupo, e o percussionista Neto Braz. No repertório, 8 composições autorais em um passeio pelo hard-bop, pelo balanço do samba-jazz e pelas texturas latinas.

Amérika

Com a palavra, o contrabaixista Bruno Barbosa, fundador do grupo -

GC: Como se formou o quarteto?
BB: O quarteto se formou em 2008; nós 4 já tínhamos alguns trabalhos em comum e resolvemos nos reunir para estudar jazz. O grupo se consolidou mesmo quando iniciamos o projeto Jazz na Coisa em 2010, onde nos apresentávamos a cada quinze dias, sempre com ótimo público e repertório novo.

GC: A essência do jazz predomina no som do grupo, sem perder a identidade com a música brasileira. Que influências você carrega?
BB: Cada um no grupo traz suas próprias influências e isso é o que define nosso som. Quando temos a oportunidade de gravar um disco, acredito que temos a obrigação de fazer algo novo, contemporâneo. Talvez essa seja a nossa maior essência jazzistica: a busca por uma identidade.

GC: Amérika traz novamente o trompetista Rubinho Antunes como convidado, e incorpora novos elementos como a percussão de Neto Braz e a sonoridade do piano rhodes.  Como você trabalha o processo de criação?
BB: A primeira definição do disco, antes mesmo do repertório, foi a sonoridade e formação - piano rhodes, baixo acústico, bateria, sax tenor, trompete e percussão. Com a inclusão da percussão, a intenção inicial era fazer um disco mais afro-brasileiro. A partir daí foram surgindo as composições, algumas antigas, outras novas. Apesar de sermos 3 os compositores desse disco, eu, Rubinho e Murilo, buscamos sempre uma unidade estética musical e o resultado final foi o “Amérika”, uma referência à musica do continente americano: do jazz dos Estados Unidos, da música afro-cubana, do samba-jazz, do tango, do baião, etc.

Po de Café Quarteto

GC: Diz-se que uma nota certa é como uma semente na composição, e, com ela, o som cresce. Há uma regra para a melodia e o improviso, ou os insights se mostram a melhor prática? 
BB: Todos no grupo gostam muito de improvisar, mas para esse trabalho buscamos nos conter um pouco, justamente para valorizar as composições e não deixar as músicas tão longas. Alguns arranjos deixam o improvisador mais livre e outros são em cima da forma da música. Nos shows a tendência é sempre haver mais espaço para improvisação.

GC: Como adquirir o álbum Amérika?
BB: Enviamos CD e Vinil para qualquer lugar do Brasil.
As encomendas são pelo facebook www.facebook/podecafequarteto. É possível ouvir o álbum nos canais e lojas virtuais como Spotify, Rdio, iTunes, ONErpm, Deezer e Amazon. O CD também está disponível para download gratuito no site do grupo www.podecafequarteto.com

Obrigado Bruno Barbosa, e sucesso.

O JAZZ-ROCK REVISTO PELO BATERISTA ALFREDO DIAS GOMES

03 outubro, 2015
Sem dúvida, a segunda metade do anos 60 revolucionou a forma de se fazer jazz, em todos os sentidos, a improvisação livre, a mistura de ritmos e estilos e a eletrônica que chegou forte e trouxe os sintetizadores e efeitos dos pedais de guitarra.
Miles Davis deu o pontapé inicial e um novo universo se formou carregando músicos tradicionais do jazz, criando uma nova escola que se desenvolveu fortemente ao longo da década seguinte.
O jazz-rock veio e ficou.


O baterista Alfredo Dias Gomes não esconde sua admiração pelo estilo, e nos apresenta um trabalho com novas leituras de clássicos do jazz-rock. Looking Back, o sexto álbum de sua discografia, traz 10 composições rearranjadas de forma muito particular, e é a oportunidade de reviver momentos que, com absoluta certeza, fizeram parte da audição dos amantes da boa música, independentemente de época.
Tony Willians, Billy Cobham e Jack DeJohnette foram os precursores na bateria do jazz-rock no grupo de Miles Davis, e são até hoje influências para Alfredo Dias Gomes, que ainda inclui na lista Steve Gadd, Alphonse Mouzon, Harvey Mason e os seus contemporâneos Dave Weckl, Dennis Chambers e Vinnie Colaiuta.

Em Looking Back, um super time está ao seu lado - na guitarra Yuval Ben Lior; nos sopros e arranjos de metais Widor Santiago; nos teclados Lulu Martin; no baixo elétrico participam Marco Bombom em "Red Baron", "Some Skunk Funk", "Silly Putty" e "Spain", Rogério Dy Castro em "Birdfingers", "Nite Sprite", "A Remark You Made" e "Birdland", e no contrabaixo acústico Augusto Mattoso em "Milestones" e "500 Miles High"; David Feldman nos teclados em "Some Skunk Funk" e "Silly Putty"; Guilherme Dias Gomes toca trompete em "Milestones" e trombone em "Silly Putty"; e Serginho Trombone aparece em "Birdland".

No repertório, uma verdadeira escola, e os seus ídolos sempre presentes -
"Birdfingers", que Larry Coryell gravou com o grupo Eleventh House (1975), aqui Alphonse Mouson nas baquetas; "Red Baron", original de um álbum clássico de Billy Cobham, Spectrum (1973); "Silly Putty" traz a potência do groove que Stanley Clarke colocou em Journey to Love (1975), que trazia George Duke, Jeff Beck e Steve Gadd.
Chick Corea aparece em "Nite Sprite", original do disco The Leprechaun (1976), que também contou com Gadd nas baquetas; e "Spain" e "500 Miles High", ambas inseridas no fantástico Light as a Feather (1973), na formação do Return to Forever.
Joe Zawinul, sempre inspirador, se apresenta em "A Remark You Made" e "Birdland", dois temas gravados com o Weather Report no não menos fantástico Heavy Weather (1977); e os irmãos Brecker, Randy e Michael, aparecem em "Some Skunk Funk", originalmente gravado em 2003 com a WDR Big Band.
Miles Davis, o mentor de todo esse movimento, nos brinda com o tema "Milestones", clássico do álbum homônimo de 1958 em seu primeiro quinteto; e aqui Alfredo faz uma interpretação com uma dinâmica que lhe é muito característica, fazendo a fusão do jazz com o funk e o rock nas acentuações do bumbo e da caixa.
Um discão.
Coloco em destaque também a guitarra de Yuval Ben Lior. Para Yuval, embarcar nesse projeto foi uma aventura musical divertida e desafiante. Usou uma guitarra custom made, amp fender com efeitos de compressão e distorção, conseguindo timbres autênticos.

Looking Back teve a produção de Alfredo Dias Gomes e foi gravado e mixado no ADG Studio.
A mixagem foi de Alfredo Dias Gomes e Thiago Proft; e a Masterização de Ricardo Garcia da Magic Master.

Com a palavra, Alfredo Dias Gomes -

A que você credita a transformação do jazz no final dos anos 60?
Nos anos 60, o rock, bem como o R&B e a soul music, explodiam no mundo inteiro, trazendo também transformações sociais e culturais. Era inevitável que os músicos de jazz, antenados com o que acontecia à sua volta, desenvolvessem uma fusão desses estilos com o jazz.
No fusion, o piano e o baixo, antes acústicos, foram substituídos pelos elétricos, a guitarra elétrica passou a se destacar como instrumento de solo e a bateria passou a ser tocada com uma pulsação mais funk-rock.
O LP de Miles Davis, Bitches Brew, de 1969, é considerado um marco do fusion. O meu vinil tá guardado até hoje e um dos bateristas que participou desse disco, Don Alias, foi meu professor de bateria. A primeira levada que ele me ensinou foi a música que dá nome ao disco, Bitches Brew. Perdi a conta de quantas vezes eu toquei junto com o disco.

Como aconteceu sua descoberta com o jazz-rock?
Comecei ouvindo rock, como todo garoto de 9, 10 anos; daí fui apresentado à Mahavishnu Orchestra, que era formada por músicos de jazz como o guitarrista John McLaughlin e o baterista Billy Cobham, mas que tocavam um som que eu nunca tinha ouvido antes, com harmonias e melodias diferentes, ritmos quebrados, e eu fiquei extasiado com aquilo. A partir daí, fiquei fascinado por compassos compostos, então fui ouvir mais do trabalho desses músicos e acabei conhecendo Miles Davis, Larry Coryell & Eleventh House, Weather Report e Chick Corea.

Foi desafiador idealizar um disco com temas clássicos?
Claro que é sempre um desafio regravar músicas dos melhores artistas do mundo, mas como eu já tocava essas músicas desde sempre acabou fluindo muito naturalmente. Em algumas, como "Nite Sprit", por exemplo, apesar de não ouvir há bastante tempo, quando fui tocar ela estava inteirinha guardada na minha memória. Aliás, essa foi a música mais prazerosa que eu já gravei em toda a minha vida.

Como você pensou os arranjos do disco? 
Não tive nenhuma pretensão de fazer melhor que o original, pois isso seria impossível. Eu tenho uma concepção musical, facilmente identificável nos meus outros discos, todos autorais, em cima de solos de guitarra e sax, e de bateria, claro. Os dois solistas que estão nesse CD, Widor Santiago e Yuval Ben Lior, já tocam comigo há muito tempo e eu pensei em arranjar essas músicas para essa formação.

Obrigado Alfredo Dias Gomes, e sucesso.

Looking Back está disponível na ArlequimCD Baby e no iTunes.
www.alfredodiasgomes.com.br/

BRITISH BLUES AWARDS 2015

17 setembro, 2015

British Blues Awards foi criado com o objetivo de promover os artistas da cena blues britânica pela dedicação e esforço em divulgar o estilo.
A edição deste ano lamenta o falecimento do principal incentivador e co-fundador desta premiação, Barry Middleton.

Entre os eleitos, destaque para Alan Nimmo e Wayne Proctor, guitarrista e baterista do King King, fantástico grupo de de Blues-Rock britânico; as guitarristas Dani Wilde e Joanne Shaw Taylor, que já foram citadas neste espaço; e as reverências para John Mayall e, além do continente europeu, o guitarrista Walter Trout, que se recupera, e bem, de um transplante de fígado.

Confira os premiados -

Male Vocals (by Blues in the South)Alan Nimmo; Aynsley Lister; Marcus Bonfanti
Female Vocals (by Digital Blues)Dani Wilde; Katie Bradley; Zoe Schwarz
Band Sponsored (by Tuesday Night Music Club)The Nimmo Brothers; The Hoax; Zoe Schwarz Blue Commotion
Acoustic Sponsored (by The Half Moon, Putney)Ian Siegal; Marcus Bonfanti; Joel Fisk and Jon Amor; Matt Woosey
Guitar Sponsored (by New Crawdaddy Club)Aynsley Lister; Alan Nimmo; Chantel McGregor
Harmonica Sponsored (by Wall to Wall Blues)Paul Lamb; Will Wilde; Trevor Steger
Keyboards Sponsored (by Sarah's Sussex Blues)Paddy Milner; Steve Watts; Lee Spreadbury
Bass Sponsored (by The Blues and Soul Show)Norman Watt Roy; Lindsay Coulson; Roger Inniss
Drums Sponsored (by The Blues and Soul Show)Wayne Proctor; Sam Kelly; Mark Barrett
Instrumentalist Sponsored (by The Raven and the Blues)Becky Tate; Sarah Skinner; Kyla Brox
Young Artist (by Pablo and the Blues)Laurence Jones; Alex Butler; Lucy Zirins
Overseas Artist (by Sunday Morning Soul): Walter Trout; Kenny Wayne Shepherd; The Billy Walton Band
Independent Blues Broadcaster (by The Blues Session): Dave Raven; Gary Grainger; Kevin Beale
Festival Sponsored (by Blues&Roots Radio)Upton Blues Festival;
          Blues on the Farm; Great British R&B Festival Colne
Album Sponsored (by Sedgefield Rock&Blues Club): Going Back Home - Wilko Johnson and Roger Daltrey;
          Man and Guitar - Ian Siegal; Temperature Rising - Danny Bryant
Song (by GMH Promotions): Mud Honey - Joanne Shaw Taylor;
          Bitter Moon - Malaya Blue; Long Way To Heaven - Wily Bo Walker and Karena K
Barry Middleton Memorial Award for Emerging Artist (by Blues in Britain): Kaz Hawkins; Red Butler; Catfish
Kevin Thorpe Memorial Award for Songwriter (by Worthing Pier)Katie Bradley and Dudley Ross;
   Matt Woosey; Trevor Sewell
Lifetime Achievement Award (by Friday Night Blues with Hugh Fee): Paul Dean New Crawdaddy Club
British Blues Great (by Blues and Roots PR): John Mayall
British Blues Great (by Ian McKenzie Presents): Chris Barber

www.britishbluesawards.com/

O MULTIVERSO DE EMANUEL HILGENBERG

10 setembro, 2015
A teoria do Multiverso ficou evidente no início dos anos 60, cujas hipóteses surgiram a partir da Teoria da Relatividade de Einstein e da mecânica quântica da Teoria dos Muitos Mundos de Hugh Everett. Para tornar tudo isso mais complexo, a Teoria das Cordas vem unificar essas duas tendências da Física Moderna; em analogia, essa gama de energia se assemelha à vibração das cordas de um violão, que, estimuladas em diferentes frequências, produz diferentes partículas que formam o universo. De fato, nosso universo está em constante expansão e pode ser parte de outros tantos universos.

Assim se intitula o disco do guitarrista Emanuel Hilgenberg, mais um novo talento que vem comprovar que a música instrumental brasileira está muito viva e muito criativa.
Para quem começou ouvindo rock, logo se identificou com o instrumental de Stevie Vai e Satriani; e deu um salto para o jazz entrando no mundo de Miles, Coltrane, Hancock, Shorter e Hubbard; além da música brasileira de Milton Nascimento e a guitarra de Toninho Horta, estes que exercem grande influência na sua música.
Para Emanuel, é um hábito de escolher um músico e ouvir tudo dele, todas as suas fases.

Multiverso traz um repertório de 7 composições, todas arranjadas por Emanuel; um passeio instrumental com ares das Minas Gerais e aquele tempero jazzístico. Ao seu lado, Marcelo Hilgenberg no violão, Fabiano de Castro no piano, Ricardo Itaborahy nos teclados, Vinicius Dorin nos sopros, Dudu Lima no contrabaixo e Gladston Vieira e Leandro Scio na bateria.

Multiverso

Com a palavra, Emanuel Hilgenberg -

Fale da sua formação musical.
Cresci em Visconde de Mauá, sul do RJ, e me mudei para São Paulo há 3 anos. Me interessei pela música quando assisti a gravação do CD "Bach", do meu pai, Marcelo Hilgenberg. Neste disco ele está com os músicos que gravaram comigo, e fiquei fascinado. Comecei tocando e ouvindo Rock aos 15 anos, e logo me interessei por guitarristas como Greg Howe, Satriani, Steve Vai, mais na linha instrumental. Meu pai me ensinou sobre harmonia e improvisação, e aos 16 comecei no Instituto Musical Rogério Valente em Volta Redonda, com o próprio Rogério.
Asssim que me mudei para São Paulo iniciei o curso de Bacharelado em instrumento, a guitarra, na FAAM, e tive aulas com Mozart Mello e Michel Leme no IG&T e também com o Fernando Corrêa. Foi quando comecei a me dedicar ao Jazz e a ouvir mais o estilo, e músicas brasileiras do Clube da Esquina, Toninho Horta, Milton, estes que tiveram grande influência nesse meu trabalho. Atualmente continuo cursando a FAAM, tenho aulas particulares com Michel Leme e toco, entre outros projetos, em duo com meu pai no "Hilgenberg Jazz", me apresentando em diversas casas noturnas e festivais.

Como foi juntar esses grandes músicos para a gravação do disco?
O contrabaixista Dudu Lima e o pianista Fabiano de Castro são amigos do meu pai há muito tempo; o baterista Leandro Scio e o tecladista Ricardo Itaborahy já tinham participado junto com o Dudu no CD "Bach". Tive contato com o saxofonista Vinícius Dorin pelo Fabiano, com quem ele já tinha gravado.Todos toparam na hora.
Foi uma grande honra poder gravar ao lado dessas pessoas maravilhosas, exemplos como músicos e como pessoas. Quando eu era mais novo fui em um show do Stanley Jordan com o Dudu Lima, e gravar com ele este meu trabalho, e com todos os outros, foi uma experiência incrível.

Emanuel Hilgenberg

Todas as composições são arranjos seus. Como você pensa a música?
A ideia é conciliar os arranjos com os ritmos, os andamentos e a formação. Tento deixar os temas bem livres, sem muitas convenções, com improvisos que dêem tempo de se criar uma estória. Também acho legal umas surpresas como dobrar o andamento, a música alternando entre binário e ternário, uns vamps modais, solos de bateria, sempre dando toda abertura para os músicos pois essa é a intenção - que cada músico mostre a sua personalidade a favor da música.

Sua guitarra soa bem natura neste trabalho. Que equipamentos usou nesta sessão?
Eu gravei com uma Epiphone 335 dos anos 90 com cordas lisas .12, ligada direto em um pré amp Avalon Vt 737. Depois foi colocado um reverb de leve. O disco foi gravado em sua maior parte no Nave Studio em Juiz de Fora (MG) pelo Ricardo Rezende (Kiko), e o piano e o sax no Estúdio Guidon em São Paulo onde moram o Vinícius e o Fabiano.

O título do disco tem um contexto metafísico. A música transcende o universo?
A teoria do Multiverso sugere que, além do nosso universo, existam outros universos com características distintas, e para mim a música é isso - a cada vez que é tocada ela toma uma forma diferente, uma introdução diferente, uma interação no meio, um final alternativo. Daí esse paralelo com o Multiverso, onde você tem a forma e com ela pode se obter todas as variações possíveis.

Obrigado Emanuel Hilgenberg, e sucesso.

Para adquirir o disco "Multiverso" faça contato com Emanuel Hilgenberg pela sua página no facebook.

GIBA BYBLOS: TOMORROW

02 setembro, 2015
O guitarrista Giba Byblos apresenta seu segundo álbum, Tomorrow, um retrato de histórias reais e fictícias, compiladas em 10 composições. Um convidado muito ilustre está presente neste trabalho, o bluesman Jimmy Johnson, uma lenda que, aos 83 anos, ainda respira e transpira Blues com muita intensidade. Jimmy participa na guitarra na faixa "Heap See", e é mais que um convidado, foi a inspiração para Giba desenvolver este trabalho. Para ele Giba dedicou o tema título, cuja idéia deu-se em um momento de ansiedade quando Giba estava ao volante do carro com Jimmy na carona, e o mestre afirmou categórico - "Ontem veio e se foi, o amanhã é desconhecido"; assim Giba descreve nas linhas no belo encarte do álbum.
Ainda em destaque no repertório, composições clássicas de Junior Kimbrough em "Lord Have Mercy on Me" e Freddie King em "She Put the Whammy on Me"; apresenta dois temas em parceria com Homesick Hanes "Up for No Good" e "Wrong Place, Wrong Time"; e um tema instrumental, "Catch You on the Flipside" em reverência a uma gíria de Chicago que significa "nos vemos em breve".

O álbum é um lançamento Chico Blues Records e teve a produção de Edu Gomes, arte gráfica de Dayuk Martins e fotografia de Alex Drobnick.

Giba Byblos: Tomorrow

Giba Byblos nos conta um pouco sobre o trabalho -

GC: Tomorrow retrata sua experiência de vida. O Blues é o motor dessa trajetória?
GB: Sim. Eu encaro o Blues como puro sentimento e Tomorrow é como uma "redenção" musicada. A idéia partiu do Jimmy Johnson, e a medida que a composição ia avançando eu submetia ao crivo do mestre.

GC: Neste trabalho tem mais composições autorais. Como foi o processo de criação?
GB: O Jimmy Johnson também me disse que nem sempre uma letra precisava ser verdadeira, outras nem tanto, outras sim. Sendo assim, usufruí dessa liberdade sempre atentando para o bom senso. O processo de criação foi o mais variado possível. Por exemplo, "Riverside" conta o trajeto que eu fiz com o Fabio Basili, Mauricio Sahady e Christiano Crochemore (os dois primeiros participam do CD), que desde adolescente sonhava em conhecer o Riverside Hotel, em Clarksdale, e em 2013 isso finalmente rolou.

GC: Uma honra ter Jimmy Johnson ao seu lado. Como surgiu a participação dele no disco?
GB: Eu não planejava convidar o Jimmy Johnson para participar. Sei lá, pode parecer bobeira minha, não queria incomodar o bluesman além do já estava fazendo em relação à composição da Tomorrow. Em dezembro de 2014, produzi uma segunda turnê dele aqui no Brasil e ele me perguntou se eu não ia convidá-lo a participar do CD. Não tive como recusar; o solo e a base da "Heap See" são dele.
Tomorrow é dedicado a ele.

GC: Fale um pouco sobre como se formou o grupo para esta sessão.
GB: A banda base é a que me acompanha há algum tempo, faça sol ou faça chuva - Paulinho Sorriso na bateria, Dado Tristão no piano e trombone, e o Fábio Basili no contrabaixo; nos metais, além do Dado, estão presentes o Clayton Silva no trombone e o Miquéias Nascimento no trompete. O meu irmão Adriano Grineberg fez o hammond; e também tem a guitarra solo do Mauricio Sahady. A produção só poderia ser do Edu Gomes, que também fez os shakers e pandeirola.

GC: Que equipamentos usou em Tomorrow?
GB: Todos os solos são com uma Gibson ES 355 1978, cabo George L's e um amp Fender Deluxe Reverb 1978.
Para as bases, o mesmo amp; onde há Phaser é um MXR Script e as guitas são Gibson ES 325, ES 333, ES 335 e Flying V. Usei overdrive manual e amp com volume variando entre 8 e 10, e o falante é um Eminence Canis Major de alnico.

"Catch You on the Flipside", Giba Byblos; e sucesso.



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Lowdown Boogie

UM POUQUINHO DO QUE ROLOU NO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES 2015

25 agosto, 2015
Não há crise que supere o poder da música, e foi sobre essa magia que aconteceu a décima terceira edição do Festival de Rio das Ostras, entre os dias 20 e 23 de agosto. Apesar da diminuição da grade de atrações, mas nem por isso menos interessante, o festival comprovou porquê é um dos maiores e melhores festivais desse país.
Não pude curtir a note de abertura do festival, mas me restaram outras duas noite de absoluta intensidade de acordes e vibrações musicais que, como sempre, me reservaram algumas surpresas.

Omar Hakim Experience

O festival começou pra mim com o som do grande baterista Omar Hakim e seu grupo Experience, acompanhado por uma super banda formada pela sua esposa e tecladista Rachel Z,  o irrevente Scott Tibbs também nos teclados, o sax de Bob Franceschini, o baixista elétrico Jerry Brooks e o guitarrista Nic Moroch. Brooks e Nic já estiveram em edições passadas, o primeiro ao lado do trompetista Michael Stewart e o segundo na edição dos 10 anos do festival ao lado de David Sanborn. Omar desfilou muita técnica, fez uso de vocalizes e deu muito espaço para os integrantes do grupo, explorando bastaste os teclados de Scott e os belos improvisos de Nic Moroth; além de Franceschini, a frente do grupo, alternando entre o tenor e flauta. Passagens bem contemporâneas, progressivas, e em destaque o repertório do álbum "We are One" com os temas "Remember to Remember", "Transmigration", "With Every Breath" e "Walk the Walk".

A noite seguiu e ficou mais intensa com a voz e guitarra da texana Carolyn Wonderland. A ruiva é simplesmente espetacular, cresce ao vivo, e com seus cabelos de fogo incendiou a platéia com sua postura às vezes teatral, às vezes dramática, e pulsando uma energia fora do comum. Ela estava realmente feliz em estar no palco, na formação de organ trio formado por Kevin Lance na bateria e Cole El-Saleh nos teclados, fazendo o baixo num pequeno e simples teclado conectado a um vintage Alexis NanoBass.
Que apresentação desta moça, uma voz rasgada e o estilo fingerstyle de tocar guitarra, uma bela Telecaster Thinline. Alternou com um Lap-Steel em algumas composições e fez um repertório que não escondeu reverência a Blind Willie Johnson e B.B.King, e muito Blues. A sensação do festival.

Carolyn Wonderland

Fechando o palco principal, a nova identidade do Blues nacional, o guitarrista Artur Menezes, acompanhado por Nino Nascimento no baixo elétrico, Mateus Schanoski no hammond e Wladimir Catunda na bateria. No repertório, seu recente álbum "Drive Me". Um privilégio para Artur estar pela segunda vez no festival e fechando a noite no palco principal. Manteve muita interação com o público e, na melhor tradição, foi tocar junto com a galera.

Sábado de tarde parti para o palco de Iriri em dose dupla - novamente a apresentação de Artur Menezes, aqui com uma canja da gaita de Jefferson Gonçalves; e o guitarrista inglês Matt Schofield, este que eu queria muito assistir pois perdi sua apresentação noite de abertura, mas foi a oportunidade de conferir no palco mais fervoroso do festival. Matt em formação de organ trio, ao lado de Jonny Henderson no hammond B3 e Kevin Hayes na bateria. Sua primeira apresentação em palcos brasileiros e, eu, fã de carteira do inglês, assisti quase que anestesiado ao lado do palco uma performance impecável, com direito a um slow blues quase que lisérgico, levadas funkeadas e muita pegada na sua guitarra modelo strato SVL.

Gabriel Grossi e Arismar do Espirito Santo
A noite de sábado começou com estilo. A harmônica de Gabriel Grossi coloca, sem dúvida, a música instrumental brasileira em um nível de excelência ímpar. Grossi estava acompanhado por Bruno Aguilar no baixo elétrico, Caio Marcio no belo violão do luthier Ricardo Amantea e Cassius Theperson na bateria; e um convidado muito especial - o gigante Arismar do Espírito Santo. A abertura foi com "Dama de Ouro", tema do acordeonista Bebe Kramer, com quem Gabriel gravou o álbum "Realejo"; seguiu com "Ruidos Urbanos" em um improviso estonteante de Gabriel e espaço para Caio, Bruno e Cassius. Homenageou as Minas Gerais com "Forrozinho Seus"; e em uma mistura de ritmos e tendências, lembrou Hermeto em "Suite Norte Sul Leste Oeste". Fez analogia ao jargão "Toca Raul", citando o 'Seixas' e o 'de Souza', e, num prelúdio solo, citou Trenzinho Caipira de Villa-Lobos de forma magnífica. Foi a hora de chamar ao palco Arismar, que abraçou uma bela Ibanez GB10 e atacou de "Cadê a Marreca", "Chutando o Côco", e uma reverência a Gil e Dominguinhos na belíssima "Lamento Sertanejo", e com muito groove. Uma apresentação emocionante.

Outro grande nome desta edição, Robben Ford subiu ao palco em formação de power trio ao lado do baixista Brian Allen e  do baterista Wes Little. Um setup matador, envenenado por um amp Dumble e caixa Mesa Boogie com um som realmente impecável. Alternando com as guitarras SG e Telecaster, explorou o repertório de seu álbum “Into the Sun” e homenageou dois outros gigantes do Blues – Freddie King com “Cannonball “Shuffle” e B.B.King com “Indianola”. Muito espaço para Brian, que fez um solo absurdo ao lado de Wes, momento em que o líder retirou-se do palco deixando ambos em total liberdade. Um gigante, sempre com muito calor em suas apresentações ao vivo.

Robben Ford

Depois da intensa apresentação de Ford, sobe ao palco o Incognito, um dos meus grupos favoritos dos anos 90.
Liderado pelo guitarrista Paul 'Bluey' Maunick, mostrou um repertório com muito balanço nas vozes de Tony Momrelle, Vanessa Haynes e Katie Leone e uma super seção de metais, Foi a oportunidade de reviver os álbuns "Positivity", "Tribes, Vibes and Scribes" e "Inside Life" nos temas "Colibri", "Talkin Loud", "Still a Friend of Mine" e "Always There", além dos clássicos de Stevie Wonder "Star Up in the Sky" e "Don´t Worry About a Thing", e "Brazilian Love Affair" de George Duke. Tem que destacar a parte da improvisação em duo do baterista Francesco Mendolia e do percussionista João Caetano.

Não fiquei para o show do Dwayne Dopsie; mas quem lá esteve afirmou que a festa continuou com muita intensidade. E assim, já esperamos uma próxima edição.

DRIVE ME

09 agosto, 2015
Artur Menezes é, sem dúvida,  um dos grandes nomes que surgiram na guitarra Blues nacional. Com o lançamento de seu terceiro álbum, Drive Me, se consolida como mais que um grande guitarrista, mostrando que a veia de composição está muito viva.
Drive Me traz 9 temas, 8 deles autorais e cantados em inglês, e 1 interpretação do tema "Cartão Postal", resgate do original composto por Rita Lee em um dos álbuns mais fantásticos do Rock Brasil - Tutti Fruti (1975).

Um super time está ao seu lado neste trabalho - Wladimir Catunda na bateria e Nino Nascimento no baixo, os convidados muito especiais Jefferson Gonçalves na gaita e Adriano Grineberg no hammond e piano elétrico, as vozes de Eloiza Paixão e Estela Paixão, e os metais de Paulo Malheiros no trombone, Sidmar Vieira no trompete e Luiz Neto no sax tenor.

Artur Menezes

Um imponente Chevrolet Impala sessentão ilustra a capa do álbum, e é o ronco dos motores que abre o repertório com o tema título em um Country-Rock contagiante. Mantendo a pressão, "I Have Screwed Up" coloca balanço cadenciado na forma Blues; e a pegada Rock se faz presente em "Bitterness", todas com intensos improvisos.
A balada "Getting Cold" ganha um ar Soul com a adição dos metais, e não diferente desse clima está "More Than You Know", ambas com desenhos de solos interessantes e um registro mais clean da guitarra.
Os metais também se mostram pontuais para a funkeada "Too Soon"; e dois temas instrumentais - "Novos Ares" e "Nosso Shuffle", esta com aquela atmosfera Texas Blues.
Fechando o álbum, o único tema cantado em português, "Cartão Postal", em duo acústico com a harmônica de Jefferson Gonçalves.

Com a palavra, Artur Menezes -

GC: "Drive Me" é mais um passo importante na sua carreira. Como deu-se a ideia desse trabalho? 
AM: É o meu terceiro disco solo. Estou muito feliz com o reconhecimento, pois o disco está maravilhoso e o público e crítica estão gostando bastante. A ideia foi a de seguir naturalmente nessa onda de fazer um Blues moderno misturando com vários outros estilos que gosto, como Funk, Soul, Rock e Country.

GC:  Talento e criatividade o levaram a representar boas marcas de instrumentos; e tem um pedal de efeito "drive" com seu nome. É importante essa parceria entre fabricante e músico? 
AM: Sim, é bem importante, mas não é essencial. Mas é interessante ter o nome vinculado a grandes marcas. Traz uma espécie de selo de qualidade e reconhecimento pelo trabalho. A parceria mais recente que fechei foi com a Suhr Guitars, uma das melhores guitarras no mundo, realmente um instrumento excepcional.

GC: Filho de cantora, Lucia Menezes, influência musical que vem de berço. Assim sendo, a música sempre foi regra em casa, certo? O que Artur Menezes sempre ouviu e, hoje, gosta de ouvir? 
AM: Isso. Desde criança vivo neste ambiente musical. O que eu costumo ouvir varia bastante, depende do momento. Às vezes descubro um artista que me emociona e então fico um bom tempo escutando e estudando sua obra. Um cara que venho escutando bastante ultimamente é o guitarrista Matt Schofield. O mais bacana é que o meu segundo show no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival este ano vai ser antes do show do Matt.

Artur Menezes

GC:  Você partiu cedo para vivenciar a Música nos EUA, em Chicago, terra de tradição do Blues. O quão importante foi essa experiência na sua formação como músico? 
AM: Foi legal beber o Blues direto da fonte. Ao vivo, a música bate mais forte, entra por osmose, então peguei bastante do estilo ouvindo e tocando junto, essas coisas. Mas o mais importante nesta experiência foi ver que lá na terra do Blues os artistas mais velhos e tradicionais estavam mesclando o Blues com outros estilos como Hip-hop, Funk e Soul, e isso me deu o estalo pra poder fazer um Blues sem amarras e sem estar preso em fórmula ou figurino. Pensei - "Poxa, se aqui no EUA, terra do Blues, muitos artistas, até da velha guarda, não estão com essa obrigação de serem tradicionais, por que eu, cearense, brasileiro, teria que ser?"

GC: Você vem conquistando seu espaço com um trabalho de muita qualidade, e recentemente levou seu som em turnê pela Europa e México. O mundo respira Blues? 
AM:  Acredito que sempre vai. O Blues nunca vai morrer, é uma música muito forte e cheia de sentimento. Costumo dizer que existem dois tipos de pessoas - as que gostam de Blues e as que não o conhecem. Quem conhece passa a gostar. O que acontece é que o estilo não recebe a atenção e reconhecimento merecido da grande mídia, mas tenho certeza que isso vai mudar.

GC: Duas faixas instrumentais em "Drive Me". Podemos esperar um trabalho nessa linha no futuro? 
AM:  Não tenho muita vontade de fazer um disco todo instrumental. O que noto é que um trabalho todo instrumental é muito apreciado por músicos e por um público mais restrito. A canção é mais acessível e conquista mais gente.

Obrigado Artur Menezes, e Sucesso.



Arte da capa do álbum é de Pedro Grangeiro e fotografia de Ana Lu Grosso.
Artur Menezes é endorser da Suhr Guitars, Fire Custom Pedals e Santo Angelo Cables.

ARI BORGER AO VIVO E EM CORES

19 julho, 2015
Live at Cincy Blues Fest é um marco na carreira do pianista e organista Ari Borger.
O disco, lançado em formato CD-DVD pela Chico Blues Records, tem o registro da apresentação ao vivo no festival que se realiza anualmente no verão da cidade de Cincinati, Ohio, no Sawyer Point Park, nas margens do rio. O evento tem vários palcos distribuídos pelo parque, e um deles foi o cenário para Ari Borger mostrar o seu trabalho - Arches Boogie Woogie Piano Stage, que também é palco do prêmio International Boogie Woogie Hall of Fame.

Ari Borger Live at Cincy Blues Fest

Muitos convidados participam nas 9 faixas do CD - as vozes ficaram na responsabilidade de J.J. Jackson em "Baby Won´t You Jump Me" (Lowell Fullson) e Wallace Coleman, que também tocou harmônica, em "Men Red Spider" (Muddy Waters) e "Bricks on my Pillow" (Robert Nighthawk), estas com a seção rítmica da Igor Prado Band, com Igor Prado na guitarra, Rodrigo Mantovani no baixo e Yuri Prado na bateria.
Nas demais faixas a cozinha contou com George Bedard na guitarra, Chris Douglas no contrabaixo e Johnny Vidacovich na bateria; e Ari Borger alternou ao piano e hammond, este que mostra a força na pegada funky de "Funky B", tema autoral em que sobra muito groove; em "Blues Feeling", um slow blues no melhor estilo; e na clássica "Green Onions", original de Booker T.
O piano blues abre o disco em "Song for Jay" e apresenta todo seu lamento em "Playing with my Soul", em baixa dinâmica e com um riff estonteante de Ari; e, no melhor encontro do boogie com o jazz, a contagiante "French Quarter Boogie", que contou com as participações do baixista Marcos Klis e do guitarrista Celso Salim.

O DVD contém 7 faixas, com edição de imagens por Chico Blues, e registra o encontro de Ari Borger com o pianista Bob Seeley na faixa "Boogie with Bob", além do tema "88 Boogie", que não está no CD.
A masterização do disco teve as mãos de Igor Prado e a arte da capa de Yuri Prado.
Um registro obrigatório.


ariborger.com/

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Lowdown Boogie Igor Prado Band

MUDDY, WOLF E BONAMASSA

09 julho, 2015
Joe Bonamassa
Sem dúvida, Joe Bonamassa é um dos guitarristas mais vibrantes surgidos na cena Blues-Rock nos últimos 20 anos. Fato que se comprova pelos seus últimos lançamentos - os fantásticos concertos realizados nos palcos do Royal Albert Hall (2010) e Beacon Teather (2012), em que teve ao lado as presenças de Eric Clapton e Paul Rodgers; no belíssimo Vienna Opera House (2013) com um super set acústico; e a viagem ao universo do Funk-Jazz dos anos 70 em Rock Candy Funk Party (2014), entre outros. Além, lógico, de sua obrigatória discografia de estúdio.

E agora nos surpreende com um Tributo a Muddy Waters e Howlin Wolf, dois pilares do Blues elétrico e, talvez, os grandes representantes do movimento a partir dos anos 60.
Com total domínio da linguagem Blues, Bonamassa desfila um repertório de clássicas composições de Willie Dixon, J.B. Lenoir, Muddy Waters, Chester Burnet e Hendrix, em 2h de apresentação em um dos palcos mais extraordinários da América - Red Rocks, localizado nas montanhas do Colorado, no anfiteatro geologicamente natural, com perfeita acústica.

Muddy Wolf at Red Rocks traz, como sempre, um Bonamassa inspiradíssimo e aqui com uma nova formação - os metais liderados por Lee Thornburg trompete e arranjos, Ron Dziubla sax e Nick Lane trombone; Mike Henderson harmônica; Reese Wynans piano e hammond; Michael Rhodes baixo; Kirk Fletcher guitarra; e Anton Fig bateria.

Uma super pré-produção deste trabalho levou Bonamassa ao Mississipi a bordo de um original Chevy Bel-Air 1957. Ao seu lado o produtor Kevin Shirley, e realizaram uma histórica viagem passando por Clarksdale, uma visita ao Delta Blues Museum até a encruzilhada protagonizada por Robert Johnson.
Tem ainda imagens resgatadas de Muddy e Wolf em apresentações ao vivo e em estúdio, tudo documentado nos extras do DVD-Bluray; e o áudio em CD duplo.


jbonamassa.com/

Mais Joe Bonamassa -

Live at Vienna Opera House Rock Candy Funk Party Joe Bonamassa : See Saw Joe Bonamassa : Don´t Explain

IN SET COM BRUNO MIGOTTO

02 julho, 2015
O baixista Bruno Migotto é um dos mais atuantes músicos da cena Instrumental brasileira. Seu som está presente no trio do guitarrista Michel Leme, com quem toca desde 2008, nos quintetos dos guitarristas Lupa Santiago e Djalma Lima, e na Soundscape Big Band - trabalhos de pura excelência.

Agora ele é o protagonista, e apresenta seu primeiro disco solo intitulado In Set, um registro autoral que contou com a participação de Michel Leme na guitarra, Alex Buck na bateria e os sopros de Daniel D'Alcantara no trompete, Josué dos Santos e Cassio Ferreira nos saxofones e Jorginho Neto no trombone.
O primeiro time da cena instrumental paulistana.
Para Bruno, In Set é o retrato mais fiel da sua realidade e crença na arte, como afirma no belo encarte do disco, com arte gráfica de Luda Lima.

Bruno Migotto

Alternando entre o contrabaixo acústico e elétrico, o repertório se traduz quase como uma biografia -
das mudanças e incertezas em "Do Fim ao Começo"; a mistura de ritmos em "El Samba como me Gusta" e "Caixote de Surpresas"; a crença em "Paz de Cristo"; da ansiedade transformada em Blues em "Quase Roxo"; e dos insights criativos em "Acidental" e "Canto do Abacate".
Títulos cujas histórias são reveladas brevemente por Bruno em linhas impressas na contracapa do disco.

Com a palavra, Bruno Migotto -

GC: In Set é um disco totalmente autoral. Como você trabalha o processo de composição?
BM: O processo de composição nunca é fácil pra mim, normalmente tudo parte de uma ideia e depois vem o desenvolvimento dessa ideia, que é a parte mais dificil e que leva muito mais tempo. As músicas desse disco foram todas compostas entre 2005 e 2007, e depois de escritas comecei a escrever os arranjos para a formação de septeto, a principio somente para estudo, mas depois de tanto trabalho os escrevendo decidi montar essa formação e toca-los. Em 2009 gravei o disco, que conta com 7 desses arranjos e com os músicos Michel Leme, Alex Buck, Daniel D'Alcântara, Cássio Ferreira, Josué dos Santos e Jorginho Neto.

GC: Nesta sessão você tem a base em trio com guitarra e bateria e uma seção de sopros. Você já tinha pensado nos arranjos sem piano?
BM: Desde que comecei a escrever os arranjos para essa formação sempre pensei neles com um só instrumento de harmonia, no caso a guitarra; assim o músico fica mais à vontade para harmonizar com o solista e interagir. Mas acima de tudo, minha preocupação foi em pensar nos músicos que eu queria que fizessem parte do som, então não escolhi a guitarra, escolhi o Michel Leme, que tem um som único, assim como todos os outros músicos que fizeram parte do disco. Esse é um dos aspectos que mais gosto desse tipo de música, que permite a criação e a improvisação em tempo real. Cada músico que muda, muda também todo o som do grupo e a maneira como os demais músicos tocam e reagem, isso requer uma sensibilidade e entrega total à Música.

GC: Contrabaixo acústico e elétrico - instrumentos de sonoridade e textura tão particulares. Como você os pensa em sua música?
BM: O que realmente acho mais distinto entre os dois instrumentos é a parte técnica, nesse sentido eles são completamente diferentes, a não ser por terem a mesma afinação. Portanto, não é natural que um baixista elétrico toque acústico nem vice versa, tem que estudar os dois separadamente com suas respectivas técnicas e sonoridades. Porém na hora de tocar, musicalmente falando, penso nos dois muito próximos. Minhas maiores referencias como baixista são baixistas acústicos. Depois que comecei a tocar baixo acústico meu jeito de tocar o elétrico mudou completamente, e meu modo de tocar em grupo mudou bastante, e pra melhor, eu acredito. Essa limitação técnica que o baixo acústico traz no começo, acho isso extremamente musical, faz você ser mais criativo com menos informação e também faz você valorizar o mais simples. Hoje em dia acho que um instrumento acaba ajudando e influenciando o outro. Meus estudos hoje também inclui a bateria, e foi desde que me mudei para São Paulo que pude começar a estudar de verdade esse instrumento, que foi minha primeira paixão na música, um instrumento que sempre me ajudou muito como baixista, e musicalmente; também tenho me dedicado bastante ao piano, que tem me ajuda muito em todos os sentidos. Acho extremamente importante para qualquer instrumentista conhecer um pouco de bateria e piano.

Bruno Migotto

GC: O que o fez descobrir o contrabaixo? 
BM: O contrabaixo não foi minha primeira e nem segunda opção. O primeiro instrumento que eu tive foi um teclado, com uns 8 anos de idade mais ou menos, mas não despertou muito meu interesse para estudar na época e logo desencanei; mas foi quando vi uma bateria pela primeira vez na minha frente que meu amor pela música começou de verdade. Eu ficava louco quando via alguém tocando bateria, e queria muito fazer aquilo também (esse amor continua até hoje), porém morava em apartamento e ter uma bateria não era uma opção, a unica coisa que eu sabia era que não queria tocar guitarra, então baseado nas bandas de Rock que eu ouvia na época só me sobrou o baixo.
Aos 11 anos ganhei meu primeiro baixo elétrico, e a partir daí comecei a estudar música cada vez mais, ja sabendo que queria ser músico. Aos 17 fui para São Paulo estudar música e comecei a ouvir cada vez mais Jazz e Música Instrumental, e naturalmente comecei a ter como referencia aquela linguagem e sonoridade do baixo acústico, assim comprei meu primeiro acústico aos 18 anos. Comecei a estudar sozinho mesmo, e logo comecei a trabalhar com o instrumento, e tocar na noite ainda continua sendo minha maior escola, repertórios sempre diferentes e com músicos diferentes.
É muito interessante como as coisas acontecem. Quando comecei a tocar aos 11 anos, nunca imaginei que fosse tocar e carregar um baixo acústico pra lá e pra cá, porém agradeço muito, pois esse instrumento mudou completamente minha maneira de tocar e de ver a música, e também me abriu muitas portas para que eu começasse a tocar Música Instrumental e improvisada com grandes músicos que eram e ainda são minhas referências musicais, e que tenho a honra de ver de perto, aprender e tocar, como os grandes bateristas Bob Wyatt, Edu Ribeiro, Cuca Teixeira, Alex Buck, Nenê, Celso de Almeida, entre tantos outros.

GC: Você é professor no Conservatório Souza Lima, que tem muito foco no Jazz e na Música Instrumental. Você vê potencial na nova geração de músicos para levar esse legado adiante?
BM: Com certeza. Os tempos mudaram bastante por conta da tecnologia e do fácil acesso a informação, o importante é saber como lidar com isso. O perigo é ficar viciado no acúmulo de informações e não se aprofundar em nada direito. Gosto do antigo método de ter um disco e ouvi-lo até cansar, conhecer o máximo possível aquele disco, cantar os solos, saber o que acontece com os outros instrumentos, ouvir a música como um todo e não focar somente no próprio instrumento. E o que parece ser um método infalível para aprender uma linguagem é conhecer a história, estudar os que vieram antes de você, e os que vieram antes daqueles que você admira. Acredito que esse processo tanto de aprender quanto de ensinar deve ser feito em sua maior parte com Música, com som, e não somente com regras e dogmas, afinal ninguém quer virar músico ou se apaixonar pela Música por causa de regras e teorias.

Obrigado Bruno Migotto, e sucesso.
brunomigotto.com/


Bruno Migotto on Myspace.

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Michel Leme: Alma

DOWNBEAT CRITICS POLL 2015

26 junho, 2015

O pianista Vijay Iyer foi, novamente, eleito o artista em destaque do Jazz na edição 63 do DownBeat Critics Poll; e seu trio, formado pelo contrabaixista Stephan Crump e pelo baterista Marcus Gilmore, o destaque na categoria de grupo. Vjay já tinha conquistado ambos títulos em 2012.
O álbum de Jazz em destaque ficou com o Tributo a Charlie Parker realizado pelo saxofonista Rudresh Mahanthappa, Bird Calls (ACT), que também foi o eleito novamente o artista na categoria sax alto.

Dobradinha também na eleição deste ano para Ambrose Akinmosire, Joe Lovano, Gary Smulyan, Anat Cohen, Nicole Mitchell, Robert Glasper, Bill Frisell, Christian McBride, Stanley Clarke e Regina Carter; e para as vozes de Gregory Porter e Cecile McLoren Salvant.
Nos artistas em ascensão, a improvisação livre ganhou espaço no nome da saxofonista Ingrid Laubrock, e, mais que merecidos, os nomes de Melissa Aldana e Ben Williams.

A lista completa -

Hall of Fame: Lee Konitz
Veterans Committee Hall of Fame: Muddy Waters
Jazz Artist: Vijay Iyer
Jazz Album: Rudresh Mahanthappa, Bird Calls (ACT)
Historical Album: John Coltrane, Live At Temple University (Impulse!/Resonance)
Jazz Group: Vijay Iyer Trio
Big Band: Darcy James Argue’s Secret Society
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Steve Turre
Soprano Saxophone: Wayne Shorter
Alto Saxophone: Rudresh Mahanthappa
Tenor Saxophone: Joe Lovano
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Kenny Barron
Keyboard: Robert Glasper
Organ: Joey DeFrancesco
Guitar: Bill Frisell
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Stanley Clarke
Violin: Regina Carter
Drums: Brian Blade
Percussion: Zakir Hussain
Vibraphone: Gary Burton
Male Vocalist: Gregory Porter
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant
Miscellaneous Instrument: Erik Friedlander (cello)
Composer: Maria Schneider
Arranger: Maria Schneider
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Gary Clark Jr; Buddy Guy
Blues Album: Gary Clark Jr., Live (Warner Bros.)
Beyond Artist or Group: D’Angelo
Beyond Album: D’Angelo and The Vanguard, Black Messiah (RCA)

Astistas em ascensão -

Jazz Artist: Steve Lehman
Jazz Group: The Cookers
Big Band: Jason Lindner Big Band
Trumpet: Kirk Knuffke
Trombone: Ryan Keberle
Soprano Saxophone: Ingrid Laubrock
Alto Saxophone: Steve Lehman
Tenor Saxophone: Melissa Aldana
Baritone Saxophone: Chris Cheek; Brian Landrus
Clarinet: Chris Speed
Flute: Erica von Kleist
Piano: David Virelles
Keyboard: George Colligan; Jamie Saft
Organ: Jamie Saft
Guitar: Michael Blum
Bass: Ben Williams
Electric Bass: Tarus Mateen
Violin: Carla Kihlstedt
Drums: Tyshawn Sorey
Percussion: Giovanni Hidalgo
Vibraphone: Bryan Carrott
Male Vocalist: Allan Harris
Female Vocalist: Cyrille Aimée
Miscellaneous Instrument: Anouar Brahem (oud)
Composer: Rudresh Mahanthappa
Arranger: Arturo O’Farrill
Producer: Dave Douglas

ELIAS HASLANGER

22 junho, 2015
O saxofonista texano Elias Haslanger é um dos músicos mais atuantes na cena Jazz de Austin, Texas.
Iniciou os estudos na Texas University, onde tornou-se mestre em composição; e mais tarde partiu para a Manhattan Music School.
No final dos anos 90, alcançou posições de destaque no ranking das publicações Jazziz, Jazz Times e Downbeat; e com o trabalho realizado com o patriarca dos Marsalis, “Kicks are for Kids” (1998), ganhou definitivamente a admiração de público e crítica, cujo álbum foi eleito um dos melhores da década.
Convidado a integrar o grupo do trompetista Maynard Ferguson, "Big Bop Nouveau Band", tornou-se o solista principal ao tenor, caminho seguido muitos anos antes por Wayne Shorter, o que deu a Elias muitas horas de palco e experiência que enriqueceu sua trajetória em grupo, como líder e músico.
Seu álbum solo de 2012, "Church on Monday", passou 11 semanas em destaque no ranking das rádios pela JazzWeek e foi distribuído na Europa e Japão, ganhando destaque na edição da Downbeat em junho de 2013, em que ele comenta sobre o álbum que transformou sua forma de pensar o ritmo - "Hustlin" (1964) - um clássico Blue Note liderado por Stanley Turrentine e sua esposa e organista Shirley Scott .
Elias intitulou seu grupo como Church on Monday, formado por Dr. James Polk no Hammond, Jake Langley na guitarra, Daniel Durham no contrabaixo e Scott Laningham na bateria.
O organista Polk também é muito conhecido na cena musical de Austin, responsável por formar muitos músicos locais, e foi por muito tempo diretor musical da Ray Charles Orchestra. E destaque também o guitarrista canadense Jake Langley, que integrou o organ trio liderado por Joey DeFrancesco e é uma escola de guitarra com fluência plena na linguagem do Blues.
Esta formação está presente no contagiante álbum Live at the Gallery (2014, Cherrywood Rec), registro de 2 noites no Continental Club Gallery, em Austin. Um verdadeiro passeio pelo repertório do Jazz em uma sessão contagiante, não é à toa que o álbum recebeu 4,5 estrelas na Downbeat.
O líder muito inspirado, e não economizou no tempero Blues em "One for Daddy-O" (Adderley) e na tradicional "Going Down"; carregou o groove em "Watermelon Man" (Hancock) e "Adam´s Apple" (Shorter); deu espaço para os standards "I Thought About You" (Van Heusen) e "Song For My Father" (Horace Silver); e relaxou nas baladas "In a Sentimental Mood" (Ellington) e "Misty" (Errol Garner).


www.elijazz.com/

BEN WILLIAMS

05 junho, 2015
O contrabaixista Ben Williams já desponta como um dos mais talentosos músicos surgidos na cena jazz nos últimos tempos. Formado pela Juilliard School, recebeu, em 2009, a honra máxima no Thelonious Monk International Bass Competition, impressionando uma bancada de mestres formada, na época, por Ron Carter, Dave Holland, Charlie Haden, John Pattittuci, Christian McBride e Robert Hurst.

Em 2011 lançou seu álbum de estreia, “State of Art” (Concord Rec), ao lado de de Marcus Strickland, Matthew Stevens, Gerald Clayton e Jamire Williams, em um repertório que traz nova roupagem para "Little Susie" (Michael Jackson) e "Part Time Love" (Steve Wonder), e ainda faz uma fusão com o hip-hop em homenagem a Lee Morgan com o DJ e rapper John Robinson e o trompetista Christian Scott como convidados.
Tanto talento chamou a atenção de Pat Metheny, que o convidou para integrar o Unit Group ao lado de Chris Potter e Antonio Sanchez, cujo álbum de estreia foi premiado com o Grammy em 2012. E foi McBride quem o apresentou ao guitarrista quando ainda estudava na Julliard; foi a oportunidade de Williams juntar-se ao trio de Metheny para algumas gigs, mais tarde recebendo o convite para integrar o Unity Group. Um reconhecimento e tanto, afinal ele tem em Metheny uma grande influência.
Em 2013, já figurava na lista dos músicos em ascensão na eleição da revista Downbeat.

Com seu segundo álbum, Coming of Age (2015, Concord Rec), Williams mostra-se muito mais maduro, e tem ao seu lado novamente o sax de Marcus Strickland e a guitarra de Matt Stevens, complementando com Christian Sands no piano e John Davis na bateria, grupo que ele intitulou Sound Effects. Convidados muito especiais participam do álbum - novamente o trompetista Christian Scott, o vibrafonista Stefon Harris, e as vozes de Goapele e W.Ellington Felton.
São 11 composições no repertório, e, particularmente, um ponto alto do álbum é a belíssima interpretação de "Lost & Found", cover da cantora de Soul inglesa Lianne La Havas, com Christian Scott em total introspecção. Ainda em destaque, uma versão solo de "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana; e uma homenagem a Nelson Mandela em "Voice of Freedom", interpretada na voz de Goapele.


benwilliamsmusic.net/

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MUY POQUITO COM ITAMAR CARNEIRO TRIO

23 maio, 2015
A simplicidade é a máxima sofisticação.
É por essas linhas que o guitarrista paulista Itamar Carneiro rege seu modo de ser, simples, que gosta das coisas simples; e faz do uso desta simplicidade um universo de histórias musicais.
Com muito talento e criatividade, ele apresenta seu primeiro disco solo, Muy Poquito, um registro independente em que traz um repertório autoral em 6 composições, fazendo uma fusão de ritmos latinos, muito influenciado pela música cubana, sem perder o swing e a linguagem da música brasileira.
Sem dúvida, uma música de extrema grandeza, emoção e singularidade.


Ao lado de Itamar Carneiro estão Shamuel Dias no baixo elétrico e Danilo Carvalho na bateria, um trio super integrado e com espaço para muito improviso, em uma sessão gravada sem cortes, sem overdubs, sem correção nem adição de mais nada, para que se perceba o som mais real possível, ao vivo.
O álbum abre com a forte melodia do tema título, cadenciado pela atmosfera latina e trazendo intensos improvisos de Itamar, Shamuel e Danilo. Em "Meu Porto, meu Cais", Itamar introduz o tema com um chord melody em uma belíssima balada; assim como na bossa "Um Mar de Saudade". O ritmo brasileiro marca o "Baião de Assis Carneiro", mostrando sua influência por Gonzagão em um mood muito particular; e o Blues tem presença em "Martino Blues", uma reverência ao guitarrista Pat Martino. Fechando o álbum, uma belíssima interpretação solo em "O Trem de Cabedelo".

Itamar usou uma Ibanez AF100 em todas as faixas, com exceção de "O Trem de Cabedelo", em que usou uma guitarra fabricada pelo luthier Aquiles, de Brasília, ambos plugados em um amp Fender Delux 112.

Com a palavra, Itamar Caneiro -

GC: Conte sobre sua formação musical e como a guitarra se tornou protagonista em sua vida.
IC: Me formei primeiramente no extinto Conservatório Padre Jose Mauricio, localizado na minha cidade São Bernardo do Campo. Antes disso tive aulas particulares com um excelente guitarrista da região, Ronaldo Mirandah. Eu tinha uns 16 anos e estava aprendendo tudo que eu podia sobre teoria musical e começava a empunhar a guitarra de uma maneira interessante. Foi quando esse meu primeiro professor me deu uns discos pra eu levar pra casa e ouvir, entre eles Larry Coryell e Toninho Horta. Lembro-me de ter ficado alucinado com aqueles dois discos, me fizeram chorar e foi a partir dali que tudo começou de verdade. Em seguida, com aquele som na orelha 24hs por dia, procurei o Conservatório Padre Jose Mauricio e tive outra grande sorte, um presente de Deus - encontrei outro super professor chamado Sergio Leão. O "Leão", como todos aqui em S.B.Campo o chamamos, me ensinou tudo, ele é um cara minucioso com os alunos e percebeu que eu tinha vontade de aprender. Estar como aluno sob o comando de suas batutas foi fundamental, sempre muito honesto e como professor não poderia ser diferente, atencioso com minhas duvidas, me acalmando com minhas ansiedades e procurando sempre me levar ao amadurecimento; foi assim durante quatro anos.
Depois fui para a FAAM onde estudei dois anos como o professor Marcelo Gomes, e tive as outras matérias do curso. Dai migrei definitivamente para a FASCS, Fundação Das Artes de São Caetano do Sul, onde estudei 5 anos cumprindo todo o conteúdo de um curso extremamente acadêmico, e lá meu professor de guitarra foi o Jorge Hervolini. Além disso, toquei na Big Band da FASCS por 2 anos sob a regência do Maestro Sergio Gomes.
Mais tarde procurei um cara que continua sendo um exemplo pra mim, o professor Heraldo do Monte, um ídolo e um super ser humano, cujo período de aulas durou apenas 5 meses.

GC: "Muy Poquito" tem a formação de trio, sem instrumento harmônico. É um desafio tocar nesta formação?
IC: Sim, é um desafio. Principalmente pra mim que só tocava em quarteto com um piano sempre me dando suporte. Na verdade, eu não sabia tocar em trio até este disco. Ainda tenho muito que amadurecer, e estou na busca por isso. Ainda sou uma criança aprendendo a dar os primeiros passinhos em relação a tocar em trio, onde a guitarra assume um papel de harmonizador.

Itamar Carneiro

GC: Fale sobre os músicos que estão com você e como surgiu a ideia de registrar esta sessão.
IC: Vou descrever isso da maneira mais honesta que eu puder. Começou com minha vergonha de ser eu mesmo. Eu tinha muita vergonha do meu sotaque, das coisas que escrevia, e me preocupava com “O que os outros iriam pensar de mim”; e é bem verdade que eu tinha um problema psicológico a ser resolvido. Eu escrevia melodias e as deixava na gaveta mofando.
O pouco tempo de aula com o Heraldo me ajudou muito; com as aulas comecei a pensar sobre o fato da existência humana, sobre o “Eu”, singular, único, especial.
Nesta gravação, como músico sei perfeitamente que preciso amadurecer muito, mas como ser humano, no que diz respeito a “certeza”, eu estava pronto. Na gravação fui eu mesmo com toda a verdade que pude ser. Fui feliz em gravar, muito feliz. Foi dessa maneira que comecei a pensar em registrar uma sessão de gravação dos meus temas.
Os músicos são meus amigos e companheiros de FASCS - o Shamuel Dias fez o baixo elétrico e cuidou de parte da Produção do disco, e o Danilo Carvalho fez a bateria. Ressalto que ambos são extremamente talentosos e pessoas do bem, dois cavalheiros. Fizemos 2 takes de cada faixa, mas eu escolhi os primeiros, com exceção do "Martino Blues".

GC: A música cubana exerceu forte influência na linguagem do Jazz. Há uma presença muito forte desta textura em sua música, além da riqueza da música brasileira, em ritmo e melodia. Quais suas influências e/ou referências?
IC: Ouço musica Cubana e latina desde criança, mas tenho um amigo que me fez mergulhar nisso e ouvir ainda mais - um filho de chilenos chamado Pablo Lopez. Eu tenho uma preferencia pela musica camponesa cubana, aquelas que só têm voz e três instrumentos, e tem uma melodia curta e simples. Isso me fascina. Gosto de coisas simples.
Tenho uma ligação muito forte com a natureza, principalmente com o mar, talvez pelo fato de ser neto de pescador. Minha família materna é de João Pessoa, e minha família paterna é do sertão do Rio Grande do Norte e Paraíba. Ouvi Gonzagão e companhia a vida toda. Acho que tudo se juntou na minha cabeça e saiu o que saiu. Adoro melodias e acho que consigo escrever coisas bonitas, gosto do que eu escrevo.
Então, minhas influencias musicais são musica de gente humilde mesmo, eu não me considero um músico sofisticado e não pretendo ser, gosto de coisas simples.

GC: As composições longas abrem um bom espaço para explorar o lado criativo. Você acredita que a improvisação livre é um caminho natural para expressar emoção no tempo em que a música ocorre?
IC: Pra mim, se uma melodia começa ela tem seu próprio curso pra ir aonde ela quer ir, e ninguém pode interromper isso. Penso como Carlos Drummond de Andrade, a poesia vem de uma estância maior, seja ela qual arte for, e nos improvisos a coisa pra mim é dessa maneira. A liberdade de criação nos improvisos requer muito estudo. Estudar os estilos musicais, as texturas, a historia da cultura de onde a música veio, e por ai vai.
Então, penso sim que o improviso é uma forma natural de se expressar com emoção, mas isso requer muito estudo, não da pra fazer isso do nada.

GC: Belíssima composição solo em "Trem de Cabedelo". O que o inspira nesses momentos intimistas?
IC: Uma Paisagem. La em João Pessoa, na cidade dos meus pais, tem um trem muito antigo que transita das cidades mais simples levando trabalhadores para João Pessoa, uma delas é a cidade de Cabedelo. O trem é periférico, pobre, feio, velho e mal tratado.
Se forem a João Pessoa, mais precisamente no centro velho, ao lado do Hotel Globo, vão entender minha inspiração. O trem passa entre construções antigas buzinando. Se quiser, pode ir a Cabedelo nele, é bem legal, é lindo. Isso me marcou. As coisas simples geralmente mexem muito comigo, e eu gosto de transpor isso para a música, a arte onde me coloco.

Obrigado Itamar Carneiro, e sucesso.

Você pode adquirir o disco Muy Poquito na Pops Discos e na Freenote.