UMA SUPER JAM COM JOHN SCOFIELD E GOV'T MULE

19 fevereiro, 2015
O termo "jam" é derivado do Jazz, cujo acrônimo significa Jazz After Midnight, um show ou reunião de músicos de modo informal; assim afirma o historiador Mario Jorge Jacques em seu livro Glossário do Jazz.
A palavra ganhou espaço também na fusão do Jazz com o Rock, e suas derivações como "jam bands", se formaram ao longo dos últimos anos, com destaque para o grupo Gov't Mule, que vem se destacando como um dos mais atuantes, liderado pelo guitarrista Warren Haynes.
Haynes é um músico e guitarrista muito ativo. Em paralelo ao trabalho com o Gov't Mule, foi integrante da última formação do Allman Brothers Band, tem sua própria carreira solo e é o idealizador do Mountain Jam Festival que, anualmente, desde 2005, promove um super encontro de bandas em Hunter Mountain, New York.


A  novidade aqui é o encontro histórico do guitarrista John Scofield com o grupo Gov't Mule, registrado no álbum Sco-Mule, um concerto realizado em setembro de 1999 em Atlanta, Georgia, que também contou com o baixista Allen Wood, o tecladista Dan Matrazzo e o baterista Mat Abts.
Na época, o Gov't Mule ainda era um grupo muito jovem, só 5 anos de estrada, e Haynes tinha Scofield como um dos seus guitarristas favoritos, para ele um dos heróis da era pós-McLaughlin, como afirma no encarte do álbum.
O primeiro encontro de Haynes com Scofield deu-se na cidade de New York, no clube Sweet Basil, quase uma década antes, quando Haynes chegou atrasado para assistir ao segundo set de uma apresentação de Scofield, plantando ali uma semente para algum trabalho juntos no futuro. E Scofield ficou um tanto surpreso pois não sabia quem era aquele cara cabeludo de estilo Easy Rider, afinal não estava muito antenado no que rolava no cenário do Blues-Rock naquele momento; mas alguém o informou que Haynes estava revivendo o Allman Brother Band, e Scofield não titubeou - "Então o cara é bom !".
Scofield havia lançado um dos seus mais populares álbuns, "A Go Go" (1998), um registro cheio de fraseados groove e que contou com a participação do organista John Medeski.


Idealizando esta sessão na época, Haynes e Scofield falaram-se por telefone e não tinham um set list muito bem definido, e tiveram somente um único ensaio no dia anterior do show. Haynes hoje lembra que o repertório se desenvolveu ao longo da passagem de som e do próprio show, o que, para ele, "torna-se mais divertido".
Sco-Mule é um álbum duplo com 11 faixas em uma sessão incendiária, que ainda contou com 3 faixas bônus distribuídas em formato digital. No repertório, além de composições de Scofield e Haynes, aparecem clássicos como "Tom Thumb" de Wayne Shorter; as super funkeadas "Doing It To Death" e "Pass the Peas", imortalizadas pelos J.B.Horns de James Brown; a eterna "Afro Blue" de Coltrane, e entre as faixas bônus a sempre contagiante "Freeway Jam" de Jeff Beck.


mule.net/
www.johnscofield.com/

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RUMO AO SUL COM A IGOR PRADO BAND

09 fevereiro, 2015
São 15 anos da Igor Prado Band fazendo música da melhor qualidade, um patrimônio musical, a nossa voz do Blues de maior expressão e reconhecimento no exterior sob a liderança do guitarrista Igor Prado, sempre ao lado de seu irmão e baterista Yuri Prado que, juntos, formaram inicialmente a Prado Blues Band onde mais tarde juntou-se o baixista Rodrigo Mantovani, a base da formação atual.

Celebrando esta jornada musical, a Igor Prado Band apresenta mais um excelente trabalho - Way Down South, lançamento pela Delta Groove Music, em que recebe convidados muito especiais - as vozes e as harmõnicas de Kim Wilson, Lynwood Slim, Mud Morganfield, Sugaray Rayford, J.J.Jackson, Rod Piazza, Mitch Kashmar, Wallace Coleman, Randy Chortkoff e Ivan Marcio; as guitarras de Junior Watson e Monster Mike Welch; o hammond de Raphael Wressnig; além da banda base que ainda contou com os pianos de Ari Borger e Donny Nichilo e o sax tenor e barítono de Denilson Martins.


O álbum é dedicado a Lynwood Slim, que faleceu em agosto de 2014, e com quem Igor Prado gravou o álbum "Brazilian Kicks" em 2010. Lynwood Slim está presente em 2 faixas de Way Down South - "You Better Believe It" e "Baby Won´t You Jump with Me", esta que foi seu último registro em estúdio.
A arte de capa é de Yuri Prado, ilustrando uma highway americana com uma placa indicando a distância para a cidade de São Paulo; e a highway nomeada como LWDSLIM 61, obviamente uma homenagem a Lynwood Slim.

Em entrevista para o site Blues Junction, Igor esclarece que a arte da capa conta muito da história do grupo, afinal estão muito longe de onde esta música vem, e a highway os conecta a todos os grandes músicos e a todos os fãs pela América. Igor afirma ainda que Lynwood foi o responsável por apresentá-lo a todos os músicos convidados no álbum e foi quem o levou pela primeira vez aos EUA.

O repertório de "Way Down South" é um passeio pelas raízes do Blues do Texas, Chicago e Mississipi em 13 composições, e as sessões foram gravadas nos intervalos das turnês entre 2012 e 2014.
Assim é o álbum, faixa a faixa -
"Matchbox", um clássico de Ike Turner dos anos 50, de quem Igor carrega muita influência, e a versão original do tema traz Ike e Otis Rush, outro mestre e canhoto que toca ao contrário exatamente como Igor - Sugaray Rayford e Mike Welsh são os convidados;
"Ride with Me Baby" (John Hunter), aqui uma clara influência de Jimmie Vaughan do jeito q ele tocava na década de 80 - Kim Wilson faz as honras;
"She's Got It", música de Muddy Waters, aqui gravada com seu filho Mud em que Igor colocou uma guitarra bem Chicago dos anos 50, um solo de slide a la Muddy também, um amp tweed e uma goldtop, aqui só cabo, amp e guitarra - presentes na faixa Mud Morganfield e Ivan Marcio;
"Baby Won´t You Jump with Me" (Lowell Fulson), com Igor e Junior Watson trocando vários licks de swing na onda de Bill Jennings e Tiny Grimes - Lynwood Slim também participa da faixa;
"What Have I Done" (Jimmy Rogers), aqui com uma guitarra bem distorcida a la Willie Johnson, que foi o primeiro cara a gravar uma guitarra distorcida no começo dos anos 50, em Memphis, e aqui Igor usando um amp fender vintage de 8W e sua Silvertone H63 1959 - Mitch Kasmar é o convidado;
"Shake & Fingerpop" (Junior Walker), em uma versão totalmente diferente, sem sax e com as guitarras com bastante influência de Buddy Guy dos anos 60 - Raphael Wressnig pilota o hammond;
"Talk To Me", música de Elmore James gravada com uma pegada mais West Coast Blues e um timbre de guitarra que lembra uma pouco o guitarrista Hollywood Fats, que tocou com Rod Piazza nos anos 80 - e Rod participa da faixa com sua esposa Honey ao piano;
"If You Ever Need Me" é uma música do obscuro guitarrista da Louisiana Lightnin Slim - Kim Wilson nos vocais;
"You Got What It Takes" é do soulman Joe Tex e traz uma mistura de Texas Guitar, Soul e R&B - J.J. Jackson é o convidado;
"Big Mama Blues" (Sugaray Rayford) é um Slow Blues no estilo Muddy dos anos 80 com a presença de Monster Mike Welch nas rítmicas e Sugaray nos vocais;
"You Better Believe It" (Paul Gayten) traz uma onda de guitarra mais Memphis dos anos 50 também - Lynwood Slim participa da faixa;
"Rooster Blues", outra música do Lightnin Slim da Louisiana, e um solo que remete a outra grande influência de Igor, Willie Johnson - o convidado aqui é Wallace Coleman;
"Trying To Do Right" é uma faixa acústica gravada no quarto em duo com o cantor e gaitista de Chicago Wallace Coleman, uma gravação sem pretensão de entrar no disco e feita em um momento em que estava tocando com um violão "praticamente de brinquedo", diverte-se Igor.

Obrigatório !
www.igorpradoband.com



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