MUY POQUITO COM ITAMAR CARNEIRO TRIO

23 maio, 2015
A simplicidade é a máxima sofisticação.
É por essas linhas que o guitarrista paulista Itamar Carneiro rege seu modo de ser, simples, que gosta das coisas simples; e faz do uso desta simplicidade um universo de histórias musicais.
Com muito talento e criatividade, ele apresenta seu primeiro disco solo, Muy Poquito, um registro independente em que traz um repertório autoral em 6 composições, fazendo uma fusão de ritmos latinos, muito influenciado pela música cubana, sem perder o swing e a linguagem da música brasileira.
Sem dúvida, uma música de extrema grandeza, emoção e singularidade.


Ao lado de Itamar Carneiro estão Shamuel Dias no baixo elétrico e Danilo Carvalho na bateria, um trio super integrado e com espaço para muito improviso, em uma sessão gravada sem cortes, sem overdubs, sem correção nem adição de mais nada, para que se perceba o som mais real possível, ao vivo.
O álbum abre com a forte melodia do tema título, cadenciado pela atmosfera latina e trazendo intensos improvisos de Itamar, Shamuel e Danilo. Em "Meu Porto, meu Cais", Itamar introduz o tema com um chord melody em uma belíssima balada; assim como na bossa "Um Mar de Saudade". O ritmo brasileiro marca o "Baião de Assis Carneiro", mostrando sua influência por Gonzagão em um mood muito particular; e o Blues tem presença em "Martino Blues", uma reverência ao guitarrista Pat Martino. Fechando o álbum, uma belíssima interpretação solo em "O Trem de Cabedelo".

Itamar usou uma Ibanez AF100 em todas as faixas, com exceção de "O Trem de Cabedelo", em que usou uma guitarra fabricada pelo luthier Aquiles, de Brasília, ambos plugados em um amp Fender Delux 112.

Com a palavra, Itamar Caneiro -

GC: Conte sobre sua formação musical e como a guitarra se tornou protagonista em sua vida.
IC: Me formei primeiramente no extinto Conservatório Padre Jose Mauricio, localizado na minha cidade São Bernardo do Campo. Antes disso tive aulas particulares com um excelente guitarrista da região, Ronaldo Mirandah. Eu tinha uns 16 anos e estava aprendendo tudo que eu podia sobre teoria musical e começava a empunhar a guitarra de uma maneira interessante. Foi quando esse meu primeiro professor me deu uns discos pra eu levar pra casa e ouvir, entre eles Larry Coryell e Toninho Horta. Lembro-me de ter ficado alucinado com aqueles dois discos, me fizeram chorar e foi a partir dali que tudo começou de verdade. Em seguida, com aquele som na orelha 24hs por dia, procurei o Conservatório Padre Jose Mauricio e tive outra grande sorte, um presente de Deus - encontrei outro super professor chamado Sergio Leão. O "Leão", como todos aqui em S.B.Campo o chamamos, me ensinou tudo, ele é um cara minucioso com os alunos e percebeu que eu tinha vontade de aprender. Estar como aluno sob o comando de suas batutas foi fundamental, sempre muito honesto e como professor não poderia ser diferente, atencioso com minhas duvidas, me acalmando com minhas ansiedades e procurando sempre me levar ao amadurecimento; foi assim durante quatro anos.
Depois fui para a FAAM onde estudei dois anos como o professor Marcelo Gomes, e tive as outras matérias do curso. Dai migrei definitivamente para a FASCS, Fundação Das Artes de São Caetano do Sul, onde estudei 5 anos cumprindo todo o conteúdo de um curso extremamente acadêmico, e lá meu professor de guitarra foi o Jorge Hervolini. Além disso, toquei na Big Band da FASCS por 2 anos sob a regência do Maestro Sergio Gomes.
Mais tarde procurei um cara que continua sendo um exemplo pra mim, o professor Heraldo do Monte, um ídolo e um super ser humano, cujo período de aulas durou apenas 5 meses.

GC: "Muy Poquito" tem a formação de trio, sem instrumento harmônico. É um desafio tocar nesta formação?
IC: Sim, é um desafio. Principalmente pra mim que só tocava em quarteto com um piano sempre me dando suporte. Na verdade, eu não sabia tocar em trio até este disco. Ainda tenho muito que amadurecer, e estou na busca por isso. Ainda sou uma criança aprendendo a dar os primeiros passinhos em relação a tocar em trio, onde a guitarra assume um papel de harmonizador.

Itamar Carneiro

GC: Fale sobre os músicos que estão com você e como surgiu a ideia de registrar esta sessão.
IC: Vou descrever isso da maneira mais honesta que eu puder. Começou com minha vergonha de ser eu mesmo. Eu tinha muita vergonha do meu sotaque, das coisas que escrevia, e me preocupava com “O que os outros iriam pensar de mim”; e é bem verdade que eu tinha um problema psicológico a ser resolvido. Eu escrevia melodias e as deixava na gaveta mofando.
O pouco tempo de aula com o Heraldo me ajudou muito; com as aulas comecei a pensar sobre o fato da existência humana, sobre o “Eu”, singular, único, especial.
Nesta gravação, como músico sei perfeitamente que preciso amadurecer muito, mas como ser humano, no que diz respeito a “certeza”, eu estava pronto. Na gravação fui eu mesmo com toda a verdade que pude ser. Fui feliz em gravar, muito feliz. Foi dessa maneira que comecei a pensar em registrar uma sessão de gravação dos meus temas.
Os músicos são meus amigos e companheiros de FASCS - o Shamuel Dias fez o baixo elétrico e cuidou de parte da Produção do disco, e o Danilo Carvalho fez a bateria. Ressalto que ambos são extremamente talentosos e pessoas do bem, dois cavalheiros. Fizemos 2 takes de cada faixa, mas eu escolhi os primeiros, com exceção do "Martino Blues".

GC: A música cubana exerceu forte influência na linguagem do Jazz. Há uma presença muito forte desta textura em sua música, além da riqueza da música brasileira, em ritmo e melodia. Quais suas influências e/ou referências?
IC: Ouço musica Cubana e latina desde criança, mas tenho um amigo que me fez mergulhar nisso e ouvir ainda mais - um filho de chilenos chamado Pablo Lopez. Eu tenho uma preferencia pela musica camponesa cubana, aquelas que só têm voz e três instrumentos, e tem uma melodia curta e simples. Isso me fascina. Gosto de coisas simples.
Tenho uma ligação muito forte com a natureza, principalmente com o mar, talvez pelo fato de ser neto de pescador. Minha família materna é de João Pessoa, e minha família paterna é do sertão do Rio Grande do Norte e Paraíba. Ouvi Gonzagão e companhia a vida toda. Acho que tudo se juntou na minha cabeça e saiu o que saiu. Adoro melodias e acho que consigo escrever coisas bonitas, gosto do que eu escrevo.
Então, minhas influencias musicais são musica de gente humilde mesmo, eu não me considero um músico sofisticado e não pretendo ser, gosto de coisas simples.

GC: As composições longas abrem um bom espaço para explorar o lado criativo. Você acredita que a improvisação livre é um caminho natural para expressar emoção no tempo em que a música ocorre?
IC: Pra mim, se uma melodia começa ela tem seu próprio curso pra ir aonde ela quer ir, e ninguém pode interromper isso. Penso como Carlos Drummond de Andrade, a poesia vem de uma estância maior, seja ela qual arte for, e nos improvisos a coisa pra mim é dessa maneira. A liberdade de criação nos improvisos requer muito estudo. Estudar os estilos musicais, as texturas, a historia da cultura de onde a música veio, e por ai vai.
Então, penso sim que o improviso é uma forma natural de se expressar com emoção, mas isso requer muito estudo, não da pra fazer isso do nada.

GC: Belíssima composição solo em "Trem de Cabedelo". O que o inspira nesses momentos intimistas?
IC: Uma Paisagem. La em João Pessoa, na cidade dos meus pais, tem um trem muito antigo que transita das cidades mais simples levando trabalhadores para João Pessoa, uma delas é a cidade de Cabedelo. O trem é periférico, pobre, feio, velho e mal tratado.
Se forem a João Pessoa, mais precisamente no centro velho, ao lado do Hotel Globo, vão entender minha inspiração. O trem passa entre construções antigas buzinando. Se quiser, pode ir a Cabedelo nele, é bem legal, é lindo. Isso me marcou. As coisas simples geralmente mexem muito comigo, e eu gosto de transpor isso para a música, a arte onde me coloco.

Obrigado Itamar Carneiro, e sucesso.

Você pode adquirir o disco Muy Poquito na Pops Discos e na Freenote.

O ADEUS AO REI DO BLUES B.B. KING

15 maio, 2015

Comecei a ouvir Blues de verdade nos anos 80, e a primeira vez que a gente ouve aquela única nota rasgada de B.B. King nunca mais esquece. Esse momento foi o registro de um disco duplo em vinil, gravado ao vivo, que, definitivamente, colocou o Rei do Blues na minha prateleira - Live Now Appearing at Ole Miss (1980), um registro espetacular e que deixou até hoje na memória aquela versão incendiária de "Caldonia", e ainda trazia neste mesmo registro seu tema que se tornou quase um hino - "The Thrill Is Gone". Não demorou para eu ser apresentado a outro registro histórico e clássico - Live in Cook County Jail (1971), também gravado ao vivo e este dentro de um presídio, Cook County Jail, em Chicago, disco que figura na lista dos 500 de todos os tempos pela Rolling Stone. Ao vivo a história é sempre diferente, Live at Regal (1965), também gravado em Chicago, está listado no livro "1000 discos para ouvir antes de morrer" (Robert Dimery, Ed. Sextante).

Live at Regal Live in Cook County Jail Live

A guitarra de B.B. King tem assinatura própria, tem aquele nota, basta 1 única nota, que é influência e referência para todos que se envolvem no mundo do blues - gerações que passaram, que estão aí e que ainda estão por vir. B.B. King vai além da guitarra, tem em sua voz a força, a intensidade e a paixão do blues.
Um ícone para muitos, um bluesman.
Sua música deixa um legado, uma escola. Ao longo da carreira teve ao lado grandes nomes como Bobby Bland, com quem gravou dois excelentes álbuns Together for the First Time (1974) e Together Again (1976); fez um interessante e inesperado trabalho com a cantora Dianne Schur em Heart to Heart (1994); e um belo álbum com Eric Clapton em Riding with the King (2000), este que deu a ele o Grammy como melhor álbum de blues; alias, foram vários prêmios Grammy.
Há uma grande e obrigatória discografia, e de fato ele deu um rumo ao blues moderno.

B.B. King imortalizou sua guitarra modelo 335, batizando-a de "Lucille", cuja história do nome deu-se no ano de 1949 quando ele tocava em um palco na cidade de Arkansas e, em consequência de uma briga, o local pegou fogo. Todos correram para o lado de fora, e então B.B. percebeu que tinha deixado sua guitarra lá dentro e voltou para recuperá-la, um modelo Gibson que tinha custado meros 30 dólares. Na manhã seguinte, descobriu que os dois homens tinham brigado por causa de uma mulher de nome Lucille, batizando, assim, seu modelo de guitarra que foi endossado pelo fabricante. B.B. veio a escrever uma canção de mesmo nome, em que relata este fato.

Riley B King nasceu na cidade de Itta Bena, Mississipi, em 1925. Como dizia seu pai, em algum lugar entre Itta Bena e Indianola. Uma história não diferente dos negros daquela época, com trabalho escravo nas plantações de algodão. Sua história musical começou quando seu tio casou-se com a irmã de um pregador local, que, aos domingos após a missa da tarde, ia até sua casa e deixava sua guitarra sobre a cama; e B.B. a pegava, iniciando sua relação com o instrumento. Foi o Reverendo Archie que B.B. ouviu tocar guitarra pela primeira vez; cantou canções Gospel, muitas vezes líder de grupo, entre eles o "The Famous St John Gospel Singers".
B.B.King partiu para Memphis, onde sua carreira musical começou a ganhar direção. Memphis era o lugar certo e era onde os músicos estavam dispostos a ajudar àqueles que queriam aprender, se encontrando nas ruas e trocando idéias. Lá, B.B. encontrou seu primo Bukka White, que costumava dizer a ele que para ser um bluesman devia se vestir como se fosse ao banco pedir dinheiro emprestado.
Bukka White tocava usando um slide, coisa que B.B. nunca conseguiu usar; porém, para conseguir aquele som, B.B. passou a usar o dedo como um vibrato, o que acabou tornando-se uma das suas características principais, uma escola. Começou a cantar, por indicação de Sonny Boy Willianson, e a trabalhar como DJ em uma rádio local, WDIA, e foi o primeiro negro a operar uma estação de rádio.
Era o Blues Boy, que todos passaram a chamar de "Bee Bee". 

Martin Scorsese dedicou a B.B.King um documentário na série "Presents the Blues: The Road to Memphis"; e teve sua biografia em filme dirigida por Jon Brewer intitulada "The Life of Riley", que traz uma série de depoimentos.

Incansável ! Um verdadeiro bluesman.
B.B.King : 1925-2015

BLUES MUSIC AWARDS 2015

08 maio, 2015

Anunciados os vencedores da edição 36 do Blues Music Awards, promovido pela Blues Foundation, organização fundada em 1980 dedicada e preservar a história do Blues.
A noite de premiação ocorreu em 7 de maio em Memphis, em uma semana de muitas apresentações.
Entre os premiados desta edição, destaque para Elvin Bishop e John Hammond; ainda Gary Clark Jr. e John Nemeth que, pelo segundo ano consecutivo, estão entre os premiados; e, mais que merecido, o nome de Joe Bonamassa como guitarrista destaque.
Este espaço também já dedicou artigos a alguns vencedores - Lisa Mann, Janiva Magnes, Deanna Bogart, Gary Clark Jr. e Joe Bonamassa; e aos nomeados Eden Brent e Beth Hart.

Confira a lista completa (e os nomeados) -

Band : Elvin Bishop Band
(John Németh & the Bo-Keys, Rick Estrin & the Nightcats, Sugar Ray & the Bluetones, The Mannish Boys)
Album : Can’t Even Do Wrong Right – Elvin Bishop
(Living Tear To Tear – Sugar Ray & the Bluetones; Memphis Grease – John Németh; Refuse to Lose – Jarekus Singleton; Wrapped Up and Ready – The Mannish Boys)
Contemporary Blues Album : BluesAmericana – Keb Mo
(Can’t Even Do Wrong Right – Elvin Bishop; Original – Janiva Magness; Refuse to Lose -Jarekus Singleton; Hornet’s Nest – Joe Louis Walker)
Soul Blues Album : Memphis Grease – John Nemeth
(Blues for My Father – Vaneese Thomas; Decisions – Bobby Rush with Blinddog Smokin; In My Soul – The Robert Cray Band; Soul Brothers – Otis Clay & Johnny Rawls)
Soul Blues Male Artist : Bobby Rush
(Curtis Salgado, John Németh, Johnny Rawls, Otis Clay)
Soul Blues Female Artist : Sista Monica
(Candi Staton, Missy Andersen, Sharon Jones, Vaneese Thomas)
Best New Artist Album : Don’t Call No Ambulance – Selwyn Birchwood
(Chromaticism – Big Harp George; Heavy Water – Fo’ Reel; Making My Mark – Annika Chambers & the Houston All-Stars; One Heart Walkin‘ – Austin Walkin’ Cane)
Harmonica : Charlie Musselwhite
(Kim Wilson, Mark Hummel, Rick Estrin, Sugar Ray Norcia)
GuitarJoe Bonamassa
(Anson Funderburgh, Johnny Winter, Kid Andersen, Ronnie Earl)
BassLisa Mann
(Bob Stroger, Michael “Mudcat” Ward, Patrick Rynn, Willie J. Campbell)
DrumsJimi Bott
(June Core, Kenny Smith, Tom Hambridge, Tony Braunage)
HornDeanna Bogart
(Al Basile, Jimmy Carpenter, Sax Gordon, Terry Hanck)
Contemporary Blues Female ArtistJaniva Magness
(Beth Hart, Bettye LaVette, Marcia Ball, Shemekia Copeland)
Traditional Blues Male ArtistLurrie Bell
(Billy Boy Arnold, John Primer, Sugar Ray Norcia, Sugaray Rayford)
Acoustic Album : Timeless – John Hammond
(Hard Luck Child: A Tribute to Skip James – Rory Block; Jericho Road – Eric Bibb; Jigsaw Heart – Eden Brent; Son & Moon: A Tribute to Son House – John Mooney)
Acoustic Artist : John Hammond
(Doug MacLeod, Eric Bibb, John Mooney, Rory Block)
Traditional Blues Album : A Tribute to Muddy Waters – Mud Morganfield & Kim Wilson
(Common Ground: Dave Alvin and Phil Alvin Play and Sing the Songs of Big Bill Broonzy – Dave Alvin and Phil Alvin; Livin’ it Up – Andy T-Nick Nixon Band; Living Tear To Tear – Sugar Ray & the Bluetones; The Hustle is Really On – Mark Hummel; Wrapped Up and Ready – The Mannish Boys)
Contemporary Blues Male ArtistGary Clark Jr.
(Elvin Bishop, Jarekus Singleton, Joe Bonamassa, Joe Louis Walker)
Rock Blues AlbumStep Back – Johnny Winter
(Goin’ Home – Kenny Wayne Shepherd Band; Time Ain’t Free – Nick Moss Band; heartsoulblood – Royal Southern Brotherhood; The Blues Came Callin’ – Walter Trout)
Song“Can’t Even Do Wrong Right” (Elvin Bishop)
(“Another Murder in New Orleans”(Carl Gustafson & Donald Markowitz) por Bobby Rush, Dr. John with Blinddog Smokin; “Bad Luck Is My Name” (John Németh) por John Németh; Let Me Breathe” (Janiva Magness & Dave Darling) por Janiva Magness; “Things Could Be Worse” (Ray Norcia) por Sugar Ray & the Bluetones)
B.B. King EntertainerBobby Rush
(Elvin Bishop, John Németh, Rick Estrin e Sugaray Rayford)
Historical : Soul & Swagger The Complete 5 Royales 1951-1967 (Rock Beat)
(From His Head to His Heart to His Hands – Michael Bloomfield (Columbia/Legacy);
Live at the Avant Garde – Magic Sam (Delmark); The Modern Music Sessions 1948-1951 – Pee Wee Crayton (Ace); The Roots of it All-Acoustic Blues – Various Artists (Bear Family))
Pinetop Perkins Piano Player : Marcia Ball
(Barrelhouse Chuck, Bruce Katz, David Maxwell, Eden Brent)
Koko Taylor Award : Ruthie Foster
(Alexis P Suter, Diunna Greenleaf, EG Kight, Trudy Lynn)