ARI BORGER AO VIVO E EM CORES

19 julho, 2015
Live at Cincy Blues Fest é um marco na carreira do pianista e organista Ari Borger.
O disco, lançado em formato CD-DVD pela Chico Blues Records, tem o registro da apresentação ao vivo no festival que se realiza anualmente no verão da cidade de Cincinati, Ohio, no Sawyer Point Park, nas margens do rio. O evento tem vários palcos distribuídos pelo parque, e um deles foi o cenário para Ari Borger mostrar o seu trabalho - Arches Boogie Woogie Piano Stage, que também é palco do prêmio International Boogie Woogie Hall of Fame.

Ari Borger Live at Cincy Blues Fest

Muitos convidados participam nas 9 faixas do CD - as vozes ficaram na responsabilidade de J.J. Jackson em "Baby Won´t You Jump Me" (Lowell Fullson) e Wallace Coleman, que também tocou harmônica, em "Men Red Spider" (Muddy Waters) e "Bricks on my Pillow" (Robert Nighthawk), estas com a seção rítmica da Igor Prado Band, com Igor Prado na guitarra, Rodrigo Mantovani no baixo e Yuri Prado na bateria.
Nas demais faixas a cozinha contou com George Bedard na guitarra, Chris Douglas no contrabaixo e Johnny Vidacovich na bateria; e Ari Borger alternou ao piano e hammond, este que mostra a força na pegada funky de "Funky B", tema autoral em que sobra muito groove; em "Blues Feeling", um slow blues no melhor estilo; e na clássica "Green Onions", original de Booker T.
O piano blues abre o disco em "Song for Jay" e apresenta todo seu lamento em "Playing with my Soul", em baixa dinâmica e com um riff estonteante de Ari; e, no melhor encontro do boogie com o jazz, a contagiante "French Quarter Boogie", que contou com as participações do baixista Marcos Klis e do guitarrista Celso Salim.

O DVD contém 7 faixas, com edição de imagens por Chico Blues, e registra o encontro de Ari Borger com o pianista Bob Seeley na faixa "Boogie with Bob", além do tema "88 Boogie", que não está no CD.
A masterização do disco teve as mãos de Igor Prado e a arte da capa de Yuri Prado.
Um registro obrigatório.


ariborger.com/

Leia também -

Lowdown Boogie Igor Prado Band

MUDDY, WOLF E BONAMASSA

09 julho, 2015
Joe Bonamassa
Sem dúvida, Joe Bonamassa é um dos guitarristas mais vibrantes surgidos na cena Blues-Rock nos últimos 20 anos. Fato que se comprova pelos seus últimos lançamentos - os fantásticos concertos realizados nos palcos do Royal Albert Hall (2010) e Beacon Teather (2012), em que teve ao lado as presenças de Eric Clapton e Paul Rodgers; no belíssimo Vienna Opera House (2013) com um super set acústico; e a viagem ao universo do Funk-Jazz dos anos 70 em Rock Candy Funk Party (2014), entre outros. Além, lógico, de sua obrigatória discografia de estúdio.

E agora nos surpreende com um Tributo a Muddy Waters e Howlin Wolf, dois pilares do Blues elétrico e, talvez, os grandes representantes do movimento a partir dos anos 60.
Com total domínio da linguagem Blues, Bonamassa desfila um repertório de clássicas composições de Willie Dixon, J.B. Lenoir, Muddy Waters, Chester Burnet e Hendrix, em 2h de apresentação em um dos palcos mais extraordinários da América - Red Rocks, localizado nas montanhas do Colorado, no anfiteatro geologicamente natural, com perfeita acústica.

Muddy Wolf at Red Rocks traz, como sempre, um Bonamassa inspiradíssimo e aqui com uma nova formação - os metais liderados por Lee Thornburg trompete e arranjos, Ron Dziubla sax e Nick Lane trombone; Mike Henderson harmônica; Reese Wynans piano e hammond; Michael Rhodes baixo; Kirk Fletcher guitarra; e Anton Fig bateria.

Uma super pré-produção deste trabalho levou Bonamassa ao Mississipi a bordo de um original Chevy Bel-Air 1957. Ao seu lado o produtor Kevin Shirley, e realizaram uma histórica viagem passando por Clarksdale, uma visita ao Delta Blues Museum até a encruzilhada protagonizada por Robert Johnson.
Tem ainda imagens resgatadas de Muddy e Wolf em apresentações ao vivo e em estúdio, tudo documentado nos extras do DVD-Bluray; e o áudio em CD duplo.


jbonamassa.com/

Mais Joe Bonamassa -

Live at Vienna Opera House Rock Candy Funk Party Joe Bonamassa : See Saw Joe Bonamassa : Don´t Explain

IN SET COM BRUNO MIGOTTO

02 julho, 2015
O baixista Bruno Migotto é um dos mais atuantes músicos da cena Instrumental brasileira. Seu som está presente no trio do guitarrista Michel Leme, com quem toca desde 2008, nos quintetos dos guitarristas Lupa Santiago e Djalma Lima, e na Soundscape Big Band - trabalhos de pura excelência.

Agora ele é o protagonista, e apresenta seu primeiro disco solo intitulado In Set, um registro autoral que contou com a participação de Michel Leme na guitarra, Alex Buck na bateria e os sopros de Daniel D'Alcantara no trompete, Josué dos Santos e Cassio Ferreira nos saxofones e Jorginho Neto no trombone.
O primeiro time da cena instrumental paulistana.
Para Bruno, In Set é o retrato mais fiel da sua realidade e crença na arte, como afirma no belo encarte do disco, com arte gráfica de Luda Lima.

Bruno Migotto

Alternando entre o contrabaixo acústico e elétrico, o repertório se traduz quase como uma biografia -
das mudanças e incertezas em "Do Fim ao Começo"; a mistura de ritmos em "El Samba como me Gusta" e "Caixote de Surpresas"; a crença em "Paz de Cristo"; da ansiedade transformada em Blues em "Quase Roxo"; e dos insights criativos em "Acidental" e "Canto do Abacate".
Títulos cujas histórias são reveladas brevemente por Bruno em linhas impressas na contracapa do disco.

Com a palavra, Bruno Migotto -

In Set é um disco totalmente autoral. Como você trabalha o processo de composição?
O processo de composição nunca é fácil pra mim, normalmente tudo parte de uma ideia e depois vem o desenvolvimento dessa ideia, que é a parte mais dificil e que leva muito mais tempo. As músicas desse disco foram todas compostas entre 2005 e 2007, e depois de escritas comecei a escrever os arranjos para a formação de septeto, a principio somente para estudo, mas depois de tanto trabalho os escrevendo decidi montar essa formação e toca-los. Em 2009 gravei o disco, que conta com 7 desses arranjos e com os músicos Michel Leme, Alex Buck, Daniel D'Alcântara, Cássio Ferreira, Josué dos Santos e Jorginho Neto.

Nesta sessão você tem a base em trio com guitarra e bateria e uma seção de sopros. Você já tinha pensado nos arranjos sem piano?
Desde que comecei a escrever os arranjos para essa formação sempre pensei neles com um só instrumento de harmonia, no caso a guitarra; assim o músico fica mais à vontade para harmonizar com o solista e interagir. Mas acima de tudo, minha preocupação foi em pensar nos músicos que eu queria que fizessem parte do som, então não escolhi a guitarra, escolhi o Michel Leme, que tem um som único, assim como todos os outros músicos que fizeram parte do disco. Esse é um dos aspectos que mais gosto desse tipo de música, que permite a criação e a improvisação em tempo real. Cada músico que muda, muda também todo o som do grupo e a maneira como os demais músicos tocam e reagem, isso requer uma sensibilidade e entrega total à Música.

Contrabaixo acústico e elétrico - instrumentos de sonoridade e textura tão particulares. Como você os pensa em sua música?
O que realmente acho mais distinto entre os dois instrumentos é a parte técnica, nesse sentido eles são completamente diferentes, a não ser por terem a mesma afinação. Portanto, não é natural que um baixista elétrico toque acústico nem vice versa, tem que estudar os dois separadamente com suas respectivas técnicas e sonoridades. Porém na hora de tocar, musicalmente falando, penso nos dois muito próximos. Minhas maiores referencias como baixista são baixistas acústicos. Depois que comecei a tocar baixo acústico meu jeito de tocar o elétrico mudou completamente, e meu modo de tocar em grupo mudou bastante, e pra melhor, eu acredito. Essa limitação técnica que o baixo acústico traz no começo, acho isso extremamente musical, faz você ser mais criativo com menos informação e também faz você valorizar o mais simples. Hoje em dia acho que um instrumento acaba ajudando e influenciando o outro. Meus estudos hoje também inclui a bateria, e foi desde que me mudei para São Paulo que pude começar a estudar de verdade esse instrumento, que foi minha primeira paixão na música, um instrumento que sempre me ajudou muito como baixista, e musicalmente; também tenho me dedicado bastante ao piano, que tem me ajuda muito em todos os sentidos. Acho extremamente importante para qualquer instrumentista conhecer um pouco de bateria e piano.

Bruno Migotto

O que o fez descobrir o contrabaixo? 
O contrabaixo não foi minha primeira e nem segunda opção. O primeiro instrumento que eu tive foi um teclado, com uns 8 anos de idade mais ou menos, mas não despertou muito meu interesse para estudar na época e logo desencanei; mas foi quando vi uma bateria pela primeira vez na minha frente que meu amor pela música começou de verdade. Eu ficava louco quando via alguém tocando bateria, e queria muito fazer aquilo também (esse amor continua até hoje), porém morava em apartamento e ter uma bateria não era uma opção, a unica coisa que eu sabia era que não queria tocar guitarra, então baseado nas bandas de Rock que eu ouvia na época só me sobrou o baixo.
Aos 11 anos ganhei meu primeiro baixo elétrico, e a partir daí comecei a estudar música cada vez mais, ja sabendo que queria ser músico. Aos 17 fui para São Paulo estudar música e comecei a ouvir cada vez mais Jazz e Música Instrumental, e naturalmente comecei a ter como referencia aquela linguagem e sonoridade do baixo acústico, assim comprei meu primeiro acústico aos 18 anos. Comecei a estudar sozinho mesmo, e logo comecei a trabalhar com o instrumento, e tocar na noite ainda continua sendo minha maior escola, repertórios sempre diferentes e com músicos diferentes.
É muito interessante como as coisas acontecem. Quando comecei a tocar aos 11 anos, nunca imaginei que fosse tocar e carregar um baixo acústico pra lá e pra cá, porém agradeço muito, pois esse instrumento mudou completamente minha maneira de tocar e de ver a música, e também me abriu muitas portas para que eu começasse a tocar Música Instrumental e improvisada com grandes músicos que eram e ainda são minhas referências musicais, e que tenho a honra de ver de perto, aprender e tocar, como os grandes bateristas Bob Wyatt, Edu Ribeiro, Cuca Teixeira, Alex Buck, Nenê, Celso de Almeida, entre tantos outros.

Você é professor no Conservatório Souza Lima, que tem muito foco no Jazz e na Música Instrumental. Você vê potencial na nova geração de músicos para levar esse legado adiante?
Com certeza. Os tempos mudaram bastante por conta da tecnologia e do fácil acesso a informação, o importante é saber como lidar com isso. O perigo é ficar viciado no acúmulo de informações e não se aprofundar em nada direito. Gosto do antigo método de ter um disco e ouvi-lo até cansar, conhecer o máximo possível aquele disco, cantar os solos, saber o que acontece com os outros instrumentos, ouvir a música como um todo e não focar somente no próprio instrumento. E o que parece ser um método infalível para aprender uma linguagem é conhecer a história, estudar os que vieram antes de você, e os que vieram antes daqueles que você admira. Acredito que esse processo tanto de aprender quanto de ensinar deve ser feito em sua maior parte com Música, com som, e não somente com regras e dogmas, afinal ninguém quer virar músico ou se apaixonar pela Música por causa de regras e teorias.

Obrigado Bruno Migotto, e sucesso.
brunomigotto.com/


Bruno Migotto on Myspace.

Leia também -

Michel Leme: Alma