BRITISH BLUES AWARDS 2015

17 setembro, 2015

British Blues Awards foi criado com o objetivo de promover os artistas da cena blues britânica pela dedicação e esforço em divulgar o estilo.
A edição deste ano lamenta o falecimento do principal incentivador e co-fundador desta premiação, Barry Middleton.

Entre os eleitos, destaque para Alan Nimmo e Wayne Proctor, guitarrista e baterista do King King, fantástico grupo de de Blues-Rock britânico; as guitarristas Dani Wilde e Joanne Shaw Taylor, que já foram citadas neste espaço; e as reverências para John Mayall e, além do continente europeu, o guitarrista Walter Trout, que se recupera, e bem, de um transplante de fígado.

Confira os premiados -

Male Vocals (by Blues in the South)Alan Nimmo; Aynsley Lister; Marcus Bonfanti
Female Vocals (by Digital Blues)Dani Wilde; Katie Bradley; Zoe Schwarz
Band Sponsored (by Tuesday Night Music Club)The Nimmo Brothers; The Hoax; Zoe Schwarz Blue Commotion
Acoustic Sponsored (by The Half Moon, Putney)Ian Siegal; Marcus Bonfanti; Joel Fisk and Jon Amor; Matt Woosey
Guitar Sponsored (by New Crawdaddy Club)Aynsley Lister; Alan Nimmo; Chantel McGregor
Harmonica Sponsored (by Wall to Wall Blues)Paul Lamb; Will Wilde; Trevor Steger
Keyboards Sponsored (by Sarah's Sussex Blues)Paddy Milner; Steve Watts; Lee Spreadbury
Bass Sponsored (by The Blues and Soul Show)Norman Watt Roy; Lindsay Coulson; Roger Inniss
Drums Sponsored (by The Blues and Soul Show)Wayne Proctor; Sam Kelly; Mark Barrett
Instrumentalist Sponsored (by The Raven and the Blues)Becky Tate; Sarah Skinner; Kyla Brox
Young Artist (by Pablo and the Blues)Laurence Jones; Alex Butler; Lucy Zirins
Overseas Artist (by Sunday Morning Soul): Walter Trout; Kenny Wayne Shepherd; The Billy Walton Band
Independent Blues Broadcaster (by The Blues Session): Dave Raven; Gary Grainger; Kevin Beale
Festival Sponsored (by Blues&Roots Radio)Upton Blues Festival;
          Blues on the Farm; Great British R&B Festival Colne
Album Sponsored (by Sedgefield Rock&Blues Club): Going Back Home - Wilko Johnson and Roger Daltrey;
          Man and Guitar - Ian Siegal; Temperature Rising - Danny Bryant
Song (by GMH Promotions): Mud Honey - Joanne Shaw Taylor;
          Bitter Moon - Malaya Blue; Long Way To Heaven - Wily Bo Walker and Karena K
Barry Middleton Memorial Award for Emerging Artist (by Blues in Britain): Kaz Hawkins; Red Butler; Catfish
Kevin Thorpe Memorial Award for Songwriter (by Worthing Pier)Katie Bradley and Dudley Ross;
   Matt Woosey; Trevor Sewell
Lifetime Achievement Award (by Friday Night Blues with Hugh Fee): Paul Dean New Crawdaddy Club
British Blues Great (by Blues and Roots PR): John Mayall
British Blues Great (by Ian McKenzie Presents): Chris Barber

www.britishbluesawards.com/

O MULTIVERSO DE EMANUEL HILGENBERG

10 setembro, 2015
A teoria do Multiverso ficou evidente no início dos anos 60, cujas hipóteses surgiram a partir da Teoria da Relatividade de Einstein e da mecânica quântica da Teoria dos Muitos Mundos de Hugh Everett. Para tornar tudo isso mais complexo, a Teoria das Cordas vem unificar essas duas tendências da Física Moderna; em analogia, essa gama de energia se assemelha à vibração das cordas de um violão, que, estimuladas em diferentes frequências, produz diferentes partículas que formam o universo. De fato, nosso universo está em constante expansão e pode ser parte de outros tantos universos.

Assim se intitula o disco do guitarrista Emanuel Hilgenberg, mais um novo talento que vem comprovar que a música instrumental brasileira está muito viva e muito criativa.
Para quem começou ouvindo rock, logo se identificou com o instrumental de Stevie Vai e Satriani; e deu um salto para o jazz entrando no mundo de Miles, Coltrane, Hancock, Shorter e Hubbard; além da música brasileira de Milton Nascimento e a guitarra de Toninho Horta, estes que exercem grande influência na sua música.
Para Emanuel, é um hábito de escolher um músico e ouvir tudo dele, todas as suas fases.

Multiverso traz um repertório de 7 composições, todas arranjadas por Emanuel; um passeio instrumental com ares das Minas Gerais e aquele tempero jazzístico. Ao seu lado, Marcelo Hilgenberg no violão, Fabiano de Castro no piano, Ricardo Itaborahy nos teclados, Vinicius Dorin nos sopros, Dudu Lima no contrabaixo e Gladston Vieira e Leandro Scio na bateria.

Multiverso

Com a palavra, Emanuel Hilgenberg -

Fale da sua formação musical.
Cresci em Visconde de Mauá, sul do RJ, e me mudei para São Paulo há 3 anos. Me interessei pela música quando assisti a gravação do CD "Bach", do meu pai, Marcelo Hilgenberg. Neste disco ele está com os músicos que gravaram comigo, e fiquei fascinado. Comecei tocando e ouvindo Rock aos 15 anos, e logo me interessei por guitarristas como Greg Howe, Satriani, Steve Vai, mais na linha instrumental. Meu pai me ensinou sobre harmonia e improvisação, e aos 16 comecei no Instituto Musical Rogério Valente em Volta Redonda, com o próprio Rogério.
Asssim que me mudei para São Paulo iniciei o curso de Bacharelado em instrumento, a guitarra, na FAAM, e tive aulas com Mozart Mello e Michel Leme no IG&T e também com o Fernando Corrêa. Foi quando comecei a me dedicar ao Jazz e a ouvir mais o estilo, e músicas brasileiras do Clube da Esquina, Toninho Horta, Milton, estes que tiveram grande influência nesse meu trabalho. Atualmente continuo cursando a FAAM, tenho aulas particulares com Michel Leme e toco, entre outros projetos, em duo com meu pai no "Hilgenberg Jazz", me apresentando em diversas casas noturnas e festivais.

Como foi juntar esses grandes músicos para a gravação do disco?
O contrabaixista Dudu Lima e o pianista Fabiano de Castro são amigos do meu pai há muito tempo; o baterista Leandro Scio e o tecladista Ricardo Itaborahy já tinham participado junto com o Dudu no CD "Bach". Tive contato com o saxofonista Vinícius Dorin pelo Fabiano, com quem ele já tinha gravado.Todos toparam na hora.
Foi uma grande honra poder gravar ao lado dessas pessoas maravilhosas, exemplos como músicos e como pessoas. Quando eu era mais novo fui em um show do Stanley Jordan com o Dudu Lima, e gravar com ele este meu trabalho, e com todos os outros, foi uma experiência incrível.

Emanuel Hilgenberg

Todas as composições são arranjos seus. Como você pensa a música?
A ideia é conciliar os arranjos com os ritmos, os andamentos e a formação. Tento deixar os temas bem livres, sem muitas convenções, com improvisos que dêem tempo de se criar uma estória. Também acho legal umas surpresas como dobrar o andamento, a música alternando entre binário e ternário, uns vamps modais, solos de bateria, sempre dando toda abertura para os músicos pois essa é a intenção - que cada músico mostre a sua personalidade a favor da música.

Sua guitarra soa bem natura neste trabalho. Que equipamentos usou nesta sessão?
Eu gravei com uma Epiphone 335 dos anos 90 com cordas lisas .12, ligada direto em um pré amp Avalon Vt 737. Depois foi colocado um reverb de leve. O disco foi gravado em sua maior parte no Nave Studio em Juiz de Fora (MG) pelo Ricardo Rezende (Kiko), e o piano e o sax no Estúdio Guidon em São Paulo onde moram o Vinícius e o Fabiano.

O título do disco tem um contexto metafísico. A música transcende o universo?
A teoria do Multiverso sugere que, além do nosso universo, existam outros universos com características distintas, e para mim a música é isso - a cada vez que é tocada ela toma uma forma diferente, uma introdução diferente, uma interação no meio, um final alternativo. Daí esse paralelo com o Multiverso, onde você tem a forma e com ela pode se obter todas as variações possíveis.

Obrigado Emanuel Hilgenberg, e sucesso.

Para adquirir o disco "Multiverso" faça contato com Emanuel Hilgenberg pela sua página no facebook.

GIBA BYBLOS: TOMORROW

02 setembro, 2015
O guitarrista Giba Byblos apresenta seu segundo álbum, Tomorrow, um retrato de histórias reais e fictícias, compiladas em 10 composições. Um convidado muito ilustre está presente neste trabalho, o bluesman Jimmy Johnson, uma lenda que, aos 83 anos, ainda respira e transpira Blues com muita intensidade. Jimmy participa na guitarra na faixa "Heap See", e é mais que um convidado, foi a inspiração para Giba desenvolver este trabalho. Para ele Giba dedicou o tema título, cuja idéia deu-se em um momento de ansiedade quando Giba estava ao volante do carro com Jimmy na carona, e o mestre afirmou categórico - "Ontem veio e se foi, o amanhã é desconhecido"; assim Giba descreve nas linhas no belo encarte do álbum.
Ainda em destaque no repertório, composições clássicas de Junior Kimbrough em "Lord Have Mercy on Me" e Freddie King em "She Put the Whammy on Me"; apresenta dois temas em parceria com Homesick Hanes "Up for No Good" e "Wrong Place, Wrong Time"; e um tema instrumental, "Catch You on the Flipside" em reverência a uma gíria de Chicago que significa "nos vemos em breve".

O álbum é um lançamento Chico Blues Records e teve a produção de Edu Gomes, arte gráfica de Dayuk Martins e fotografia de Alex Drobnick.

Giba Byblos: Tomorrow

Giba Byblos nos conta um pouco sobre o trabalho -

GC: Tomorrow retrata sua experiência de vida. O Blues é o motor dessa trajetória?
GB: Sim. Eu encaro o Blues como puro sentimento e Tomorrow é como uma "redenção" musicada. A idéia partiu do Jimmy Johnson, e a medida que a composição ia avançando eu submetia ao crivo do mestre.

GC: Neste trabalho tem mais composições autorais. Como foi o processo de criação?
GB: O Jimmy Johnson também me disse que nem sempre uma letra precisava ser verdadeira, outras nem tanto, outras sim. Sendo assim, usufruí dessa liberdade sempre atentando para o bom senso. O processo de criação foi o mais variado possível. Por exemplo, "Riverside" conta o trajeto que eu fiz com o Fabio Basili, Mauricio Sahady e Christiano Crochemore (os dois primeiros participam do CD), que desde adolescente sonhava em conhecer o Riverside Hotel, em Clarksdale, e em 2013 isso finalmente rolou.

GC: Uma honra ter Jimmy Johnson ao seu lado. Como surgiu a participação dele no disco?
GB: Eu não planejava convidar o Jimmy Johnson para participar. Sei lá, pode parecer bobeira minha, não queria incomodar o bluesman além do já estava fazendo em relação à composição da Tomorrow. Em dezembro de 2014, produzi uma segunda turnê dele aqui no Brasil e ele me perguntou se eu não ia convidá-lo a participar do CD. Não tive como recusar; o solo e a base da "Heap See" são dele.
Tomorrow é dedicado a ele.

GC: Fale um pouco sobre como se formou o grupo para esta sessão.
GB: A banda base é a que me acompanha há algum tempo, faça sol ou faça chuva - Paulinho Sorriso na bateria, Dado Tristão no piano e trombone, e o Fábio Basili no contrabaixo; nos metais, além do Dado, estão presentes o Clayton Silva no trombone e o Miquéias Nascimento no trompete. O meu irmão Adriano Grineberg fez o hammond; e também tem a guitarra solo do Mauricio Sahady. A produção só poderia ser do Edu Gomes, que também fez os shakers e pandeirola.

GC: Que equipamentos usou em Tomorrow?
GB: Todos os solos são com uma Gibson ES 355 1978, cabo George L's e um amp Fender Deluxe Reverb 1978.
Para as bases, o mesmo amp; onde há Phaser é um MXR Script e as guitas são Gibson ES 325, ES 333, ES 335 e Flying V. Usei overdrive manual e amp com volume variando entre 8 e 10, e o falante é um Eminence Canis Major de alnico.

"Catch You on the Flipside", Giba Byblos; e sucesso.



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