A IGOR PRADO BAND É NOMEADA PARA A PREMIAÇÃO DO BLUES MUSIC AWARDS

18 dezembro, 2015
A edição 37 do Blues Music Award, que acontecerá em maio de 2016 em Memphis, terá pela primeira vez um tempero brasileiro na cerimônia de premiação – a Igor Prado Band está nomeada com o álbum Way Down South na eleição de destaque entre novos artistas, em que também concorrem os guitarristas Eddie Cotton, Mighty Mike Schermer, Mr. Sipp e Slam Allen.


Mais que merecida essa nomeação, afinal o guitarrista Igor Prado é uma referência brasileira no assunto na terra do blues; e Way Down South já encabeçou o ranking da audição nas rádios de blues americanas de acordo com a publicação Living Blues.
O álbum foi lançado pela Delta Groove Music, e é dedicado a Lynwood Slim, que faleceu em agosto de 2014; o próprio está presente em 2 faixas do álbum, que foi seu último registro em estúdio.
Parabéns Igor Prado, Yuri Prado e Rodrigo Mantovani.

O evento Blues Music Awards é promovido pela Blues Foundation, fundada em 1980, e tem como objetivo preservar a herança do blues e garantir o futuro desta forma de arte americana que influencia artistas de todo o mundo. A premiação elege os destaques em 24 categorias, entre álbuns históricos e contemporâneos, vozes, instrumentistas, canção e se estende também à soul music, além de reverenciar prêmios a B.B. King, Koko Taylor e Pinetop Perkins. É um grande evento.
Para mais informações sobre o Blues Music Awards, acesse www.blues.org

Conheça o álbum Way Down South -

Way Down South

A LIVRE FORMA DAS GUITARRAS

12 dezembro, 2015
A guitarra no jazz é algo fascinante, está sempre se renovando e, principalmente, inovando. Vários nomes surgem no cenário a todo momento, cada um com estilo e técnica muito particulares, e o melhor é que não se deixam levar em copiar aqueles que tanto os influenciaram.
Julian Lage e Mary Halvorson são dois desses nomes que me chamam atenção há um bom tempo. Ambos já tem identidade própria e, alcançados um nível elevado de maturidade musical, registraram álbuns de guitarra solo muito interessantes.

World's Fair Meltframe

Julian Lage foi um dos integrantes da nova geração promovida pelo vibrafonista Gary Burton, este que sempre abriu espaço para guitarristas no início de suas carreiras como Larry Coryell e Pat Metheny. O álbum “Generations” (2004) foi uma grande vitrine para Lage, que mais tarde ainda viria a participar nos álbuns “Next Generation” (2005), “Common Groud” (2011) e “Guided Tour” (2013).
Lage, além da sua formação clássica, é formado pela Berkelee, o que lhe dá uma grandeza de vocabulário jazzístico, rico em harmonias e dinâmicas. Além de seus trabalhos como líder – "Sounding Point" (2009) e "Gladwell" (2011), registrou duos com os pianistas Taylor Eigsti e Fred Hersch, e com o guitarrista Nels Cline em uma abordagem totalmente livre.
World´s Fair (2015) revela Lage como mais que um músico puramente jazzista, explorando o instrumento acústico em improvisações livres com uma abordagem impecável, abrindo mão dos tradicionais standards e revelando um trabalho bastante original. Para ele, o resultado foi inspiração do violonista espanhol Andres Segovia.
Nessa sessão, Lage usou um Martin 000-18, sem overdubs; e no repertório 12 composições em que viaja por lugares como  “Peru”, “Japan” e “Missouri”, e nos transporta pelo tempo e espaço em “Century”, “Day and Age” e “Where or When”. Um belo registro intimista em que a sonoridade acústica é protagonista.
www.julianlage.com/



Mary Halvorson é uma das fieis representantes da improvisação livre na guitarra contemporânea, o que torna sua música muito interessante pois, muito além da abordagem criativa, traz uma riqueza de intervenções melódica e harmonicamente complexas.
Sua relação com o instrumento começou na adolescência quando ouviu Hendrix, o que talvez explique a origem de sua forte pegada no instrumento. Sua aproximação com o jazz deu-se quando começou a ter aulas com um professor que tocava o estilo, e assim conheceu a música de Anthony Braxton, a quem ela tem como seu mentor e quem a ensinou a focar na criatividade e a encontrar sua própria voz.
Além de seus trabalhos como líder - "Reverse Blue" (2014), "Ghost Loop" (2013), "Illusionary Sea" (2013), "Bending Bridges" (2012), "Saturn Sings" (2010) e "Dragon’s Head" (2008), sua guitarra tem registro em uma extensa discografia, em diversas formações. Sempre questionada sobre a criação de um trabalho solo, Halvorson queria mais do que simplesmente realizar um álbum totalmente improvisado.
Meltframe (2015) é  resultado de um estudo introspectivo e da prática de arranjar temas que ela gosta para a guitarra solo, cujo repertório acabou se expandindo além dos tradicionais standards, sem composições autorais, desconstruindo e reconstruindo, do seu jeito, versões de Ellington, Ornette Coleman, Oliver Nelson, Annette Peacock, e Roscoe Mitchell. Sempre abraçada com sua archopt Guild Artist, Halvorson explora ao máximo a sonoridade acústica do instrumento, em que, além de microfonar seu amp Princeton Reverb, aplica os microfones sobre as cordas e no ambiente.
www.maryhalvorson.com/

CANÇÃO PARA TEMPOS MELHORES

02 dezembro, 2015

Genuinamente jazz.
Assim é o novo trabalho do trompetista Daniel D'Alcântara, intitulado Canção para Tempos Melhores.
Talento e criatividade não faltam para esse extraordinário músico, muito atuante no cenário instrumental brasileiro, que, além do seu trabalho solo, também é integrante da Soundscape Big Band.

Com uma família de origem muito musical, Daniel D'Alcântara tem em seu pai, também trompetista, uma grande influência, e é dele suas lembranças musicais mais antigas, afinal foi quem o ensinou solfejo e teoria musical quando tinha cinco anos de idade; e essa fonte de inspiração vem de gerações pois seus bisavós tocavam em salas de cinema mudo, o avô em orquestras de baile e os tios baterista e saxofonista.
Daniel formou-se no instrumento pela Escola de Comunicação e Artes da USP; e acredita que o estudo é fundamental para a excelência, diz ele – "Se o músico não gostar de ocupar muitas horas com sua música, e de descobrir sua maneira de tocar, não irá muito longe."

"Canção para Tempos Melhores" traz Daniel D’Alcântara ao lado de Vitor D’Alcântara, seu primo, no tenor e soprano, Edson Santana no piano rhodes, Bruno Migotto no contrabaixo e Cuca Teixeira na bateria.
A formação em quinteto é a preferida de Daniel, carregando a influência dos quintetos de Miles Davis, primeiro e segundo, no hardbop de Horace Silver e no Jazz Messengers liderado por Art Blakey.
O grupo está muito entrosado, já tocam juntos há bastante tempo, inclusive na formação da Soundscape Big Band; e um repertório contagiante em 6 composições que Daniel assina 3 delas - "Samba Viscoso", "SanMagno" e "Ilha Bela"; as demais ficam com a assinatura de Bruno Migotto em "Bode On", Alexandre Mihanovich em "Nestico" e Gustavo Bugni no tema título.


danieldalcantara.com/