GRUPO UM, UMA LENDA AO VIVO

26 dezembro, 2016
Após três décadas longe dos palcos, o Grupo Um, um dos ícones da música instrumental brasileira, está de volta. Liderado pelos irmãos Nazário, Lelo nos teclados e Zé Eduardo na bateria, o grupo foi formado em 1976 e retorna aos palcos e em disco com Mauro Senise no sax e flauta, Frank Herzberg no contrabaixo e Felix Wagner no clarinete baixo e percussão.
O CD Ao Vivo na Fábrica, uma Lenda ao Vivo é um lançamento do Selo SESC e foi gravado ao vivo no Festival Jazz na Fábrica em 2015. O repertório dá enfase ao disco "Marcha sobre a cidade" (1980) e traz alguns temas dos discos "Reflexões sobre a crise do desejo" (1981) e "A Flor de Plástico Incinerada" (1982); ainda uma composição do Duo Nazário gravada no disco "Amalgama" (2014) Duo Nazário e mais uma inédita.


Com a palavra, Lelo Nazário -

O que motivou reunir o grupo tanto tempo depois do último lançamento?
Recebemos um convite do SESC para nos reunirmos novamente em um concerto comemorativo dos 35 anos do LP “Marcha sobre a Cidade”, no Festival Jazz na Fábrica de 2015. Neste concerto tocamos integralmente o material do LP e incluímos também algumas faixas dos outros dois LPs do grupo. O concerto foi gravado e transformado em CD com o nome de "Grupo Um - Uma Lenda ao Vivo” e tem, além de mim, a participação de Mauro Senise, Felix Wagner, Zé Eduardo Nazario e Frank Herzberg.

A dinâmica e a exposição livre dos temas sempre foi muito presente na música do grupo, e naquela época o jazz já havia se transformado com a eletrônica e com a fusão com o rock e funk. De que forma isso influenciou a música do grupo?
É claro que somos todos produtos de nossa época. Embora o rock nunca tenha me interessado, quando éramos bem jovens estudávamos música erudita e o jazz contemporâneo. O Zé Eduardo estudava muito todos os ritmos brasileiros, hindus e africanos, então acho que essa é a base da música do Grupo Um. Dentro da música erudita, eu me interessava muito pelo música concreta e eletroacústica, então incorporei estes elementos na mistura.

Podemos esperar novos projetos do grupo com essa formação?
Esperamos que sim. O futuro do Brasil depois do golpe é incerto, já enfrentamos inúmeros retrocessos e na área cultural não será diferente. Tudo depende de como os produtores culturais vão lidar com recursos mais escassos, novos modos de produção,etc. Isto certamente vai acontecer, pois o Brasil é um país extremamente dinâmico. Estaremos sempre propondo novos projetos e esperamos que alguns se tornem realidade.

O disco "Marcha Sobre a Cidade" foi um dos primeiros registros independentes da música instrumental brasileira. Ainda é desafiador produzir de forma independente?
Bem, hoje existem inúmeros canais para escoar e distribuir a produção independente. Naquela época, dependíamos de distribuir um produto físico, o LP, para conseguir penetrar no sistema. Tínhamos que recorrer a estúdios profissionais, não havia a facilidade para montar um  home studio como hoje. Atualmente, com a internet e a música em formato digital, a distribuição se tornou muito mais rápida, então acredito que tivemos nestes anos uma enorme evolução no sistema distributivo de arte em todo o planeta.

Obrigado Lelo Nazário, e sucesso.

O lançamento do CD “Grupo Um: Uma Lenda ao Vivo” comemora 40 anos de fundação do grupo, e você pode adquiri-lo no iTunes, nas unidades do SESC e em sua livraria do internet.
Spotify Deezer



Leia também sobre o CD "Amálgama" do DUO Nazário -

Amálgama

PULSE

01 dezembro, 2016
O baterista Alfredo Dias Gomes lança seu sexto disco, Pulse. Acompanhado por Widor Santiago no sax, Yuval Ben Lior na guitarra, Lulu Martin nos teclados e Marco Bombom no baixo, esse novo trabalho é dedicado ao grupo "The Eleventh House", importante formação da cena jazz rock dos anos 70; e traz ainda duas composições autorais.

O disco foi gravado no ADG Studio e produzido por Alfredo Dias Gomes, que afirma ter uma verdadeira paixão em gravar e sentir o astral no estúdio. Widor Santiago e Lulu Martin já gravam com ele há muito tempo e estão juntos desde seu primeiro disco gravado em 1991; Yuval Ben Lior está ao seu lado desde o disco "Corona Borealis" de 2010; e Marco Bombom participou do disco anterior "Looking Back" de 2015.

Com a palavra, Alfredo Dias Gomes -

"Pulse" traz uma referência ao grupo "The Eleventh House". Como deu-se a escolha do repertório?
The Eleventh House foi uma das minhas grandes influências. O meu objetivo é resgatar para as novas gerações um tipo de música pouco difundido hoje em dia que é o fusion. O líder da banda Larry Coryell é praticamente o criador do estilo, foi o primeiro músico a usar elementos de rock no jazz.
O repertório foi escolhido em cima dos discos "Introducing The Eleventh House", "Level One" e "Back Together Again". Assinam as composições não só os lideres Larry Coryell e Alphonse Mouzon mas também músicos e compositores como Michael Lawrence, John Lee, Wolfgang Dauner, Michael Mandel e Joachin Kuhn.

Uma interpretação do pianista alemão Joachin Kuhn com o tema "Shoreline"; este que foi um dos representantes da improvisação livre e experimental. Como essa forma de música se desenvolveu no processo de composição?
A balada "Shoreline" é do disco "In Search of a Dream", do baterista da banda Alphonse Mouzon. A livre improvisação relacionada a essa composição aparece na forma do intérprete criador que almeja a expressão pessoal (a criação). A livre improvisação assume como uma das suas propostas, a superação dos idiomas. Nessa linda balada, escolhida para uma mudança de clima no disco, Widor Santiago e Lulu Martin atingem o objetivo em seus improvisos.

Duas composições autorais - "Seven" e "Pulse". Como surgiu a ideia desses temas?
A música "Seven" eu compus no piano e quando eu componho a partir dele elas há a tendencia de puxar para um lado mais melódico; já a música que dá nome ao disco - "Pulse", eu compus na bateria e é uma ideia rítmica em um compasso de nove e outro de dez, que se repete em loop onde eu fico livre pra solar na bateria.

A distribuição deste trabalho está somente em mídia digital. Que razões levou você a não produzir um CD físico nesse momento?
O principal motivo é quase não se ouve mais CDs. Acredito que o CD não vai acabar, assim como o vinil não acabou, mas a verdade é que a nova geração escuta música de outra forma. A tendência é fazer download pela internet e ouvir em streaming pelas lojas como iTunes e Spotify, em que o consumidor assina um pacote e tem direito a ouvir toda a biblioteca.

Obrigado Alfredo Dias Gomes, e sucesso.

Pulse está disponível nas plataformas iTunes, CDBaby, AmazonGoogle Play e Spotify.



Leia também sobre o disco "Looking Back" -

Way Down South