PÉS DESCALÇOS

30 março, 2017
O guitarrista e compositor carioca Rogério Guimarães lança seu primeiro CD, Pés Descalços, com 11 composições de temas essencialmente brasileiros.
Nesse trabalho de estreia, traz um delicado e um cuidadoso trabalho melódico usando como direção para esse variado leque de ritmos uma formação de quarteto de jazz acompanhado pelo piano de Marco Tommaso, o contrabaixo de Ronaldo Diamante e a bateria de Gabriel Barbosa.

O repertório passeia pelo afoxé, xote, frevo, samba, bossa, salsa, bolero, ijexá e bebop, em arranjos que privilegiam e exploram a força contagiante desses estilos, fazendo da audição do disco uma experiência agradável, renovadora e empolgante da primeira até a última faixa.


Rogério Guimarães é guitarrista e violonista de formação jazzística e popular brasileira e se apresenta na cena musical carioca e nacional mostrando seu trabalho autoral, em formações de trios, quartetos e quintetos de jazz.
"Pés Descalços" foi gravado, mixado e masterizado por Ricardo Calafate, no Estúdio Umuarama, RJ.

Com a palavra, Rogério Guimarães -

O que inspirou o nome do disco?
Dar nome a uma música não é nada fácil pra mim. Às vezes, mais difícil que compor a música. Apesar disso, o nome dessa, que é a primeira faixa do disco, veio naturalmente. Achei que o significado do título, "Pés Descalços", reflete a alma desse trabalho, que é uma ideia de simplicidade, de beleza e alegria, como a prazerosa experiência de caminhar de pés descalços.

Como originou a formação do grupo que o acompanha?
No processo de composição das músicas, por se tratar de temas brasileiros na maior parte, visualizei desde o princípio que o fio condutor dessa variedade de ritmos seria a formação que se repetiria em todas as faixas. Optei por utilizar somente instrumentos acústicos, o que dá um sabor jazzístico ao trabalho. Tive a grande sorte de encontrar músicos muito eficientes, sensíveis ao que eu queria fazer e que acreditaram e me apoiaram nesse trabalho, como o Ronaldo Diamante no baixo acústico, Marco Tommaso no piano e o Gabriel Barbosa na bateria.

É desafiador fazer essa fusão do jazz com ritmos brasileiros?
Não posso dizer que encaro como um desafio, ou mesmo que chamaria de fusão desses estilos. Na verdade, trabalho sempre sob o princípio do prazer e da diversão. Uma das formas de compor que dá muito certo pra mim é gravar uma levada num instrumento de percussão, que pode ser qualquer coisa que esteja à mão, e improvisar melodias que aquela levada inspira até o momento em que está divertido. Quando começa a ficar trabalhoso eu deixo pra lá e volto depois. Como sempre uso ritmos que acho estimulantes e como amo o jazz, talvez por isso, essa "fusão" tenha acontecido naturalmente. Acho muito importante manter esse frescor em todos os aspectos da música. Sei que quando estamos estudando é preciso mais disciplina e insistir no aperfeiçoamento da execução, mas se deixarmos extrapolar o limite do prazer e transformarmos a prática numa luta, certamente essa tensão vai se refletir no som que você faz.


A audição musical sempre é importante. O que gosta de ouvir e que músicos influenciaram na sua formação?
Pra qualquer pessoa, ouvir música é uma experiência para além dos sentidos. Música não é nada além de ar em movimento e mesmo assim pode transformar tudo. A cultura, as crenças, a maneira de ver o mundo e a vida daquele que ouve. Pra quem trabalha com música, ouvi-la é também sedimentar uma linguagem dentro de si. Não há como ser um verdadeiro sambista se o samba não entrou no seu sangue pelos ouvidos e por todo seu corpo num processo que leva muitos anos. Se você quer dominar um estilo, tem que ouvi-lo por muito, muito tempo.
Eu gosto de ouvir tudo e em todo tipo de música encontro coisas que gosto. E que não gosto também. O desejo de ser músico foi inspirado inicialmente pelo rock. A guitarra sempre teve um encantamento sobre mim, e lembro até hoje da sensação que tive no dia em que vi uma pela primeira vez. Desde então, tudo que tinha guitarra me interessava. Os guitarristas que mais gostava eram Jimmy Page, Jeff Beck e Steve Howe e quando comecei a ouvir jazz os que mais me influenciaram foram o George Benson, Pat Metheny, Ricardo Silveira, Joe Pass, Joe Diorio, Kenny Burrel, e por aí vai.

Que equipamentos usou nessa sessão?
Levei um tempo até achar o som de guitarra que queria na gravação. Acho que foi o que mais deu trabalho em todo o processo... Experimentei várias coisas até chegar num equipamento simples, mas muito funcional. Uso uma guitarra Gibson ES 175 de 1956 ligada num amplificador Fender Deville valvulado, microfonado com um Newmann U89 e um Roland Cube 60 transistorizado, captado por um Newmann U87. Uso um pouco de reverb e delay de um Lexicon MPX1 ligado no looping de efeitos do Fender e o Roland sem nenhum efeito. Gosto de misturar o som de dois amplificadores de características diferentes e realçar as qualidades de cada um, como os graves encorpados do Fender e a definição dos agudos do Roland. Ao vivo, uso o mesmo equipamento, adicionando ocasionalmente um pedal de volume para ter mais controle sobre as dinâmicas.

Como adquirir o disco?
Tomei por conta própria a distribuição do disco e ele pode ser adquirido entrando em contato comigo pelo telefone (21) 99925-5305, pelo e-mail terrarogerio@hotmail.com ou pela minha página no facebook.

Obrigado Rogério Guimarães, e sucesso.



soundcloud

SAUDADE MARAVILHOSA

10 março, 2017
O compositor e arranjador Mario Adnet apresenta novo disco intitulado Saudade Maravilhosa, trazendo um repertório quase todo autoral - das 10 composições, 8 delas são originais, e ainda uma regravação de "Viver de Amor" (Toninho Horta e Ronaldo Bastos) e uma versão bem abrasileirada do clássico standard "Caravan" (Ellington). Ao seu lado estão Marcos Nimrichter no piano e rhodes, Jorge Helder no contrabaixo e Rafael Barata na bateria; com as participações muito especiais de Armando Marçal na percussão, Leonardo Amuedo e Ricardo Silveira nas guitarras, Eduardo Neves na flauta e sax, Aquiles Moraes no trompete, Cristiano Alves no clarinete, Everson Moraes no trombone e a voz de João Cavalcanti.


No repertório, a abertura com "Ancestral", tema de influência afro e cuja linha de contrabaixo, sequência de acordes e rítmica foram ouvidas em sonho por Adnet, um belo solo de Aquiles e a presença da percussão de Marçal; "Cecilia no parquinho" é um choro feito para sua neta, em destaque a flauta de Eduardo Neves e o clarinete de Cristiano Alves; o tema título, nome sugerido por Bernardo Vilhena. é uma descrição de um Rio que, hoje, só existe mesmo na saudade, aqui a participação da guitarra de Ricardo Silveira; "Flor do dia", com introdução no violão por Adnet, é dedicada às mulheres de sua família; "Azul da Tarde" é uma balada, como um blues, introduzido pelo piano de Nimrichter e novamente em destaque o clarinete de Cristiano Alves na condução da melodia; "Valsa do baque virado" traz letra e voz de João Cavalcanti; "Viver de Amor" foi composta em 1980 por Toninho Horta presente em dois discos - "Terra dos Pássaros" e "Durango Kid", além de versões de Milton e Luciana Souza, aqui com a guitarra de Leo Amuedo; "Chorojazz" é um regravação do próprio Adnet, original do disco "Para Gershwin e Jobim"; "Sambaqui", como o título sugere, é um samba também regravado por Adnet, aqui com outro nome, original do disco "Rio Carioca", e as duas guitarras de Silveira e Leo em um belo diálogo; fecha o disco a clássica "Caravan", aqui com uma roupagem muito particular em que Adnet dedica a Moacir Santos, a quem ele chama de Duke Ellington brasileiro.

Adnet, ao longo da sua carreira, sempre trabalhou o repertório de outros compositores como Jobim, Villa-Lobos e Baden, além de fundador da extraordinária Orquestra Ouro Negro, que celebra a música de Moacir Santos. Esses trabalhos o levaram por 4 vezes ao Grammy Latino - em 2006 com "Choros e Alegrias" com composições inéditas de Moacir Santos, produzido com o saxofonista Zé Nogueira; em 2013 com "Um Olhar sobre Villa-Lobos"; em 2015 com "Dorival Caymmi Centenário"; e em 2016 com "Jobim Jazz ao vivo". Como ele mesmo afirma, esses trabalhos permitem a ele ter um leque maior de opções, trabalhando de forma independente e não preocupado com sua própria arte, mas também com produção e arranjo.



"Saudade Maravilhosa" foi gravado no estúdio da Biscoito Fino nos meses de junho e julho de 2016.
A bela capa é uma obra em acrílico sobre tela de Guilherme Secchin de nome "Pedra Bonita Mario e Tom", e o disco traz um super encarte com detalhes de todas as composições e fotos de Daryan Dorneles e Gabriel Pinheiro.

Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.