LABTrio

28 abril, 2017
O LABTrio é formado pelos belgas Bram De Looze no piano, Anneleen Boehme no contrabaixo e Lander Gyselinck na bateria, jovens talentos que trazem uma proposta musical criativa e moderna que se insere na forma do jazz livre que, como eles mesmo afirmam, se encaixa dentro do contexto urbano flertando com a eletrônica e com a cultura dos guetos e do hip-hop.
O grupo foi formado através de um evento promovido pelo diretor da academia de música de Antwerpen, Belgica, que organizava encontros de jovens músicos. A química entre eles foi imediata e o trio seguiu em frente amadurecendo a vontade de tocar junto ampliando experiências musicais.
Celebrando 10 anos de formação do trio, apresentam o terceiro disco intitulado Nature City, mostrando um repertório bastante original e muita maturidade.

O pianista Bram De Looze partiu para New York em 2012 para estudar na prestigiada New School for Jazz and Contemporary Music e teve como mestres, entre outros, Marc Copland e Uri Caine. Seu toque tem na improvisação o elemento principal e ele afirma encontrar inspiração na música contemporânea e na música clássica. Com intensa veia criativa, criou um septeto intitulado "Septych" (2014), em formação com dois violoncelistas, três músicos de sopro (alternando entre soprano, clarinete baixo, tenor, barítono e flauta) e bateria. Lander Gyselinck é um respeitado músico na cena jazz belga e se desenvolveu além do jazz marcando fronteiras com a improvisação livre e a música eletrônica. Integra o trio do pianista belga Kris Defoort e participa do experimental grupo STUFF.  A contrabaixista Anneleen Boehme é um talento feminino no instrumento. Começou a tocar contrabaixo aos 12 anos e, decidindo entre a música clássica e o jazz, partiu para o programa de jazz da Royal Conservatoire of The Hague na Holanda. Ela também integra vários projetos, entre eles seu próprio grupo, um quarteto de contrabaixos chamado "The Bass Party" ao lado de Janos Bruneel, Nathan Wouters e Soet Kempeneer.


"Fluxus" (2012, OutNote Rec) é o primeiro disco do trio; e a residência em New York promoveu uma colaboração com o celista Christopher Hoffman e o saxofonista Michael Attias, que rendeu o disco "The Howls Are Not What They Seem" (OutNote Rec, 2015), cujo trabalho foi intitulado como The NY Project.

labtrio.be/


INSIGHT

18 abril, 2017
Insight é o título do disco de estreia do guitarrista Eduardo Guedes, cujo trabalho ele afirma não se adequar em um rótulo, trazendo a proposta de uma atmosfera de jazz contemporâneo com liberdade rítmica e improvisação interativa, sem premeditações de argumentos. A escolha foi fazer música, apresentar novas composições e ter total liberdade para executá-las.

O disco traz a formação de trio e Eduardo Guedes tem ao seu lado o contrabaixista Bruno Repsold e o baterista Paulo Diniz, uma geração muito promissora para a nossa música instrumental e o jazz.
Para Eduardo, o baterista Paulo Diniz é um músico muito atento às sugestões rítmicas e que cria a todo momento uma atmosfera convidativa para a improvisação jazzística; já ao contrabaixista Bruno Repsold, o considera um virtuoso e criativo, é o suporte harmônico coeso e ritmicamente forte que faz um contraponto perfeito para todas as propostas de ideias melódicas.
Com 9 composições autorais e uma interpretação de Wayne Shorter - "Fall" (original do disco Nerfetiti do Miles), o repertório envolve o ouvinte com uma grande riqueza melódica e mostra um guitarrista de fraseado preciso e contagiante. Em destaque os temas "Capim Navalha" e "Queijo Duro"; a balada "Esperança", com uma bela introdução pelo contrabaixo de Bruno, e os temas "Valente", "Lunar" e "Jamais vi" em que também se destaca a bateria de Diniz; e o bom blues em "Blues Messengers".


Com a palavras, Eduardo Guedes -

Conte-nos um pouco sobre sua formação musical.
Toco guitarra desde os 12 anos de idade. Comecei tendo aulas com um amigo, Rogério da Silva, irmão mais velho de um grande amigo da escola. Ele também ainda não era um músico muito experiente, mas com ele tive uma boa iniciação, era muito divertido o convívio com ele era uma viagem para escutar e tirar músicas de rock, e rock progressivo que era o que mais me interessava na época. Depois fui seguindo de forma auto-didata e perturbando os amigos mais experientes com perguntas e pedindo indicações sobre o que ler e o que estudar. Teoria musical aprendi o básico no colégio mesmo, em escola pública.

Como se formou o trio que o acompanha?
Sou amigo do Paulo há alguns anos. Eu o conheci dando uma canja onde ele tocava e desde então sempre curtimos tocar juntos, e o Bruno eu conheci através dele. Gosto de tocar nessa formação de trio e eles também, mas a verdade é que gostamos de tocar em qualquer formação. Essa coisa de ser um trio acontece por força das circunstancias, acredito. Um disco de guitarrista com essa formação expõe a guitarra como instrumento de destaque de forma natural.

"Insight" traz um repertório autoral, como você trabalha o processo de composição?
A composição é um processo em que só há duas maneiras de acontecer: o jeito certo e o jeito errado.
O jeito certo é trabalhar de forma inspirada construindo sem pensar separadamente melodia e harmonia. A música é a melodia, a harmonia é a consequência da melodia. A melodia diz o caminho harmônico, nunca ao contrário. O jeito errado é aquela coisa de escolher uma sequencia de acordes e bolar uma melodia, geralmente não fica bom, como aquelas músicas que não dizem muito, que parecem que está faltando algo, ou uma colcha de retalhos.
Como eu trabalho meu processo de composição? Não sei. Sigo essas premissas citadas acima, mas, talvez por causa do senso crítico muito severo, eu começo as idéias musicais e na maioria das vezes não consigo terminar. Neste disco, marquei as sessões de gravação com 10 meses de antecedência, mas só compus as músicas faltando pouco menos de um mês para gravar. Espero que as próximas músicas aconteçam de forma mais tranquila. Já estou compondo outras e está acontecendo bem.
Sobre como penso o improviso? É óbvio que é o aspecto da música do qual eu mais gosto e mais me dedico, existem muitos detalhes e nuances. Vou sintetizar dizendo que nós somos como o jardineiro e o jardim, a cada dia podamos cada florzinha e cada plantinha por mais singela e pequena que ela seja e no fim o jardim fica grande e bonito. Tudo o que estudamos é para que na hora de tocar não se pense em nada disso. A música tem que acontecer de forma natural e espontânea, como numa conversa, acho que ninguém conversa pensando nas regras da língua portuguesa. Não é mesmo?

foto: Cyntia Santos
A formação de trio faz da execução algo muito intenso, exigindo forte dinâmica e interação entre os músicos. Como você pensa a ausência de um instrumento harmônico como o piano na base do grupo?
Essa pergunta, se você me permite, é um bocado contundente, e está calcada em alguns paradigmas que considero muito nocivos à arte e à música. Vou enumerar e desconstruir.
Não ter um instrumento de harmonia por trás está baseado em achar que a música é um colchão de acordes com uma melodia flutuando por cima. Isso é um dos maiores equívocos da maioria dos músicos que conheço. Se isso fosse uma verdade Mozart e outros tantos compositores não teriam composto tantas obras primas para quarteto de cordas, mas sim para quarteto de cordas e piano.
A harmonia não é uma sequência de acordes, a harmonia é estar em harmonia. Um saxofonista que conheça bem harmonia é capaz de tocar sozinho e descrever todo o caminho harmônico em sua melodia. Quando toco com o Bruno e com o Paulo estamos em harmonia, tudo o que tocamos tem que fazer sentido com o que o outro está fazendo. A guitarra é um instrumento que faz acordes tal qual o piano, mas não pode preencher tudo, tem que tocar junto e saber a hora de não tocar nada. Na improvisação dos colegas de qualquer instrumento, na hora de fazer um acorde tem que escutar antes e fazer o acorde depois, nunca ao contrário. e muitas vezes não tocar nada. O fato de ser intenso, em qualquer formação tem que ser assim, não só com um trio, tem que ter interação e dinâmica senão não é conversa, é palestra, é monólogo com os outros apenas dizendo amém. A música é uma linguagem. Ao contrário do que muitos pensam, piano não é obrigatório e pianistas não são os donos da harmonia. Tem que tocar e deixar os outros tocarem, ninguém gosta de participar de uma conversa quando um fala sozinho o tempo todo e não deixa os outros falarem, não é verdade?
Assim, tenho que discordar totalmente quando você questiona não ter instrumento de harmonia por trás - tem sim, e no caso tem 3 instrumentos de harmonia, por trás, pela frente, por cima, por baixo, pelos lados e na quinta dimensão.

Pode citar referências e/ou influências na sua formação e na sua música?
Essa coisa de enumerar influências é algo que rotula o músico de uma forma que não gosto. Procuro ser original, coisa muito difícil pois tudo o que nós escutamos fica dentro de nós, o que é natural, mas temos que ter nossa própria voz. Vou me limitar a dizer que quando eu era moleque adorava, e adoro até hoje, o AC/DC e me interessei por guitarra escutando o Angus Young tocar, então posso dizer que ele é minha principal influência, mas acho que essa música que faço com o Paulo e com o Bruno não tem nada a ver com isso.

Que equipamentos usou na gravação do disco?
Gravei o disco com minha Gibson 175, amplificador Markbass e efeitos Reverb e Delay muito de leve. Foi simples, nada demais, não só porque gosto do som assim, mas porque era mais prático.
Em  shows uso um pedal oitavador polifônico HOG2 da Eletro Harmonix; também usava uma Gibson 335 que foi roubada, mas hei de recuperá-la, seu número de série é 13341700.

Obrigado Eduardo Guedes, e sucesso.

"Insight" tem concepção e arranjos de Eduardo Guedes e produção musical de Dudu Viana.
O disco está nas plataformas digitais Spotify, iTunes e Deezer, e pode ser comprado pelo site da Tratore e diretamente pelo e-mail eduardoguedes.guitarra@gmail.com


www.eduardoguedes.net/

TRÊS NO SAMBA

07 abril, 2017
Idealizado por João Carlos Botezelli, um dos mais conceituados produtores musicais, também conhecido como "Pelão", o projeto Três no Samba reúne 12 composições de mestres como Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e Martinho da Vila interpretados por um trio formado pelo piano de André Mehmari, a voz de Eliane Faria e o surdo de Gordinho do Surdo.

Botezelli lançou inúmeros sambistas nos anos 70 e produziu o primeiro de disco de Cartola em 74.
Assim que surgiu a ideia dessa homenagem procurou por Eliane Faria, sambista de coração, filha de Paulinho da Viola, que aceitou prontamente; e chamou em seguida o pianista André Mehmari, que também abraçou a proposta e questionou o produtor - "Eu, Eliane e quem mais?". Então apareceu o inusitado nome de Gordinho, um mestre no surdo, referência no samba.  

Eliane Faria, além de sua um carreira solo como cantora e intérprete, é integrante da ala de compositores da Portela e da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Gordinho do Surdo, de nome Antenor Marques Filho, é uma referência no instrumento, iniciou a carreira nos anos 70 nas rodas de samba carioca e desde então gravou com praticamente todos os grandes nomes do samba. André Mehmari é incomparável, um pianista extraordinário, uma referência como solista da nossa música instrumental. Samba, piano e surdo, tão inusitado quanto ousado; e o resultado da união desses elementos não podia ser diferente, é um trabalho inédito e resgata uma rica história da nossa música.

"Três no Samba" foi gravado, mixado e masterizado por André Mehmari no Estúdio Monteverdi em agosto de 2016. Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

Ouça Três no Samba no YouTube



Conheça "Ouro Sobre Azul", obra de André Mehmari sobre os 150 anos de Ernesto Nazareth -

Ouro Sobre Azul