FOTO SÍNTESE

22 maio, 2017
"Quando você faz com verdade, o amor acontece, o mundo conspira a favor e nos tornamos pessoas melhores. Somos uma engrenagem que não pode parar nunca."
Essa é a mensagem, muito verdadeira, passada pelo guitarrista Vitor Karyello no encarte do seu primeiro CD - "Foto Síntese". Talentoso guitarrista, representa muitíssimo bem essa nova geração da música instrumental brasileira e do jazz, e traz nesse trabalho de estreia a formação de trio em que está acompanhado por Albert Batista no contrabaixo e Herbert Santos na bateria, músicos que ele considera essenciais na realização desse trabalho, cada um com sua maneira de sentir e expressar cada música trazendo cores e atmosferas que jamais imaginaria ser possível.
O repertório traz 6 composições autorais com muita originalidade em um passeio de improvisos sem perder o tempero brasileiro, como na contagiante "Bora Lá", introduzida por oitavas e com espaço para solos de Albert e Herbert; na levada latina de "Cumé Cumpadi"; na atmosfera bossa em "Leme", dedicada ao guitarrista Michel Leme; nas baladas "Laura" e "Ayres", aqui novamente um belo solo de Albert; e na pegada groove de "Sol in Mérrico", com destaque também para o solo de Albert e para a pontuação rítmica de Herbert.
Para Vitor, música é a emoção manifestada através de ritmos, melodias e harmonias, é afinidade e quando aparece é indescritível.

"Foto Síntese" é uma produção independente e foi gravado no EME Estúdio, RJ.


Com a palavra, Vitor Karyello -

Como se desenvolveu a ideia da criação do disco "Foto Síntese"?
Antes de tudo, parabéns pelo trabalho e apoio à música.
A necessidade de começar o próprio caminho me levou a isso tudo. Há dois anos comecei uma jornada por bares, livrarias, calçadas, terraços e onde mais fosse possível tocar, e durante esse processo foram surgindo as composições. Não ensaiávamos, então os arranjos foram nascendo de forma “improvisada” nas apresentações ao vivo e achei interessante registramos dessa forma, o mais espontâneo possível.
Um disco de música instrumental é muito difícil de ser concebido principalmente em relação ao patrocínio, é um nicho pequeno em que os próprios amantes da música instrumental, e também os músicos (ao menos deveria ser), alimentam o circuito, comprando os discos e indo aos shows. Precisamos ter consciência sobre esse assunto para que não deixemos morrer a verdadeira arte; arte essa cada vez mais rara.

O título do disco traz algum significado implícito?
Nomear as coisas sempre foi um problema pra mim. De certa forma costumo associar o nome dado a algo que estou pensando, mas, sendo um pensamento particular, só eu saberei, e terá um sentido próprio pra mim. Já para outra pessoa pode significar outra coisa, acho isso divertido. O nome do disco surgiu por último, depois de gravado. “Foto” por ser um registro do momento e “Síntese” por reunir tudo que passamos até agora, não só musicalmente, mas toda bagagem que cada músico traz consigo em sua existência, com todas as virtudes e defeitos. 

Sobre os músicos que te acompanham no disco 
Esse disco jamais aconteceria dessa forma se não fosse pelo Albert Batista (baixo) e Helbert Santos (bateria). Helbert esteve comigo em todo processo que se iniciou há dois anos, é um baterista espetacular que não pensa apenas como baterista e sim como um músico completo, se ligando nas melodias e harmonias, acrescentando sempre uma pitada ácida nos detalhes harmônicos. Albert é o caçula do trio, tanto na idade quanto no meio instrumental. Ele entrou no time há pouco mais de 1 ano e teve uma evolução surpreendente no sentido de “viver” o som e conseguir externar o que está sentindo. É um músico que traz uma emoção muito grande, sem contar que é um relógio suíço nas levadas.


"Foto Síntese" traz 6 composições autorais. Como você trabalha o processo de criação?
Seriam oito, mas como fizemos a gravação ao vivo em um único dia dois temas ficaram de fora. Foi minha primeira experiência com essa forma de gravação, sem overdubs e todos na mesma sala. Sem dúvida foi uma experiência incrível. Nunca marquei hora pra compor e não tenho essa disciplina, mas gostaria de ter. Todos esses temas surgiram quando eu menos esperava e vieram praticamente prontos, com exceção de "Leme", que é uma parceria com o Helbert, e "Cumé Cumpade", que fiz em dois momentos diferentes. Eu começo a compor com uma determinada levada ou pela melodia, nunca compus uma música a partir de uma harmonia. Acredito que composição é prática, mas antes de tudo é a manifestação de tudo que você vive, ouve e toca. Quanto mais informação você tem maior é seu vocabulário para conseguir expressar o que sente através de sua música.

Sobre a estória das composições –
"Bora lá" eu fiz antes de sair para um show. Estava atrasado e a música foi surgindo, eu repetia pra mim mesmo - “Bora lá, bora lá”. Não sei se falava isso para me apressar para o show ou para terminar a composição.
"Leme" é curiosa. Essa música é uma homenagem ao grande Michel Leme, ao qual sou muito grato pela sua generosidade e pela música que ele faz, é um dos maiores músicos e personalidades do Brasil. O interessante é que essa música foi uma homenagem involuntária, fiz a parte “A” e mostrei ao Helbert sem ele saber que era minha - “Vitor, bacana essa música! É a 'Bom Dia' do Michel, né?” Foi quando eu percebi - “Nossa, copiei descaradamente”. Embora houvesse elementos diferentes, lembrava muito. Então mudei um pouco a rítmica da melodia e pedi ao Helbert que fizesse a parte “B”, aí então ficou um pouco menos parecida. Em uma das aulas com Michel, mostrei o tema e contei essa história e ele ficou bem contente com a homenagem.
"Laura" fiz pra minha sobrinha de 6 anos, é uma balada jazz que gosto muito. Essa é um exemplo de composição em que harmonia e melodia vieram juntas e de uma só vez.
"Sol in mérrico" teve sua criação de forma engraçada - eu estava em casa estudando num sábado de verão, naquele calor do cão, então fui ao mercado e comprei aquela cerveja Sol, que nunca havia tomado. Acho que tomei um pouco demais no dia e saiu o tema, por isso ganhou esse nome. 
"Cumé Cumpade" é de 2009 quando comecei a compor música instrumental. Ela se chamava Salsa Nova, depois que descobri que de salsa não tinha nada, então ela passou por umas modificações e ficou sem nome até que um belo dia, num som em que a tocamos, Albert disse - “Cumé Cumpadi? Qual é a próxima?”.
"Ayres", eu gosto muito desse tema. Coloquei esse nome pois estava me lembrando de uma viagem que fiz para Buenos Aires, e de certa forma a melodia foi me remetendo às lembranças naquela cidade.

Sobre equipamentos, o que usou nessa sessão?
Foi um set super simples - guitarra Condor modelo Nelson Faria e uma outra Condor JC-16 com cordas flatwound Daddario Chromes .12, cabos Tecniforte e um amplificador Cube 60 da Roland.

Quero deixar registrado meu muito obrigado aos parceiros Soulmusic, EME Estúdio, AR Luthieria, Zamix Internet, FlexCAr, Studio Stillo Music, Com.café e Restaurante Mistura Fina.

O quanto é desafiador produzir e lançar um disco de forma independente?
É muito difícil. As leis de incentivo funcionam para uma parcela de artistas e eu vejo que sempre são os mesmos beneficiados. Sinceramente, não vivo e nem passa pela minha cabeça ficar tentando algo nesse sentido, estou vibrando em outra frequência. Durante muito tempo, fiquei revoltado com pessoas que conseguiam milhões de reais em incentivo, enquanto muitos de meus amigos, muito mais talentosos e com muito mais a dizer, lutavam por migalhas para conseguir dar continuidade em seus projetos. Não acredito nem um pouco que o “governo” tenha que dar isso ou aquilo, ou que a “educação”, que é responsabilidade e ofertada pelo mesmo, seja a salvação do Brasil. Se quisessem um povo educado já teriam feito e nada disso estaria acontecendo hoje. Acredito em pequenos gestos, de pessoas comuns, que tentam mudar o meio em que vive, começando pela família e depois ajudando os mais necessitados. Se “adotássemos” uma pessoa, ajudássemos com instrução, construção do conhecimento, do autoconhecimento e com amizade, carinho e amor, não estaríamos subordinados a governos parasitas. Precisamos fazer nossa parte, ajudar o maior número de pessoas possível e a música é uma das armas utilizadas.

Obrigado Vitor, e sucesso.

Você pode adquirir o disco no iTunes.
O CD físico pode ser adquirido pelo site www.vitorkaryello.com ou pelo perfil no facebook.


BLUES MUSIC AWARDS 2017

12 maio, 2017
Mais uma edição do Blues Music Awards, que chega ao número 38 celebrando o blues e homenageando os artistas que promoveram o estilo ao longo do último ano.
Nessa edição destaque para a voz de Bobby Rush que, aos 83 anos, é premiado com o disco do ano com "Porcupine Meat" e com a caixa "Chicken Heads: A 50-Year History of Bobby Rush" que celebra 50 anos carreira do cantor.
A Tedeschi Trucks Band aparece nas categorias de banda e disco de blues-rock com "Let Me Get By"; Susan Tedeschi aparece como artista contemporânea feminina; e Joe Bonamassa é o premiado na categoria guitarra e no prêmio B.B.King Entertainer em lembrança pelas suas primeiras apresentações abrindo shows para o rei B.B. quando tinha 12 anos de idade.

O grande destaque é a voz de Curtis Salgado, premiado nas categorias soul-blues com o disco "The Beautiful Lowdown", como voz masculina e com a canção "Walk a Mile in My Blues". Esse trabalho também foi premiado no Blue Blast Music Awards 2016 e tem a participação do nosso gigante Igor Prado na guitarra. Curtis começou a escrever os temas desse disco quando estava no Brasil há 4 anos e junto com Igor fizeram algumas demos para logo depois surgir o convite de Curtis para Igor gravar a guitarra em uma faixa - "Ring Telephone Ring", que também conta com a participação do hammond de Mike Finnigan, este que gravou com Hendrix e também esteve ao lado de Etta James.
Curtis Salgado é um verdadeiro guerreiro, se recuperou de um câncer no passado e no início deste ano sofreu um ataque cardíaco, foi submetido a uma cirurgia de ponte de safena tripla e está em recuperação com expectativa de voltar aos palcos ainda esse ano.
Curtis participou do disco Blues & Soul Sessions da Igor Prado Band e tem projetos futuros com a Igor Prado Band para a gravação de um disco só de blues, algo que ele não faz desde a época que integrava o grupo de Robert Cray. Vamos aguardar!

Confira os premiados -

Acoustic Album:  The Happiest Man in the World, Eric Bibb
Acoustic Artist: Doug MacLeod
Album: Porcupine Meat, Bobby Rush
B.B. King Entertainer: Joe Bonamassa
Band: Tedeschi Trucks Band
Best Emerging Artist Album: Tengo Blues, Jonn Del Toro Richardson
Contemporary Blues Album: Bloodline, Kenny Neal
Contemporary Blues Female Artist: Susan Tedeschi
Contemporary Blues Male Artist: Kenny Neal
Historical: Chicken Heads: A 50-Year History of Bobby Rush, Bobby Rush (Omnivore Recordings)
Instrumentalist-Bass: Biscuit Miller
Instrumentalist-Drums: Cedric Burnside
Instrumentalist-Guitar: Joe Bonamassa
Instrumentalist-Harmonica: Kim Wilson
Instrumentalist-Horn: Terry Hanck
Koko Taylor Award: Diunna Greenleaf
Pinetop Perkins Piano Player: Victor Wainwright
Rock Blues Album: Let Me Get By, Tedeschi Trucks Band            
Song: “Walk a Mile in My Blues”, Curtis Salgado
Soul Blues Album: The Beautiful Lowdown, Curtis Salgado
Soul Blues Female Artist: Mavis Staples
Soul Blues Male Artist: Curtis Salgado
Traditional Blues Album: Can’t Shake This Feeling, Lurrie Bell
Traditional Blues Male Artist: Bob Margolin

www.blues.org