STANDARDS?

26 junho, 2017
Os guitarristas Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius apresentam o EP Standards? interpretando dois temas clássicos em leituras bastante interessantes.
O primeiro tema é "Cantaloupe Island", original de Herbie Hancock cuja linha base aqui se mescla com o rock "Enter sandman" do Metallica em uma fusão bem curiosa, comprovando que as fronteiras de criação são ilimitadas e a importância das citações como um propulsor de novas ideias.
O segundo tema é "Saga of Harrison Crabfeathers", original do pianista Steve Kuhn cujo tema foi gravado inicialmente pela cantora sueca Monica Zetterlund; um espetacular resgate do Real Book desenhado com improvisos calorosos em uma interpretação bem intensa.

Rodrigo Chenta está no canal esquerdo e Ivan Barasnevicius está no canal direito, ambos usando guitarra acústica.

Um bate-papo rápido em que cada um nos conta sobre os temas -

Qual foi o insight para promover o encontro de Hancock com Metallica no tema Cantaloupe Sandman?
Rodrigo Chenta: Isso aconteceu quando estávamos de férias com as famílias na Serra do Cafezal em São Paulo. Certa tarde o Ivan e eu tocamos alguns standards de jazz até que resolvi inserir a música “Wasting love” do Iron Maiden em “Autumm leaves” do Joseph Kosma. Daí para colocar “Enter sandman” do Metallica  em “Cantaloupe island” de Herbie Hancock foi um pulo. Achamos muito engraçado e divertido até que a brincadeira ficou séria e a inserimos em nosso repertório dos concertos. Na gravação do EP “Standards?” tocamos essa música de uma maneira nada standard e gostamos do resultado. Em relação ao Metallica, existem na minha guitarra citações de músicas como “Orion”, “Enter sandman”, “Welcome home (Sanitarium)” e “Fade to Black”, que eu me lembre. No solo improvisado do Ivan eu fiquei na cola dele e os motivos musicais que sugeria eram automaticamente abordados no acompanhamento onde a interação deixou a sonoridade mais orgânica. Ela tem grande importância no duo. Vale lembrar que o realizado nesta música especificamente é algo comum na história do Jazz. Isso aconteceu, por exemplo, em “Donna Lee”, música de Miles Davis que é creditada a Charlie Parker. Aqui ele basicamente se inspirou no acompanhamento da música “Back home again in Indiana” de James F. Hanley e improvisou uma nova melodia.

Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius
Um resgate de um clássico tema do pianista Steve Kuhn - "Saga of Harrison Crabfeathers".
Ivan Barasnevicius: Já tocava essa música em jam sessions há tempos. Como ela tem uma estrutura que privilegia bastante a improvisação nos moldes que costumamos realizar no duo, pensei em sugerir para o Rodrigo e desde muito cedo gostamos bastante do resultado. Vale lembrar que a nossa abordagem com relação a ela foi mudando ao longo do tempo, e novas ideias de improvisação e acompanhamento foram surgindo. Algumas foram abandonadas e outras foram desenvolvidas. Mas, comentando sobre a composição em si e do meu interesse nela, posso ressaltar que, em minha opinião, ela traz alguns aspectos que são bastante relevantes: uma melodia bastante simples, porém marcante e muito bem estruturada, com uma série de transposições do motivo principal. Ela tanto traz a possibilidade para que novos acordes possam ser inseridos entre os principais já indicados nas transcrições mais utilizadas (como a presente no “livrão”) como também torna viável a redução da harmonia de um bloco inteiro em somente um acorde. Nos dois casos, é possível fazer tudo isso sem desrespeitar o modo do momento. Mas é importante lembrar que em certos momentos não respeitamos. Nesta gravação, experimentamos de forma bem solta diversos outros aspectos: diferentes dinâmicas, alterações propositais de andamento e na textura dos acompanhamentos. Vale dizer que procuramos também, durante a gravação, fazer diferentes citações: enquanto o Rodrigo citava o Metallica, eu fiz citações do Herbie Hancock. Em todos os nossos trabalhos existem diversas citações harmônicas e melódicas escondidas.

Obrigado Rodrigo e Ivan, e sucesso.


www.rodrigochentaeivanbarasneviciusduo.com

Leia também sobre outros trabalhos do duo -

Antítese Novos Caminhos

UM TRIBUTO PARA JEFF BECK

16 junho, 2017
Que a guitarra de Jeff Beck é influência para tantos outros guitarristas, não há dúvidas.
Realizar um tributo incorporando ritmos brasileiros a esse gigante que é um ícone do jazz-rock, aí o assunto ganha outra dimensão. Essa foi a proposta do guitarrista carioca Bruno Lara, cuja iniciativa surgiu como trabalho de conclusão do seu curso de graduação e o resultado final ganhou muita originalidade.

Um tributo a Jeff Beck é lançado no formato EP, e para executar esse projeto Bruno convidou o guitarrista Carlos Café para juntar-se ao seu quarteto, formado por Alexandre Adão no baixo, Renato Catharino nos teclados e Maurício Antunes na bateria, que juntos formam o Quarteto Bruno Lara. O EP traz 4 temas gravados por Jeff Beck - "Cause we´ve ended as lovers" e "Freeway Jam" (Blow by Blow, 1975), "Led Boots" (Wired, 1976) e "The Pump" (There and Back, 1980).

Bruno Lara é guitarrista, compositor e arranjador, possui formação musical pelo CIGAM e graduação em Música e Tecnologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, teve oportunidade de estudar com grandes nomes da nossa música com foco em improvisação com Nelson Faria, guitarra blues e slide com Carlos Café, harmonia funcional com Cláudio Bergamini, composição com Alexandre Schubert e percepção com Zoya Maia.
Com uma ampla discografia e 1 DVD lançados de forma independente, Bruno Lara segue levando a nossa música instrumental e o jazz adiante.

Com a palavra, Bruno Lara -

Como surgiu a ideia de realizar um tributo para Jeff Beck?
Pensar sobre como criar/promover este produto foi bastante interessante e desafiador.  Eu sempre fiquei frustado por ouvir guitarristas que eram muito técnicos, velozes e pecavam pelo excesso de notas (parecia que pra “tocar bem”, tinha que tocar daquele jeito). Até que no ano de 2000 eu vi o disco "Blow by Blow" vendendo a um preço “super” popular numa loja aqui do RJ, eu nunca tinha ouvido falar de Jeff Beck e pensei: “Esse cara deve ter algo a me dizer sobre guitarra e música”. Coloquei o CD no player e “pirei” com aquele disco, finalmente achei um cara que conseguia transbordar o virtuosismo sem exageros  em estéticas e faixas sensacionais. Desde então, eu dormia ouvindo "Blow by Blow", literalmente.
Acho que esse prólogo diz muito de como eu pensei em fazer um trabalho final para uma faculdade de música, tinha que ser  honesto e que eu tivesse  total identificação. Resolvi amadurecer e transformar o que era  um trabalho (TCC) em algo mais denso.
Junto com o meu orientador de TCC, Orlando Scarpa Neto, eu reuni músicas do "Blow by Blow", "Wired" e "There and Back", por serem discos e  faixas que me soam  marcantes no repertório do Jeff Beck - a fantástica balada de Steve Wonder - "Cause We´ve ended as Lovers",  a "alternada" e roqueira "Led Boots", o fusion 80/90 em "The Pump" e a fúria mixolídia de "Freeway Jam". Para mim é um “resumo” honesto do que é Jeff Beck, e se alguém me perguntasse o que eu indicaria, com certeza seriam essas músicas .

Foi desafiador incorporar essa fusão de ritmos brasileiros nos arranjos?
Eu fui tocando os temas e mudando as acentuações enquanto fazia a transcrição das músicas e quando comecei a tocar "Cause We´ve ended as Lovers" pensei: "Se eu botar um swing de Bossa Nova? Isso pode soar interessante". Como ela tem um andamento lento, eu pensei em alguma coisa no estilo João Gilberto ("Chega de saudade") e comecei a me aventurar em fazer algo que dialogasse com os dois universos. Em "The Pump", tive uma grata surpresa de ouvir um arranjo de uma música de Luiz Gonzaga na voz de Gilberto Gil ("Baião da Penha") e prestei atenção naquela guitarra slide que se destacava no arranjo. Como a melodia da "The Pump" é bem simples, o slide caiu como uma luva juntamente com o clima "regional" que criei nos arranjos.
Já em "Freeway Jam" eu quis deixar um pouco do clima fusion da música, coloquei uma percussão afro e comecei a improvisar em cima dela. Depois disso percebi que o tema poderia condizer com a nossa afro brasilidade, é claro que mudaria a forma de interpretar, mas soou muito natural.
E finalmente "Led Boots". Essa foi um pouco de Nação Zumbi na veia, por ser uma música com um riff muito marcante e uma melodia bem simples. Para mim ela é muito visceral, roqueira em sua essência. Maracatu é uma coisa pesada, percussiva e contagiante, e eu queria manter essa energia na música. Foi uma feliz escolha para manter o espírito libertador do rock com a energia e o entusiasmo do nosso ritmo brasileiro e fiquei impressionado como ela se encaixou com perfeição na célula rítmica do maracatu. Se Jeff Beck fosse brasileiro, acho que iria pedir para tocar ela no estilo, arrisco esse palpite.
Uma coisa que acho interessante falar sobre as 4 músicas e os arranjos -
Eu mudei o aspecto harmônico de forma mais “tímida”, e a forma da música e de improvisar também, mas considero mais marcante a transição para os ritmos brasileiros dentro deste trabalho .

Quarteto Bruno Lara e Carlos Café
O guitarrista Carlos Café participa desse trabalho, como foi realizar essa sessão juntos?
Fale também sobre os músicos que te acompanham.
Eu conheci o Carlos Café no período que estudei no CIGAM, a famosa escola de Ian Guest. Me interessei pelo trabalho de blues que ele faz com muita honestidade e consistência, e achei que precisava aprender mais sobre o estilo e em particular sobre slide. 
Desse encontro de aluno e professor, nos tornamos amigos e toda vez que eu ouvia um CD ou vídeo do Jeff Beck mostrava para ele e a gente ficava conversando muito sobre.
O Café me ensinou a tocar slide e a música "Definitely maybe" que é muito bem interpretada pelo próprio Beck, e foi uma grande emoção e empatia ter aulas com ele. Como neste trabalho eu assumi várias funções diferentes - arranjador, produtor e músico, eu quis chamar o Carlos Café para assumir o posto de intérprete e me dedicar mais nas outras funções, fazendo apenas um diálogo guitarrístico em "Freeway Jam". Como já tocamos juntos e ao vivo, foi fácil apresentar a ideia dos  arranjos e ele entendeu exatamente o que era pra ser feito e fez com vontade, tocou muito.
Nós  fizemos 3 ensaios com todo mundo, e eu fui gerenciando as partituras dentro dos ensaios com todos os músicos, esses que  fazem parte do meu quarteto de música instrumental - Quarteto Bruno Lara.  Eu quis dar esse espaço para que o arranjo ficasse orgânico e não apenas todo escrito e rígido.
São músicos excepcionais - Alexandre Adão fez um baixo criativo e elegante em sua execução, trazendo um pouco do “Nathan East” para as faixas; Maurício Antunes, que é sobrinho do famoso batera “Picolé”, já tem no DNA brazuca, necessário para transformar aquilo que é cultura mundial em cultura brasileira. A gente definiu o clima da cada sessão rítmica das músicas e ele soube dosar de forma muito interessante as passagens; Renato Catharino, que acerta as teclas, já possui uma experiência sólida em piano jazz, algumas sugestões de harmonia foram bem vindas e conseguiu tocar em temas que eram  um pouco desconhecidos em sua formação, mas que pareciam ser bem próximos (ele não conhecia muito Jeff Beck). O piano se destaca por eliminar os sintetizadores e Rhodes que tinham nas  versões originais, e o Renato conseguiu adaptar isso ao seu vocabulário sem que eu sentisse falta de colocar algum outro instrumento para complementação.

Sobre estilo de tocar, a partir dos anos 90 Jeff Beck largou a palheta e passou a usar a técnica fingestyle. Independentemente de ser melhor ou não, como você interpreta essas formas de tocar?
Eu não me lembro exatamente mas acho que no disco Guitar Shop ele já começa a tirar as palhetas do dedo. Isso me influenciou bastante na forma de tocar, eu toco com palheta mas tenho os meus momentos “Jeff Beck”. Acho que essa transformação deixou a sonoridade dele com um nível de personalidade absurdo, além de não ficar tão refém de técnicas ou padrões que viciam muitos guitarristas (por exemplo, a palhetada alternada). 
Essa junção de dedo com alavanca pra mim se tornou a marca registrada dele, é impossível tocar igual a ele, mesmo que tente emular teriam que fazer um dedo que simulasse o que ele faz, é um som mais bruto que ele faz na guitarra e a dinâmica e o controle que se pode obter do instrumento é sensacional. Ele incorporou e levou o fingerstyle a um degrau acima do padrão.

Obrigado Bruno Lara, e sucesso.

Você pode fazer o download gratuito do EP pelo OneRpm e ouvir nas plataformas de streaming.
Spotify Deezer
www.brunolara.mus.br

SUÍTE ONÍRICA

07 junho, 2017
O compositor e arranjador mineiro Rafael Martini apresenta Suíte Onírica, seu novo trabalho em formato jazz-sinfônico gravado com o seu sexteto e a Orquestra Sinfônica da Venezuela com a presença do coro lírico formato por integrantes do Coral Teresa Careño, tudo sob a batuta do maestro português Osvaldo Ferreira.
A obra divide-se em 5 movimentos que aludem a 5 estágios do sono e foi composta e orquestrada por Rafael com textos do poeta Makely Ka, inspirados no universo dos sonhos e suas simbologias. O trabalho conta com cerca de 150 músicos na feitura de uma música híbrida, que transita entre os limites que separam a canção, música sinfônica, jazz e música brasileira.
Com produção do próprio Rafael junto com o músico venezuelano Hildemaro Álvarez, "Suíte Onírica" foi gravado entre Brasil e Venezuela em uma interação muito especial com a OSV - Orquesta Sinfónica Venezuela, a mais antiga orquestra da América Latina, que possui uma fortíssima cultura orquestral e, por isso, um nível muito alto de músicos desse universo. O Rafael Martini Sexteto é formado por Rafael ao piano e voz, Alexandre Andrés na flauta, Joana na clarineta, Jonas Vitor no sax, Trigo Santana no contrabaixo e Felipe Continentino na bateria.


Rafael Martini é diretor musical e pianista da cena musical contemporânea de Minas Gerais, que faz com que ele, de fato, dialogue com a herança recebida através da música de Milton Nascimento, além da sua aproximação com a música de Björk, Maria Schneider e Radiohead através do ambiente sinfônico, sobre um pano de fundo contemporâneo.

Com a palavra, Rafael Martini -

O título da obra se relaciona com a essência dos sonhos e, como sabemos, eles não envelhecem.
Qual a intenção do título a frente de uma música tão intensa?
O sonho como fonte de todo simbolismo de todos os humanos é um pouco o ponto de partida do que eu e Makely Ka usamos pra escrever - eu a música, ele os textos. Foi incrível que depois de selecionarmos esse tema pra compor, eu, que há muitos anos não recordava dos sonhos que tinha durante a noite, voltei a lembrar deles vividamente. A Suíte é dividida em 5 partes, cada uma tem uma inspiração em um estado ou disfunção do sono. As letras falam de cosmogonias de diversas religiões, mitologias, que "segundo Jung" tem origem no dispositivo onírico que carregamos. O IV movimento da obra tem uma narração de um evento "veridicamente sonhado" pelo Makely. Talvez essa música tenha mais a ver com aquela sensação que temos quando sonhamos, de absoluta certeza de estarmos despertos. Por isso a música é intensa. Porque pensa no sonho como linha de pensamento imaginária que liga o primeiro ao último homem. Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos.

Como surgiu a proposta de trabalhar com orquestra e coral e realizar o processo de gravação da obra?
A obra nasceu de uma encomenda do Savassi Festival, festival de jazz e música instrumental aqui de BH, hoje um dos maiores do país e que já comissionou obras jazz-sinfônicas para gente como Chris Potter, André Mehmari, Kenny Werner e Cliff Korman. A encomenda já foi direcionada para que eu escrevesse uma peça de música de mais ou menos 40 minutos usando meu sexteto (que me acompanha desde o primeiro disco, "Motivo", de 2012), a Orquestra Sinfônica de MG e o Coral Lírico de MG. O que gerou, claro, um desafio muito grande no sentido de projetar algo para 150 músicos. A peça foi estreada em 24 de agosto de 2014.
Na gravação, feita em 2016 e lançada agora, temos a Orquestra Sinfônica da Venezuela, um grupo de músicos excepcional, assim como o coral associado a ela. Gravamos com a regência de um maestro muito especial, o português Osvaldo Ferreira. Foi muito bonito o processo de gravação pela percepção de um sentimento grande de união pelo ato de fazer aquela música juntos, unindo três países que deveriam ser bem mais ligados do que são (pelo menos no que diz respeito ao Brasil em relação aos outros dois). E a sensação de uma dissolução de barreiras musicais que a obra inspirava em todos, onde não importa se você "é" músico erudito ou popular, ou seja lá o que for. Você "está" fazendo aquela música, naquele momento e o tanto que ela lhe significa, é o tanto que você se entrega e se dedica. Foram 4 dias de gravação no Brasil e depois 8 dias em Caracas onde realizamos 10 ensaios e 8 sessões de gravação.


"Rapid Eye Moviment" traz Stravinsky em foco, o compositor que afirmava que a música tem o poder de expressar qualquer sentimento. Como você explora o processo de criação?
Muito boa essa do Stravinsky! Então, resumindo numa coisa que já é clichê, mas que o Strava mesmo falava, meu processo de criação é aquela coisa: 10% de inspiração ... Sou meio escultor, quase paleontólogo, fico ali escovando horas até encontrar.

A belíssima interpretação de "Éter" faz reverência ao nosso Pixinguinha. Como é passar a intensidade do Choro para interpretação de uma orquestra?
Obrigadíssimo! Como todo o planeta, tenho uma forte reverência ao Pixinguinha, mas carrego ele na memória sempre, é como um "professor" que gosto de imaginar que está ali me observando enquanto estou compondo, junto com outros tantos. Não tenho uma relação prática com o Choro, de tocar em rodas e tal, mas uma paixão enorme por todo o universo como ouvinte. Então é um tributo que vem de outro lugar, mais para um aceno da outra margem do rio.

"Dual" expressa de forma magistral um encontro de canto e coral, e nos da um lampejo da música das Minas Gerais, do Clube da Esquina. Fale um pouco da música que te influência.
Obrigado mais uma vez! Me criei realmente escutando muito Milton Nascimento (tudo o que foi produzido até 1979) e com ele a canção popular brasileira de Elis, Tom Jobim, Gil e Caetano, Edu Lobo, João Bosco, Guinga e por aí vai. Mas mais determinante é o lado da música instrumental brasileira de Egberto, Hermeto, Moacir Santos, que se liga ao jazz mundial de Gil Evans a Tigran Hamasyan. Por outro lado muito rock, de Beatles a Rage Against the Machine, passando por tipo tudo...e em outra dimensão, a música de concerto, Stravinsky, Ravel, Debussy, Ligeti, Berio.

Obrigado Rafael Martini, e sucesso.

Suíte Onírica está disponível no iTunes e com audição pelas plataformas de streaming.

Spotify Deezer