MICHEL LEME TRIO

18 setembro, 2017
Michel Leme Trio é o décimo primeiro disco do guitarrista Michel Leme.
Após os dois últimos trabalhos em quarteto, e ainda mais dois CDs e dois DVDs em trio com a base formada por Bruno Migotto e Bruno Tessele, Michel Leme apresenta mais um extraordinário trabalho e com um novo trio formado ao lado do baixista Richard Metairon e o baterista Jônatas Sansão.

Este trabalho traz 6 composições autorais em mais de 1 hora de música, e o trio literalmente "quebra tudo"; e isso não é novidade - todos os discos de Michel Leme prezam pela originalidade, fluidez e liberdade criativa, com muito espaço para todos os músicos que o acompanham.
No repertório, levadas latinas em "Los Perros" e "Porque eu gosto", com pontuações muito interessantes de Jônatas; a atmosfera clássica do jazz retransformada em "Vinho e vida"; uma intensa "Rompa os grilhões", que abre com a bateria de Jônatas e improvisos contagiantes de Richard e Michel; repousa na balada "Ainda é possível", introduzida em guitarra solo por Michel, que ainda desenhou um belíssimo improviso; e o boogaloo "Gosma", que abre com o baixo de Richard e cujo tema se desenvolve com um groove invocado.


"Michel Leme Trio" foi gravado ao vivo no MM Estúdio, em São Paulo.
A arte da capa é uma acrílica sobre tela da artista Cinthia Crelier, feita especialmente para a capa do disco.

Com a palavra, Michel Leme -

"Michel Leme Trio" traz uma nova formação com Richard Metairon e Jônatas Sansão. Como se formou esse time e a proposta de irem para o estúdio?
Este novo trio é muito especial para mim e as apresentações vem mostrando que as pessoas ainda embarcam na viagem da música. Vem sendo muito gratificante.
O Richard passou quatro anos estudando e tocando na França e, logo que ele voltou no final do ano passado, eu já pensei em armar um som autoral com ele. O Jônatas e eu tocamos direto desde 2008 e até já tínhamos gravado um outro album juntos, que se chama "Lady Mistério", de 2015, com o Lucas Macedo (sax) e o Bruno Migotto (baixo)  - em breve concluiremos a burocracia toda e lançaremos. Depois de dois discos com o Quarteto - "9" e "Alma" -, as primeiras pessoas que vieram à minha mente, já que eu senti que deveria formar um novo grupo, foram o Richard e o Jônatas. E rolou tudo muito naturalmente: em novembro de 2016 eu tive a ideia, fiz o convite, os caras aceitaram, eu enviei as parts e áudios dos temas pelo whatsapp e fizemos o primeiro e único ensaio no estúdio do Jônatas. A partir daí, apenas tocamos ao vivo e, depois de umas quatro ou cinco apresentações, gravamos o disco. Eu gosto muito destes dois, porque são muito corretos, honestos, muito claros no que querem dizer e, claro, tocam muito bem, respeitam a música, estão sempre praticando, tocando por aí, e têm uma forte personalidade musical. Neste disco eu voltei a gravar num estúdio por conta de minha parceria com a Music Maker. O Ivan Freitas montou o MM Estudio ao lado da oficina e a parceria, além das guitarras, englobou também o estúdio. Gravamos como gravo sempre, ao vivo, sem correções, e o clima foi extremamente harmônico.

Mais um trabalho totalmente autoral. Fale um pouco sobre as composições.
A única música que eu já tinha pronta quando reuni o trio era "Los perros". As outras cinco eu fiz pensando em tocar especificamente com o Richard e o Jônatas. "Los perros" é um latin com groove mais solto que compus pensando na Pitty, a cachorra que vive com a minha família desde 2009, e os cachorros dos amigos. Tentei passar o que sinto sobre o amor incondicional deles, mas sem ser meloso ou piegas. "Vinho e vida" é um tema sobre os acordes de "The days of wine and roses", de Henry Mancini, só que em 3/4  - na maioria das vezes, o pessoal toca este tema em 4/4. Acho muito interessante esta perspectiva da composição: compor melodias sobre estruturas de temas clássicos. Charlie Parker é um grande exemplo do que se pode realizar desta maneira, e acho que esta "modalidade" de composição traz belas aberturas.
"Porque eu gosto" é um cha-cha-cha, ritmo que adoro tocar, porque abre para muitas possibilidades de climas e ritmos. Tem trechos deste tema que praticamente fui obrigado a escrever pela intuição, como a seção Am | Em | Abm | Ebm. Eu ia tocando a ideia inicial e indo em frente, até aparecerem coisas como essa, e eu só dizia "ok, eu escrevo!". Nenhuma composição exige o mesmo método que a outra; isto é muito importante de se reparar. "Rompa os grilhões" eu compus antes da minha mulher, a cabeleireira visagista Mirian Leme, raspar o cabelo em solidariedade a uma amiga. Isso foi em Registro, e a música saiu bem rápido. Tentei passar esta ideia de realmente agir depois de tomar uma resolução. As pessoas estão muito presas a dogmas, rótulos, encanações, traumas etc. Penso que para viver uma vida plena é preciso romper grilhões (internos ou externos) quase que constantemente.
"Ainda é possível" é uma balada sobre a estrutura de um blues em C menor. O título refere-se à situação em que vivemos: o mundo está cada vez mais boçal, violento, cada vez mais contra a criatividade e a arte, mas, mesmo com esta resistência toda, venho vivendo sons que ficam na alma. Então, isso me faz concluir que, sim, ainda é possível. "Gosma" é um boogaloo, talvez num andamento mais lento do que as pessoas imaginam para este ritmo, e que me faz tocar coisas mais sujas  - não tenho melhor definição para o que este groove provoca em mim. Os caras entenderam muito bem este espírito e gosto muito do take do disco. Alías, cada take foi escolhido em comum acordo, e considero que isso confere uma força diferente ao trabalho.

foto: Taty Catelan
O fato do registro ser em estúdio não significa que há limites para criação, talvez o tempo para encaixar no disco, afinal também é uma sessão ao vivo. Assim deve ser o espirito da música, a arte do improviso nascer da dinâmica de cada momento?
A cada dia eu confirmo que a música e a vida estão totalmente misturadas; uma está na outra. Nós tocamos da maneira que nos sentimos plenos, e gravar é uma continuação disso. Ninguém leu nenhum dos temas depois do primeiro encontro, por exemplo; já estava tudo na mente. Esta é uma medida simples, mas que faz a relação com o material ser cada vez mais profunda, porque, ao não ter um pedaço de papel com códigos na frente, isto nos dá muito mais condições de captar o que cada momento pede, justamente por não dividirmos a energia disponível com algo que não interessa no momento de tocar/criar música. Quanto a gravar no estúdio, o fato de não estarmos numa locação, como gravei desde 2010, não mudou em nada o processo. Pudemos trazer o mesmo espírito de tocar ao ar livre ou no quintal de alguém para o estúdio. E isso não é uma coisa inexplicável, tem uma série de procedimentos, e talvez o principal deles seja: não trabalhar com quem dá chiliques. Só isso já libera o trabalho de coisas absolutamente desnecessárias. Quando o músico está em paz consigo e com o outro, aí é que o trabalho passa a ser possível. A sessão de gravação ocupou seis horas do estúdio, incluindo períodos para descansar, ouvir takes e jantar. Gravamos duas músicas no primeiro take (Ainda é possível e Gosma), "Rompa os grilhões" precisou do terceiro take, e as outras três foram no take 2. Quanto à duração das faixas, por exemplo, preocupo-me com isto só depois, porque no momento de tocar gravando é a música que manda. Se couber, vai tudo; se não couber, a gente escolhe o que vai caber nos 74 minutos do CD. Ainda sobre gravar, eu reparo que uma das razões dos músicos tocarem muito bem ao vivo e, por outro lado, gravarem discos totalmente inexpressivos é justamente ter procedimentos diferentes para cada oportunidade: ao vivo, é solto; no estúdio, os solos são com chorus contados, por exemplo. Este tempo já passou, não vale mais à pena vender-se ou adaptar-se ao mercado; já está mais do que na hora de fazer as coisas de acordo com a nossa voz interior, que é um "equipamento" valiosíssimo que cada um de nós possui, descrito por Carl Jung como "verdade superior". A coisa não vem apenas do racional; ela surge de todas as nossas faculdades harmonizadas.

Nesta sessão você usou uma nova guitarra, uma Music Maker modelo Concept. Fale um pouco sobre o instrumento, a pegada e o que ele trouxe para somar no seu som.
A guitarra Music Maker modelo Concept é uma semi-acústica, com tampo plano, sem aberturas como "f holes", muito confortável ('veste" bem no corpo) e que me trouxe muitas vantagens em comparação às acústicas, que usei direto desde 1998. Uma das vantagens é não ter o feedback indesejável, já que não tem respiros no tampo. Outra: notei que as notas saem mais "cantadas" do que "percussivas", como nas acústicas. Mais uma vantagem: ao perguntar para alguns amigos depois de alguns sons por aí, eles disseram que esta guitarra não tem sobras de frequências graves ou agudas, ela vai direto ao ponto. Outra coisa que me dava bode nas acústicas é que elas são muito delicadas; esta não: é muito resistente, o que é importante para mim, já que uso a guitarra por várias horas todo dia e não sou muito cuidadoso com instrumentos. Os captadores são Music Maker Classic 60, só tem um botão de volume geral - para quem quiser a configuração clássica de quatro botões, é perfeitamente possível -, os trastes são de inox, as cordas que uso são D'Addario Chromes .012 com a primeira E .013 e a G desencapada .022 – para quem usa cordas de outras medidas, tranquilo também, é só uma questão de regulagem. A Concept já está sendo comercializada; é só entrar em contato e combinar tudo com a Music Maker. Enfim, o Ivan Freitas executou este projeto muito em sintonia com o que eu preciso e gosto. Além disso, ele está lutando para aquecer o mercado da guitarra no Brasil, promovendo masterclasses, workshops e aulas no que eu chamo de Centro Cultural Music Maker, no bairro Campo Belo, em São Paulo. Que seja seguido este exemplo e que o empresariado deste ramo abra a mente para a causa cultural, lembrando que tudo o que eles geram em termos de grana é devido ao fato da música existir, em primeiro lugar.

Particularmente, prefiro a mídia física, é muito mais prazeroso ouvir no som grande e sem perdas. O quão desafiador é lançar um CD físico, considerando prensagem, arte, logística de distribuição, entre outros fatores?
Este é o meu décimo primeiro lançamento oficial, e o processo todo vem sendo muito prazeroso, em todas as suas fases. Claro que tem burocracias irritantes no meio, mas depois isso some diante do significado que é publicar uma obra. Ainda vendo CDs, mas na minha super modesta quantidade, dentro da minha "casta" inserida naquilo que chamam "mercado". Faço os discos pelo prazer, por amar o que faço, por curtir o processo, por gostar de aprender, e vejo que algumas pessoas ainda querem ter o CD, ao invés de querer apenas ouvir em streaming  - forma que não ajuda em nada no que se refere à produção artística, pois, se você compra um CD, é uma espécie de "pós-crowd-funding", ou seja, você está ajudando o artista não só a pagar pelo projeto atual, mas a capitalizar alguma coisa para o próximo. Mas, claro, falar nestes termos numa sociedade onde impera a hiper-competição, o “business” acima do Ser Humano e do Planeta, a estupidez acima da gentileza etc., é pedir demais, mas sei que o bom senso ainda habita em alguns poucos. Tenho a boa sorte de ter pessoas que acompanham e apoiam o que faço, e isto é realmente surpreendente e eu fico sem palavras. Por outro lado, é claro que hoje vende-se muito mais lentamente, mas, em compensação, está mais acessível prensar 1.000 cópias do que 500. Então, eu sempre levo CDs onde toco, tem a distribuição física e digital da Tratore e vamos indo, não tenho do que reclamar.
Muito obrigado, muito som e um grande abraço a todos!

Somos nós que agradecemos a oportunidade dessa entrevista.
Sucesso, Michel Leme.



Para adquirir o CD "Michel Leme Trio" e os títulos anteriores com dedicatória, é só escrever para michel@michelleme.com. O CD também está disponível nas lojas Aqualung (Galeria do Rock), Free Note, Pop's Discos, Espaço Sagrada Beleza, Virtuose Escola de Música, Oficina das Cordas e outras lojas dentro da distribuição da Tratore.
Nas plataformas digitais - iTunes, Spotify, Deezer e Google Play.

"Michel Leme Trio" tem apoio cultural da DÁddario, Espaço Cultural Ventos Uivantes, Espaço Sagrada Beleza, Luthieria Oficina das Cordas, MM Estúdio, Music Maker, Play Jazz, Poptical Banana Gourmet, Rotstage, ShoÝou audio e video e Virtuose Escola de Música.

www.michelleme.com/



Mais Michel Leme -
Alma Michel Leme 9 Arquivos Vol.1 Na Montanha

3136

08 setembro, 2017
A música livre, sem fronteiras, como realmente tem que ser.
Essa é a proposta do duo formado pelo guitarrista Rodrigo Chenta e o saxofonista Cássio Ferreira, que apresentam o disco 3136 trazendo três longas composições autorais em um diálogo constante e intenso.
Para o duo, a única regra é não ter regra e através da interação os dois músicos constroem e desconstroem sua música no momento da sua execução.
Assim se faz música criativa, original. Um tanto distante da forma padrão dos standards, o repertório promove a atmosfera ideal para a proposta do trabalho. As composições "31", "36" e "3136" alternam em melodias e improvisos que se complementam e se distribuem em uma dinâmica bem particular, criando uma identidade musical própria.


Cássio Ferreira toca sax soprano e alto, presente no canal direito; Rodrigo Chenta toca guitarras acústica e sólida, presente no canal esquerdo. 3136 foi gravado ao vivo no Estúdio Arsis.
O design gráfico do disco é de Rodrigo Chenta.

Com a palavra, Rodrigo Chenta e Cássio Ferreira -

Como foi criar a proposta deste trabalho?
Rodrigo Chenta: Atuar de forma livre onde o conceito de erro basicamente não existe e o controle dos materiais utilizados não é definido previamente me traz uma sensação muito intensa e excitante. A criação em tempo real gera possibilidades infinitas. Sempre gostei deste tipo de estética musical e a pratico há muitos anos. Por volta de 2004, o Cássio me apresentou alguns trabalhos de modern jazz e outros de free jazz do John Coltrane e também do Evan Parker. Juntei com outros que ouvia como o grupo Interchanges com o Célio Barros no contrabaixo acústico e outros que escutava na mesma época. Daí foi fácil caminhar na direção da improvisação não idiomática mais conhecida como improvisação livre, termo criado pelo guitarrista britânico Derek Bailey em seu livro sobre o assunto. Me influenciei bastante pelos trabalhos lançados pelos selos Incus e Obscure Records. Em muitos pontos pensamos de forma parecida e isso possibilitou desenvolvermos este trabalho que gerou o álbum 3136.
Cássio Ferreira: O Rodrigo me convidou para este trabalho e eu prontamente aceitei. No meio do processo fui descobrindo o que realmente iríamos fazer. Eu tenho uma influência muito grande do jazz americano e, através deste, o free jazz me levou a conhecer vertentes de música improvisada com maior liberdade harmônica e estrutural. Conhecia alguns trabalhos com o Evan Parker (que é uma das referências neste segmento musical), mas fazia tempo que não ouvia nada dessa vertente especificamente. Minha maior referência de improvisação livre é o saxofonista Wayne Shorter (mais especificamente em seu trabalho com seu quarteto com Danilo Perez, John Patittucci e Brian Blade, e em seu duo com o pianista Herbie Hancock), então minha forma de tocar segue essa inspiração musical, ao mesmo tempo em que me inspiro esteticamente nas mais variadas formas de improvisação, desde o free jazz até a música espontânea e outras categorias musicais. Já fiz alguns shows e gravações com espaços para improvisação livre, mas este duo foi a primeira oportunidade de fazer um trabalho 100% voltado para a música espontânea. Adorei a ideia, e gravar este trabalho foi muito gratificante.

A improvisação livre quebrou um paradigma muito forte no jazz - a harmonia. 
Como vocês entendem essa relação?
Rodrigo Chenta: A palavra “Harmonia” normalmente se relaciona com o sistema tonal, mas ela pode ser entendida de uma forma mais ampla onde qualquer fenômeno com frequências seja harmônico. Em todo sistema existe uma hierarquia e nele mesmo a semente do fruto que o destruirá. Quando se fala de música modal é comum autores mais tradicionais normalmente não se utilizarem do termo harmonia e muito menos em música atonal, já que possivelmente seria uma contradição. Na improvisação livre é possível aparecer algum momento com harmonia, pois todos temos nossas biografias musicais, como afirma Rogério Costa em seu livro “Música errante”. Neste tipo de música não é desejável que ela apareça, pois se pretende não lembrar nenhum sistema já formatado. Em nosso caso, no CD “3136” temos como proposta fazer criações tanto dentro de idiomas como fora de idiomas. Não somos um duo que teve como proposta atuar somente com improvisação livre. Em nosso CD se ouve balada, funk, rock, jazz, etc, da mesma forma que também se escutam várias partes em que não se podem encaixar dentro de algum gênero já definido. Por isso dizemos que fazemos música espontânea e somos tão livres que temos a liberdade de atuar dentro da estética da improvisação idiomática (não livre) e da não idiomática (livre).
Cássio Ferreira: O sistema harmônico foi sendo desenvolvido até às últimas consequências, de forma que improvisar sobrepondo harmonias ou ainda abrindo mão delas foi um caminho inevitável. São tantas as possibilidades de criação, que alguns músicos naturalmente sentem o ímpeto de improvisar com uma maior liberdade. A harmonia e a forma estrutural dão suporte para a improvisação, uma referência/base onde todos se apoiam para tocar juntos. Na improvisação espontânea essa base não existe, de forma que tudo que está sendo criado no momento musical é por si só base e desenvolvimento. Este tipo de música requer uma interatividade mais profunda e orgânica, pois cada momento necessita ser sustentado por ambos os improvisadores. Também há outra relação psicológica, pois é um exercício maior de desapego e principalmente aceitação. A relação da música com o aspecto psíquico/humano mais profundo pra mim é muito importante, então poder usar da improvisação para exercitar o agir da consciência humana é fundamental. Esta música nos traz muitas lições de relacionamento humano, de forma muito orgânica, visceral e realista de acordo com nosso momento histórico. Improvisar espontaneamente é criar a vida, momento a momento, reagindo às circunstâncias da melhor forma possível, com beleza, leveza, maturidade e aceitação. Necessitamos disso como músicos e principalmente como seres humanos.


"3136" está disponível somente no formato digital. 
O que torna tão difícil lançar um disco em formato físico hoje?
Rodrigo Chenta: O recurso financeiro destinado à prensagem de um CD físico é muito maior que o custo de produção/pós-produção como gravação, mixagem, masterização, fotografias e site. Com o investimento gasto na prensagem se gravaria mais dois ou três álbuns novos já que a prioridade é sempre o som. Como este é o objetivo, tem um fator que, de fato, faz toda a diferença ao lançar em formato digital, pois, em um CD físico o arquivo é masterizado em 16bits e 44khz (isso é uma limitação na qualidade) e no formato digital fizemos em 24bits e 48khz por enquanto (poderia ser maior caso se almeje isso) o que gera um aumento significativo na qualidade do áudio. O CD físico possui uma vida útil relativamente pequena, risca, quebra, ocupa espaço, não é ecológico, etc. Com o álbum digital além de não ter os problemas já mencionados ele dura para sempre, tem portabilidade, pois é possível ouvi-lo em basicamente qualquer lugar, etc. Em nosso caso, vendemos os arquivos tanto nas extensões .wav 24bits 48khz como em .mp3 320kbps. Os áudios vem com o encarte em alta resolução também.
Cássio Ferreira: Como já dito pelo Rodrigo, o custo de prensagem de discos físicos é alto. Além da possibilidade do disco ser comprado em formato digital com maior qualidade de áudio, há a grande oferta de serviços de streaming para quem deseja praticidade. Portanto, a capacidade de divulgação através da internet é muito grande. Atualmente, os discos físicos de trabalhos independentes são mais frequentemente usados em distribuição para possíveis produtores e contratantes de shows como um cartão de visita. Para o foco na divulgação do trabalho, a internet cumpre bem o papel.

www.cassioferreiraerodrigochenta.com