JAZZ AO SEU ALCANCE

19 outubro, 2017

O Jazz ao seu alcance.
Sim, tão simples. O jazz é de todos e para todos.

O livro, escrito pelo jornalista e apaixonado por jazz Emerson Lopes, é um guia definitivo para os que já estão familiarizados com o jazz e para os que querem conhecer mais sobre o universo dessa música tão contagiante.
São mais de 600 páginas em que Emerson Lopes faz uma síntese sobre os principais artistas, divulga rádios e podcasts, sites especializados, revistas, dicas de discos e entrevistas com especialistas no assunto como Carlos Calado, Wilson Garzon, o saudoso José Domingos Rafaelli, Luiz Orlando Carneiro, Mario Jorge Jacques, Zuza Homem de Melo e também músicos como Daniel Daibem, Marcio Montarroyos, Nelson Ayres, entre outros. Uma verdadeira aula com os mestres.

O livro já está na sua terceira edição e foi lançado pela Editora Multifoco.


Aqui, o entrevistado é Emerson Lopes -

O que levou você a escrever o livro?
O livro foi um desdobramento natural do site Guia de Jazz que mantive por 13 anos. Quando percebi, tinha um grande volume de informações que daria um ótimo livro. E foi isso o que aconteceu. O Guia foi criado para ajudar pessoas que não têm familiaridade com o jazz. Mas preferi investir em dicas de sites para o próprio internauta desbravar o jazz sem dificuldades. O livro, assim como era o site, nunca quis explicar o jazz, seu contexto histórico ou sua cronologia. A pegada é mais direta, mais prática e mais interativa. Além disso, o livro traz entrevistas com músicos e jornalistas, que falam sobre sua relação com o jazz e a música instrumental brasileira.
Por uma década trabalhei em lojas de CDs e fui testemunha da dificuldade que o consumidor tinha para conseguir comprar um disco de jazz. Com o guia na internet, e depois com o livro, meu "trabalho" para diminuir o hiato entre o jazz e o ouvinte ficou mais fácil e mais eficaz. Tem sido uma longa e gratificante jornada poder interagir e aprender com pessoas de todo o país.

Apesar do jazz estar ao alcance de todos, ainda ha preconceito e mesmo falta de conhecimento sobre essa música tão contagiante. Como você entende isso?
Não tem segredo. Você não vê, escuta ou lê sobre jazz na TV, no jornal, na revista ou na rádio. Sem divulgação, nem obras-primas de Miles Davis, John Coltrane, Louis Armstrong ou Duke Elllington podem ser ouvidas e assimiladas pelo ouvinte. Não é uma questão de preconceito, mas de falta de interesse. E isso é fruto desse limbo ao qual o jazz foi sentenciado por grande parte da mídia brasileira.
Assim como qualquer produto de massa, o jazz poderia fazer parte da vidas das pessoas se ele chegasse ao seu destino, neste caso, ao ouvinte. Eu faço minha parte e a internet tem ajudado muito a diminuir essa distância entre jazz e consumidor. Hoje em dia só não escuta jazz quem não quer. Tem centenas de páginas na internet dedicada diretamente ou indiretamente ao jazz e suas vertentes.

"It don't mean a thing if it ain't got that swing", afirmou Duke Ellington. O jazz foi além do swing e do bebop, se transformou e continua se transformando no tempo.
Ainda assim, é jazz?
Como disse o decano Luiz Orlando Carneiro, o jazz "é um modo de expressão musical", ou seja, a essência do jazz é o improviso. É claro que não podemos afirmar que qualquer improviso é jazz, mas sem dúvida o jazz liberta o músico de uma maneira única.
Os movimentos do jazz através do tempo mostram que é possível tocar jazz de diferentes maneiras, com instrumentos distintos e com personalidade própria. Na verdade, toda a genialidade da música "criada" por Armstrong, Miles, Monk, Ellington, Parker e Brubeck continuam permeando as distintas maneiras de se expressar jazzisticamente.

A música brasileira sempre foi uma referência aos jazzistas. A que você atribui essa relação ?
Eu não sou músico, mas dizem que elas se parecem muito,  em especial a bossa nova. Mas é claro que teve o tal do destino nessa história. A paixão do saxofonista Stan Getz pela nossa música foi  um fator determinante, isso sem falar no filme "Orfeu do Carnaval", de 1959, do francês Marcel Camus, baseado na peça teatral "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, musicada por Tom Jobim. O filme foi premiado em Cannes e no Oscar.
Outro divisor de águas e ponta pé inicial foi o concerto no Carnegie Hall, em Nova York, em 21 de novembro de 1962. No palco estavam, entre outros, Tom Jobim, Roberto Menescal, Carlos Lyra e João Gilberto. Na plateia estavam, entre outros, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Gerry Mulligan e Tony Bennett. Mas é óbvio que o que mais pesou foi o talento do músico brasileiro e da nossa música. Isso está ai até hoje. Nomes como Ivan Lins, João Donato, Sergio Mendes  ainda são referência nos Estados Unidos.

Você também produz um Podcast de jazz. Quais os canais de acesso?
O podcast é quase uma "brincadeira". Comecei a fazê-lo na época em que trabalhei no portal de notícias do jornal O Estado de S.Paulo e o mantenho até hoje, mas agora de forma independente. Os programas podem ser ouvidos na plataforma Mixcloud e não há uma periodicidade já que ele é fruto da minha inquietação pessoal e não tem compromisso em ser algo profissional, mas tenho muito carinho pelo podcast. É uma maneira direta e democrática de disseminar o jazz para quem quiser e tiver "paciência" de escutar minhas dicas e observações. Todos estão convidados a ouví-lo. O endereço é www.mixcloud.com/podcastjazzy/

Como adquirir o livro?
O livro saiu por uma pequena editoria carioca, a Multifoco, em 2009. De lá para cá, três novas edições foram lançadas, todas revisadas e ampliadas. É possível comprar pelo site da própria editora, em algumas lojas da capital paulista e comigo. No link a seguir, há todos os detalhes sobre o livro - incluindo entrevistas que dei na ocasião do lançamento - e os endereços das lojas onde é possível encontrar a publicação.
Anote aí: http://jazzaoseualcance.blogspot.com.br/2009/10/jazz-ao-seu-alcance.html

Obrigado Emerson Lopes, e sucesso.

Confira o podcast -

GREGORY PORTER ARRASADOR

08 outubro, 2017
Noite inspiradíssima no Vivo Rio para a apresentação do cantor Gregory Porter no projeto "Jazz We Can".

A abertura da noite foi com o grupo do saxofonista Sergio Galvão, acompanhado pelo guitarrista Lupa Santiago, o contrabaixista Bruno Aguilar e o baterista Antonio Neves. Alternando entre o tenor e soprano, Sergio Galvão apresentou temas do seu disco "Phantom Fish", homenageou o também saxofonista Ion Muniz, interpretou Caymmi (Doralice) e Baden (Vou deitar e rolar), e mostrou composições inéditas que estarão no próximo disco, entre elas a fusão de um "samba-árabe" e um tema em reverência a João Donato.
Tem que destacar o baterista Antônio Neves, filho do saxofonista Eduardo Neves, mostrando uma pegada impressionante, com levadas e pontuações precisas e contagiantes - excelente músico.

Gregory Porter subiu ao palco com seu estilo muito particular, vestindo seu habitual boné abotoado até o pescoço, voz calorosa, imponente e um timing perfeito, mostrando-se cada vez mais singular em meio a tão poucas surpresas que surgiram nos últimos anos.
Acompanhado por Jahmal Nichols no contrabaixo, o excelente Chip Crawford no piano, Tivon Pennicott no sax tenor e Emanuel Harrold na bateria, apresentou basicamente o repertório dos seus 4 discos lançados - "Water" (2010), "Be Good" (2012), "Liquid Spirit" (2014) e "Take me to the Alley" (2016).
Abriu o show de forma arrebatadora com "Holding on" e "On my way to Harlem", já deixando a audiência em calorosa. Deu destaque às belíssimas baladas "Take me to the Alley", "Hey Laura" e a atmosfera muito particular de "Don't lose your steam", com intervenções quase poéticas do pianista Chip Crawford. Saindo das baladas e dando outra dinâmica ao repertório, o contrabaixista Jahmal Nichols incendiou um improviso solo na introdução de um clássico da Motown - "Papa was a Rollin' Stone", emendando com "Musical Genocide".
"Be Good", particularmente, era uma das mais esperadas, e Chip impõe sua percepção erudita ao tema. Em "Liquid Spirit", Porter envoca um spiritual, puxa as palmas do público e, literalmente, a casa vai abaixo contagiada pela condução e efervescência do tema. O calor do repertório dá uma pausa e repousa em "Water under bridges", em que Porter faz duo com o piano de Chip Crawford em um diálogo primoroso; e segue com "No Love Dying", para, novamente, o público cantar junto.

Porter cantou, recitou, fez da voz um elemento percussivo e aproveitou para citar outras vozes como James Brown, Stevie Wonder, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald e Nat King Cole, esta, sua grande influência.
Fechou a apresentação com "1960 What" em uma verdadeira celebração, com direito até a uma citação para "Mas que Nada" (Jorge Ben).
Não podia faltar o bis, que veio com "Free".

Sem dúvida, Gregory Porter é um artista extraordinário, não à toa figura em destaque desde 2013 na lista do Critics Poll da revista Downbeat e já arrebatou 2 Grammys com os discos "Liquid Spirit" e "Take me to the Alley".
Seu próximo trabalho - "Nat King Cole & Me" - é um tributo a Nat King Cole, a quem tem profunda admiração e influência, e tem previsão de lançamento no final de outubro.