BLUES: THE BACKSEAT MUSIC

03 dezembro, 2017
O jornalista Eugênio Martins Junior apresenta o livro
Blues: The Backseat Music, uma coleção de 40 entrevistas realizadas em 10 anos de trabalho cobrindo shows e festivais.
Para o autor, o objetivo é contar uma história que ainda não foi contada e não carrega a ambição de ser uma obra definitiva sobre o blues no Brasil, muito menos tem a função didática de explicar como e por que o gênero surgiu, o que outros livros já fazem com muita competência. Afirma ainda que, assim como tocar blues, escrever sobre o gênero no Brasil não é fácil.

O livro está dividido em 2 partes - artistas nacionais e internacionais, e traz entrevistas com Celso Blues Boy, André Christovam, Igor Prado, Jefferson Gonçalves, Nuno Mindelis, John Hammond, Lynwood Slim, Duke Robillard, Shemekia Copeland, Larry McCray, e muitos outros. Ao mesmo tempo em que coloca o leitor dentro da cena, conta a história daqueles que não só carregam o piano, mas também a guitarra, o baixo, a bateria, o case de harmônicas e o hammond B3. De teatro em teatro, de bar em bar. Ao ler esta coletânea de entrevistas, você vai entender o porquê do título.

O prefácio do livro foi escrito por Nuno Mindelis.
"Blues: The Backseat Music" é um lançamento da Editora Ateliê de Palavras.

Com a palavra, Eugênio Martins Junior -

Como surgiu a ideia do livro?
Quando eu percebi que, por conta do meu trabalho na produção, poderia extrair informações exclusivas dos músicos, contar histórias da estrada, do blues no Brasil e o que estava acontecendo em termos musicais, mostrar a cena do blues.

De todas as entrevistas, qual foi a mais desafiadora?
Em vários níveis de dificuldade, porque umas eu já estava viajando com o artista, outras porque é difícil falar com o cara - a do Corey Harris, por que ele é um pouco desconfiado com os brancos, mas tem lá suas razões.
Outra, por ser um ídolo de infância, a do John Paul Hammond, no festival de Rio das Ostras que você estava. Além de ter sido um prazer, a entrevista foi na beira da piscina, rolando um som; e outras duas que vão estar no volume 2 do livro, a do capo da Alligator Records e do gaitista da banda Mississippi Heat, Pierre Lacocque.

No prefácio, escrito por Nuno Mindelis, ele cita a expressão “o blues vai te pegar”. 
Quando o blues te pegou?
A primeira vez que ouvi a palavra blues foi no filme "A Rosa", com a Bette Midler e o Kris Kristoferson. Mas o meu primeiro disco de blues foi "Ao Vivo Em Montreux" com Buddy Guy e Junior Wells, foi uma revelação. Logo depois eu fui ao festival de blues de Ribeirão Preto e vi o Albert Collins ao vivo e o John Hammond e o Buddy Guy em Santos.

Você, além do grande conhecimento música, também é um produtor e empreendedor.
Como você vê a formação de novos públicos para o movimento do blues?
Cara, pra ser sincero, não existe formação. É só você ver o que está acontecendo com a cultura no Brasil. O desmonte que está acontecendo. Orquestras sendo encerradas, aqui na baixada santista temos quatro teatros fechados. Você vê, esse ano o festival de Rio das Ostras não vai acontecer. O Bourbon Fest também está com dificuldade e talvez não aconteça. Eu faço bem menos shows de blues do que antes, a gente nada contra a correnteza. A grande mídia nacional optou pelo lixo cultural. Quando eu era adolescente não passava um dia sem conhecer uma banda nova. E olha que naquela época não existia internet. O jovem de hoje está anestesiado por uma tela,  a música hoje é só a trilha sonora da balada. Eles nem estão aí pra quem tá tocando. Não leem um livro!

Obrigado Eugênio Martins Junior, e sucesso.

Você pode adquirir o livro diretamente com o autor pelo e-mail contato.mannishboy@gmail.com e pelo site da Editora Ateliê de Palavras