RUPESTRE DO FUTURO

26 janeiro, 2018


O violonista gaúcho Rodrigo Nassif apresenta seu novo disco, Rupestre do Futuro, um trabalho autoral trazendo uma fusão de ritmos e tendências urbanas mesclados com a influência do regional gaúcho, o flamenco e o improviso do jazz contemporâneo.

Tocando violão, guitarra, piano e percussão, Rodrigo forma ao seu lado um quarteto com Carlos Ezael nos violões; Samuel Basso no contrabaixo e harmônica; e Leandro Schirmer na bateria, percussão e piano.
No repertório, 12 composições inspiradas nas paisagens urbanas da cidade de São Paulo e seus grafites, cujas pinturas rupestres registram nossa vida hoje.

O disco foi gravado no Estúdio Panamá, Porto Alegre.
A arte da capa é de Adão Iturrusgaray.


Com a palavra, Rodrigo Nassif -

Conte-nos sobre sua formação musical.
Credito ao hábito de ouvir música em casa - jazz, choro e rock - o meu interesse e posterior envolvimento com o universo musical. Ter vários músicos amadores entre meus tios e primos foi outro fator que semeou um interesse e curiosidade permanente em relação à prática.
Somente em meados da adolescência comecei a me sentir desenvolto o suficiente para poder desenvolver uma prática, estimulada por colegas do colégio que tinham bandas de rock. Aí fui fazer aulas de violão com um amigo que, posteriormente, veio a gravar meu primeiro disco de violão solo em seu selo, "Café com leite". Tanto ele, o Evandro Lazzarotto, quanto outros músicos da cidade que eu morava, Passo Fundo, interior do RS, como o Rafael Campanile, que hoje dá aulas em Portugal, foram muito importantes na minha formação porque são improvisadores natos. Após uma vitória em um festival regional de bandas, resolvi entrar no bacharelado de violão clássico que tinha aberto na minha cidade, e aí foi mais um salto. Para manter uma bolsa de estudos tinha que tocar para o grupo de teatro da faculdade e para o grupo de bossa e jazz da mesma instituição.
Esse caminho acabou por me levar até o Posgrado (mestrado) de performance em violão, também como bolsista, dessa vez do prestigiado Conservatório Luis Gianneo em Buenos Aires. Após 1 ano e meio na Argentina comecei a fermentar a ideia de gravar as composições que eu tinha em mente, que  acabaram por se realizar no estúdio do Evandro em Passo Fundo. Esse disco ganhou um prêmio considerado importante no RS, o Açorianos, e isso abriu caminho para mais composições e shows. Aí fui testando as formações até chegarmos ao quarteto, que é a principal atividade que tenho hoje.

O violão sempre foi o protagonista? 
Há, em especial, alguma inspiração e/ou influência nessa sua trajetória?
Resolvi adotar em definitivo o violão nos shows por uma questão de afinidade com o instrumento, e é claro que adoro ouvir violonistas célebres como Bream, Reindhardt, Segovia e Bonfá, que dos brasileiros é meu favorito. Também me identifico muito com o estilo de guitarristas como o Wes Montgomery e com o bandoneon de Piazzolla. Todos os músicos com quem toquei e assisti pessoalmente também há uma influência, mesmo que em nível inconsciente. Tive a sorte de tocar com alguns músicos dos EUA no começo do meu bacharelado, e a convivência com eles e a quantidade de estudo por parte deles que eu presenciava foram coisas que me marcaram de modo indelével, em especial do guitarrista Craig Ovens, que já era bastante experiente.

foto: Luiza Castro
"Rupestre do Futuro" é um trabalho autoral. Como se dá o seu processo de criação?
"Rupestre do Futuro" é o sétimo lançamento com meu nome, são 3 discos de violão solo além do "Rodrigo Nassif", "Fronteira" e "O pulo do gato"; e com o Rodrigo Nassif Quarteto foram lançados dois singles - "Espelho Hexagonal" e "Mar de dentro", mais dois discos completos - "Todos os dias serão outono" e "Rupestre do futuro". Os arranjos se definem nos ensaios quando há a participação de todos, mas o cerne das composições já levo pronto e aparecem de todo modo. Há músicas que simplesmente brotam com toda a estrutura como "Citadina" e "Um abraço em Luis Alberto", e outras que precisamos ter muita paciência, como o caso da "Rupestre"; até que, nos ensaios, aparece a experimentação que vai fazer a música ter o embalo para a frente que me agrada. Cada uma tem sua história, independente das outras.

Fale sobre os músicos que te acompanham neste trabalho.
Excelentes músicos, todos os três. O Carlos Ezael conheci porque ele foi meu aluno de violão durante um período, e é quem passou por mais formações. Já nos apresentamos com duo e mais um bandolim, depois com duo e percussão, e etc. O Samuel Basso, tem baixo no nome, é um cara super intuitivo e versátil, e esses dois são a ala mais jovem do quarteto, que tem o Leandro Schirmer que assume as baquetas e as teclas e é um multi instrumentista experiente e criativo como poucos músicos que já acompanhei.

Que instrumentos usou nesta sessão e como você configura seu set acústico?
Usei uma Grestch, um pedal de drive e um Fender De Luxe para gravar as guitarras, que funcionam como um naipe de cordas nesse disco. Fora um ou outro overdub, gravamos o disco inteiro em um único dia no estúdio Panamá em Porto Alegre. O violão é um Francisco Estrada Gomez, microfonado. Somente agora estou testando um sistema em que posso ligar ele na mesa.

Obrigado Rodrigo Nassif, e sucesso.

"Rupestre do Futuro" está disponível nas plataformas digitais - Spotify, Deezer e iTunes