VENTO SUL

31 março, 2018
O violonista carioca Luís Leite apresenta seu terceiro disco, Vento Sul, um trabalho autoral inspirado na riqueza poética da música latina, evocando o colorido plural de nossos países vizinhos, pincelando os regionalismos, não de forma folclórica, mas sincrética, um amálgama das vivências do artista ao longo dos anos e que, aqui, ganha emoção particular através, também, da empatia artística entre os músicos convidados.

"Vento Sul" é o mais introspectivo trabalho de sua carreira. Reuniu formações diferentes para cada faixa do disco, com as mais variadas instrumentações, em que cada música possui uma identidade própria e representa um universo particular em si mesma. É um convite a uma degustação delicada, sem pressa, um incentivo à exploração do nosso espaço interno de escuta.
Participam deste trabalho Tatiana Parra e Lívia Nestrovski nas vozes, Erika Ribeiro no piano, Peter Herbert no contrabaixo, Diego Zangado e Felipe Continentino na bateria; além dos sopros de Giuliano Rosas no clarinete e Wolfgang Puschnig na flauta, a percussão de Sergio Krakowski e Luis Ribeiro, a viola de Elisa Monteiro, o violino de Márcio Sanchez, o acordeão de Marcelo Caldi, o piano rhodes de Ivo Senra e o violão de Fred Ferreira.


Com berço musical, Luis Leite aprendeu os primeiros acordes no violão com seu avô, que o fez descobrir seu interesse pela música, do jazz à música clássica, e aos 14 anos já integrava Grupo Camerístico de Violões. Formado em violão pela UniRio, se especializou na Accademia Musicale Chigiana em Siena, Itália, e mudou-se para Viena onde viveu por uma década, recebendo os diplomas de bacharel e mestre pela Universitat fur Musik Wien, sob orientação do renomado violonista Alvaro Pierri.
Premiado em diversos concursos internacionais de violão, retornou ao Brasil assumindo a cátedra de Violão da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde coordena o programa de Bacharelado em Violão. Concluiu seu Doutorado (PhD) em Música pela UniRio desenvolvendo pesquisa sobre novas linguagens de improvisação musical. Foi também vencedor do XI Prêmio BDMG Instrumental em Belo Horizonte e tem em sua discografia mais discos autorais - 'Mundo Urbano'  e 'Ostinato'.

"Vento Sul" abre com o tema "Santiago", cuja melodia foi escrita em um hotel na própria cidade homenageada, Santiago de Compostela, com alternância de compassos ímpares, como um preâmbulo ibérico e uma primeira parada em direção à América do Sul, aqui em duo com o piano de Erika Ribeiro.
"Veredas" traz voz e violão em busca de novos caminhos e percursos harmônicos, foi composta para a cantora Tatiana Parra que protagoniza o tema explorando uma estética de contornos melódicos sinuosos, e com a curiosa utilização do Adufo, um pandeiro sem platinelas protagonizado pelo percussionista Sergio Krakowski. "Flor da noite" faz duo com o clarinete de Giuliano Rosas, foi escrita em homenagem a Guinga, sua grande influência musical, e traz uma sonoridade mais escura, de harmonia aveludada. "Noturna" soa como uma improvisação livre, em fluxo contínuo, sem repetição na sua forma, trazendo uma reflexão nostálgica, sem pressa, presente o violão de Fred Ferreira e a voz de Lívia Nestrovski.

foto: Aline Müller
"Beniño" foi composta em homenagem ao nascimento do primeiro filho de Yamandu Costa, carrega uma melodia doce como uma cantiga de ninar, e traz ao longo do tema uma "chacarera", dança folclórica argentina, aqui com o violino de Marcio Sanchez, o acordeon de Marcelo Caldi e a bateria de Diego Zangado. "Céu de Minas" é de uma beleza ímpar, remonta às melodias naturais e narrativas musicais envolventes da música mineira, composta em uma noite de céu aberto e inspirada pela atmosfera cativante de um momento de tranquilidade e contemplação, novamente presente a voz de Tatiana Parra, o piano envolvente de Erika Ribeiro e a bateria Felipe Continentino.
"Minguante" é inspirada na personalidade introspectiva e feminina da lua minguante, que nos leva a um lugar de calma e serenidade, visitando nossas próprias inquietações internas em uma atmosfera expansiva colorida pelo improsivo do violão de Luis Leite, o violino de Márcio Sanchez e a viola de Elisa Monteiro. "Pedra do Sal" traz uma atmosfera mais jazzy e ganhou o título por conta do característico encontro musical que acontece no lugar homônimo no Rio de Janeiro. O tema foi gravado em um só take, espontâneo, e resgata o imprevisto, abrindo espaço para a experimentação e interação ao lado de Ivo Senra no piano rhodes e Felipe Continentino na bateria. "Caravan" se apresenta como um amálgama de confluências culturais, muito contemporânea, com poliritmias e sincretismos estilísticos, aqui com a flauta de Wolfgang Puschnig, o contrabaixo acústico de Peter Herbert e da percussão de Luis Ribeiro. O disco fecha com “Despedida”, sereno, nostálgico, única faixa do disco em que Luis Leite usa violão de aço, e traz uma inusual combinação instrumental com adufo, viola de arco e violões. O improviso com violão de nylon contrasta com o timbre do irmão de aço e o contraponto da viola, e é um epílogo com um sentimento de saudade, mas também de contato com um espaço íntimo interior, de tranquilidade.

Um trabalho tão delicado quanto intenso, em melodias e instrumentação; e que, com absoluta convicção, já se estabelece como um dos mais belos discos da nossa música nos últimos tempos.

"Vento Sul" pode ser adquirido pelo site www.luisleite.art.br



"Vento Sul" tem a produção de Luis Leite, direção artística de Luis Leite e Erika Ribeiro, engenharia de som de Carlos Fuchs e traz a arte gráfica de Maria Birba. A Assessoria de Imprensa é da Cezanne Comunicação.